Como se fosse a primeira vez

4 Uma proposta, um recomeço


Era oficial, aquele jantar tinha acabado mas as questões que assombraram ele estavam tomando forma em sua mente se tornando mais fortes do que nunca. Edu tinha saído dali um pouco afetado em com tudo que acorreu. Inseguranças vinham a tona e o que restava era confrontá-las. Mas elas pareciam tão verdadeiras, e fazer isso era como resistir a verdade.

Logo pela manhã, Edu foi tomado por sentimentos fortes de angústia. Ao sair da cama com dificuldade, se via preso naquelas palavras de sua tia e de seu irmão enquanto escovava os dentes.

— Será que eu amo Tina de verdade? Ou melhor, será que ela me ama? Oque temos?— pensou consigo mesmo. Mas o som que vinha lá de fora o distraiu, o trouxe uma certa alegria.

As crianças corriam de um lado para o outro com o cachorro em volta da piscina enquanto Tina lia um livro. Seu olhar profundo foi percebido por ela, coisa que o fez desviar rapidamente, mas não se atentar para o café quente que estava nas mãos, o qual tomou na tentativa de disfarçar o olhar. Queimou a boca.

— Ai! — deu um grito ao queimar a boca com café quente e o cuspiu fora. Alem disso, deixou a xicara cair no chão.

Ele rapidamente varreu os cacos para o lixo.Tina se levantou com a intenção de ir em sua direção para lhe ser útil em alguma ajuda. Mas ele não queria atrapalha-la. — Não é nada! Estou bem. Só me esqueci que o café está quente.

— Ele está tão estranho! Será que é impressão minha?— disse Tina, curiosa pelo que tenha ocorrido com ele.

Ela sabia que algo tinha acontecido e ele não queria conversar sobre. Além disso, como conversar sobre essas questoes profundas. Ele deixou a ir somente até ali, e ela não estava a vontade de romper com esse limite. Os dois nunca tiveram conversas profundas assim.

Enquanto cuidava com os cacos da xícara que restavam, olhou novamente para ela. Percebido a situação, ela ficou ainda mais desconcertada com aquele olhar confuso e perdido dele e isso poderia significar alguma coisa.

— Edu! Quer me falar alguma coisa? Parece que sim.

— Não, não.

— Porque está me olhando assim?

— Olhando, como?

— Ora, desse jeito aí que você está olhando.

— Estou olhando normal.

— Não está, isso eu garanto.

Atrapalhado seguiu para um lugar longe dali afim de respirar. Aproveitou pata respirar e esfriar a cabeça enquanto tomava banho, a água estava fria e ele entrava com dificuldade. Quase após cair depois de pisar no sabonete, ele teve uma grande ideia. Mas a queda ressoou de longe, Tina super preocupada com algo pior foi até ele. Ele já sabia que ela estava desconfiada e ficar agindo estranho como ela imaginava seria complicado agora.

— Edu o que foi isso?— Tina estava do lado de fora do banheiro na porta.

— Estou bem. Não se preocupe. Pode ir, só escorreguei no sabonte de cai.— dizia em voz alta, enquanto se apoiava de novo, e foi aí que lhe veio uma ideia muito brilhante. Ele desligou o chuveiro e foi para o quarto pensar melhor. Penteava os cabelos e usava uns dos cremes da esposa, eram maravilhosos e cheirosos.

Sentado na cama, foi transportado para algumas lembranças do passado. Ele se lembrou da vez em que olhou Tina pela primeira vez, foi quando foram apresentados. Ela passou pela porta e ele estava tão nervoso. Mas os dois foram deixados sozinhos conversando na sala. Edu como sempre, muito educado. Ela estava um pouco acanhada e sem jeito, foi a coisa mais fofa que ele tinha visto em sua vida.

— E se eu estou inseguro porque as pessoas acham que ela é muita areia pro meu caminhão, e de fato ela é.. mas se é por isso que me sinto inseguro, porque eu não me esforço para amá-la mais. Como se fosse a primeira vez, como se fôssemos namorados ainda? — Edu se sentiu empolgado pela ideia, um pouco mais inteligente e confiante.— Mas isso vai funcionar melhor se ela topar fazer isso também.— Seu semblante mudou rapidamente depois de perceber que seria um desafio contar a ela. — Como posso contar a ela? Preciso fazer alguma coisa, umas flores e uma caixa de bombom? Com um cartão?— Edu anotava tudo em um pequeno bloco de notas. Era um misto de ansiedade e vergonha de parecer ridículo, mas era um começo de uma nova aventura para ele e se desse certo, para Tina também.

