Como se Apaixonar em 40 Dias
2 1º Capítulo
Notas iniciais

Eu nunca pensei que iria me arrepender de tomar aquela decisão dez minutos depois de sair da casa de meu pai. Quando ontem revi Anabeth e Tobias Eaton, eu já sabia que iria ter problemas o suficiente para uma vida, mas o agradecimento explícito no olhar de Anabeth conseguiu ser mais forte do que as tentativas de Tobias Eaton de se mostrar um tarado pervertido.
Agora, depois de me ter encontrado com o mesmo na casa de meu pai, após o expediente como havia sido combinado, eu já não sabia quanto tempo mais iria aguentar.
— Você não me pode colocar numa suite com menos de sessenta metros quadrados. Sem contar com o banheiro privado e o closet, é claro. E não pode ter gatos. Eu não funciono bem com bolas de pelo e…
— Estou começando a chegar à conclusão de que você não funciona bem de qualquer forma! — Exasperei começando a perder a paciência.
— Muito engraçada, Beatrice. — Ironizou. — Voltando à conversa civilizada, ainda não me disse como é a garagem para colocar o meu carro. Nem pensar que eu vou deixar o meu Mustang estacionado no passeio em frente à sua casa.
— Porque não, Tobias? — Perguntei virando à direita para aceder à minha rua. — Acha que iria roubar a atenção das flores do jardim?
— Não, mas tenho a certeza de que passado uma hora eu já não teria carro. Que tipo de gente vive nesse bairro mesmo? — Perguntou fazendo uma careta ao ver um grupo de garotos correr até ao pequeno campo de futebol que havia no final da rua.
— Bem, acho que era uma solução para os nossos problemas. — Respondi divertida.
— Está zoando com a minha cara, Prior? — Perguntou virando-se para me encarar.
— Claro que não Tobias. Eu nunca, nos meus vinte e dois anos, faria algo que pudesse ofender o seu ego. — Respondi com um claro tom de ironia. Estacionei o carro no caminho de acesso à garagem e suspirei exausta. Eu apenas me perguntava como ele conseguia ser tão mimado e irritante ao mesmo tempo. Homens como ele não conseguiam fazer duas coisas ao mesmo tempo.
— Olha, você não brinca comigo Beatrice. Eu posso estar nesta coisa idiota de reabilitação que os meus pais, por alguma razão inexplicável, acharam ser inteligente, mas não vou mudar a minha vida só porque mudei de casa. Você pode ser minha babá, mas é você quem se vai adaptar a mim e não o contrário e…
— Pelo amor de Deus, cala a boca! — Pedi deixando a cabeça cair contra o volante.
— Você ainda não me respondeu sobre o lugar onde vou colocar o meu carro. E que fique decretado, eu já tenho um ódio mortal pelo seu ferro-velho aqui. Eu mal consigo abrir a porta dessa coisa. — Resmungou olhando o estofo do carro com desdém. Eu sabia que ele podia estar habituado a carros de luxo e topo de gama, mas chamar o meu bebé de ferro-velho era demais! — Pode parar de me ignorar? — Perguntou Tobias com um ar ofendido. Com a certeza de que era eu quem devia estar ofendida com os comentários do idiota, tirei o rosto do volante e olhei-o com uma raiva nunca antes mostrada.
— Olha, você pode colocar o carro no seu... — Respirei fundo, acabei por fechar os olhos e tentar me acalmar. Não terminei a frase e agradeci aos céus por isso. Eu não era mal-educada, não gritava e não fazia escândalos nem dentro de quatro paredes! Não seria Tobias quem iria mudar isso. Ele podia tirar-me totalmente do sério, mas eu sabia que era o meu trabalho manter-me controlada e calma. O que ele queria era irritar-me e olhando-o com atenção naquele momento percebi que ele conseguira. O idiota prendia a risada e eu considerei-me uma santa por ter aceitado o pedido de meu pai e Anabeth.
— Menina, você tem uma boca muito suja. — Falou soltando uma gargalhada em seguida. Enervada, saí do carro e bati a porta, caminhando até à entrada da casa. Ouvi outro bater de porta enquanto procurava as chaves dentro da mala e percebi que Tobias parava atrás de mim sem nem mesmo precisar olhá-lo. — Você não tem ligação direta da sua garagem para o interior da casa? Seria muito mais fácil arrumar o carro na garagem e entrar diretamente do que ficar meia hora procurando o molho de chaves dentro dessa mala infinita. — Ouvi-o questionar seriamente. Olhando-o admirada, as palavras saíram de minha boca antes que eu pensasse em impedi-las.
