Minha primeira ação foi tirar a roupa e tomar um banho, eu me sentia a pessoa mais medonha do mundo, me sentia suja, imunda, e para piorar minha situação, ainda sentia fome uma fome que nunca avia sentido na vida, algo de errado estava acontecendo comigo. Tentei ficar o mais calma possível e desci para tomar café.

— Como você está linda hoje. – Falou vovó, como sempre já acordada, acreditava que ela era a que menos dormia.

— E menos pálida. – Falou Fernanda, me surpreendendo, ela sempre era a última a acordar, estava no canto da mesa, se levantou e foi em minha direção. — Sem duvida sua cor está normal, corada até.

— Vamos tomar café? Estou morrendo de fome. – Falei por fim me encaminhando para a mesa, não queria entrar em detalhes principalmente com Fernanda, ela era tão madura, mas não sei como reagiria as novas.

Peguei um copo se suco de laranja, como de costume, mas não me satisfez, então comecei a comer, quando notei já avia comido a maioria das coisas que estavam sobre a mesa. Vovó ficou me encarando, parecendo desconfiada, me senti um pouco constrangida, nem mesmo na minha época de humana era de comer assim, pedi licença e subi para meu quarto, foi quando me lembrei da Thais, notei com alivio que ela não avia dormido no meu quarto na noite anterior.

Depois de alguma horas, bateram na porta do quarto, sem esperar resposta Thais entra no quarto.

— Você está bem? Comentaram que está um pouco estranha essa manhã.

— Estou me sentindo diferente, algo de errado está acontecendo. Será que é algum efeito colateral, da magia de David?

— Nunca ouvi nada parecido, mas não duvido.

— Vampiros não sente fome, e eu estou com fome, mas não só de sangue, de alimento também.

— Acho que seria bom procurar ajuda, Jhony pode ajudar.

— Prefiro esperar um pouco, pode ser apenar nervosismo, tanta coisa acontecendo comigo.

Thais não pareceu convencida, mas aceitou, saiu do quarto me deixando sozinha.

***

As semanas que se seguiram, foi como uma tortura, acordava toda manhã suja de sangue, não permiti que Thais continuasse a dormir comigo, estava tentando esconder o máximo que conseguia, mas referente aos alimentos eu não tinha muito o que fazer, precisava descer para me alimentar, todos achavam estranho, mas Vovó e Michael, não saiam de perto de mim.

Ficava a maior parte do tempo no quarto, queria ficar sozinha, mas o fome veio, então me levantei da cama, me senti um pouco fraca mais ignorei, qual foi a última vez que me senti assim?

Ao descer as escadas uma vertigem encobriu meus olhos, fazendo eu cair rolando escada a baixo, parando apenas quando meu corpo pousou no chão frio da sala.

— Dayana! – Gritou Thais vindo até mim. – Como você pode ter caído? Vampiros não caem.

— Você teve alguma visão? – Perguntou Michael que também veio até mim com Fernanda.

— Não. – Eu ainda estava tonta.

Thais me pegou com a ajuda de Michael, que me pegou por inteira e me levou para meu quarto, me colocou em minha cama.

— Meu Deus. – Você está quente. – Comentou Michael.

— Eu? — Perguntei meio aérea.

— Sim.

E com esforço toquei o meu braço, estava tão quente quanto Jared.

— O QUE ESTÁ ACONTECENDO COMIGO? – Gritei desesperada, essas últimas semanas não estavam sendo fácil, mais isso?

— O que foi? – Perguntou vovó entrando no meu quarto, assustada pelos gritos.

— A Dayana está quente. – Falou Fernanda.

— Isso é impossível.

— Não Miranda, ela está quente mesmo. – Falou Michael.

— Ela só pode estar doente. – Sugeriu Fernanda. – Afinal ela está quente.

— Vampiros ficam doentes? – Perguntou Thais.