O final de semana ocorreu naquele climão estranho, claro ela já estava desconfiada com Edu. Mas ele estava empolgado para encontrar seu colega e assim lhe pedir ajuda. Ele tinha muitas dúvidas de como deixar esse momento maus especial, digno de um convite de primeiro encontro e ninguém mais do que seu amigo Kevin para lhe dar uma forcinha com bons conselhos.

— Kevin, oi! Preciso conversar com você.

— Comigo?

— Sim, senhor.— diz Edu a Kevin enquanto puxa ele para um canto mais afastado. — Kevin, eu tô com um plano meio maluco. Acho que você vai gostar.

— Calma aí, é tão sério assim?

— Sim, o que acha? Eu estou querendo convidar Tina para um encontro.

— Perai, você tá na pista?

— Não, eu sou casado! Com a Tina.

— Ah sim, Tina. Eu nem me lembrava mais.

— Kevin, você foi no meu casamento.

— Foi mal cara. Mas aí o que tanto quer que eu te ajude?

— Preciso saber se tem uma ideia de restaurante. Sei que uma vez foi pra um super legal com a Tamara, sua namorada.

— Tamara? Ah sim. Não estamos mais juntos.

— Não. Mas o nome do lugar é Boa Vista. Se quiser... é ótimo.

De repente, uma das colegas de Edu se aproxima para ouvir o papo que estava super bom.

— Vocês vão me deixar fora da fofoca?

— Vamos sim, sou expert em dicas para encontros. Não precisamos de seus conselhos.

— Vai sair com alguém Edu?— perguntou Érica para Edu.

— Sim, queria saber um restaurante legal para levar minha esposa.

— Ai que fofo. Não escuta o Kevin não. Ele não é tão bom assim com esses conselhos. Eu tenho ideia de alguns, fui a muitos. Nos encontramos no almoço se quiser ouvir algumas dicas.— Érica estava super empolgada para falar ao colega algumas dicas.

— Ah não, Érica. Larga de se exibir. Eu só estou a dois meses sem namorada.

Já era hora do almoço, Edu se encontrou com Érica em uma pequeno restaurante perto do trabalho. Eles decidiram comer fora.

— Olha, eu trouxe uma lista de alguns restaurantes. Mas um dos melhores que conheço é o Boa Vista.

— Kevin me falou sobre ele.

— O que? Ele falou sobre esse restaurante?

— Sim.

— Ahhhh que coisa estranha. Mas tudo bem, ele tem certeza. Confie em mim. Acho que devo ter falado a ele em algum momento atrás.

— Então, Boa Vista.

— Isso! Algo a mais?

— Tem.

— Fala!

— Bom, eu vou falar só pra você. É a minha melhor amiga e eu quero muito a sua ajuda. Sei que como você já foi a alguns encontros sua percepção é muito importante.

— Para Edu. — diz de uma forma dengosa em tom de brincadeira.

— Oque você acharia se um rapaz te desse umas flores e uma cesta de chocolate junto com um cartão com uma declaração importante?

— Ai eu acharia... meio que...— Érica fazia mistério só pra deixar Edu mais intrigado e nervoso.

— Fala Érica. Está me deixando nervoso.

— Acharia incrível. Não é comum, mas como é pra sua esposa, é bem a sua cara.

— Nossa, estou aliviado.

— Fico feliz que mesmo ainda casado, tu não deixa de fazer ela se sentir especial.

Tina estava certa de que alguma coisa estava acontecendo com Edu, mas não tinha certeza do que era assim exatamente. Talvez fosse alguma coisa que aconteceu no jantar em família da dona Deyse. Ela quer muito saber sobre isso e o ajudar também. Ela pensava sobre isso quando passou pelo trabalho de Edu. Imaginou que esse fim de semana foi puxado para ele. E quando menos esperava viu o mesmo saindo de um restaurante por ali perto, mas acompanhado de uma garota. Ela estremeceu. Não acreditava que isso estava acontecendo com ela.

— Vai ser incrível esse seu presente. Ela vai amar.— disse Érica.