— Você é bipolar por acaso? Tem dupla personalidade? — Tobias riu e coçou a nuca com um meio sorriso. Ele sabia fazer aquele simples ato parecer uma das coisas mais sexys que uma mulher poderia esperar de um homem como ele. Era coisa de Tobias Eaton.
— Não. Eu não sou bipolar. Nem tenho dupla personalidade. – Respondeu colocando as mãos nos bolsos da calça jeans.
— Em um minuto você está sendo a pessoa mais irritante que eu conheço e no seguinte faz uma pergunta básica sobre coisas do cotidiano. Você não pode brincar comigo desse jeito Tobias Eaton.
— Eu sou uma pessoa bastante normal Beatrice. — Respondeu. Foi a minha vez de rir.
— Não, você não é. — Neguei. Tobias não respondeu e eu apenas respirei fundo. Ele tinha feito apenas uma pergunta afinal. Eu não podia querer desmembrá-lo pelos surtos de personalidade dele. Não ainda. — Tem passagem sim, mas está impedida com coisas velhas. – Expliquei simplesmente. Eu tinha trabalhado oito horas e estava começando a sentir-me verdadeiramente cansada. Ter Tobias na minha vida era algo que eu ainda não tinha aceitado muito bem.
— Pode responder há minha pergunta de forma civilizada agora? — Perguntou Tobias atrás de mim. Voltei a procurar as chaves de casa e comecei a ter a mesma opinião que o Eaton sobre a minha mala ser infinita.
— Que pergunta? — Questionei sem dar realmente atenção.
— Sobre o meu carro. — Suspirando cansada, fiquei satisfeita ao finalmente achar o que procurava.
— Tobias, você não vai precisar de um lugar para estacionar o carro porque não vai ter um. — Simplifiquei.
— De que merda você está falando? — Perguntou bruscamente sem se importar com o palavrão. Eu estava ficando louca?
— Os seus pais foram bem explícitos. Isto é como uma reabilitação para você. O que significa: sem coisas que custam mais do que a minha casa. — Expliquei apontando para a minha tímida e pequena habitação. Eu não nasci em berço de ouro como Tobias. Tudo o que eu tinha era meu porque trabalhei para o conseguir e orgulhava-me disso. Abrindo a porta de entrada e tirando os sapatos de salto alto para alivio dos meus pés de princesa, dei espaço para que Tobias entrasse na humilde casa.
— Eu vou viver aqui? Nesta coisa? — Perguntou descrente.
E pela primeira vez desde que me encontrara com Tobias naquele dia, sorri satisfeita ao ver a insatisfação dele. Larguei as chaves numa mesinha alta e estreita na parede esquerda ao pé do hall, apressei-me a retirar o blazer que vestia por conta do meu terno e deixei a mala pendurada no cabide, não me esquecendo de tirar o celular.
A minha casa era a casinha mais simples e pequena por fora, mas a boa decoração moderna por dentro dava a entender que apesar de continuar pequena, era bastante agradável viver ali. No entanto, eu sabia que não era assim para Tobias Eaton que estava habituado a que a sua sala de estar e cozinha fossem do tamanho da minha casa.
Fazendo um breve tour pela casa mostrei tudo o que havia para ele conhecer. Havia a cozinha, a sala, um banheiro, o quarto e a garagem. Era pouca coisa, mas era meu e não de um banco qualquer que me obrigaria a pedir um empréstimo e ficar pagando juros uma vida inteira. Era o meu cantinho.
A minha família, os Prior, nunca foi muito afortunada e as dificuldades sempre existiram aqui e ali. Depois que minha mãe, Ana Prior, morreu as coisas tornaram-se mais complicadas. Agora não era só a minha casa e o carro que eu tinha que bancar. Sentia-me no dever de ajudar nos diabetes de meu pai e na casa dele. Não que ele não fosse independente o suficiente para cuidar de si mesmo. Eu apenas não conseguia passar mais de uma semana sem falar com ele desde que a minha mãe faleceu há uns anos atrás.
Apesar de tudo, eu estava feliz com o que tinha. Sempre fui determinada a conseguir o que queria e nunca deixei que alguém me impedisse de ser feliz. Consegui uma bolsa de estudos completa para a faculdade e graduei-me com mérito, sendo uma das melhores da minha classe. Arranjei o trabalho que desejava, comprei o meu Volkswagen e a minha humilde casa. Para completar a minha felicidade, ainda existe Travis, meu namorado há quase quatro anos.
