Como foi?
5 A primeira vez*
Notas iniciais
Sexta feira! Um dia de alegria e alívio para todo mundo, certo?
Errado!
Eu estou rezando para que a aula de matemática nunca acabe!
Ou que aliens me abduzam antes que a aula acabe, o que for mais fácil!
E sim, uma aula de matemática eterna ou ser cobaia de alienígenas seria melhor que o que vai acontecer hoje!
O Bruno vai almoçar lá em casa!
Se eu estou preocupado?Não, imagina... Estou pirando mesmo!
Meus pais não sabem que ele é meu namorado, e se algo acontecer?
E se o Bruno falar o que não deve?
E se meus pais já não gostarem dele de cara?
Ah! Faltam 5 minutos para a aula acabar e nenhum alien à vista!
Qual é a chance do chão decidir me engolir no caminho para casa?
— Pronto para ir? — Bruno me chamou. Acabou o tempo!
— Não. — Resmunguei.
— É só um almoço! Não precisa se preocupar!
— Você vai ser... Normal? Promete? — Acredite se quiser, mas foi a versão gentil da minha pergunta!
— Eu prometo que vou me comportar. — Ele disse em tom zombeteiro. — Agora vamos?
— Vamos. — Disse sem ânimo.
Adivinha? O chão não me engoliu no caminho para casa!
Então, sim, nós chegamos.
E fomos logo recebidos pela minha mãe:
— Olá, garotos. O almoço já está pronto, entrem. — Ela sorriu. Não sei se já comentei, mas minha mãe leva receber convidados muito a sério! — Prazer, querido, qual é o seu nome? — Ela sorriu para o Bruno, estendendo a mão para cumprimentá-lo.
— Bruno. Prazer em conhecê-la! — Ele sorriu.
Ok, até agora tudo bem.
Vamos ver quanto tempo isso dura!
... Ainda está tudo bem. Meu pai e minha mãe cumprimentaram o Bruno, minha irmã está agindo até que normalmente e ele não está sendo um completo esquisito!
Não posso pedir nada melhor que isso!
Minha irmã também foi algo que me preocupou bastante! Ela é a única pessoa da minha família que sabe que eu e o Bruno namoramos.
E ela é uma péssima atriz. Mas até que está segurando a onda.
Mas se ela continuar nos encarando a cada 10 minutos alguém ainda vai suspeitar que algo está errado!
E eu não tenho certeza de quanto tempo o Bruno consegue segurar o riso com essa situação!
Eu enlouquecendo e ele querendo rir! Esse é o resumo do nosso namoro!
— Já acabamos. Podemos ir? — Perguntei meio desesperado. Estou sentindo que algo vai dar errado hoje!
— Que modos são esses, Gustavo? — Ralhou minha mãe. — Pede licença direito e depois podem sair. Eu levo a sobremesa para o seu quarto.
Minha mãe é um amor, mas você não vai querer vê-la irritada! Ela é meio séria e, com certeza, sabe castigar alguém!
— Desculpe. — Murmurei. — Com licença, vamos nos retirar.
Assim que entramos no meu quarto o Bruno caiu na risada!
Ele é tão irritante às vezes... Tipo sempre.
— Que foi? — Perguntei. Do que essa coisa está rindo agora?!
— Nada. — Mais risadinhas. — É só que você perto da sua mãe fica tão... Obediente! É estranho te ver assim!
— Cala a boca. — Foi minha resposta muito amável. — Se você conhecesse, também obedeceria! Ela com raiva dá medo!
— Ok, então. — Mostrou as mãos em rendição. — O que fazemos agora?
— Sei lá! Jogamos algo, comemos sobremesa e você vai embora?
— Assim vou pensar que quer se livrar de mim! — Brincou.
— Perto dos meus pais? Sim, eu quero! —Devolvi quase no mesmo tom. Mas não sei brincar quando estou preocupado!
Ele só ficou quieto olhando para os cantos e voltando a me encarar. Na língua do Bruno quer dizer “eu tenho algo para dizer, mas não sei como”.
Esse é um dos truques que se aprende com o namoro: Saber quando uma pessoa fez ou vai fazer algo muito idiota!
— Que foi? — Eu suspirei. Coisa boa não deve ser.
—... Quer passar o fim de semana lá em casa? — Ele perguntou sem muita cerimônia.
