Concrete Heart
23 Capítulo 22 -What I feel scare me
Notas iniciais
Eu saí do quarto de Victor e fui para casa.
— Rose! – eu disse, quando a peguei jogando videogame na sala.
— Oi, A – ela disse, colocando o controle no console.
— Emmett te torturou, ou você cedeu a tentação?
Ela riu.
— De bom humor? Que novidade.
— A minha vida é linda, o céu é lindo... Está tudo lindo hoje.
— O que deu em você? Devolva-me a Angel!
Eu ri.
— Vem cá – ela me chamou e eu sentei ao seu lado. – E então?
— Hum, foi tudo bem. Ele entendeu.
— E você?
— Estou bem.
— Sério?
— Sim, Rose. É, acho que eu amo o Ephrain. Mais do que eu jamais vou admitir. Mas acho que, no fim, eu percebi que preciso mais do Victor do que dele.
— E como você se sente em relação a isso?
— Estranhamente bem. Sério, eu estou bem, como eu nunca estive antes. Pela primeira vez, eu não estou mal dizendo o dia antes mesmo dele começar.
Ela sorriu.
— Preciso de um banho – eu disse e me levantei.
***
Já era noite de novo, o dia havia passado tão rápido. É engraçado como quando não tem nenhuma guerra de vampiros a espreita, o dia passa correndo. Como se não fosse tão divertido.
Victor já estava pronto para dormir, mas não dormia. Como sempre.
Ele acariciou meu rosto e me encarou, com os olhos brilhando.
Ele quer alguma coisa. Semicerrei os olhos e o encarei.
— O que você quer? – perguntei.
— Eu?
— Sim, eu te conheço. Você quer algo que eu provavelmente vou dizer não.
Ele riu.
— Ok. Vamos sair daqui?
— Agora? Seu pai vai ficar louco quando vir aqui te espionar de madrugada e não te achar. É capaz de ele colocar cadeados na sua porta.
Ele riu de novo.
— Não estou falando disso.
— Está falando do quê?
— De nós dois. Nós dois longe de tudo isso por um tempo. Sem lobos, sem os Volturi... Sem o meu pai me controlando. Só eu e você.
Eu gostei daquilo. Tudo bem, eu mais do que gostei daquilo.
— Por mim, tudo bem — concordei.
— Sério?
— Sim.
— Isso foi fácil demais, estou desconfiando de você.
Eu ri.
Ele mordeu meu lábio inferior, sem realmente me beijar, sua língua entrou na minha boca e sua mão subia para minha cabeça, segurando-a no lugar enquanto ele me beijava.
— Para onde você quer ir? — perguntei, quando seus lábios desceram para o meu pescoço.
— Para onde você quiser — ele respondeu, deixando uma trila de beijos desde o meu maxilar até meu ombro.
— Carlisle me deu uma coisa no meu primeiro ano como vampira — eu disse.
— O quê? Um iate? — ele perguntou, rindo.
— Não, uma ilha.
Ele parou de me beijar e me encarou.
— Você está brincando, né?
— Não.
— Ninguém dá uma ilha para alguém, Angel.
— Bom, ele me deu. Mas eu só fui lá duas vez. Na verdade, quando ele me deu e por causa de Esme.
— E por quê?
— Por que ele me deu? Ou por que eu só fui lá duas vez?
— Pode me responder as duas?
Eu ri novamente.
— Bom, somos vampiros. Não precisamos comer, nem trabalhar... E eu vejo as bolsas de valores. Enfim, temos dinheiro demais e não temos com o que gastar. E aí ele transformou Esme, e então nós fomos para lá para ensiná-la a se controlar. Ele me deu uma ilha para quando eu precisasse de um tempo dos vampiros, sabe. E, eu só fui lá duas vez, por que eu nunca precisei de um tempo dos vampiros necessariamente. Adoro minha família.
Ele não disse nada, apenas continuou pensando.
— Então...? — perguntei, depois de um tempo.
— Por mim, tudo bem — ele repetiu as minhas palavras.
Sorri e o beijei.
Já era quase 01:00, Victor ainda não havia dormido.
— Você não vai dormir? — perguntei, apoiando o queixo em seu peito.
Ele passava a mão por meu cabelo.
— Estou sem sono — respondeu.
Me levantei e me apoiei na cama com o cotovelo.
— Me diz o que está pensando — pedi.
— Em você. Para variar.
Sorri.
— E...?
— Eu estava pensando sobre o que meu pai disse.
Esperei.
— Sobre nós dois tomarmos cuidado...
— Ah. E por que você estava pensando sobre isso?
— Você sabe que consegue se controlar.
— Talvez...
Coloquei a mão em seu peito e brinquei com o cordão que ele nunca tirava.
— Já é o suficiente para mim.