— Finalmente respondendo à sua pergunta, sim, você vai viver aqui. Felizmente é algo temporário. — Acrescentei. Tobias estava parado no meio da sala de olhos arregalados. Sem acreditar que aquilo estava acontecendo.
— Onde eu vou dormir? — Perguntou assustado.
— Ali. — Respondi indicando o sofá.
— Você está de brincadeira comigo?
— Não. — Neguei satisfeita. — Só tem um quarto e uma cama nesta casa, que são meus. Você espera que eu lhe dê a minha cama? — Perguntei sem esperar uma resposta. — Não vai acontecer Eaton. Você tem o sofá ou o chão. É você quem vai decidir onde é mais confortável. — Eu estava me contendo para não rir ao ver a expressão horrorizada no rosto dele. Pensei que provavelmente ficaria com pena dali a uns dias quando ele não aguentasse mais com dores nas costas, mas depois desisti do pensamento ao lembrar-me de que ele era Tobias Eaton.
— Tudo bem. Eu me resolvo com o sofá. Posso lidar com isso. — Respondeu tentando mostrar uma certeza que não tinha.
— Tenho a certeza que se vão entender muito bem. Agora acho que já podemos definir algumas coisas. — Falei dirigindo-me à cozinha, sabendo que ele me seguiria.
— Tem regras? — Perguntou vendo que eu lavava as mãos na pia de forma cuidada. A ideia de ter limites como um adolescente não lhe parecia agradar nem um pouco.
— Obviamente! — Respondi. — Primeira regra de todas: não quero nenhuma das suas peguetes na minha casa. Sem sexo, sem saídas à noite e sem festas. — Abrindo o frigorífico estilo americano, tirei para fora uma taça com carne descongelada e pousei-a na bancada da ilha, pegando uma faca da gaveta em seguida.
— É apenas isso? — Perguntou Tobias esperançoso. Ri e neguei, começando a cortar a carne sobre a tábua de madeira.
— As tarefas vão ser repartidas.
— Tarefas? — Questionou confuso.
— Cozinhar, limpar, etc. — Nomeei. — Por exemplo, hoje eu faço o jantar e você pode pôr a mesa e lavar a loiça no final.
— Tudo bem. — Concordou. — Eu não sei fazer isso. — Disse por fim. Ri novamente e peguei o alho e as folhas de louro.
— Você não está aqui para passar férias Tobias. Você teve férias a vida toda. Está na hora de você sobreviver. Se não sabe fazer, aprende. Eu te ajudo nisso. — Expliquei vendo-o bufar.
— Eu vou odiar isso não vou? — Perguntou sentando-se num dos bancos altos da ilha da cozinha. Olhei-o rapidamente e sorri.
— Provavelmente.
— Tem mais regras? — Assenti positivamente e peguei uma garrafa de vinho branco.
— De manhã você usa o banheiro depois de mim.
— Por quê? — Perguntou confuso.
— Alguém precisa ir trabalhar de manhã. Você deve demorar milênios para se arrumar.
— Um gostoso como eu precisa do seu tempo para se arrumar. Como você acha que as minas piram? — Olhei-o sem achar piada alguma. Tobias deixou de sorrir de forma maliciosa.
— Por favor, nunca mais fale desse jeito. É ridículo demais. Até para você. — Pedi com vontade de rir.
— Certo. — Acatou prontamente. — Tem mais regras? — Tobias estava aceitando os meus limites sem qualquer oposição e por isso achei que talvez não fosse assim tão difícil conviver com ele.
— A tampa do vaso sempre pra baixo.
— Ok.
— Nada de andar de cueca pela casa.
— Entendi.
— Sem pés em cima da mesa de centro.
— Claro.
— Por último e muito importante, sem confusões com o Travis.
— Você tem um cachorro? Onde está? — Perguntou com os olhos brilhando. Só passado uns segundos é que percebi o que Tobias queria dizer. Tratei de pegar numa maçã e atirei contra ele com força, acabando por acertar seu peito musculado.
— Ai! Está maluca? — Perguntou queixoso enquanto massageava o local dorido.
— Você ainda não me viu maluca, Tobias Eaton! Teve sorte de ter sido uma maçã e não a faca! — Retruquei exaltada ao mesmo tempo que apontava a faca na cara dele. Tobias esbugalhou os olhos e por um momento teve medo de verdade.
