Notas iniciais
Obrigada por todos os comentários. É ótimo saber que estão gostando da fanfic. Aqui está o capítulo de hoje. Espero que gostem ^---^

Tobias

Limpei o suor da testa com o braço mesmo e forcei mais um pouco o acelerador. Sorri ao ouvir o rugido do motor e coloquei a cabeça de fora para olhar Zeke.

— Como novo. — Falou sorrindo.

— Ainda tem umas coisas que precisam ser consertadas, mas não é assim tão importante. Pode aguentar mais um pouco até eu convencer a fera. — Falei lembrando-me que a Tris me mataria se souber que mexi em seu precioso bebé. Sai do carro com um sorriso orgulhoso e deitei novamente no carrinho de rolamentos que estava em frente ao carro. Deslizei para de baixo dele e terminei de ajustar a ignição.

— Porque está fazendo isto exatamente? — Perguntou Zeke depois de um tempo. Dei um meio sorriso aproveitando que ele não estava vendo e respondi uma meia verdade.

— Porque posso. — Disse simplesmente.

— Tobias.

— Hum.

— Vai tentar enganar outro! — Falou chutando minha canela. Resmunguei e bufei.

— Ela está hospedando-me em casa dela sem pedir nada em troca Zeke. Não acha que é o mínimo que posso fazer? — Perguntei tentando contornar a situação. Ele iria descobrir meu plano!

— Não me convence. Você não precisa disso. Tem os seus cartões de crédito. Podia estar num hotel. E mais que isso, tem os seus amigos. Sabe que a gente não lhe viraria as costas Tobias. Você está nesta situação porque quer! — Acusou. — Eu sei de sua pequena fortuna. Nem se os seus pais o deserdassem você ficaria mal na vida!

— Eu sei. — Concordei. — E você tem razão. Estou nessa situação porque quero. — Admiti. Ele era o meu melhor amigo. Não havia motivos para não falar. — Eu gosto de estar aqui. Simplesmente isso.

— Tem mais Tobias Eaton. — Insistiu.

— Beatrice é... Diferente.

— Como assim?

— Eu não me canso dela. — Confessei. — Nunca fico cansado de ouvi-la, nunca fico no tédio e agora... — Interrompi-me antes de falar de mais.

— Pode falar. — Falou. Suspirei e falei. Que se foda. Se eu não falasse com ele não falaria com mais ninguém.

— A gente meio que se... Envolveu.

— Se beijaram?

— Transamos. — Revelei. A gargalhada dele lembrou-me o quão ridículo isso parecia aos olhos de outras pessoas. Felizmente não tinha sido ele quem sentiu os arrepios na espinha cada vez que sentia os lábios dela.

— E eu pensando que ela te odiava. — Falou. Sorri ao lembrar-me das nossas “pequenas guerras” e suspirei.

— Ela tem este pequeno problema de tentar entender-me. — Disse. — Ela quer saber mais de mim. Consegui sua confiança, mas agora tenho que provar que a mereço. Eu não quero desiludi-la.

— Desde quando você se preocupa com esse tipo de coisa? — Perguntou. Deslizei de baixo do carro apenas o suficiente para encará-lo e disse mais sério do que realmente desejava.

— Eu não estava brincado quando disse que ela era diferente.

— Certo. Desculpa. — Pediu levantando as mãos num gesto inocente.

— Está desculpado. — Falei chutando-o de volta.

— Mas você vai ter que me explicar isso direito. — Ouvi-o dizer. Voltei para de baixo do carro e continuei o trabalho.

— Tris é um meio de chegar a um fim. Eu não quero envolver-me com ela de forma profunda. Não quero machucá-la entende? Apesar de estar a usá-la, eu me preocupo com ela. E aquela personalidade é boa demais para desperdiçar comigo. Ela á boa de mais para mim.

— Desde quando pensa dessa forma?

— Desde que a conheci.

— Você se preocupa de verdade com ela. — Afirmou.

— Sim. — Falei ouvindo um grito de fora da garagem. — Esta conversa morre aqui Zeke. — Avisei.

— Eu vou ressuscitá-la mais tarde. — Disse dando a entender que eu teria que me explicar melhor.

— TOBIAS EATON! O QUE ESTÁ FAZENDO AO MEU CARRO? — Perguntou uma Beatrice completamente alterada. Suspirei tentando esquecer a conversa anterior e coloquei um sorriso no rosto.

— Boa tarde para você também. — Falei deslizando de novo de baixo do carro. Sorri ao olhá-la e levantei-me, limpando novamente o suor do rosto. Ela estava acompanhada e o rubor que agora preenchia seu rosto mostrava que o meu tronco nu, suado e sujo de graxa causava algum efeito nela. Bom saber. — Vai apresentar-me sua amiga? — Perguntei sem me mostrar interessado de mais. Eu queria aproximar-me e beijar Tris, mas desta vez não sabia se devia fazê-lo.

— Valentina este é o demónio que me atormenta há pouco mais de uma semana. Tobias, esta é Valentina Riviera. — Falou com raiva. Sorri novamente e respondi irritando-a mais um pouco.

— Prazer. Este é Zeke. Você já conhece. — Falei apontando o retardado que mantinha os olhos em Valentina.

— Agora entendo. — Disse Valentina enquanto me olhava e olhava Zeke.

— Entende o quê? — Perguntei quando vi que Beatrice ruborizava ainda mais. Havia ali coisa.

— Nada. — Respondeu ela rapidamente.