— Não, não é isso. Olha... — eu mordi o lábio. — Você não entende? Sou uma vampira. Eu não posso simplesmente... Eu não posso perder o controle com você, Victor. E acredite isso me faria perder totalmente o controle — eu disse, e senti a impressão de que tinha dito aquelas mesmas palavras antes.
— Você não vai me machucar.
— É claro que eu vou.
— Tenta. Só... Tenta. Eu posso... Te dar um tempo.
— Um tempo? — perguntei.
— Sim. Te dou... Dois anos! Dois anos sem nem cogitar a minha transformação. Não vamos falar nisso, eu prometo. Mas só dois anos. Vou fazer 19 em setembro, mas eu não vou passar dos 21.
— 25? — testei.
— Não, 21!
— Eu escutei você falando 25.
— Sua audição de vampiro está falhando. Eu disse 21 e não vou mudar de ideia.
— 24, então, não é?
— 21!
— Bom, eu não concordei...
— Parecia que você já tinha concordado...
Suspirei.
— Eu não acredito que estou tentando fazer um acordo com você. Olha, eu estou abrindo mão do que eu quero...
— Para ter outra coisa que você quer.
— É, mas eu... Bom, você vai aceitar ou não?
— É claro que não.
— Você não vai me machucar — ele repetiu.
— Você não pensa.
— Eu penso sim — ele disse, mal-humorado.
— Se... Se eu aceitar, você não vai nem cogitar sua transformação até os 21?
— É claro.
— Não vai mesmo? Eu não confio em você. Você é muito insistente.
— Sou mesmo. Mas não vou insistir. Não antes dos 21.
— 23?
— 21, Angel! Nem começa.
— Por que não 25? 26? Você não vai mudar tanto, Victor.
— É claro que eu vou. Acho que eu não vou mudar em quase 8 anos? Você tem 16 anos. E mesmo assim parece ter 15. Daqui a pouco vão achar que eu sou um pedófilo.
Eu ri.
— Eu não acho que alguém acharia que você é um pedófilo. E quem se importa com o que os outros pensam?
— Você deveria. Já que realmente sabe o que eles pensam.
Revirei os olhos.
— Francamente!
— Então...?
— Preciso pensar nisso melhor.
— Parece que você vai assinar um contrato.
— É quase isso.
Ele não riu, estava pensando em outra coisa. Era difícil seguir a linha de pensamento dele.
— Se você não quiser, tudo bem. Eu posso esperar. O quanto você quiser. Até mesmo depois dos 21.
— Como humano?
— Sim, como humano.
— E por quê?
— Bom, quando eu for um vampiro, tudo o que vou querer é sangue. E mais nada.
— Isso passa.
— Mas vai demorar.
— E o que isso tem a ver?
— Tudo. Não quero que isso aconteça em reação ao vampirismo. E... Quero ter todas as experiências humanamente possíveis.
— Humanamente possíveis... Devia seguir essa regra.
Ele riu.
— Mas... Você não tem que esperar. Eu quero. O que eu não quero é te machucar.
— Tudo bem.
— Tudo bem?
— Sim, isso é um sim, não é?
— Quase. Ainda tenho algumas condições.
— Quais?
— 22.
— Não, 21.
— Mas... Achei que era um acordo. Acordos estão sujeitos a mudanças.
Ele pareceu pensar.
— OK. Então, vai ter que mudar uma outra coisa também.
— O quê?
— Você disse que confia totalmente em Carlisle para me transformar.
— Sim.
— Eu também confio, mas... Eu prefiro que você faça isso.
O quê?
— O quê? Eu?
— Sim.
— Por quê? Carlisle é super confiante. Ele mudou todos nós. Sem nem cogitar o sangue.
— Eu quero que seja você.
— Eu achei que você me amasse.
— Você deveria ter certeza de que eu te amo.
— Isso é tortura, Victor.
— Se você quer que seja até os 22, vai ter que me transformar. E não adianta querer mudar depois. Eu te faço se sentir culpada pela eternidade. E a eternidade para os vampiros é literal.
— Não posso fazer isso. É perigoso. Eu nunca transformei ninguém em toda minha existência.
— Me sinto honrado de ser o primeiro.
— Victor, para de brincar.
Ele riu mesmo assim.
— Não deve ser tão difícil. Você só vai precisar parar. E você consegue. Eu sei que você consegue.
— Falar é bem fácil. E se eu matar você?
— Não vai.
— Victor, sou eu quem vê o futuro, não você.
— E você me viu, não é? Você me viu como um vampiro.
— Eu também vida você morto. As minhas visões mudam.
— Baseadas no que eu decido. Eu já me decidi. Só falta você aceitar. E então você vai ter uma visão perfeita de você me mordendo e eu sendo um vampiro.
— Não é assim que funciona — eu disse, rindo nervosamente.
— Eu confio em você — ele disse, se virando e me derrubando no colchão. — Você não vai me machucar. — ele repetiu, seu nariz tocando o meu.
— Sua fé em mim me assusta.
— Meu amor por você também — ele sussurrou.
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