Como se fosse a primeira vez

13 Um evento em família


O dia amanheceu bonito com aquela coisa de que é um dia perfeito para um piquenique, uma corrida de bicicleta, ou até mesmo para algum evento super romântico.

Algumas roupas sobre a cama, organizadas com minúcia. Gravata para um lado, um terno passado para o outro. Edu parece estar prestes a inventar alguma coisa. Será isso mais uma parte interessante daquele seu projeto de reconquistar a esposa?

Tina entrou no quarto e se deparou com Edu em dúvida de que gravata usar.

— Edu, amor. Cuida! — disse ela. — Você vai chegar atrasado. Esqueceu que vai ser o padrinho de um casamento?— Ela pegava algumas roupas das crianças enquanto falava.

— Ah querida! Eu…— ele para e se toca que ela lhe chamou de um nome diferente — Eu tenho um novo apelido?

— O que?— Tina não tinha entendido.

— “Amor”...— disse ele.

— Ah, para! Se decide logo. Até parece que é você que vai casar. Seu irmão não deve tá tão nervoso assim.

— Eu sou o padrinho, então… tenho que escolher uma boa gravata.

O dia estava bonito e era um dia perfeito para um casamento, o casamento do irmão de Edu.

— Nem acredito que estamos animados para esse casamento. — disse ele, enquanto ajeitava a gravata no espelho.

— Porque não estaríamos?— disse Tina ao se sentar na cama bem perto de onde Edu está em pé.

— Eu me lembro de ficarmos inseguros demais quando éramos convidados para algo assim.

Edu rapidamente olhou para Tina na intenção de fazê-la se lembrar daqueles eventos regados à insegurança.

— Me lembro.

— Eu não me sinto mais inseguro. Você se sente?

— Nenhum pouquinho.

Tina se pôs de pé e abraçou Edu pelas costas. Ambos se contemplavam com uma felicidade imensa no espelho.

A felicidade era notória. Sem contar, Edu que estava prestes a ver sei irmão mais novo se casar. Era um evento familiar que prometia ser diferente. Pois eles não estavam mais inseguros como das vezes anteriores. Eventos familiares costumavam ser um teste de sobrevivência, regados por muita hipervigilância e ansiedade.

O grande evento do casamento do irmão teve início. Tina olhava para Edu que estava lá na frente junto com os padrinhos. Ela estava orgulhosa por ele. Por vezes, seus olhares se encontravam e eram o suficientes para um calor no coração, pois ambos estavam apaixonados.

Logo mais veio o noivo. Edu olhava para o irmão com muito carinho, pois aquele rapazinho que antes estava descobrindo o mundo, cresceu e agora estava se casando. Quem diria que em suas andanças pelo mundo, aquele seu irmão finalmente encontraria o amor. E por fim veio a noiva. A música começou a ecoar pelo salão. Todos ficaram atentos. Ela estava deslumbrante.

Após esse evento, todos se reuniram em um salão a parte para a segunda parte da festa. Havia música alta, pessoas dançando, crianças correndo de um lado para o outro, os garçons serviam petiscos, salgadinhos a todos.

Tina ajudava as crianças a comerem o bolo, enquanto Edu estava na companhia do irmão e conversava com ele. De repente, um anúncio claro e animado: hora de jogar o buquê. As meninas se reuniram em volta e estavam na expectativa. Enquanto isso, Edu tentava chegar para ir ao encontro da esposa e dos meninos.

Nesse meio tempo que estava passando por elas foi surpreendido por esse estranho objeto voando em sua direção. Ele pegou sem saber do que se tratava. Parou por um momento, verificou as mãos e percebeu o que era, o buquê. O pessoal em volta ficou surpreso por ele ter conseguido esse feito memorável. Foi cômico, a principio. Mas a tia Ana que estava nas redondezas ficou incomodada com o ocorrido.

— Ah não, Edu. Você não pode!— disse a tia Ana ao se aproximar dele.

— Porque eu não posso?— perguntou Edu.

— Você é casado! Dá pra quem não é ainda.

