Missão dada é missão cumprida. Esse era o lema da Vila Oculta da Cachoeira. Uma vila que punia severamente seus próprios ninjas em caso de fracasso, pois fracassar não era uma opção. Para eles, era preferível se tornar um renegado do que voltar para a vila e enfrentar a vergonha de uma missão falhada. Fracassar era inadmissível.

Kakuzu participava da ANBU da referida vila; apenas missões difíceis lhe eram destinadas, e todas sempre foram executadas com sucesso. O jovem, de longos cabelos negros, olhos vermelhos com pupilas verdes, altura acima da média e pele morena marcada pelo sol, carregava jutsus proibidos herdados de seu clã. Sua Kekkei Genkai permitia que ele tocasse a alma de uma pessoa, e, uma vez com a alma em suas mãos, ele poderia fazer o que quisesse com o sujeito. Mas ninguém mais sabia disso, e nem poderia saber. Jutsus que mexiam com a vida e a morte eram caçados pelas cinco grandes nações e poderiam servir de justificativa para o início de guerras. Por isso, ele nunca os usava.

Em sua equipe, estavam mais dois ninjas de grandes habilidades: Hidan e Sasori. Os três trabalhavam juntos há um ano e, apesar dos desentendimentos nos bastidores, formavam uma equipe muito eficiente.

Hidan era um bom ouvinte durante o aprendizado, e o garoto era esperto, aprendia mais rápido do que Kakuzu esperava. Sua habilidade era única, mas extremamente perigosa. Dentro de um círculo de ritual, ele se tornava imortal; fora dele, qualquer ferimento poderia ser fatal. Por isso, Hidan focava suas habilidades principalmente no taijutsu, garantindo assim sua própria proteção.

Hidan possuía uma sintonia impressionante com as técnicas secundárias de Kakuzu e, frequentemente, permanecia próximo ao mais velho do grupo. Isso porque, quando Hidan conseguia o sangue do oponente em sua boca e se posicionava dentro de seu círculo ritualístico, Kakuzu focava em atacar o inimigo diretamente. Dessa forma, mesmo que o oponente escapasse do ritual de Hidan, eles ainda conseguiriam feri-lo, imobilizando-o logo em seguida.

Enquanto isso, Sasori se encarregava principalmente de montar as estratégias e estudar o inimigo. Ele costumava se separar dos outros dois, mantendo-se à espreita, repassando informações ou oferecendo cobertura. Juntos, eles formavam uma equipe extraordinária.

[...]

— Hidan, preciso de um relatório sobre seus avanços. — Kakuzu aproximou-se do garoto, que estava deitado sobre a grama à beira do rio. Era o lugar favorito dele. Sempre que Hidan não estava onde realmente deveria estar, Kakuzu sabia que bastava procurá-lo ali, perto do rio, e o encontraria. Era inevitável.

Era uma tarde agradável, o sol estava se pondo, trazendo uma brisa mais fria ao ambiente que, normalmente, era quente e úmido. Hidan aproveitava os poucos dias de descanso que ainda tinha, já que a equipe tinha uma missão marcada para dali a cinco dias, e, pelo nível de dificuldade, sabia que não seria nada fácil.

— Kakuzu, você me ajuda? — reclamou, sem mover o corpo. A preguiça era grande demais para sair de sua posição confortável e relaxante.

— É você quem tem que escrever, Hidan. — O mais velho revirou os olhos, já acostumado a ceder à insistência de seu companheiro.

— Ah, você sabe como eu sou, né!? Nunca sei no que melhorei, você e o Sasori que conseguem observar essas coisas.

— Não é preguiça, é aproveitar a vida. — Hidan sentou-se na grama e virou o rosto para encarar os olhos verdes de Kakuzu, a única parte visível por trás do pano que cobria seu rosto. — Ei, velhote, senta aí e aproveita o pôr do sol, tá lindo pra caralho.

— Tenho mais o que fazer. — Kakuzu já ia voltar a caminhar em direção à sua casa quando sentiu os braços de Hidan se enrolarem em suas pernas.

— Me larga! — esbravejou, irritado.

— Não. Se você não ficar aqui comigo por uns vinte minutos, vai ter que me levar até sua casa assim.

— Para de criancice — Kakuzu reclamou. — Todo dia isso...

— Para de ser rabugento e vem aproveitar minha companhia — retrucou Hidan, num tom birrento.