— O que eu disse de errado para merecer essa? Suponho que a culpa seja minha, não é verdade? — Perguntou.
— Idiota! É claro que falou merda! Travis é o meu namorado e não um cão.
— Oh! — Exclamou. Tobias não aguentou e gargalhou.
— Você ainda ri? Não vejo a graça nisso! — Falei incrédula. Ainda estava com raiva dele.
— Desculpa. Eu não sabia. — Disse ainda rindo. Apanhei a maçã do chão e espetei a faca de cozinha nela. Tobias parou de rir imediatamente e ficou sério. — Desculpe, é sério. — Pediu mais uma vez. — Virando-me para o armário, abri uma das portas e retirei uma embalagem de pimenta moída, ponderando.
— Está desculpado. Apenas não volte a fazer gracinhas novamente.
— Certo. Ambos de acordo. — Falou Tobias satisfeito. Passaram dois minutos até que nós dois começámos a rir.
— Eu não deveria rir. — Disse me recriminando.
— Um pouco de humor não morde. E eu realmente pensei que Travis fosse um cão.
— Porquê? Travis é nome de homem e não de animal. — Falei óbvia. Parei o que estava fazendo e olhei-o.
— Você parece ser o tipo de mulher que tem um animal doméstico, sei lá.
— Ah, você é daqueles que funciona com tipos.
— Porquê?
— Eu não acredito que haja vários tipos de pessoas. É impossível te definir em um tipo só. Isso simplesmente não funciona assim, mas todo o mundo fala em tipos de qualquer das formas.
— É um assunto interessante a discutir, mas neste momento eu estou mais interessado no porquê de você achar que eu iria arrumar confusão com o seu namorado.
Não respondi. Eu não era uma mulher de ter medo, mas eu conhecia o meu namorado bem o suficiente para saber que ele não iria achar graça às piadas de Tobias e muito menos iria gostar de saber que eu agora dividia o mesmo teto com ele.
— Apenas, mantenha distância o suficiente para ficar seguro. — Pedi olhando o corpo masculino brevemente.
Tobias Eaton era bem mais alto que eu e tinha uma grande tendência em mostrar a musculatura que possuía. Ele podia ser um daqueles seguranças noturnos ou podia ser um membro militar. Tinha porte físico para ambos. Apesar de saber que Travis provavelmente não teria hipótese em uma luta corpo a corpo com Tobias, eu não queria violência perto de mim.
— Seu namorado aceita que você partilhe a casa com outro homem que não seja ele? — Mais uma vez não respondi e Tobias percebeu imediatamente qual era o verdadeiro problema. — Ele não sabe. — Afirmou vendo-me suspirar e dar as costas para pegar outro ingrediente e terminar de temperar a carne antes de a colocar no forno. — Meu Deus, Beatrice Prior!
— Por favor, pare. — Pedi fazendo uma careta de descontentamento.
— Espero que seja ele quem mantenha uma distância segura. — Avisou sério.
— Porquê? É você quem está invadindo o seu espaço, por assim dizer. — Tentei perceber.
— Digamos, que eu posso ser como uma bomba-relógio. E eu já explodi algumas vezes na minha vida. — Falou com um meio sorriso no rosto.
— Você quer dizer que se envolveu em brigas? — Perguntei querendo saber mais sobre o assunto.
Tobias ficou mudo e percebi que ele não iria mais falar sobre o assunto. Não adiantava insistir e começar algo que eu provavelmente não iria entender. Além disso, o que Tobias podia saber sobre a realidade se ele apenas viveu no seu mundo de sonho onde nada de ruim acontece?
— Já que vou ter que viver aqui e não posso usar o meu carro, o que acha de me apresentar a cidade desconhecida? — Propôs Tobias depois de alguns minutos de silêncio.
— Caso não se lembre, esta também é a sua cidade Tobias. — Lembrei ligando o forno e esperando ele aquecer.
— Pode ser, mas eu não conheço nada por estes lados. — Olhei-o quando ele disse aquilo e soltei uma breve risada de incredulidade.
— Você não conhece nada por aqui porque vive preso no seu mundo superior onde meros mortais como eu não fazem parte. Bem-vindo ao mundo mortal, Tobias. — Falei com ironia.
— Deus, você sabe ser irónica quando quer. — Praguejou.
— É, eu sei.
— A proposta continua de pé… — Avisou com a expectativa de que eu aceitasse.