— Certo. — Respondi sem saber mais o que dizer. Merda. Não era costume. Eu esperava que Tris brigasse comigo por ter alterado seu precioso carro, mas ela parecia ter esquecido.

— Tris precisamos ir a uma sex-shop. — Disse Valentina em meio ao silêncio. Gargalhei ao ver Beatrice arregalar os olhos e aguardei a resposta.

— Fazer o quê? — Perguntou assustada.

— Comprar um presente de aniversário para Milah.

— Isso é sério? Numa sex-shop, Valentina? — Perguntou querendo rir também.

— Não é só porque ela encontrou o Pénis de Ouro dela que a gente não pode oferecer presentes como na faculdade. Eu disse que isso não mudaria.

— Quando é o seu aniversário? — Perguntei insinuando-me a Tris que me olhou de cara feia.

— Depois dos quarenta dias! — Rebateu. Ri da irritação dela e encarei Zeke que olhava Valentina como se tivesse visto algo pacificamente sobrenatural.

— Você sabe do Pénis de Ouro? — Perguntou surpreso. Os olhos de Valentina pareceram brilhar como criança e eu tratei de fechar o capô do carro e limpar as mãos enquanto ouvia Tris gargalhar atrás de mim.

— Eu pensei que ela fosse a única louca. Parece que seu amigo também é. — Disse Tris agora ao meu lado. Sorri com as palavras dela. Mal ela sabia que loucura não era palavra suficiente para descrevê-lo.

— Almas gémeas? — Perguntei olhando-a. Ela hesitou um pouco em responder e eu gostei da ideia de ela pensar que eu podia estar referindo-me a nós. Era errado, mas eu gostava pra caralho.

— Talvez. — Respondeu depois de olhá-los. Uma tensão começava a formar-se e eu queria arranjar uma forma de mudar isso. — O que fez no meu carro? — Perguntou estranhamente calma. Ótimo.

— Apenas alguns ajustes antes que capotasse na próxima curva. Ele realmente precisava Tris. Eu não estava falando aquilo por capricho. Seu carro não era seguro daquele jeito. — Expliquei.

— E agora?

— Está bom por uns tempos, mas mais tarde ou mais cedo ele pode deixá-la a pé. Ele não pode durar para sempre. — Respondi com um meio sorriso. Normalmente mulheres não entendem esse tipo de coisa, mas fiquei satisfeito por Beatrice entender.

— Quanto eu te devo? — Perguntou depois de suspirar. Encarei-a incrédulo e ignorei-a sem acreditar que ela tinha perguntado aquilo. — Hey, o que foi?

— Como se sentiria se eu perguntasse quanto te devo depois de termos transado? — Perguntei bem próximo a ela. Mantive a voz baixa e o olhar incrédulo que recebi dela fez-me ver que ela ainda não tinha percebido como as coisas funcionavam.

— Isso não tem nada haver. São coisas diferentes. — Falou. — Eu não acredito que falou isso.

— Exatamente Tris! São coisas diferentes, mas são duas coisas que eu gosto de fazer. Para mim não tem preço. — Rebati frustrado. Ela encarou-me por breves segundos e então um sorriso bobo apareceu, me fazendo sorrir também.

— Você gostou de transar comigo. — Falou. Não era exatamente aquilo que eu me referia, mas não era mentira.

— Sim. E eu quero fazer de novo e de novo e de novo. E de novo. — Disse olhando em seus olhos. Será que ela ia entender? — Escuta Tris. Eu não fiz isto para receber algo em troca. Mecânica é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Não quero pagamento. Assim como não quero que você coloque preço no quer que seja que a gente tem. — Tentei explicar.

— Não é uma relação. — Disse ela apressada. Sorri do seu nervosismo e vi novamente o que eu já tinha percebido há um tempo.

— Eu sei que você não quer compromisso. Tudo bem por mim. — Falei dando de ombros. Ela sorriu agradecida e beijou meu rosto. Uma estranha tensão abateu-se sobre a gente e resolvi que a melhor forma de aliviá-la era envergonhando-a. — Então... Sex-shop? — Perguntei com um sorriso malicioso.

— Para! — Pediu rindo ao mesmo tempo em que voltava a ruborizar.

— É uma ótima loja para comprar presentes de aniversário. — Falei deixando-a ainda mais envergonhada. — Meu aniversário é daqui a duas semanas. — Revelei.

— Sério? — Perguntou surpresa. Assenti em resposta e vi-a aproximar-se novamente. Recebi um selinho quase casto se não fosse pela mão dela apertando meu braço de forma sinuosa e sorri ao senti-la distribuir beijos por meu rosto. — Vou pensar no seu caso então. — Falou saindo de perto e arrastando Valentina para dentro de casa.

— Cara, essa Valentina é uma deusa. Eu preciso que transar com ela! — Falou Zeke me despertando do estado semiduro que Tris fez o favor de deixar.

— Esquece cara, aquela lá é fogo. Você não dá conta. — Falei começando a arrumar as ferramentas.

— Como sabe? — Perguntou desconfiado.

— Não sei. Talvez eu passe a maior parte dos meus dias com Beatrice Prior, melhor amiga de Valentina. Eu meio que fico a par das situações. — Falei óbvio.

— Eu dou conta dela. Tenho que fisgá-la. Ela me fascinou. — Falou todo bobo.

— Cara, para fisgá-la você precisa ter o Pénis de Ouro. — Falei rindo.

— A gente consegue não é Zeke Júnior? — Falou.

Ri da cena do idiota e sorri ao perceber um fato que eu não tinha entendido até agora. Eu era o Pénis de Ouro da Tris. Puta merda!