Como se fosse Inverno e Verão.
9 9. Penetra
Notas iniciais
Era quarta-feira, Michael já estava na parte de baixo da casa me esperando, para irmos à escola, eu estava meio nervosa mas também não era pra menos eu ia pra casa de Jared hoje, tentei fujir de todas as formas, mas precisava daquela nota.
Chegando na escola foi uma tormente, parecia que o relógio estava contra mim, quando eu menos esperava já estava na hora de ir embora.
— Você prefere ir no meu carro ou no seu? — Perguntou Jared na minha cola saindo pela porta da frente.
— Podemos ir no seu, assim Michael volta nele.
— Meu carro não é como o seu mais pelo menos ele anda.
— Eu não me importo com essas coisas. — Falei, querendo fujir.
Ele sorriu para mim, um sorriso que fez meu coração disparar, eu sabia que não podia ficar assim, afinal, ele tinha namorada e ela era uma pessoa muito legal. Mas eu não conseguia me conter, eu não podia controlar meu coração.
Nós fomos para o estacionamento. Michael já havia ido com o meu carro, quando chegamos perto do carro Kelly já estava esperando no banco traseiro, era um Monza vinho de quatro portas.
— Seu carro é estiloso. — Falei contendo um sorriso, era o mesmo estilo de carro que meu pai tinha.
— Para de mentir. — Disse ele parecendo envergonhado.
— Sério ele é muito estiloso. — E entrei no carro sentando ao lado da Kelly.
— E como vai indo o seu trabalho? — Decidi falar para quebrar o silencio.
— Está indo muito bem, Michael ira lá em casa amanhã de novo.
Michael já havia ido ontem a casa dela.
— Que bom você mora onde? – Perguntei sem nenhum pingo de curiosidade.
— Bem longe, Jared me leva até um ponto e de lá eu pego o ônibus. Pelo menos quando Michael vai fazer o trabelho ele me leva de carro.
— É ele me disse, ontem pegou o carro emprestado de minha avó.
— Eu só não te levo, pois ficaria tarde para eu voltar para casa e ir trabalhar. — Disse Jared parecendo enciumado.
— Eu sei. — Disse com um sorriso encantador, me fazendo ter raiva dela.
— Você trabalha? Por que não me disse? — Perguntei um pouco incomodada. — Pode ir trabalhar, não tem problema.
— Pode ficar tranqüila dia de quarta-feira e finais de semana ele tem folga.
— Por que não leva a Kelly para casa hoje, já que esta de folga? – Perguntei.
— É melhor não, meu pai não gosta muito de garotos lá em casa, quando ele não esta.
— Por quê? – Perguntei sem entender, afinal Michael foi lá ontem e iria amanhã também.
— Eu sou o namorado dela.
— Se não fosse assim não seriam pais, não é Day?
Na verdade, eu não sabia, eu tinha perdido meu pai quando tinha apenas dois anos de idade, não me lembrava dele, e minha mãe não se casou de novo, mas claro, eles não precisavam saber disso, não queria demonstrar que era fraca quando se tratava desse assunto.
Deixamos Kelly em um ponto de ônibus, então passei para frente para não ficar atrás sozinha.
— Falta muito para sua casa?
— Não, na verdade já era para nós termos chegado, mais fico preocupado com a Kelly, então levo ela até um ponto mais próximo da casa dela.
— Isso é muito gentio da sua parte, você deve gostar muito dela.
— É complicado.
— Como assim? – Perguntei sem entender.
Mas antes que ele pudesse me responder o carro parou na frente de uma casa bem simples, era uma casa solitária como a da minha avó, não tinha outras casas por perto. Ela por dentro era bem organizada e tinha uma escada que levava para o andar de cima. Nos sentamos em um sofá de dois lugares que tinha uma cor clara, mas de tão surrado não podia distinguir a cor.
— Seria muito inconveniente da minha parte, perguntar o que é complicado na relação de vocês? — Perguntei antes mesmo de pensar e logo me arrependendo.
— Como posso explicar? — Começou falando tão tranquilo, que pude notar não ser nada que o deixasse sem graça. — Nossos pais foram criados quase como irmão, sempre moraram perto um do outro desde que eram crianças. Kelly sempre foi de namorar, até que encontrou seu Ex, o pai de Kelly nunca gostou muito dele, então decidiram namorar escondidos, mas em uma noite, enquanto eles passeavam, ele achou que estava na hora de a tela, por mais assanhada que ela pareça ser algumas vezes, Kelly sempre foi delicada e sonhava em casar virgem. Ele não intendeu o desejo dela, e a pegou a força. — Pude notar raiva em seus olhos, enquanto algumas lagrimas escorriam. — Eu sempre gostei de andar pela floresta, e pude ouvir os gritos dela, chegando lá, quase não pude me conter, bati tanto nele que quase o matei. Kelly com medo de me prejudicar,e o pai dela para a filha não ser mal falada não denunciou, depois de algumas semanas foi descoberto a gravidez, sem sabermos o que fazer decidi assumir a criança assumir Kelly, por mais que eu não a amasse, me senti obrigada a tal atitude, desta forma nos ligamos. Alguns messes depois, ela perdeu o bebê, por mais que tenha sido um alivio a abalou, e quando vi ela já estava apegada demais
— E por que você não termina com ela? Já que pela forma que fala parece mais uma prisão do que mesmo um namoro.
— Quando nos comprometemos com alguém, criamos um vinculo muito forte, que só pode ser interrompido pelas duas partes, principalmente se for um vinculo de proteção, como é o caso, nesses caso só conseguimos nos livrar se a pessoa protegida romper esse vinculo.
— Não sei se intendi por completo o que quer dizer.
