Como se fosse Inverno e Verão.
31 31. Thais.
Eu era Thais, meu corpo inteiro tremia, usava um vestido longo lilás, estava com as mãos sobre uma barriga de gravida, sabia que estava com nove meses de gestação. Eu era Thais por completo, sentia o que ela sentia, sabia o que ela sabia.
Estava no meio de um bosque, já fazia mais de dez minutos que estava lá a sua espera, então ele apareceu, um homem alto, pele negra, seus músculos rígido, como uma pessoa que pegava muito peso, estava completamente nu, mas por incrível que pareça não estava constrangida com sua nudez, na verdade estava acostumada, com aquele corpo, tão familiar.
— Eles estão atrás de mim. – Meu corpo tremia, estava desesperada.
— Eu sei meu amor, mas hoje é noite de lua cheia, você estará mais segura longe de mim, se eu me transformar do seu lado posso até lhe matar. — Pude sentir como custava para ele dizer isso.
— Mas o que eu faço Eric? Não posso ir muito longe com essa barriga.
— Se esconda até amanhã, quando o sol nascer, já estarei com minha forma normal, então irei atrás de você e da nossa pequenina.
— Está certo, meu lobisomem preferido. – Falei tentando deixar o clima mais leve, sem sucesso, fui até ele e lhe dei um beijo.
Ele sumiu entre as arvores, a lua brilhava no céu, ele não tinha muito tempo iria se transformar, quando não era noite de lua cheia tinha controle, podia se transformar quando achava melhor, mas em noites como essa, ele saia de si, perdia totalmente o controle, era um perigo para si mesmo e para quem tivesse do seu lado.
Precisava achar um novo esconderijo, David avia achado o último, estava sozinha sem saber onde ir, comecei a andar sem rumo, sem ter a minima noção de onde estava, para tentar bloquear meu rastreio tinha que usar todas as forças que tinha, mas estava muito fraca, meus olhos mal enxergavam um palmo na frente, mesmo com a lua tão cheia, meus olhos escureceram, tudo ficou escuro, era David, usando toda força que tinha. Meus pés engancharam em um tronco de arvore fazendo eu cair de barriga no chão, uma dor intensa tomou conta do meu ser, podia sentir o sangue descer pelas minhas pernas. Eu precisava de ajuda.
“AUUUU!” Ouvi o uivo de Eric, ele estaria inacessível até o amanhecer do dia, sentia muita dor, sabia que poderia estar perdendo minha criança, precisava de ajuda. Mesmo sabendo dos riscos notei que a unica pessoa que me restava estava dentro do castelo, com muita dificuldade fui até os portões do castelo, a cada passo mais sangue escorrida de mim.
— Peça que Thamires venha me buscar. – Pedi para o guarda do castelo, que me olhou com suspeitas, afinal eu estava sendo procurada, mas mesmo assim entrou.
Depois de alguns minutos Thamires saio de camisola cor de rosa segurando a sua barriga de sete meses.
— Thais! – Exclamou ela. – Você esta sangrando!
— Me ajude? – Pedi chorando.
— É claro irmã. – Respondeu ela me ajudando a entrar no castelo.
— Mas e o David? – Eu havia me esquecido dele.
— Ele esta viajando, a sua procura, acho que aqui é o último lugar que ele riria te procurar.
E sem demora me levou para seu quarto me colocando cuidadosamente na cama.
— Sarah, por favor, traga toalhas limpas, tesoura esterilizada e uma bacia com água. – Pediu Thamires para a empregada que havia nós ajudado.
E antes que pudesse notar, Sarah já estava de volta com tudo que minha irmã havia pedido. Eu ainda sangrava muito, Thamires tirou meu vestido deixando eu apenas com a roupa de baixo, uma camisola que antes era branca, naquele momento estava vermelha. Meus lábios seguravam um grito de dor.
Quando Thamires se abaixou para verificar como estava, a porta foi arremessada longe, a dor que sentia era tamanha que só reconheci quem era quando já estava em minha, era David que arrastava algemado o meu querido Eric.
— Você não estava longe? – Perguntou Thamires alarmada, sabia que estava cometendo um crime em me ajudar.
— Estava, mas o nosso querido lobo não estava com muita sorte, pude ouvir seu uivo de longe, mas não esperava encontrar Thais aqui.
— Mas como ele está assim é lua... — Tentei falar mais fui interrompida por uma sequência de toce.
— Sim querida Thais, hoje é noite de lua cheia, mas eu tenho um remedinho especial para cães como ele, você mesmo me ajudou a criar tal injeção.
Tudo estava turvo, começava a sentir as contrações, eu gritava.
— Ela esta sangrando. – Gritou Eric do canto do quarto.
— Thamires termine o que estava fazendo, tire o monstro de sua irmã.
— Não... Chame... Ela... De... Monstro... – Falei chorando, com a voz travando de dor.
— A Letícia não é um monstro! – Gritou Eric.
— Então a criatura tem até nome. – Rio David.
Continuava a perder sangue, Thamires se posicionou de uma forma que fosse melhor para ela visualizar o que estava fazendo, pousou sua mãe sobre minha barriga, emitindo pequenas luzes de cor branca, depois de uma meia hora minha filha nasceu, seu choro era fraco, Thamires me passou Letícia que a segurei cuidadosamente em meus braços, ela tinha uma pele morena uma mistura da minha branca com a do pai negra, seus cabelos eram idênticos aos meus, seus olhos ainda fechados eu não podia ver a cor.
— Acho que chegou à hora do seu castigo cunhadinha. – Rio David, notando novamente sua presença.
— Você está louco David? Ela acabou de ter a filha. – Thamires tentou ajudar.
— Apesar de você ser minha mulher e carregar um filho meu, isso não dá o direito de você se intrometer nos meus negócios.
— Desculpa é que...
— Calada. – Ordenou ele, retirando uma adaga de prata do bolso e á enfiando no coração de Eric, foi tão rápido que não deu nem tempo de notarmos o que estava acontecendo.
— Thais... Eu.... Te amo.
E essas foram suas ultimas palavras, depois de pronunciá-las ele caiu no chão já morto.
— N... Ã... O... – Tentei gritar mais quase nada saiu de minha boca. Thamires chorava, eu estava desesperada, mas David não estava satisfeito, arrancou Letícia de meus braços, tentei lutar, mas meu corpo não obedeceu, e
com uma explosão minha filha morreu. Tudo que eu amava estava destruído, o ódio tomou conta de mim, e as forças que eu não tinha voltaram, eu comecei a flutuar, meu corpo brilhava e em questão de segundos o quarto estava completamente destruído.
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