Companheiros de Sangue

3 Capítulo 2- O MEDO CONSOME A ALMA


Capítulo 2- O MEDO CONSOME A ALMA

(Los Angeles, 20:02h , Avenida Steeling Wood)

—Vai, entre no carro logo!(grita Amelia, abrindo a porta para Elliot e empurrando o mesmo)

—Ta...deixa eu adivinhar: Elliot acabou brigando com o caixa por não saber contar o troco?(questiona Richard, sem ao menos olhar para trás)

—Mas ele nem trouxe nada...(se envolve Dylan na conversa, olhando confusamente para Amelia e Elliot)

Dessa vez Amelia sentara no banco da frente, ao lado de Richard, enquanto Elliot, ao lado de Dylan, se abaixara ao máximo no carro com um pouco de tremedeira em seus braços e pernas.

—Que merda você fez lá?(pergunta Dylan, olhando agora pela janela entre os carros de faróis extremamente acesos)

—Não, nada-(responde Elliot, mas sendo interrompido por Amelia em seguida)

—Fui chamar ele logo, pois vi três caras muito suspeitos olhando para ele indo ao mercado. Eles estavam ao lado da igreja...aquela ali(aponta a ruiva, com um olhar perdido entre os carros até á margem da Avenida)

O medo dos dois aumentava cada vez mais pelo silêncio que se estabelecera naquele momento. Não havia mais buzinas frenéticas e nem palavrões distantes de motoristas putos da vida. A imaginação de Amelia e Elliot se tornavam pessimistas ao lembrar que o caixa daquele mercado havia testemunhado tudo aquilo.

—Três caras suspeitos? Deve ser daquela gangue que nos encheram o saco na noite de ontem naquela festa(exclama Richard, envolvendo suas mãos ao volante agora)

—Nossa, aqueles filhos da puta. Eles derrubaram minha Vodka propositalmente(acrescenta Dylan a conversa) Mas, ei, levanta! Não tem policiais aqui faz um bom tempo. E aqueles caras não nos achariam nesse trânsito(acrescenta ele, puxando Elliot pela gola da camisa)

Elliot se sentara agora com a cabeça mais baixa possível. O Medo e o arrependimento ainda o consumia por dentro. Seu olhar se desviara muitas vezes para Amelia, no banco da frente. Eis que, segundos depois, o trânsito começava a então seguir em frente.

—Até que enfim!(grita Richard, seguindo dirigindo aos poucos com a mão suada no câmbio)

Aos poucos, os carros em volta, e na frente, se dissipavam rapidamente. Ao lado, Amelia não acreditava mais que o caixa do mercado havia seguido eles. Nos bancos de trás, Dylan havia recostado sua cabeça em um dos travesseiros que carregara consigo pra aquela viajem. Ao lado estava Elliot, sua calma já havia tomado seu corpo por completo. Ele agora relaxara suas costas ainda mais no banco, inclinando sua cabeça para trás. Alguns minutos se passara, e o carro seguia em frente, mesmo que a mais ou menos 10 Km/h.

Elliot, esticando seus pés ao máximo que pudera, agora olhava para o vidro traseiro do carro, enquanto Richard começara a conta mais uma daquelas suas histórias monótonas e chatas pra caralho. A história da vez era de como ele tinha conseguido bebidas de graça com um tal de Bob, ou alguma história do tipo. Elliot apenas queria descansar sua mente e seus olhos, fechando-os lentamente olhando para as nuvens carregadas que vinham do Sul. Rapidamente, mas muito rápido, algo vinha em direção ao vidro traseiro. Algo que tapara as nuvens por alguns segundos. Um estalo e sons de vidro se quebrando assustara a todos do carro de Richard.

(Alguns minutos antes)

John, o caixa do mercado, havia encostado na parede á frente de sua filha morta. Ele não tinha a certeza da morte da filha naquele momento, mas acordada ela não estava. Muito trêmulo, o senhor de uns 45 anos aproximadamente, escorregava suas mãos molhadas para um de seus bolsos traseiros do jeans. Havia uma chave azul com uma aparência velha.