Ele então olhou para mim, pois até aquele momento olhava para os joelhos.
— Desculpa, é complicado mesmo, principalmente quando não posso falar mais do que isso.
Não queria que ele me achasse chata, nem entrona, então deixei com a minha impertinência e fingi que não estava curiosa.
— Tudo bem, eu intendo.
***
Nós começamos a fazer o projeto, demoramos umas duas a três horas, quando acabamos fomos fazer um lanche na cozinha.
— Posso fazer uma pergunta? – Comecei, sem conseguir conter minha linguá. — De quem você puxou esse lindos olhos azuis?
— Da minha mãe. — Falou ele com a voz doce, me fazendo sorrir. — Pude notar o quanto você e o Michael são unidos — Começou mudando totalmente de assunto. — Parece que rola uma química entre vocês.
— Michael se tornou meu porto seguro desde que me mudei, nunca fui de ter muito amigos, mas sinto falta das que ficaram em São Paulo, e sobre ter química, não concordo, apesar de me fazer muito bem estar perto dele.
Ficamos em silêncio por um longo tempo, pude ouvir seu coração batendo forte, na verdade o meu também estava. Ainda não estava acostumada em ter uma audição tão apurada.
— Seus olhos. — Ele quebrou o silêncio e também a distância que estava nos separando, passando a mão em meu rosto e se aproximando devagar como se fosse me...
“POW!”
Ouvimos a porta bater com força e quando viramos, ele já estava na cozinha, Jared tirou a mão de meu rosto rapidamente.
— O que está acontecendo aqui! – Gritava um homem forte e alto, cabelos curtos, sua pele negra e olhos igualmente negros.
— Nada pai. — Falou Jared se levantando e ficando na minha frente.
— Como nada, o que isso faz aqui? — O SR. Leçouna apontou o dedo para mim.
— Achei que o senhor iria chegar mais tarde. — Ele se aproximou mais de seu pai.
— Ia, mas eu senti o cheiro dessa aí de longe. – Ele ainda gritava.
— Só por que... não quer dizer que...
— Dizer o que? Que ela não é uma bactéria como os outros?
Ele pegou e empurrou Jared para longe o fazendo bater com força na parede. Fui indo bem devagarzinho em direção ao Jared que para mim parecia desacordado.
— Pode ir parando. — Gritou o SR. Leçouna. — Não suje ele com suas mãos!
— Mas ele está machucado, desculpa se eu sou um incomodo não sabia...
— Pode ir penetra, do meu filho cuido eu! – Ele não parava de berrar.
Eu não precisava escutar mais ofensas, tentei ir em direção a sala para pegar minha mochila e sair, mas antes que eu pudesse me mexer, ele me pegou com força pelo braço me arrastando, chegando a porta de saída ele me jogou para fora sem cerimonia, me fazendo me machucar por completa ao cair no chão.
— E nunca mais volte seu saco de estrume! — E com isso ele bateu a porta.
Fui me levantando bem devagar, o sangue do meu braço foi escorrendo e encharcando a manga da minha blusa, enquanto mancava por conta da perna esquerda machucada, sem saber o que fazer, nem pra onde ir, fui em direção ao Monza rezando para a chave estar na ignição. Foi quando ouvi meu nome ser chamado.
— Dayana, Dayana.
Eu me virei com medo, pois poderia ser o pai do Jared, apesar de a voz ser de mulher, mas invés dele eu vi uma moça um pouco mais alta que eu, pele um pouco morena como a do Jared, cabelos negros batendo no ombro, e os olhos dela eram de um tom castanho escuros e carregava meu material nos braços.
— Olá, eu sou Éllen irmã do Jared, eu vi vocês do meu quarto, quando meu pai...
— Eu não sabia que...
— Não se preocupe, como eu acho que você não sabe voltar para casa vou te levar O.K?
— Claro. — Respondi logo, sabendo que teria dificuldades em dirigir.
Entramos no carro, ela no banco do motorista e eu no do passageiro, depois ela passou o material para meu colo.
— Desculpe pelo meu pai.
— Por que ele fez tudo aquilo? O que eu fiz?
— Ele acha que todos são iguais.
— O que são iguais?
— Não se preocupe com isso. – Ela percebeu que falará de mais.
Eu já estava começando a me acostumar a não entender muito que Jared falava acho que isso era de família.
— Tenho pena do Jared. — Parecia que ela que ela falava sozinha.
— Por quê?
— Pela primeira vez vejo os olhos dele brilharem, mas o que ele pode fazer com esse sentimento? — Não falei mais nada notei que ela estava mesmo falando sozinha
Resto da viagem prosseguiu em silêncio. Ao chegar na frente da casa de minha avó ela já foi saindo do carro.
— Você quer entrar? – Perguntei percebendo que era isso que ela queria.
— Se não for incomodo?
— Claro que não. — Nós entramos e sentamos no sofá.
— Quer alguma coisa?
— Não obrigada.
— Você ainda estuda? — Comecei a perguntar, mesmo sem ter curiosidade de verdade.
— Sim, to no terceiro ano.
— Acabei me esquecendo de perguntar, Jared está na mesma turma que eu, se não me engano ele já tem 18 anos.
— Verdade, era para ele está no último ano como eu, notei que ele nem falou da minha existência, mas somos gêmeos, sei que não parece, ele sempre foi muito mais bonito que eu, mas com os acontecimentos da Kelly, a morte de nossa mãe ele acabou perdendo um ano letivo.
Fiquei um surpresa ao descobrir que eles eram gêmeos, não se pareciam, apenas pelo tom de pele talvez. Ficamos conversando por um longo período, até que achou estar tarde e foi embora com a promessa de voltas.
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