Notas iniciais
Espero que gostem, fiz com muito amor, carinho e tristeza :)

Entramos na sala de aula, olhei para a carteira dela e ela não estava lá. O que é muito estranho, porque ela nunca falta. Como não podia demonstrar uma reação, apenas fiquei calado.

A melhor amiga dela perguntava para os outras se alguém sabia o motivo dela ter faltado. Todos haviam falado com ela ontem.

Era uma quinta-feira, o dia favorito dela. Tínhamos aula de redação, matemática, história e informática. Naquele dia ainda tinha o curso de inglês, que eu fazia com ela, e uma aula de dança.

Nós já havíamos passado muita coisa juntos. Mas, estávamos afastados porque eu disse a ela que a odiava e eu a desprezava. E nada disso era verdade. Continuava a amando em segredo.

Finalmente, a professora havia entrado, o diretor da escola entrou logo após ela.

— Bom dia, alunos. — disse o diretor.

— Bom dia. — respondemos.

— Hoje nós recebemos uma notícia muito triste da sobre a colega de vocês, Lorena. — todos se assustaram. Eu comecei a ficar preocupado, muito preocupado. — Infelizmente, ontem Lorena sofreu um acidente de carro muito grave, ela não conseguiu suportar e morreu. A mãe dela convida todos vocês para irem em seu funeral.

Eu não consegui processar aquelas palavras. Lorena havia morrido. Nunca mais falaria com ela ou a veria. Consegui sentir meus olhos lacrimejarem. Consegui ouvir algumas pessoas chorando. Eu ainda não conseguia acreditar.

Ela gostava de mim. Não, ela me amava. E ela se foi sem eu poder dizer que ainda a amava. Comecei a chorar, havia muita coisa na minha cabeça. Abaixei a cabeça na carteira e comecei a chorar.

Os abraços, nossas mãos juntas, nosso beijo, nossas conversas. Recordei tudo na minha cabeça. Eu sempre achei que iríamos ficar juntos para sempre, que uma hora conseguiríamos nos ajeitar.

Ela tinha um grande caminho pela frente, era a melhor aluna a classe e super inteligente. Ela podia não ser tão gentil com todos, mas poucos a conheciam o bastante para saber que ela era maravilhosa.

O pior era que todos diziam que nós não nos amávamos, por conta da nossa idade. Mas nós não acreditávamos nisso.

Eu não conseguia parar de chorar. Era muito para eu aguentar. Ela nem havia completado treze anos.

Eu a amo…

[...]

Lá estávamos, todos parados em frente ao caixão dela. A melhor amiga dela, Violet, que também era minha melhor amiga, estava ao meu lado, chorando.

— Eu ainda não consigo acreditar. — ela sussurrou para mim.

— Ninguém consegue.

— Ela te amava…

— Eu sei. Eu também amo ela. Só não pude dizer antes… As pessoas são horríveis, sabe? Se, ao menos, não tivessem me falado para ficar longe dela, que seria melhor para mim, que ela não me amava de verdade, eu teria ao menos dito a ela que ainda a amo.

— Não tinha como saber que isso ia acontecer.

— Mas tinha como eu não ter dito a ela que a odiava, e sim, que ainda a amava. — senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto.

O padre estava acabando de dizer algumas palavras. Nós teríamos que falar coisas sobre ela. Eu não iria dizer nada. Havia pedido a mãe dela para me deixar um pouco sozinho, para tentar desabafar.

Todos finalmente haviam acabado de falar e eu poderia fica rum pouco sozinho lá. Seria só eu ela. Só eu e ela.

— Eu te amo, Lorena. Eu não consigo deixar de te amar. Me desculpe por ter dito que te odiava, me desculpe por tudo que eu te fiz. Eu nem consegui me despedir de você. — comecei a chorar. Estava sendo tudo muito intenso. — Por que você se foi? Por que eu te deixei?! Nós tínhamos tudo. Nós tínhamos algo verdadeiro. Volta pra mim, Lorena, volta para mim. Por favor… Eu não quero viver sem você. Você me entende e eu te entendo, eu não quero ter que colocar outra pessoa no seu lugar, eu quero você!

Encostei a cabeça sobre o caixão e chorei. Por que isso aconteceu comigo? Com ela? Por que Deus acabou conosco? Ela não merecia aquilo, nem um pouco.

— Eu não devia ter ouvido o que as pessoas disseram a mim, eu deveria ter ficado com você. Como nós sempre planejamos. Você não deveria ter ido… Eu sei que ainda tenho muito para viver, mas sem você não será a mesma coisa. Eu já passei um ano inteiro sem te ver, ou falar com você, e ainda com tudo isso, continuei te amando. Eu prometo que sempre me lembrarei de você, Lorena... — fiz uma pausa, precisava me acalmar um pouco. Muita gente já estava indo embora, mas eu queria continuar lá. — O céu está lindo hoje, tenho certeza que você diria isso. Está nublado e parece que logo mais irá chover. Isso era uma das coisas que ninguém entendia em você, mas eu consigo entender. E essa é apenas uma das coisas que eu entendo em você…

Olhei para o céu e sorri. O primeiro sorriso que havia dado em quinze dias. Ela poderia estar comigo, eu poderia não estar aqui agora, eu poderia não estar com ela, mas ela poderia estar viva.

— Eu preciso ir. Eu prometo que sempre virei te visitar, que nunca vou te esquecer e que sempre vou te amar, Lorena. Eu te amo.

Me levantei e deixei umas flores e uma tiara em cima do caixão.

As flores eram rosas e a tiara da mesma cor. Ela amava a cor rosa e tiaras.

Entrei no carro, sentei e fiquei admirando o céu enquanto minha mãe dirigia. Ela amava dias nublados ou chuvosos.

Ela também me amava.

Notas finais
Se você leu até aqui, muito obrigada! Só não se esqueça de deixar uma opinião... :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!