—Filho da puta...aquele loiro com certeza era um deles...(cochicha John para si mesmo, se concentrando em não tremer para segurar a chave)

Ele agora corre para trás do balcão, com uma fúria em seus olhos. Atrás do balcão havia alguns produtos de seu estoque jogados por algumas pequenas prateleiras. Mas logo embaixo, havia um taco de baseball inteiro vermelho. ''A raça deles acabaram com minha esposa, e agora a minha....filha...'' pensa lentamente o senhor com o taco agora em mãos. Suas mãos estavam extremamente úmidas, mas agarradas com total força naquele taco. Ele queria justiça, e vermelho parecia ser a cor dela.

Sem hesitar, John vai em direção ao banheiro e pega diversas toalhas penduradas atrás da porta e volta para o corpo da filha. Ele agora a cobrira com as toalhas lentamente em sinal de respeito. Pelo menos o mínimo que pudera passar por sua mente, já tomada pela raiva. Sem ver que os pés da jovem Susan não haviam sido cobertos pelas toalhas, John corre para fora de seu mercadinho. Ao colocar os pés para fora, John é abordado por três homens altos. Um deles coloca a mão no ombro de John, que o faz parar sua 'corrida para a vingança'.

—Ei, você por acaso viu um rapaz loiro, magro, parecia ter uns...23 anos???(questiona o homem misterioso do meio, que logo tirara a mão do ombro de John)

—Eu...eu...sim(a coincidência da procura do mesmo rapaz chocara John naquele momento) Vocês são amigos dele?

Não demorou muito para que os três rissem daquela pergunta, e no fim da olhada e sorrisos entre eles um deles logo responde:

—Não... aposto que queremos o mesmo fim para esse cara, não é rapazes?

—Mas espera, vocês então viram a merda que-

Antes que John pudesse terminar sua pergunta, o rapaz da ponta que usava um óculos escuro, apertou seu pescoço impedindo-o de ao menos fazer um ruído. O taco de baseball em sua mão caíra no chão, enquanto era levado de volta para dentro do mercado por um dos homens altos. Após o homem de óculos escuros lhe soltar, ele fechara seu punho direito com o máximo de força que pudera ter naquele momento, mesmo com medo.

Ele foi lento. O punho do homem alto já havia se fechado e estava em direção ao seu rosto. ''PHUU!!!'' era o som que os outros dois de fora do mercado ouviram, mesmo distraídos e preocupado com a chegada de outra pessoa pela rua. Por sorte, aquela rua era meio vazia naquele horário.

—Vamos embora, Bruce. Acho que um soco já foi o suficiente para desmaiá-lo(confirma um dos homens olhando para trás e vendo o corpo do senhor cair no chão como uma fruta)

—Certo, chefe...(replica Bruce, arrastando os dois corpos para o banheiro)

O tal chefe daquele trio, agora pegara o taco de baseball vermelho que havia se soltado das mãos do senhor segundos atrás. E o outro homem ao se lado o questiona:

—Você sabe em que carro ele entrou né?

Os dois olham para a Avenida congestionada, logo a uns 50 ou 60 metros.

—Sim. Richard sempre está com o mesmo carro para onde quer que vá(responde o Chefe, colocando um cigarro ainda não aceso entre seus lábios)

—Já coloquei os corpos no banheiro, chefe(exclama Bruce, pegando o taco de baseball da mão do chefe sem temor algum) Aquele Ford Fiesta cinza, não é?

O chefe afirma acenando com a cabeça e aceitando um isqueiro da mão de seu companheiro ao lado. Fumando seu cigarro e olhando Bruce subir o gramado em direção à Avenida, uma dúvida passa em sua cabeça...

