Complicada e Perfeitinha
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Que mulher ruim
Jogou minhas coisas fora
Disse que em sua cama eu não deito mais não
A casa é minha, você que vá embora
Já pra saia de sua mãe e deixa meu colchão
– EU TE ODEIO! – Nami gritou, empurrando Zoro para fora do quarto – VÁ EMBORA!
– ESSE QUARTO É MEU, SUA LOUCA!
– CALE A BOCA! – Ela berrou de volta, batendo a porta no nariz dele.
O que infernos ele fizera dessa vez? Sabia que Nami era irritadiça, tudo piorava naquela parte do mês, e tentava ao máximo não fazer nada que a desagradasse, pois o que ela tinha de bonita tinha de força nos punhos. E agora, do nada, ela o chutava de seu próprio quarto em sua própria casa! (Isso é meio óbvio, né, filho? Seu quarto não vai estar na casa da Hancock, certo? CERTO?).
– Ah, quer saber? Eu vou jogar Resident Evil no meu Xbox.
Ela é "pró" na arte de pentelhar e aziar
É campeã do mundo
A raiva era tanta que eu nem reparei que a lua diminuia
A doida tá me beijando há horas
Disse que se for sem eu não quer viver mais não
Me diz, Deus, o que é que eu faço agora?
Se me olhando desse jeito ela me tem na mão
"Meu filho, aguenta.
Quem mandou você gostar
Dessa mulher de fases?"
Zoro matava outro zumbi, deixando uma torrente de palavrões já existentes, desconhecidos e inventados sair por entre seus lábios, quando Nami chegou na sala, com cara de cachorro perdido em dia de chuva de granizo. Ou qualquer coisa equivalente. Ela se jogou no lado dele, que ignorou.
– Mô... – Ela chamou, manhosa. Nami quase nunca o chamava assim. Só quando queria algo.
– Tô ocupado. – Ele resmungou prestando total atenção no jogo.
– Mas... Mô...
– Agora não, laranja.
– Mô... Mô, me dá um pouco de atenção!
– Eu tô jogando, caramba! – Roronoa exclama irritado.
– Mas... Mas... – Nami fungou, ameaçando chorar.
Zoro pausou o jogo, muito sem vontade, e virou-se para ela, que já tinha lágrimas nos olhos pidões de Gato de Botas. Droga. Ele ainda não conseguia vencer aquele olhar. Nem com toda sua força de vontade. Roronoa suspirou, deixou o controle de lado e estendeu um braço para ela, chamando-a para um abraço, que foi aceito de prontidão.
– Eu amo você, Zoro. – Ela murmurou e Zoro segurou a vontade de bater a cabeça na parede mais próxima. O que deu naquela mulher?
Complicada e perfeitinha,
Você me apareceu.
Era tudo que eu queria,
Estrela da sorte.
Quando à noite ela surgia,
Meu bem, você cresceu...
Meu namoro é na folhinha,
Mulher de fases.
Agora fazia sentido. Como ele podia ter sido tão burro em não pegar um preservativo?
O teste de gravidez positivo na pia do banheiro denunciava sua burrice. O fato de Nami estar parecendo bipolar e o modo como parecia nervosa no outro dia, como se escondesse algo, eram explicados pelo teste positivo. Céus. Ele estava muito ferrado!
– Zoro? Você não vem dormir? – Falando no diabo...
– Ah, já vou, já vou! – Respondeu, escondendo o teste no bolso do pijama. Talvez no dia seguinte ela achasse que jogara no lixo.
Ele foi, praticamente correndo, para a cama onde sua namorada de cabelo laranja esperava. Mal deitou-see ela o abraçou com pernas e braços. Maldição. Ele estava extremamente ferrado.
Põe fermento, põe as "bomba"
Qualquer coisa que aumente e a deixe bem maior que o Sol
Pouca gente sabe que, na noite, o frio é quente e arde e eu acendi
Até sem luz dá pra te enxergar o lençol
fazendo "congo-blue"
É pena, eu sei, amanhã já vai miar... Se aguente,
Que lá vem chumbo quente!
O dia amanheceu. O sol brilhava, os passarinhos cantavam, crianças e algumas outras pessoas ainda roncavam... Estaria tudo perfeito, se não fosse pela ruiva irritada segurando o teste de gravidez que, supostamente, deveria estar o bolso da calça dele.
– Você anda me bisbilhotando? – Nami perguntou, quase quebrando o objeto. Ela, com toda sua delicadeza natural, conseguira empurrar o rapaz para o chão, e agora o encarava ajoelhada na cama.
– Eu quem deveria estar bravo! Você tá grávida e nem me contou!
– Eu tava esperando o momento certo, seu idiota!
– E esse momento era daqui a nove meses, por acaso?!
– Do jeito que você é lerdo, poderia passar vinte meses que você nem ia notar!
Os dois se encaravam com cólera. Zoro estava bravo por Nami ter escondido isso dele, e ela estava brava por ele... Por... Por ele ter reagido daquela forma! Isso! Ele não sabia como ela se sentia!
– Droga... – Roronoa resmungou, se levantando – Teria sido melhor se tivesse me contado antes, idiota.
– O idiota aqui é você! Por acaso sabe como eu me sinto?!
– Chega pra lá. Vamos voltar a dormir.
– Hã? Você não se importa?
– O suficiente pra querer tocar no assunto quando você não estiver prestes a me matar. Agora chega pra lá. – Nami fez o que lhe foi pedido, e Zoro deitou ali, naquele espaço – Vem, vamos dormir. – A ruiva jogou o teste num canto qualquer do quarto e deitou ao lado dele, que a puxou para deitar a cabeça em seu peito.
Complicada e perfeitinha,
Você me apareceu.
Era tudo que eu queria,
Estrela da sorte.
Quando à noite ela surgia,
Meu bem você cresceu...
Meu namoro é na folhinha,
Mulher de fases!
– Zoro? – Nami chamou. Zoro grunhiu, acordando de seu sono, e fitando um relógio numa parede qualquer.
– São duas da manhã, Nami.
– Zoro!
– O que foi?
– Diz que me ama?
– Hã?
– Ou você não me ama mais? – Questionou com a voz embargada. Merda.
– Eu amo você. Feliz?
– Sim! Eu também.
– Ótimo, agora durma.
Complicada e perfeitinha,
Você me apareceu.
Era tudo que eu queria,
Estrela da sorte.
Quando à noite ela surgia,
Meu bem você cresceu...
Meu namoro é na folhinha
– Zoro?
– O que foi dessa vez?
– Eu estou com fome.
– Você não jantou?
– Não. – Pôde-se ouvir o suspiro exasperado do esverdeado.
– Vem, vamos comer alguma coisa.
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