Como se fosse Inverno e Verão.
11 11. A gota de Sangue.
Depois de responder todos os e-mails fui até minha cama deitar um pouco, já estava quase dormindo quando a porta de meu quarto abriu, era Michael, todo animado. Ficou tão feliz com meu sim que não conseguiu esperar até o dia seguinte para falar comigo. Ficamos a maior parte do tempo sentados no chão do meu quarto conversando, e acabei contando para ele o que havia acontecido na casa do Jared, pois até aquele dia não tinha tido coragem. Até que tudo em minha volta saiu de foco, Michael não estava mais na minha frente, eu estava vendo a casa do Jared, tinha duas pessoas na sala, conversando, Kelly e Éllen.
— Cadê o Jared? — Perguntou Kelly.
— Na floresta. – Respondeu Éllen.
— Então por que você me chamou aqui? – Ela quis saber.
— Você é minha amiga e tenho que falar com você. — Explicou Éllen.
— Então fala. — Ordenou Kelly.
— Não consigo intender porque você não liberta o Jared.
— Se eu o liberto, irá correr perigo.
— Claro que não, da onde você tirou isso?
— Eu vejo como ele a olha, se eu o deixar livre sei que vai correr para ela.
— Não acredito que seja uma deles, não pode ser, chegou a tão pouco tempo, e já está andando no meio de nos.
— E a pele dela?
— Eu sei.
— Se você sabe então...
— Espera! Tive uma idéia, amanhã você se corta na frente dela.
— Que? Está doida. — Disse Kelly não acreditando no que estava ouvindo.
— Você não quer ter certeza?
—Sim, mas isso é suicídio.
— Calma, é só você se cortar na hora do intervalo onde eu e Jared podemos lhe proteger.
— Também tem o amigo dela, ele eu tenho certeza.
— Damos um jeito nisso.
— Tudo bem, eu faço.
E tudo que estava em minha volta, voltou ao normal.
— Dayana! Que foi? — Perguntou Michael.
— Eu tive uma visão, mas essa foi diferente.
— Como assim?
— Eu vi o presente.
— Que? — Michael não parecia acreditar.
— Eu vi algo que estava acontecendo agora. — Explico.
— O que você viu?
Contei tudo que eu havia visto, ele ficou mais espantado do que eu.
— Eu nem tinha certeza se podia ver mesmo o futuro, mas isso? – Falei sem entender o que havia acontecido.
— Eu sei, é um pouco assustador.
— E agora?
— Eu não vou ir amanhã para a escola.
— Então eu também não vou.
— Vai sim.
— Mas...
— Você nasceu assim, nunca se esqueça, eu por outro lado ainda não confiou em mim mesmo, e caso não vá amanhã ela fará em outro dia, não se preocupe, sei que vai se sair bem.
— Tudo bem, vou acreditar em você, eu vou.
***
Eu não consegui dormir direito aquela noite, a única coisa que ficou na minha cabeça era se na hora eu iria conseguir me controlar.
No dia seguinte tentei me arrumar o mais devagar que eu pude, quando cheguei à sala de aula todos ficaram me olhando, eu até ouvi umas garotas perguntando umas as outras se o Michael teria terminado o namoro comigo.
— Bom dia turma. — Disse Suzana professora de inglês. — Hoje temos um aluno novo Kelid Morais.
Então olhei em sua direção, olhos verdes, pele morena, cabelos negros, um pouco mais alto que Jared. A professora disse que ele podia se sentar, e para minha surpresa ele veio em minha direção.
— Posso me sentar? — Perguntou Kelid.
— Claro sente-se. — Falei sem pensar direito, sem me tocar que Michael sentava ali.
Ao chegar à mesa que eu sempre sento no intervalo vejo Éllen levantar rapidamente e ir até minha direção me cumprimentar, apesar de todo acontecido estávamos nos tornando grade amigas.
— Vou pegar a comida, vamos?
— Não esto com fome. — Disse eu e Jared ao mesmo tempo e reparei que ele não está com uma cara muito boa. Kelly se levanta e vai com Éllen.
— Posso fazer uma pergunta? – Perguntou Jared olhando-me com um olhar desconfiado.
— Claro, pode perguntar.
— Por que o Kelid foi sentar com você?
— Que?
— Por que o Kelid foi sentar com você?
— Não sei. — Falei sem entender nada.
— Como você não sabe?
— Para agora! Primeiro, você não manda em mim, segundo eu falo com quem eu quiser, terceiro qual o problema?
— É que parece que vocês já se conheciam, não pararam de falar um minuto. — Falou, notando como tolo estava parecendo.
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, às meninas chegaram cada uma com sua bandeja. Elas começaram a comer, Kelly estava comendo muito devagar para meu gosto, então percebi que ela não tirava os olhos de mim e quando menos esperava ela fura o dedo com uma faca.
— Ah! — Gritou ela.
— Que foi? — Perguntou Jared.
— Cortei meu dedo. – Respondeu ela olhando para mim.
Jared estava segurando a mão dela quando uma gota de sangue saiu pelo corte; um cheiro doce foi subindo bem devagar palas minhas narinas, eu comecei a sentir uma sede imensa, eu queria matá-la, queria enfiar meus dentes em seu pescoço e soltar só quando eu tivesse acabado com todo o seu sangue. O que estava acontecendo comigo? Eu nunca tive coragem de matar uma barata, mas agora estava planejando matar uma pessoa? Tinha que me controlar fechei meus olhos e prendi a respiração, quando abri meus olhos vi que só a Kelly me olhava.
— O que foi Day?
— É que eu não posso ver sangue que passo mal. — Menti.
— Passa mal?
— Sim, me dá náuseas, já cheguei até a desmaiar umas três vezes. — Menti novamente.
— Nossa! – Falou ela olhando para Éllen.
Bem que o Michael tinha dito que ela iria fazer isso. Quando voltei para sala o Kelid se sentou novamente ao meu lado, percebi que ao passar das aulas Jared não tirava os olhos de nós, mas o que será que tinha em Kelid para ele ficar tão cismado? Para mim ele era uma pessoa legal e não ia parar de falar com ele só porque Jared diz não. Principalmente nós sendo apenas amigos.
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