— Considerando que você queria acabar com o meu casamento, não sei se você merece esse buquê.

Tia Ana ficou chocada com a audácia de Edu. O pessoal não tinha ouvido a conversa dos dois, mas Edu foi cirúrgico ao lembrá-la da sua participação nas tentativas de deixá-lo inseguro quanto ao seu relacionamento com Tina. Passado isso, Edu foi todo feliz ao encontro da esposa. Ele tinha um buquê nas mãos e a primeira coisa que veio a mente foi entregar para ela.

— Você pegou o buquê?— disse ela ao vê-lo.

— Sim, é claro.— disse empolgado. — Toma, pra você.

— Ah Edu. Mas vai servir pra quê? Já somos casados!

Ele riu.

— As outras meninas devem estar te odiando. Mas obrigada.

Ela ofereceu um pratinho do bolinho que estava comendo. Edu não hesitou em aceitar. Os pais de Edu queriam tirar umas fotos com os meninos, então Edu e Tina tiveram a oportunidade de ficar a sós por um momento. Assim, eles resolveram ir para um outro lugar ali perto para apreciar o movimento da festa.

Enquanto viam os meninos brincando, Edu dividia com Tina um pratinho de bolo. Ele então, teve um ideia inusitada. Pegou o pratinho das mãos dela e ela sem entender, perguntou a ele o motivo disso tudo.

— O que está fazendo? Ainda não terminei.

— Espera, é rapidinho.

Edu tirou uns fios da cor roxa do bolso, daqueles que estavam servindo como decoração sendo amarrados aos balões. Ela sem entender, continuava a questionar o motivo daquela atitude.

— Hey, o que está pensando em fazer?

— Espera. Logo logo vai entender.

— Ai, Edu. O que você está aprontando.

Ele tomou a por uma das mãos e amarrou o pequeno fio em um dos dedos dela com intuito de simbolizar uma aliança temporária.

— Como já temos o buquê…— disse rindo.

— Edu…— Tina ria também. — O que é isso?

— É uma forma de dizer que podemos escrever uma nova história daqui pra frente. Queria saber se você não quer se casar de novo comigo!

— Edu!

Tina não parecia acreditar. Parecia piada. Ela completou:

— É claro que aceito....— e enfatizou — de novo.

Agora era vez dela e em hesitar entrou na brincadeira. Tomou a mão dele e pegou um dos fios. Sem demora amarrou em um dos dedos de Edu.

— E você? Aceita casar comigo de novo?

— Eu aceito.— disse Edu.

Muita coisa tinha acontecido desde aquele evento de lançamento da Lúmina Cosméticos. Tina pode se despedir do seu amigo de faculdade, Rick e vê-lo embora de volta para casa, além dessa coisa nova entre ela e Edu que crescia a cada dia e mais essa do casamento do irmão dele sendo Edu convidado para ser padrinho.

Mas algo tinha de fato mudado neles, ou quem sabe nas pessoas. Como Edu comentou anteriormente, ele não estava se sentindo inseguro por participar de um evento familiar como das ultimas vezes, agora parecia diferente e isso era bom.

— Quem diria que aquele simples pedido de nos aproximarmos mais nos levaria a isso, hoje.

— Nossa, é verdade. Nem parei para pensar nisso.

Os dois perceberam que esse empenho em se conhecer novamente, por mais que simples e bobo que parecesse, tinha uma intenção bonita e ela se concretizou. Ambos não só se aproximaram, como também descobriram os motivos que os deixavam inseguros, e por fim conseguiram lidar melhor com isso.

Aquela história de que eles eram infelizes por causa do casamento arranjado, foi se perdendo com o tempo. Os encontros em família passaram a ser momentos mais seguros, pois aquelas questões que giravam em torno de seu casamento arranjado não batiam mais à porta.

E para surpresa de todos e felicidades deles, ambos renovaram seus votos um tempo depois. Uma cerimônia realizada na praia entre amigos e familiares e também com a companhia da tia Ana.



Fim…


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