—... Quê? — Sim, foi a coisa mais inteligente que eu consegui dizer!
— Passa. O. Fim. De. Semana. Lá. Em. Casa? — Ele repetiu bem devagar, como se eu fosse uma criança lerda!
—... Não. — Também não fiz questão de enrolar.
— Ah! Por que não? Vamos! Vai ser legal! — Ele ficou implorando como um garoto birrento. E eu sabia que ele me alugaria pelo resto da semana, ou do mês, ou da minha vida se eu não dissesse “sim”! Então tive uma ideia!
— Se minha mãe deixar, eu vou. — Concluí, ela nunca vai deixar mesmo!
Ele só sorriu e disse que tudo bem. Não gostei nada daquele sorriso! Então o Bruno saiu correndo para o andar de baixo e me deixou sozinho no quarto. Alguns minutos depois, ele e minha mãe subiram as escadas.
— Ela deixou! — Bruno exclamou como se fôssemos crianças pedindo permissão para uma festa do pijama.
Se bem que ele é mais ou menos isso nesse momento.
— Tudo bem, Gustavo, pode passar o fim de semana com seu amigo. — Minha mãe confirmou. — Ele parece confiável. Quer que eu arrume uma mala para você ou pode fazer isso sozinho?
Às vezes eu me pergunto quem me trata mais como criança: meus pais, minha irmã ou meu namorado.
Não cheguei a uma resposta ainda!
— Pode deixar que eu consigo, mãe, obrigado.
— Tudo bem então. Qualquer coisa me liga!
Depois desse aviso ela saiu, deixando meu namorado e eu sozinhos. Ele só sorriu:
— Eu consegui! Não sei por que tem tanto medo dela, ela é bem de boa!
— Eu não tenho “medo” da minha mãe. Só não gosto de irritá-la. Nunca!
— Ok, ok! — Ele se deu por vencido. — Agora vamos arrumar sua mala!
A “ajuda” do Bruno foi basicamente jogar tudo que eu tinha no guarda-roupa dentro da mala!
— Eu vou passar o fim de semana! Não me mudar para lá! — Exclamei enquanto tirava a maior parte das roupas que ele jogou lá dentro. Decidi terminar de arrumar a mala sozinho. — Pronto!
— Ótimo! Vamos?
— Já?
—É! — Ele disse como se fosse óbvio. — Tem algo mais para fazer aqui? Já almoçamos, conheci sua família, não fui estranho e não morri de rir da cara da sua irmã! — Enumerou.
— Ok. — Ele ficou meio surpreso por eu não ter discutido. Mas, bem, ele já veio, já conheceu minha família e eu com certeza não quero arriscar! Já estou surpreso por nada ter dado errado nesse almoço! Melhor sairmos logo!
Depois de me despedir da minha mãe e ouvir mais um discurso de “tome cuidado e me ligue se precisar.”, nós saímos! Sim, eu tenho 17 anos e, mesmo assim, ela me vê como uma criancinha dormindo fora!
— Então, o que fazemos agora? — Perguntei assim que chegamos à casa do Bruno.
— Sei lá. — Ele deu de ombros. — Que tal um filme com pipoca doce?
— Deixa eu ver se entendi. Você praticamente me obrigou a sair de casa para passar o fim de semana aqui e não tem absolutamente nenhuma ideia?
— É. — Ele confirmou. — Exatamente isso!
— Então por que você me queria aqui?!
— Meus pais viajaram e eu não queria ficar sozinho o fim de semana todo.
— Por que não pediu para passar o fim de semana lá em casa? Meus pais são bem de boa com isso.
— Porque na sua casa eu não posso fazer isso. — Ele disse e, rapidamente, se virou para me beijar. Um beijo rápido. — É um motivo bom o bastante para você?
Eu realmente não sabia como responder isso! Então só fiquei lá parado como um idiota e murmurei algo em concordância.
— Então... Vamos passar a tarde vendo filme? — Isso parece normal demais para ser ideia do Bruno.
— É. — Ele concordou.
— Ok. O que vamos ver? — Perguntei enquanto sentava no sofá. Ele passou um tempo revirando o armário e voltou com uma pilha imensa de DVDs!
— Em busca do vale encantado. Do 1 ao 13. — Ele sorriu. Agora parece uma ideia do Bruno!
Vamos passar o dia vendo treze filmes infantis? Sério?
