Comunicação
1 Capítulo Único
Notas iniciais
AULA IDIOTA
Olhei para a mesa tentando não rir.
Pelo visto alguém estava de mau-humor hoje de manhã.
Escrevi do lado "seja lá qual for, eu concordo" e continuei tentado não dormir na minha própria.
~x~
E você está certíssimo(a?) em pensar assim
Encarei aquela mesma caligrafia. Não esperava obter uma resposta. Se bem que a pessoa por trás dela provavelmente também não. Risquei o “a” e escrevi embaixo "e você? ( )a ( )o ( )x ( )sou um alien ( )sou um anjo". Fiquei imaginando o que e se ela responderia (não é como se eu tivesse uma aula pra prestar atenção ou algo assim). Minha divagação foi interrompida pelo Kiba, que resolvera tacar restos de borracha em mim.
~x~
( )a (X)o ( )x ( )sou um alien (X)sou um anjo, tema perante mim
Ri com a bobagem. Gaara, que dessa vez era quem estava ao meu lado, me olhou questionando. Apenas balancei a cabeça negando e fiquei quieto.
Não tinha mostrado ainda para os meus amigos. Estava achando divertido todo esse lance. Tipo, eu estava conversando com um cara aleatório da turma da manhã! Isso era louco! Se nos tornássemos amigos de verdade eu com certeza contaria a história de como nos conhecemos pra todo mundo! Eu seria o padrinho de seu casamento e contaria isso, com certeza!
Resolvi fazer um desenho de palitinho mostrando um anjo e uma pessoa com cara de medo ao olhá-lo. Afinal, dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, certo?
Ok, talvez bonecos de palitinho valham apenas umas 500 palavas.
~x~
Consertei seu desenho, .......? (aliás, eu me chamo Sasuke)
Mal prestei atenção ao fato de que o anônimo não era mais anônimo.
Ele não tinha consertado o meu desenho.
Ele tinha feito uma obra de arte usando os meus palitos como esboço, base, rascunho, storyboard ou seja lá qual for o termo correto. Os detalhes eram geniais, as sombras, os tons mais fortes ou mais fracos do lápis, perfeitos!
Se o tal Sasuke fosse mesmo como estava no desenho, ele era simplesmente o cara mais bonito que eu já tinha conhecido (ou quase isso) na vida!
Reparei que o que seria o meu rosto não parecia pronto, tinha apenas uns olhos e boca genéricos assustados, assim como apenas um leve contorno para o cabelo.
“Naruto. Cara, você desenha extremamente bem! Faz curso ou algo assim?” escrevi sorrindo e tentei voltar a me concentrar na aula, mas meus olhos se desviavam o tempo todo para o rosto desenhado enquanto eu pensava em chegar mais cedo na escola. Assim eu poderia conhecê-lo pessoalmente. Sorri com a ideia mesmo sabendo que eu provavelmente não conseguiria me forçar a acordar cedo para isso.
~x~
Eu estava triste por não ter conseguido terminar o desenho, mas agora estou triste porque o mesmo não faz juz à sua aparência (e não, não faço curso)
Olhei embasbacado para a mesa tentando processar o que aquilo queria dizer.
Aliás, como assim? A minha cara estava simplesmente idêntica! Se o desenho tivesse uma cara chocada ao invés desse sorriso eu iria pensar que estava olhando para um espelho!
Espera, sorriso? Não era pra ser uma cara assustada? Reparei num outro rabisco embaixo do desenho
P.s.: Eu sei que deveria ser uma expressão temerosa, mas não consegui evitar tentar reproduzir o seu sorriso. Combina mais com você.
Mas o que? Como asism? Ele me viu? Será que roubou a minha ideia e ficou até mais tarde? Mas como eu não reparei nele? Será que na verdade ele não é como no desenho? Mas não faria sentido, se o meu ficou tão igual…
P.p.s.: Você é bem distraído. Cheguei a acenar, mas você não reparou. Me pergunto no que estava pensando...
Ruborizei lendo aquilo. Ele não só tinha me visto como me pegou justamente quando estava pensando nele!
Balancei a cabeça sorrindo em descrença. Amanhã eu com certeza acordaria mais cedo e o veria no seu horário!
P.p.p.s.: Por falar nisso, eu ainda estou te vendo. E provavelmente acenando de novo.
Arregalei os olhos e lutei pra não parecer nervoso ou mais ruborizado. Levantei lentamente a cabeça, olhando para cada aluno da minha turma e até para o professor com desconfiança.
Já ia desistir e escrever na mesa que não era divertido ele me deixar paranoico quando algo na janela da porta me chamou a atenção.
Virei novamente naquela direção e me deparei com um par de profundos olhos negros se revirando como se dissessem “finalmente”, um meio sorriso e uma mão dando um leve “tchauzinho”.
Sorri largo enquanto me levantava pedindo para o professor permissão para ir beber água.
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