— Lamento, mas vou ter que recusar a proposta hoje. Trabalhei o dia todo e estou morrendo de cansaço. Prometo levar você comigo amanhã. Fica a conhecer tudo o que precisa. Ou quase. — Decidi.
Tobias assentiu sem questionar e em seguida foi até ao carro buscar a mala de viajem que tinha trazido consigo. Enquanto isso, fiquei pensativa. Ainda não tinha falado com Travis desde o dia anterior e estava desesperada para que ele conseguisse entender que Tobias era apenas um amigo e que toda aquela história de quarenta dias não ia afetar em nada o nosso relacionamento. Nós haviamos conversado sobre banalidades, mas eu não encontrei uma forma de o avisar sobre o Eaton. Era algo que eu resolveria pessoalmente, sem lhe dar a oportunidade de desligar na minha cara como sempre fazia quando as coisas não eram feitas à sua maneira.
Horas mais tarde, já depois de jantados e depois da guerra que Tobias havia criado ao lavar meia dúzia de peças do jantar, finalmente encontrava-me relaxada no sofá com o computador portátil no colo enquanto Tobias via um filme qualquer na tv. Parando de analisar os documentos que Matt, meu colega de trabalho, me tinha enviado mais cedo, observei o homem ao meu lado brevemente. Ele tinha sua atenção no filme e ignorava-me completamente.
— Você não é tão irritante como eu pensei que seria. — Murmurei distraída.
— As pessoas não me conhecem e você também não. — Respondeu Tobias sério. Assustei-me por ele ter ouvido e percebi tarde de mais que falei mais alto do que devia. — Eu quero ser melhor, Tris. Fazer melhor. — Completou olhando-me nos olhos. Sentiu o meu coração acelerar ao ouvi-lo chamar-me pelo apelido e fechei o computador rapidamente, decidida que era hora de dormir.
— Hum acho que você vai poder provar isso aos poucos. — Respondi por fim enquanto arrumava o aparelho dentro da bolsa destinada ao mesmo.
— Já vai dormir? — Perguntou Tobias olhando-me. Eu sei que estava agindo como se quisesse fugir dali e dei-lhe a perceber nesse momento que conseguia me afetar de várias formas. Não irritando-me apenas.
— Vou. — Afirmei. — Estou cansada e amanhã é dia de trabalho. — Disse fazendo um coque desajeitado em meus cabelos compridos. — Boa noite, Eaton. — Dei as costas e caminhei em direção ao quarto.
— Espere. — Pediu. Virando-me para encará-lo cruzei os braços junto ao peito e esperei que ele continuasse. — O seu namorado, o Travis, — Começou deixando-me confusa. — qual é o sobrenome dele?
— Posso saber o porquê do interesse? — Perguntei curiosa.
— Apenas curiosidade. — Respondeu Tobias com um sorriso amarelo.
— Ah! Você sorriu forçado! — Exclamei apontando o dedo na cara dele enquanto me aproximava alguns passos. — Tem algo errado.
— Não há nada de errado. Eu só queria saber. — Insistiu voltando a sua atenção para o filme na tv.
— Queen. — Respondi passado uns segundos em silêncio.
— O quê? — Perguntou Tobias mordendo o lábio inferior, olhando-me confuso.
— Travis Queen. Esse é o meu namorado. — Disse com uma expressão desconfiada.
Tobias assentiu com a cabeça e voltou a olhar a tv, ignorando a minha presença ali. Desistindo de tentar percebê-lo, virei de costas e caminhei até ao quarto, fechando a porta do mesmo atrás de mim. Eu ainda estava confusa com esta nova versão de Tobias Eaton. Ele estava calmo e parecia uma pessoa normal, mas a verdade é que eu sabia que amanhã ele voltaria a ser aquele Tobias idiota que apareceu na casa de meu pai dizendo que iria sequestrar a sua filha para uma festa de sexo sem limites. Sim, ele fizera esse tipo de piadas à frente de meu pai que riu, achando graça à idiotice dele.
Sem saber mais o que pensar e saber que precisava pensar em tudo, deitei na cama, cobri-me com os cobertores e apaguei a luz antes de confirmar o despertador para o dia seguinte. Eu sabia que havia problemas chegando antes mesmo de alguma bomba explodir. Dizer a Travis Queen que estava partilhando a casa com Tobias Eaton não iria ser fácil de fazer. Eu só precisava encontrar uma forma de controlar os danos causados por uma notícia que podia gerar consequências catastróficas.
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