E, para quem não sabe, são desenhos animados de dinossauros que cantam do nada! Tipo um musical infantil muito ruim.
— Que foi? É legal! — Ele exclamou ao ver minha cara, acho que estava muito óbvio o quanto eu “amava” essa ideia. — E vai levar menos de 18 horas, eu acho. — Murmurou a última parte. — Vai! Se anima! Vai ser legal! — Concluiu.
— Tá bom. — Concordei. Não é que eu queira ver isso, mas é impossível dizer “não” para o Bruno! Ele consegue o que quer mais cedo ou mais tarde.
Além do mais, quanto mais cedo começarmos, mais cedo acabamos!
— Vou preparar a pipoca! — Ele saiu correndo. Acho que queria preparar tudo antes que eu mudasse de ideia.
Ah, qual é? Meu humor não é tão volúvel assim!
Ele tacou um pacote de pipoca de chocolate no microondas e, em menos de cinco minutos, já estávamos na frente da TV com uma bacia de pipoca e o primeiro filme de “Em busca do vale encantado” passando.
Sabe o que é pior que fazer maratona de desenho idiota com meu namorado?
Fazer maratona de desenho idiota com meu namorado enquanto ele canta e dança as músicas infantis no meio da sala!
— Bruno, por favor, para com isso e senta nesse sofá! — Eu exclamei quando estávamos no terceiro filme. Já era bem a sétima dança idiota que eu assistia!
E estou suspeitando que vergonha alheia possa matar!
— Ah, mas por quê? — Ele reclama.
— Se quer ver os filmes idiotas, tudo bem. Mas cantar e dançar em todos eles é demais!
— Que chato. Vai dizer que nunca cantou ou dançou música de desenho quando era menor?
— Não. — Eu dei de ombros. Ele me olhou por um tempo como se eu fosse um alienígena ou algo igualmente bizarro.
— Você nunca cantou as músicas desse filme quando criança?! — Ele repetiu. Eu assenti já temendo o que essa criatura estava pensando!
— Eu nunca vi esse filme quando era criança. — Admiti.
E sim, é a primeira vez que eu estou assistindo era coisa! Garanto que é uma droga.
Talvez eu até gostasse se tivesse uns 5 anos, mas não com 17!
Não tive tempo para processar direito, quando reparei o Bruno tinha me puxado para o meio da sala e derrubado o resto da pipoca no chão no processo.
— Que foi? — Reclamei.
— Vamos dançar! — Ele disse como se fosse algo muito razoável.
— Não! — Eu digo e volto para o sofá, mas ele me puxa... De novo.
Lembra quando eu disse que ele sempre consegue o que quer? Pois é! Tá aí a prova!
— Me larga. — Reclamo.
— Só uma dança! — Ele retruca e volta o filme para o começo da música.
— Eu não sei dançar— Tentei. — nem cantar!
— Nem eu. —Ele ri.
Eu só suspirei e aceitei ir dançar com ele. Vamos acabar logo com isso! Esse momento vai para a lista de “coisas ridículas que eu já passei por causa do meu namorado infantil”. E sim, essa lista está crescendo bastante!
Sem muitos detalhes: Eu fiz, foi ridículo, pisei no pé do Bruno sem querer, errei toda a letra, o Bruno riu de mim por errar toda a letra, pisei no pé dele de novo por querer, a música acabou. Eu nunca mais quero falar desse momento! Nunca!
— Até que você foi bem. — Ele comentou quando o momento ridículo acabou.
— Cala a boca. — Eu respondi muito gentilmente... Ah, ele mereceu.
O Bruno obedeceu? Claro que não!
Depois ele começou a tagarelar sobre os filmes, personagens, cenas, músicas, desenhos animados... Bem, eu não estava prestando atenção, mas era algo nesse sentido.
Como eu podia calar a boca dessa coisa?
...Tive uma ideia!
Mas eu realmente preferia não ter! Ainda não decidi se ela é boa ou idiota.
— Ei, Bruno. — Ele olhou para mim, eu me aproximei mais e o beijei. —Quer saber? Dane-se se era uma ideia boa ou ruim, já estou fazendo mesmo. — Você não disse que tínhamos vindo para cá porque podíamos fazer isso? — Brinquei. Ou tentei. Ele é bem melhor nessa coisa de brincadeira que eu.
Fazer meu namorado fechar a maldita boca com um beijo... Eu devia parar de assistir filmes de comédia romântica. Que clichê! Mas funcionou, certo?
