Como o Pardal Solitário: Poemas e Odes Espirituais
4 A poetisa busca a salvação
Da poesia não espero salvação,
se não uma exploração da existência,
uma maneira de registrar a sucessão de dias
numa vida que disseco com a devoção fria e persistente
de um médico escavando a verdade de um cadáver.
Da poesia não espero salvação,
se não uma distração temporária,
como a concedida por um amante na calada da noite:
uma paixão que me abrase, e depois me abandone
nas cinzas da minha solidão.
Não, não sou tola,
não tão tola,
a ponto de crer que a poesia pode me salvar.
Minha salvação está no que sangra.
(As palavras fervilham na mente, algumas são colhidas do coração.)
Quero a vida que flui como uma fonte
das veias de duas mãos cravejadas.
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