—Steve, acha que o Bruce vai matar ele? Hahaha(questiona o Chefe ao companheiro ao lado, caindo na risada que era maior internamente)

—Aposto que sim. Elliot não perdoou nem a namorada do Bruce no bar ontem (responde Steve colocando suas mãos no bolso da calça) A propósito, a gente deveria frequentar lugares com uma música melhor. Aquelas do bar ontem me fizeram querer beber tanto a ponto de vomitar minha alma pra fora...

—É...(replica o Chefe com total desdém a história de Steve)

Bruce havia chegado perto do Ford Fiesta cinza de Richard. Já quase encostado no carro, ergue o taco de baseball alto o suficiente pra carregar sua força no vidro traseiro do carro. O som estridente e violento assustou todos de dentro do carro.

—Que porra é essa???!(grita Richard apertando fortemente o freio do carro e soltando suas mãos do volante para olhar para trás)

Dylan, que acordara pela quebra do vidro, afasta agora sua cabeça e corpo ao máximo dos cacos que haviam entrado no carro e começara a fitar o rosto do delinquente que cometeu aquele ato. E logo exclama o mesmo:

—É o filho da puta que derrubou minha Vodka ontem!

—O quê?!(pensa Elliot gritantemente, olhando para o sujeito alto com o taco vermelho)

Bruce não demorou pra descontar outra pancada no carro ao ouvir aquilo tudo de dentro do carro em poucos segundos. Dessa vez, seu taco de baseball vermelho, intitulado de Justiceiro pelo seu antigo dono, mirou o farol direito do carro quebrando-o.

—Mas que meerda!!!(grita Amelia, desviando seu olhar do sujeito alto para Richard já assustado) acelera logo a porra desse carro, Rick!! (acrescenta a ruiva, colocando as mãos do Richard no volante)

Richard não demorou pra fazer o que a ruiva pedira. Seu pé afundou no acelerador e em poucos milésimos a inércia fez seu trabalho. O corpo de todos que haviam se afastado da direção daquele monstruoso taco de baseball, agora foram jogados para trás com força. Ainda bem que o carro respondia muito bem á aceleração.

—Ai meu Deus...(agradecia Elliot se segurando em todo o estofado do carro que se agarrava)

—Aposto que essa merda é culpa sua, Elliot!!!(grita Richard, ainda preocupado e assustado com a situação mesmo distante do homem violento)

—E nós achando que poderia ter sido aquele caixa do mercado hein, Elliot! Hahahaha(agrega Amelia com suas risadas, enquanto olhava Elliot)

—Olha o vidro do meu carro!! Que bosta....você... eu só não paro esse carro pra te espancar porque esse cara pode nos alcançar de alguma forma. Seu bostinha...

—Calma, Rick. Meio que é culpa minha mesmo, mas depois eu pago pelo v-

—''Depois eu pago''???? Com dinheiro de vendas de cocaína ainda??? Você devia arranjar um trabalho de verdade, isso sim!

—Pelo menos não sou um maluco que ainda tem pesadelos com uma merda de esposa que nunca deu a mínima pra mim-(antes que Elliot pudesse terminar sua resposta, a mão de Amelia o surpreendeu beliscando seu braço)

A mesma se vira para o banco de trás fitando-o seriamente e pressionando seus lábios. Ela parecia brava....parecia um sermão só de olhar para ela. E Elliot havia entendido rapidamente.

—Olha, cara...foi mal por ter falado i-

Antes que Elliot terminasse mais uma vez, a mão aberta de Richard balançava de lado a lado, que logo proferiu:

—'Tá' tudo bem...eu...

Confuso em que pudesse dizer ao rapaz, Richard apenas balançava a cabeça e molhava seus lábios secos com sua língua vagarosamente, e suspirava fortemente durante um tempo. Suas mãos não estavam mais confortáveis no couro do volante.

—Vamos parar no próximo bar para comprar algo pra beber. Estou com muita sede(exclama Amelia na tentativa de acalmar a situação, enquanto olhava para as mãos inquietantes de Richard no volante)

—Ok...(responde Richard, com uma voz falhada agora)

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.