Como você...
1 Como você...
Notas iniciais
Curtinha, mas deu vontade de escrever haha espero que gostem! s2
PS: Ela é narrada pelo Matt!
Boa leitura!
E aí?
Nunca pensei que eu fosse acabar te escrevendo isso... mas como eu sei que você já sabe boa parte do que vou te dizer, apenas acabei pensando: “por que não?”
E aqui estamos, nesse humilde bilhete.
Que comovente. Espero que não fique confuso demais.
Como você, eu não sou alguém que se possa dizer que é muito sociável... Por mais que, obviamente, em níveis diferentes...
Mas não tem como negar, que se não fosse pelo Mello, pode se dizer tranquilamente, que eu não faria nada além de jogar no meu próprio canto, durante todos esses anos na Wammy’s House.
A iniciativa de conversar comigo, partiu dele, é claro. E assim, pouco a pouco, fomos nos tornando amigos...
Nós conseguimos nos dar bem logo de cara. Ele passou a achar graça do meu senso de humor ácido, que fazia ele rir. E eu, bom... eu ria da risada dele, e descobri que irritá-lo de vez em quando podia ser bem divertido...
É, a inciativa dele de conversar comigo deu certo, ao contrário das inciativas dele de conversar com você, que nunca deram em nada, além de Mello ficando irritado por que você nunca correspondia como ele esperava...
O que eu entendo completamente.
Você no caso, não ele.
Até certo ponto, eu sou como você...
Com exceção de Mello, eu não tenho vontade de me aproximar de ninguém. Passaria perfeitamente bem o dia inteiro no orfanato jogando, assim como você passa dia após dia tendo apenas os seus quebra-cabeças como companhia.
Mas diferente de mim que estou, de fato, alheio a tudo ao meu redor enquanto jogo, você, enquanto está aparentemente preso no seu próprio mundo enquanto constrói sua pilha de dados, você nota.
Você repara em tudo.
Você percebe.
Por mais que eu consiga ser perspicaz, quando me esforço, na maioria das vezes das vezes, estou cem por cento “nem aí” para o mundo.
Acho que foi essa nossa diferença que mais me atraiu em você.
Você consegue perceber tudo... Não é a toa que é o numero um.
(Que Mello não leia isso, mas é apenas a verdade...)
Afinal, mesmo sendo meu melhor amigo, não acho certo o que ele faz com você.
Não gosto quando ele te provoca quando você está apenas ali, literalmente na sua.
Por que ele apenas não consegue se contentar sendo o número dois? Já é muita coisa, caramba!
Por que ele apenas não pode te deixar em paz, só para variar?
E acima de tudo... por que isso me incomoda tanto?
No começo eu não sabia a resposta disso.
Pensava que era apenas por eu me enxergar em você, apenas querendo ficar em paz, mas há pouco descobri que não era apenas isso...
Havia mais ali, que eu me recusava a perceber.
Não foi fácil entender que havia surgido algo, ou melhor dizendo: alguém que conseguia capturar a minha atenção, mais do que os meus tão queridos jogos.
Que eu achava realmente adorável a maneira como você enrolava o cabelo nos dedos, formando aqueles cachinhos pequenos.
Que eu comparava os seus olhos cinzentos, á uma bela noite tempestuosa.
Que enquanto tomávamos o café no salão da Wammy’s, meus olhos buscavam você, querendo saber se você já havia levantado.
Que, ao te ver comendo sozinho, eu tinha a vontade quase incontrolável de pegar a minha bandeja e me unir a você.
Mas eu não podia fazer isso, por causa de um certo loiro explosivo que não aceitaria que seu melhor amigo começasse a se aliar ao “inimigo”.
Todas essas pequenas-grandes coisas que passei a reparar, e com o tempo foi impossível para mim continuar a negar o óbvio.
Afinal, faz quanto tempo peguei esse hábito de te observar em segredo?
Nem me lembro mais...
Sim, eu te observava em segredo.
Afinal, só seria possível dessa forma.
Mas você reparou. Você percebeu meus olhares.
É claro que reparou, você repara em tudo.
Mas não é por você que meus olhares precisam continuar em segredo, e sim por que, de uma forma ou outra, eu me sinto culpado por me sentir assim a seu respeito.
Não por você ser um garoto, estou pouco me importando com isso.
Me sinto assim por Mello...
Eu sei que ele não me perdoaria por isso.
E eu não me perdoaria por magoá-lo.
Por que, mesmo que aquele cabeça oca não consiga perceber ainda o por que ele não consegue tirar o seu nome da boca, eu sim.
Eu sempre soube o que estava implícito em todo o suposto ódio que ele sentia de você...
E isso tudo me faz me sentir como se guardasse um segredo sujo.
Por que Mello sempre seria meu melhor amigo.
E por isso, eu não me aproximarei de você.
Por isso, apenas te observarei de longe, como deve ser.
Me manterei afastado, enquanto espero que um dia, Mello seja capaz de enxergar a verdade, e que faça isso o quanto antes...
Antes que ele te machuque mais.
Mas não é por isso que estou te escrevendo isso. Eu só queria ter certeza que você soubesse de uma coisa...
Eu queria que você soubesse que eu te entendo.
E que você soubesse, que sim, eu sou como você... alguém não muito sociável. Mas, apesar disso você, Near, é alguém que eu de uma forma ou outra, eu não me importaria de manter por perto... bem ao meu lado.
Sempre.
Do seu admirador, talvez não tão secreto assim.
(Desculpa, não resisti...)
Matt
Fale com o autor