E só estamos nós dois na casa mesmo, então não faz mal.
Nos beijamos por alguns minutos. Com pausas, claro! Nenhum ser humano fica tanto tempo sem respirar! O filme idiota continuava rodando, mas isso não importa.
Num momento nós colocamos as mãos dentro da camiseta um do outro. Tudo bem, já fizemos isso antes.
Bruno lambeu meu rosto e pescoço. Ainda normal. Ele já fez isso até me público! (Nunca mais voltei naquela sorveteria... E dei bronca nele!)
Ele moveu a mão das minhas costas para dentro da minha calça. Ok! Já deu! Pode parar! Para!
—Para! — Eu praticamente pulei da cadeira e tirei as mãos do Bruno de mim. Ele piscou confuso, como se estivesse voltando a pensar só agora.
— Ah... Desculpa. —Ele colocou a mão na nuca, mania dele se quando não sabe o que dizer. — Acho que me empolguei. Melhor a gente parar e só ver o filme. — Ele sorriu forçado.
Voltei para o sofá porque, bem, seria ridículo ficar no chão por isso! Mas acabamos ficando bem afastados. O clima ficou muito tenso...
Que foi? Tudo bem, ele é meu namorado. Eu sei que um dia nós vamos fazer... Você sabe. Mas não precisa ser hoje!
— Tá tudo bem? — Bruno me cutucou.
— Claro! Por que a pergunta? — Menti na cara de pau com um sorriso no rosto.
— O filme tá pausado há uns dez minutos e você continua aí pensativo. — Ele apontou para a tela com a imagem de um dinossauro congelada.
Como eu saio dessa?
— Uh... Tudo bem. Só estava pensando numas coisas. — Isso é o melhor que eu consigo inventar? Sério?!
— Tipo o quê? — Ele sorriu. Por que será que eu tenho a impressão dele amar me ver quebrando a cabeça para inventar desculpa?
Minhas ideias acabaram! O que eu falo?
Aliás, foi minha ideia idiota que me pôs nessa para começo de conversa!
É melhor eu parar de ter ideias.
— Terra chamando Gustavo. — Ele brincou enquanto estalava os dedos na minha frente. — Sério, no que está pensando? — O maldito sorrisinho de lado apareceu no rosto dele.
Eu odeio esse sorriso! Nunca vem coisa boa quando ele aparece!
— Ah, você sabe, coisas... — Depois dessa eu devia ter pulado a janela! “Coisas”? O que eu tenho na cabeça para enrolar mal assim?! —Vamos ver o filme?
— Sabe que um dia vamos ter que falar sobre isso, né? — Eu só assenti com a cabeça. — E, sabe, hoje é um dia...
— Você não queria ver os filmes bobos? — Tentei mudar o foco da conversa. Isso não vai acabar bem!
— Queria. Mas ter essa conversa com você é mais divertido. E eu já vi todos mesmo. — Ele deu de ombros. — Vamos conversar? — Eu. Detesto. Esse. Sorriso. De. Lado.
Sério! É tipo o aviso que algo vai dar muito errado!
— Ok. — Eu suspirei. Resistir é pior. Ele sempre me convence mesmo! — Bem... Eu sei que um dia vamos fazer... E tudo bem com isso. — Eu parei. Como eu continuo? O Bruno segurava o riso, minha cara falando disso deve ser hilária. — Mas não hoje! — Finalizei. Foi ruim? Foi! Mas é um final. — E para de querer rir de mim! — Dei um tapa de leve nele.
—Ai. — Reclamou. — Não é justo me bater por segurar o riso. Não é minha culpa se você não dá nome aos bois. Isso é engraçado! — Pirraçou.
— Como assim “nome aos bois”? — Que tipo de pessoa ainda usa essa expressão?
— Sexo! — Ele meio que gritou. Eu tapei a boca dele.
— Você enlouqueceu de vez?!
— Viu? Parece até que tem medo de falar o nome. Relaxa, um dia vamos fazer sexo, não a nada de errado em dizer por que a casa está vazia! E não é nada demais. — Eu odeio o jeito calmo do Bruno. — Podia ao menos tentar falar a palavra... Eu riria menos do seu discurso!
— Ok. Vamos ver o filme! — Que os dinossauros cantantes me salvem dessa conversa embaraçosa! Por favor!
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