—Ele não vai...ele vai me deixar um bilhete no altar. –Ally dizia olhando para Renee e Elaine.

—Para de falar besteiras Ally, ele já deve estar lá no altar.

—Não...ele não vai...Elaine? Eu não vou mais...-disse tentando arrancar o vestido e ambas gritaram.

—NÃOO! –seguraram a mão dela.

—Elaine vá buscar uma bebida pra ela. Bem forte! Sente aqui querida. Acalme-se. –Renne foi para o canto da sala e ligou para John.

—Alô?

—John eu sei que você já está na igreja, Larry está aí?

—Está Renne, por que o que houve?

—Chame-o, por favor.

—Ok, um momento, Larry, pra você. -Larry olhou assustado e pegou o celular.

—Oi, quem é?

—Larry, é Renne, você quer, por favor, dizer pra sua mulher que já está na igreja, ela está tendo uma crise de pânico aqui. –Larry riu do outro lado, mas entendia o medo de Ally, medo que ele fugisse de novo, porém como ele havia dito, ele só iria embora quando e se ela quisesse.

—Bota ela na linha Renne.

Renne esticou o celular para Ally que a olhou estranhamente e o atendeu.

—Ally? Querida? Eu estou aqui te esperando. Aliás, você podia vir logo, pra gente começar logo.

—Vo-você não vai me deixar um bilhete não é?

—Não – Larry ria. –Mas se você demorar mais um pouco eu..

—Você nada...Renee vamos, vamos, me dá esse uísque. Senhor Larry Paul não se atreva a sair desse altar. –disse desligando o celular, virando o copo de uísque e indo em direção ao carro.

Ao tocar a música escolhida por ela, a música que ele havia feito para ela, Ally apareceu na entrada da igreja. Observou-o lá, parado com o seu sorriso maroto e perfeito. Ela agarrou ao seu Pai e foram entrando em direção ao altar. John e Renee eram seus padrinhos e Elaine e Richard eram padrinhos do Larry. Ally fez questão de convidar Jamie, a ex-bruxa de Larry e seu filho Sam, pois uma das conversas dela com ele era que o filho viesse mais vezes para vê-lo.

Sam levou as alianças. Ele estava uma graça e realmente gostava de Ally e era recíproco. A única coisa que Larry não conseguiu tirar dele foi o chapéu, então ele entrou com ele, o que o deixou mais gracioso.

Após as trocas de alianças ouviram-se as palavras:

—Eu vos declaro marido e mulher, pode beijar a noiva. –disse o padre com um sorriso no rosto.

Larry se aproximou e falou:

—Eu lhe amo! –e a beijou ternamente.

A festa não podia ser em outro lugar do que no bar que ele cantou para ela com Sting. Depois de cumprimentar os convidados, tirar algumas fotos, Larry tinha sumido. Ela o procurou e não achou.

—Renne você viu o Larry?

—Não...acho que deve estar no banheiro. –Ally concordou enquanto a amiga a parabenizava e conversavam as luzes se apagaram e como no dia do seu aniversário, lá estava ele, no palco cantando a mesma música que a fez se apaixonar mais por ele. E quem mais que estava com ele do que o Sting. Ally riu da cena. Estava distante do palco até que Larry a chamou com o dedo e a tirou para dançar.

—Déjà vu, Senhor Paul? –Ela disse olhando para ele.

—Pode ser Senhora Paul, com uma diferença. –disse a beijando e pegando a mão dela e mostrando o dedo com a aliança.

—Feliz? –ela perguntou para ele.

—Você não tem ideia do quanto. –ela o abraçou pondo a cabeça no seu ombro.

Depois dos depoimentos de alguns convidados, do bolo cortado, ela foi jogar o buquê. Larry disse para ela que as mulheres pareciam búfalos nervosos, mas a sortuda foi Elaine. Que ficou admirada e feliz. Deixaram a festa e foram para o hotel onde passariam à noite. Ainda não tinham decidido para onde viajar, ela queria Paris, ele queria Praia. Então deixaram para decidir depois.

Quando entraram no quarto do hotel, Larry a carregando havia uma champanhe e taças, morangos, o quarto era maravilhoso. Larry a colocou no chão e foi pegar a champanhe para eles. Ally foi andando pelo quarto e notou que existia um bilhete na cama. Seu coração disparou realmente ela havia ficado traumatizada com bilhetes.

—Larry, o que é aquilo? –disse apontando com seu olhar amedrontado. Larry sorriu.

—Pegue-o e o leia. –ele disse com olhar travesso.

Ela abriu o bilhete e começou a ler.