— Espero que sim. Estou muito feliz por você me dar um ajuda. Seus conselhos me deixaram mais seguro.— Edu deu de ombros com sua colega. Não imaginava que há alguns metros de distância, sua esposa o observava atentamente.

Final do expediente, ele chegou em casa com essa bendita cesta de chocolate, flores e o cartão só a espera de uma oportunidade de fazer uma surpresa para Tina. Ele já tinha feito a reserva de uma mesa no restaurante. Escondeu as flores em um lugar mais adequado, além disso, colocou a cesta em um lugar com temperatura agradável. Tina estava angustiada, ainda não crendo no que tinha visto. Foram muitas as suposições, e a certeza de que isso possivelmente teria ligação com a estranheza em como ele se comportava esses dias. Ele era impossível de disfarçar.

Ele estava no quarto, sentado na ponta da cama olhando para o espelho a colocar um pouco de creme sobre a pele no pescoço antes que fosse dormir. Estava animado pela ideia estar caminhando bem, quando a esposa apareceu por lá. Ela ficou insegura e hesitante em estar no mesmo lugar que ele. E foi quando o olhar dela se deparou com o dele. Mas havia algo diferente, um olhar de descontentamento, pelo que ele poderia estar fazendo.

— Tina? Está tudo bem?

— Está. — disse um pouco hesitante, mas estava na dúvida se perguntaria ou não sobre as suspeitas.— Edu, precisamos conversar. — disse Tina a Edu, seu tom era sério. O clima ficou um pouco tenso. Tina não parecia estar de brincadeira. A conversa claramente não era sobre a escola das crianças, as notas, ou contas do dia a dia. Edu já ficou em alerta, mas também curioso para ouvir que ela tinha a dizer. — Você está me traindo?

— O que? — Edu parou um pouco para respirar e processar aquelas palavra.— Querida! Não, onde viu isso.

— É por isso que está estranho? É porque está me traindo?

— Tina, pelo amor de Deus. Não!

— Se não é por isso é pelo quê?

— Tina, não! Não tem motivo nenhum, não tem traição nenhuma. — Edu percebeu que teria de executar seu plano antes da hora. — Querida! Eu sei que estive estranho — puxou ela para mais perto.— ...Mas foi por uma coisa que acometeu no jantar. A tia Ana, o Rafael....

— O que foi assim?

— Bom, eles estavam me dizendo que eu não era bom o bastante pra você e só tive a sorte de me casar com você porque foi de forma arranjada. Assim, era impossível que você se casasse em sã consciência com um cara como eu.

— Nossa Edu. Eu sinto muito pelo...

— Está tudo bem.

— Desculpa por pensar isso de você. Eu não fazia ideia. Eu também te vi naquele dia saindo de um restaurante com uma garota e...

— Eu quero me desculpar também, estava agindo estranho e isso meio que te deixou insegura e tensa.— ele ainda sentado sobre a cama, puxa Tina para mais perto, agora abracando sua cintura gentilmente.— Naquele dia eu fui almoçar com uma amiga. Ela estava me ajudando com uma coisa. Espera aí.— se levantou, correu e pegou algumas coisas e trouxe para Tina. — Veja, comprei flores, um cartão e uns bombons para você.

Tina não esperava aquilo tudo e ficou mais surpresa.

— Edu, o que significa isso?— ela mexe no cartão e percebe algo escrito.— Edu...

— Tina, eu sei que não tivemos um dos melhores casamentos, talvez não temos uma história romântica de como nos conhecemos, mas isso não significa que não podemos ter agora, que isso possa ser impossível de acontecer. Eu quero, se assim for do teu interessante, que nos conhecemos melhor. Sabe, como se fosse...

— Como se fosse a primeira vez.

— É, é isso. Como se fosse a primeira vez.

— Isso é interessante...— disse Tina, já risonha.

— Isso é um sim?

— Sim, bobo. É, estou de acordo.— disse Tina, empolgada pela proposta.

Edu estava saltando de alegria por dentro, abraçava sua esposa gentilmente, mas queria fazer isso com todas a suas forças. Era cedo demais para um contato físico brusco, os dois não estavam acostumados com demonstração de carinho dessa forma. Logo isso não seria mais um problema. Era um bom começo e o início de um bela aventura a dois.