— Não que eu saiba. – Falou Jhony entrando pela porta, trazendo um embrulho na mão, surpreendendo a todos com sua presença, a casa da vovó sempre era movimentada, mas ele era o qua mais evitava ir lá. – Desculpe a intromissão Miranda, mas pediu para vir aqui ver como Dayana estava, e aproveitei e trouxe a torta que tanto gosta, e porque todos estão aqui?

Fernanda foi até a torta e abriu o embrulho deixando a torta amostra. O cheiro dela veio direto para minhas narinas fazendo meu estômago embrulhar. Corri direto para o banheiro, só deu tempo de eu entrar e joguei tudo que eu havia comido para fora, comecei a me sentir mais fraca, queria ficar sozinha, mas depois de todo o ocorrido duvidada que alguém me deixaria em paz, sem uma explicação, lavei o meu rosto e ao me encarar no espelho pude notar que meus cabelos estavam mais lisos.

— Você está bem? – Perguntou Fernanda do outro lado da porta.

— Não sei. – Responde indo novamente para a beirada do vaso sanitário e vomitando mais uma vez. Um estampido, e uma luz forte apareceu pelo buraco da fechadura e com isso a porta se abriu.

— Ela deve estar mesmo doente. – Falou Vovó em duvida. – Michael, por favor, a coloque na cama.

— Claro Miranda.

Então Michael me pegou, eu quase desmaiada, me colocou suavemente na cama, não conseguia abrir os olhos, eles conversavam em minha volta.

— Vampiros não ficam doentes. – Falou Jhony.

— Deve ser porque ela já nasceu assim. – Tentou argumentar Vovó.

— Mas eu nunca fiquei doente. – Explicou Jhony.

— Ela parece estar tão fraca, olha até o cabelo dela esta mais liso. – Comentou Thais colocando a mão em minha cabeça.

— É mesmo. — Falou Fernanda chegando mais perto de mim.

Minha garganta começou a arder, eu estava com cede com cede de sangue humano, eu podia sentir o sangue correndo pelas suas veias, podia sentir seu cheiro metálico, meus caninos cresciam, podia sentir o gosto do meu sangue, que surgia pelas fendas que os caninos abriram ao surgir, eu não queria, tinha que resistir, mas era mais forte que eu, algo me puxava para o pescoço da minha própria irmã. Parecia que tudo aconteceu ao mesmo tempo, eu abri meus olhos pulando no pescoço de Fernanda, Thais gritava por ajuda, um clarão roxo e varias mãos vieram até mim, me prendendo na cama. Quando voltei a mim eu estava em posição de ataque com todos a me segurar e Fernanda em um canto do quarto abraçada com Michael.

— Me perdoe, eu não tive a intenção, me desculpe...

Tudo ficou preto e eu desmoronei, quando abri os olhos novamente vi que Fernanda me abraçava e Michael segurava uma garrafa de sangue.

— Tome isso. – Falou ele me passando a garrafa. Foi o que fiz, bebi até a ultima gota, mas antes que eu pudesse respirar veio uma anciã de vomito e eu corri para o banheiro novamente.

— Os enjoos dela está me lembrando quando estava grávida da Tânia. – Comentou vovó. Essas palavras percorreram o meu corpo feito um choque. Me levantei do chão, lavei minha boca, indo até o espelho coloquei meus dedos sobre a barriga, pela primeira vez desde que tudo isso estava acontecendo comigo parai para ver o que meu corpo estava dizendo e foi quando notei um leve movimento dentro de mim, apertei minhas mão com mais força sobre a barriga, era um movimento muito pequeno, mas agora que eu prestava atenção vi que ela se movia.

Minhas penas se enfraqueceram, cai sentada no chão, não podia ser real, não poderia estar gravida, como? Então pouco tempo?

— Eu não estou doente. – Falei chorando, enquanto Jhony tentava me levantar do chão. – Eu.... Estou.... Grávida.