Como se fosse Inverno e Verão.
28 28. Despedida.
Acordei de um sonho lindo, abri meus olhos, estava deitada no chão da floresta, abraçada com Jared que ainda adormecia, o sol estava nascendo, minha pele deveria ter queimado por conta do sol, pois, já estava radiante, e quente como antes da minha transformação, me levantei, vi que estávamos sem roupas, me senti um pouco constrangida, então me lembrei que tudo aquilo não fora um sonho, mas sim a pura realidade, peguei o meu vestido com um sorriso nos lábios e o coloquei deixando apenas a parte de trás aberto, pois não conseguia fechar sozinha, fui até Jared e tentei acordá-lo com um doce beijo, ele me puxou fazendo com que eu caísse sobre ele.
— Esta na hora da despedida. – Falei olhando seus olhos azuis.
— Mas já? – Perguntou ele com lágrimas nos olhos.
— Eu te amo tanto, não queria que essa hora chegasse. – Eu também comecei a chorar e minhas lágrimas começaram a cair sobre sua face o
sujando de sangue. Levantei-me jogando sua roupa para que pudesse se vestir, enquanto ele se vestia fui até a ponta do penhasco olhar a água violenta bater nas pedras lá em baixo. Ele se aproximou de mim beijando minha nuca e amarrando meu vestido.
— Te amo. – Falei me virando para ele. – Mas temos que nos despedir, para sempre.
— Eu sei. – Ele ainda chorava.
— Prometa que vai encontrar alguém que possa ficar com você.
— Mas...
— Eu não sei como vai ser minha vida daqui pra frente, mas eu quero ver você feliz, quero poder saber que sua vida seguiu, que apesar de tudo esta sendo feliz, por mim, prometa!
— Eu.... Prometo... – Prometeu ele com relutância, notei que não era 100% sincero, mas sabia que uma hora ele iria encontrar alguém, e ter minha permissão sabia que facilitaria.
— Prometa que nunca mais ira ir atrás de mim. — Ele não respondeu. — Prometa. – Eu repeti.
— Prometo. – Ele soluçava de tanto que chorava, eu não chorava mais, precisava ser forte, mostrar pra ele que apesar de tudo, iria ficar tudo bem, que eu conseguiria lidar com tudo.
— Adeus. – Falei com tanta relutância, que a palavra quase não saiu.
— Adeus. – Repetiu ele me beijando, me segurando com força, eu tremia, um gosto amargo na boca, não podia permitir me deixar ficar, não podia cair no encantos dele, então sai do seus braços o deixando como o vento, não olhei para traz, sabia que se fizesse isso voltaria para os seus braços, voltaria para seu amor. Mal sentia meu corpo, enquanto meus pés me levavam de volta para casa.
***
Parei na porta de casa pensando qual seria minha desculpa para tanta demora, o sol já havia nascido, ao entrar Fernanda e hTais me esperavam no sofá.
— Vovó já chegou? – Perguntei.
— Não. – Respondeu Fernanda.
— O que aconteceu? – Perguntou Thais. – Olha só, o vestido está todo sujo, eles encontraram vocês, eu fiquei o tempo todo concentrada, jurava que tinha conseguido.
— Não precisam se preocupar. — Mas já estava chorando.
— E porque a demora? – Perguntou Fernanda.
— Como essa foi a ultima vez que nós iríamos estar juntos, queríamos ver o por do sol. – Menti, não queria falar da minha intimidade, não depois da noite que passei. – Agora vou descansar.
Sabia que iam me dar sermões, sabia que iriam reclamar, então fui direto para meu quarto e tomei um longo banho, vesti minha camisola de algodão e fui me deitar e logo adormeci.
Eu sentia cede, nunca sentira algo assim, minha garganta queimava, parecia que eu havia engolido fogo, me levantei precisava me controlar, não era possível depois de tanto tempo só agora eu estaria com cede de sangue? Peguei um livro na minha prateleira “Fortaleza digital” que já havia lido duas vezes, tentei ler, mas depois de três capítulos não consegui, era assustador como minha garganta estava seca, meus dentes começaram a crescer, antes que eu percebesse havia pulado pela minha janela e estava de fronte para a floresta. Pude sentir o cheiro de sangue de longe, corri, tudo em minha volta parecia um simples borrão de tinta que passava. E lá estava um coelho tão pequeno e delicado, ele nem notará minha presença, ataquei, meus dentes rasgou a pele do animal, pude sentir a dor que ele estava sentido era desesperador, tentei parar, mas não consegui, só parei no estante que o animal não continha mais nenhuma gota de sangue. Eu chorava, as gotas de minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto e sujava minha camisola de sangue.
Voltei para meu quarto, estava exausta e antes mesmo que eu pudesse refletir sobre o que acabará de fazer adormeci.
Senti o sol bater em minha face, abri os olhos assustava, acabará de ter mais um sonho, onde eu atacava um animal, fui direto para o banheiro me trocar, mas para meu desespero ao me olhar no espelho eu estava toda ensanguentada, minha camisola branca agora continha uma cor meio avermelhada, aquilo não fora um sonho, mas sim a pura realidade, eu havia matado, matado para matar minha cede por sangue.
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