Não era novidade Hidan ser insistente e birrento, ganhava tudo o que queria daquela forma e, a maioria das coisas, sempre vinham de Kakuzu que não suportava o outro falando em sua orelha e cedia. Por isso era uma alvo fácil, pois Sasori sempre negava não importava o quanto o garoto insistisse.

Com um suspiro longo de insatisfação, sentou ao lado do jovem que logo de cara o abraçou em alegria e depois voltou a deitar na grama.

— Não está bonito, velhote? — Hidan perguntou, com um sorriso convencido.

Era claro que estava bonito. O cenário à frente era deslumbrante. Logo após o rio, havia uma densa floresta que trazia ventos gélidos e puros para o outro lado, como se agradecesse aos céus pelos suaves raios de sol que tingiam o fim da tarde. Pássaros voavam e cantavam tranquilamente, em busca de galhos secos para construir seus ninhos. O rio de água doce e cristalina reluzia com a luz alaranjada do pôr do sol, refletindo tudo o que acontecia acima de sua superfície. Era realmente incrível, não era à toa que Hidan gostava tanto de ficar ali.

Kakuzu deitou ao lado de Hidan, percebendo o jovem se aproximando sorrateiramente, com o corpo quase encostando no seu e o sorriso perverso se alargando em seus lábios. Aquela proximidade assustadoramente fazia seu coração perder uma batida, especialmente quando seus olhos inevitavelmente se fixavam nos lábios de Hidan.

— Gosta do que vê? — Hidan provocou, sua voz carregada de malícia.

O garoto adorava brincar com o perigo, sem entender a real intensidade dele. Quantas vezes ele o provocava, e Kakuzu tinha que se controlar para não atacá-lo? Mal sabia o moreno que, na verdade, ser atacado por Kakuzu era tudo o que Hidan realmente queria.

— Cala a boca. — Kakuzu suspirou, mais uma vez, desviando os olhos para o céu, tentando manter o controle.

Ele era vinte e poucos anos mais velho que o rapaz, o que estava pensando? Aquilo só traria mais dor de cabeça do que já tinha. Além disso, eram uma equipe. O que Sasori diria? Ele aceitaria? Como os sábios da vila reagiriam? Havia tantos obstáculos entre eles, por mais que fisicamente estivessem a centímetros de distância.

— Credo, Kuzu — Hidan disse, quase com prazer, sabendo o quanto Kakuzu odiava aquele maldito apelido que fazia seus pelos se eriçarem. — Um beijinho não vai matar ninguém.

Até onde Kakuzu sabia, não mataria. Mas ele não estava disposto e nem queria saber das consequências. Envolvimentos emocionais eram atraso de vida, além de poderem prejudicar significativamente uma missão. Kakuzu seguia fielmente o lema da vila: a missão antes de tudo, até mesmo antes de seus companheiros. Isso importava mais do que sua própria vida, pois se cometesse um erro, a morte seria certa — não apenas para ele, mas para todos os envolvidos.

— Eu já vou indo — Kakuzu disse enquanto se apoiava na grama e se levantava.

— Ei! Não passaram nem cinco minutos. — Hidan segurou a perna de Kakuzu novamente, impedindo-o de se mover.

— Isso é perda de tempo, Hidan. Preciso preparar as coisas para a próxima missão. — Kakuzu bateu em sua calça, removendo os resquícios de terra e planta, enquanto tirava paciência de sei lá onde para não brigar com o rapaz que só queria atenção.

— Faltam cinco dias até lá, inferno — Hidan resmungou baixo, visivelmente irritado.

— Alguém tem que fazer alguma coisa nessa equipe.

— Pede pro Saso...

— Sasori está montando as bonecas dele. — Kakuzu cortou a fala de Hidan rapidamente, já cansado. — Agora, deixe-me ir.

Tentou puxar sua perna de volta, mas Hidan manteve o aperto, ainda olhando fixamente para a grama. Murmurou algo extremamente baixo, o que deixou Kakuzu confuso.

— O que você está falando?

— Me dê um beijo, pelo menos. — Hidan levantou o olhar para as orbes verdes de Kakuzu e apertou ainda mais o tecido da calça larga. Ele estava visivelmente corado, escondido atrás da pele levemente queimada pelo sol. Seus olhos brilhavam, implorando silenciosamente por uma resposta.

O tempo pareceu parar para Kakuzu. Ele não sabia o que dizer. Queria, mas ao mesmo tempo, não podia. E naquele momento, ele não tinha a menor ideia do que fazer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.