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1 Apresentação
Notas iniciais
Acordei com a claridade vinda da janela, era mais um dia de rotina e então logo levantei, sem fazer nenhum resmungo ou coisa do tipo, eu já tinha me acostumado com aquilo tudo. Aliás, caro leitor, meu nome é Kali, e não é um apelido, é nome mesmo!
Minha mãe era bem pontual, entende? Ela e o meu pai, os dois sempre me apressavam para chegar sempre na hora que o portão do colégio se abria. Então sai do quarto e fui indo em direção ao banheiro do andar de cima. Sabe caro leitor, eu não quero entrar em detalhes sobre como tomo banho e muito menos sobre qual dente passo a escova primeiro, então vou pular para parte em que estou tomando café e uma fruta qualquer. Eu nunca havia me acostumado com acordar cedo, mas esse ano eu iria aguentar tudo, iria me esforçar mesmo.
— Kali, não se esqueça de fazer amigos, no mínimo dois hoje, tudo bem? – sussurrou minha irmã mais velha, a que sempre me entendia.
Um sorriso avia se formado em meu rosto, pela motivação da minha irmã. Por mais que seja maio, e o começo do ano já tenha se passado (sério?) eu não conseguia ser sociável com as pessoas e minha irmã sempre me motivava a ter um pouco de coragem para dizer: Oi, meu nome é Kali. Sei que nunca nos falamos, mas quer ser meu amigo?
— Vamos, Kali? – falou minha mãe docilmente comigo.
Balancei minha mão de um lado para outro me despedindo de minha irmã. Fui para o carro do meu pai junto com a minha mochila, minha mãe sempre ficava de me avisar às coisas porque meu pai não tinha muita paciência comigo, era o que eu achava. Fiquei acomodada no banco de trás do carro, apenas olhando para as casas que havia no bairro. Minha mãe trabalhava no outro lado da cidade, então ela simplesmente ia com seu transporte. O silêncio que estava tendo naquele carro era normal para mim, nem o rádio/som era ligado, dez minutos havia se passado e eu balançava meus pés para ter algo no que me distrair, meu pai estacionou o carro em frente ao portão da escola, e o segurança como sempre, abria as portas. Eu demorei um pouco para sair, a alça da minha mochila tinha se enroscado no meu tênis, o que fez com que eu me atrapalhasse toda.
— Desce... – murmurou meu pai com uma voz amarga, sem sentimento nenhum.
Desci do carro com a ajuda do segurança que, diferente do meu pai, perguntava como eu estava. Centenas de crianças estavam no pátio, correndo para um lado e para o outro, algumas apenas ficavam conversando sentadas no chão, outras já preferiam ler ou mexer em seu smartphone. Antes que você, caro leitor, fique todo atrapalhado, eu tenho oito anos, e estar no quinto ano numa escola particular é ter que se mostrar com algo de valor. As pessoas passavam perto de mim e eu apenas sorria de lado, como se fosse um convite para aquelas crianças a minha volta, para ser minhas amigas.
— Volta aqui seu filho da puta!
Gritou um moleque do sexto ano, que me assustou com o linguajar usado, “filho da puta”, um insulto, não é mesmo? As inspetoras corriam de um lado para o outro, tentando acalmar as crianças. O sinal tocou e fizeram todos se calarem, em um segundo. Todos andavam em uma ordem crescente até a sala de aula de cada um. Eu era a menorzinha da sala, com um metro e trinta e oito centímetros, meu cabelo é completamente negro, e ainda é curto. Chegamos à sala de aula do quinto ano A, direcionei até as segunda fileira, me sentei na mesa que tinha uma placa com meu nome Kali Capelotti. O sobrenome era italiano, vindo do meu pai, e sua família era de nacionalidade italiana, uns italianos bem rígidos, exigiam postura a todos os momentos.
Primeira aula, português. Deixei os materiais necessários para aquela aula.
— Kali, me empresta um lápis?
O garoto atrás de mim sempre pedia um lápis emprestado, e isso era a “conversa” que eu tinha durante os quatro meses. O nome dele era Roberto, mas todo mundo o chamava pelo apelido, Beto. Entreguei um lápis para Beto, que ficava balançando minha cadeira quando eu demorava demais para fazer algo. Leitores, ter oito anos de idade e ter a mente de uma idade superior não é fácil. É difícil demais se enturmar nisso daqui tudo.
— Bom dia turmas, vamos começar com uma leitura da página trinta e cinco do livro didático de vocês.
Ouvi apenas o barulho de páginas sendo foleadas, a minha já estava aberta faz um tempo, então apenas acompanhei a leitura com os olhos, enquanto ouvia uma voz masculina lendo em auditoria as palavras que eu já tinha lido.
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