“Extraordinário foi o dia que você entrou pela minha porta, me confundindo com um terapeuta. Feliz o dia que você me contratou para ser seu advogado, onde pude ficar mais perto de você e te convidar para jantar. Maravilhoso o dia quando você passou o Natal comigo e dizendo que eu nunca mais passaria sozinho. Eu te amo, todo o dia, todo hora, a cada minuto que penso em você, a cada suspiro que você dá, a cada passo que você pisar, a cada neurose que você tiver. Obrigada Ally Mcbeal, por ser minha mulher, companheira...minha força. Com amor, Larry.”

Ela olhou para ele, seus olhos lacrimejaram e sorriu.

—Não quero mais bilhetes... -disse rindo.

—Eu disse que esse seria o último. –Ele se aproximou dela, entregou a champanhe, brindaram e sorriram um para o outro.

(...)

Dois meses de casamento e a casa estava uma bagunça. Haviam se mudado para uma casa um pouco maior e não tinham desempacotado nada. Na correria do dia a dia, entre escritório e julgamentos, faziam tudo aos poucos.

Larry foi até o escritório de Ally e bateu na porta:

—Ally?

—Oi..Larry!! –disse o recebendo com um sorriso enorme, ele sorriu para ela. Ela fez gesto para ele entrar e ele fechou a porta. –O que foi?

—Temos que conversar sobre uma coisa. –toda vez que ele dizia isso, Ally ficava com medo. –Recebi uma proposta de emprego em Detroit.

Ally sentou-se na sua cadeira.

—Eu não dei resposta, mas o salário é bom, e bem...eu meio que já arrumei junto para você também. O que você acha? Eu ficaria mais próximo do Sam e ele poderia ficar mais tempo em casa com a gente.

—Larry...eu...- ela abaixou a cabeça e depois olhou para ele sorrindo. –Você lembra quando eu falei que você tinha que ir pra Detroit e você me perguntou se eu iria para lá? Qual foi a minha resposta?

—Num segundo. –Ele disse se aproximando dela.

—Aonde você for eu irei. E se for para o seu bem e o de Sam, eu ficarei mais feliz ainda.

—Você não existe sabia? –ele disse a beijando.

—Existo, e estou aqui na sua frente. Quando iremos? –Larry fez uma careta de arteiro. –Larry? Quando?

—Em 01 mês. –Ally abriu a boca. –Eu sei, acabamos de nos mudar, mas o cara queria uma resposta e eu dei 01 mês para ele. Dá tempo de você falar com Richard e eu ver o caminhão da mudança e uma casa em Detroit.

—Você disse que não tinha dado resposta Larry? –ela disse um tanto brava.

—É..mais ou menos...tudo bem?! –disse olhando para ela.

—Tá tudo bem, Senhor Paul. -ele sorriu e a abraçou.

(...)

—Vou sentir sua falta! –John disse para ela.

—Eu também John, mas como você é meu padrinho de casamento, não se livrará tão fácil de mim. –ela disse e ele sorriu para ela. -E talvez eu também precise de ajuda jurídica. –ele aquiesceu.

Estavam todos ali, parados na frente dela. Cinco anos juntos, praticamente uma família. Entre os altos e baixos, entre crises de casais, entre as coisas boas e ruins que aconteceram, Ally relembrava tudo. Despediu-se de todos. Richard disse que se por um acaso ela voltasse, era só falar com ele, John emitiu um som de revolta para ele, fazendo Ally rir. Logo em seguida ele tentou remendar e John emitia um som mais agudo de nervo.

—Vou sentir saudade disso. –disse ela rindo demais.

Desceu e ficou parada na frente do prédio o olhando. Um novo caminho a seguir. Foi caminhando de cabeça baixa, esbarrando em um homem, ela ia para um lado, ele também, ela ia pro outro lado, o homem também.

—Mas que coisa...-ela disse olhando para frente e sorriu.

—A Senhora está me atrapalhando. –Larry disse para ela. Ally deu um tapa no peito dele.

—Seu tonto.

—Deu tudo certo? –ele perguntou a beijando, envolvendo sua cintura e caminhando com ela.

—Sim...só estou um pouco...

—Triste? Ally, isso é normal. São seus amigos. Cinco anos é tempo suficiente para se criar um vínculo legal.

—Nós não tivemos cinco anos para isso...-ele a olhou sorrateiro.

—Não precisei, eu sabia que ia ser diferente no dia que você apareceu. –ela o abraçou.

—Que horas será o nosso voo?

—Às 20:00h, já terminei as malas. Está tudo pronto.

—Estamos prontos! –ela o olhou e ele beijou sua testa.

Notas finais
Ok, vou ter que fazer mais um capítulo para concluir. Iria ficar muito grande esse. Sobre a música que Larry fez para Ally. https://www.youtube.com/watch?v=PRB2bnbFJwA