Notas iniciais
Menor que Nicholas No País Das Maravilhas, igualmente importante.

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true I was made for you.

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you.

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you.

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true I was made for you
Oh yeah it's true I was made for you.

(The Story

— Brandi Carlile)

Sunday is gloomy, my hours are slumberless
Dearest the shadows I live with are numberless
Little white flowers will never awaken you
Not where the black coach of sorrow has taken you.

Angels have no thought of ever returning you
Would they be angry if I thought of joining you?
Gloomy Sunday.

Gloomy Sunday, with shadows I spend it all
My heart and I have decided to end it all
Soon there'll be candles and prayers that are sad I know
Let them not weep, let them know that I'm glad to go.

Death is no dream for in death I'm caressing you
With the last breath of my soul I'll be blessing you
Gloomy Sunday.

(Gloomy Sunday

— Emilie Autumn)

Ele soca os pulsos contra os postes e insiste em fantasmas como hostes.

(A Coisa

— Stephen King)

OoO

Ele havia dormido na sala àquela noite porque o quarto do irmão estava inundado. Um dos canos de água do teto havia estourado e destruído todo o piso de cima e vazado no quarto de Nicholas, acabando com sua colcha caríssima e a maior parte dos eletrônicos. Nick só se importou porque teve que jogar todas as roupas fora, e ele demonstrou todo o seu amor por elas chorando copiosamente por horas a fio. Ethan o deixou dormir no quarto dele até que consertassem.

É claro que poderia dormir no quarto de hóspedes, mas havia um motivo de ser um quarto de hóspedes. Era o pior quarto da casa. Não havia circulação de ar, e por isso estava sempre quente e abafado ou frio e abafado, a cama era tão dura que dormir na piscina parecia uma ideia melhor e devia haver insetos ali grandes o suficiente para engoli-lo inteiro. Por isso que se acomodou confortavelmente na sala de casa. A lareira estava acesa e crepitante naquele inverno particularmente frio. Ethan nunca tinha parado para perceber como aquele sofá era confortável. Nem em como a madeira era bonita se decompondo…

Estava quase dormindo, embalado por todos os silêncios a sua volta, quando ouviu uma batida na porta. Não foi um toque na campainha, foi uma batida na porta. Não muito alta, na verdade quase baixa demais para qualquer um poder ouvir àquela hora da noite. Ethan estava num estado de semiconsciência em que a realidade e a fantasia se misturam. As batidas na porta viraram o badalar dos sinos da igreja com a qual sonhava. Não sabia onde estava, mas sabia que havia uma igreja absolutamente maravilhosa.

Acordou num susto. Havia adormecido sentado no sofá e estava pendendo para um lado. Arrancou o lençol de cima de si e levantou-se com o coração retumbante dentro do peito. Detestava acordar daquela forma. A irritação misturada com o susto fê-lo se esquecer de olhar no olho mágico ou mesmo perguntar quem era. Simplesmente abriu a porta.

Uma lufada de ar gelado invadiu a casa. Aquele estava sendo um inverno pesado em Castellobranco. A visão que Ethan teve foi absolutamente estarrecedora. Sabia que no cenário por trás havia uma linda fonte branca com cupidos e uma bela noite negra e estrelada. Sabia que, apesar do frio, não havia neve, o que era simplesmente triste. Mas não conseguiu prestar atenção em nada disso porque seu olhar ficou preso no olhar do garoto.

Ethan já tinha conversado com ele antes e sabia que seu nome era Oliver e que tinha sua idade, sabia que ele tinha alguns problemas pessoais com sua saúde mental e que frequentemente desligava-se do mundo a sua volta. Sabia que sua voz era rouca e deliciosa de se ouvir, macia como um colchão de penas. Oliver tinha a cor do leite, seus lábios eram rosados e lindos e as bochechas tinham uma leve coloração avermelhada por causa da temperatura. Ethan notou que ele não usava qualquer tipo de roupa contra o frio e que arfava muito. Seu cabelo era louro-prateado e chegava ao pescoço, com uma longa franja cobrindo toda a testa e as sobrancelhas cinza-alouradas. Os olhos eram indescritíveis, azuis e especiais, parecidos com estrelas, brilhando como fadinhas de gelo e cheios de vida.

— Olá — ele disse, então olhou para trás e para Ethan novamente. — Posso entrar? Está muito frio aqui fora.

Ethan não apenas o deixou entrar como segurou-o pela cintura e o empurrou porta adentro. Algumas pessoas costumavam persegui-lo por ser diferente. Talvez aquela fosse uma dessas ocasiões. E realmente gostava de tocar em sua pele. Sentia um arrepio violento todas as vezes que isso acontecia. Só então notou que estava usando apenas a calça de um pijama e que Oliver usava um short pequeno demais para ele. E por algum motivo não se importou.

— O que está fazendo? — perguntou também sem se importar. O fato de tê-lo ali, com suas coxas e pernas totalmente a mostra, era bom o suficiente. — Do que está correndo?

Oliver o olhou como se tivesse criado asas.

— Não estou correndo de nada, não há nada para eu correr de. — Ele aproximou-se de Ethan e falou novamente como se estivesse contando um grande segredo: — Posso dormir aqui? De noite as Sombras ficam muito piores. Ficam me sufocando.

Quanto mais ele falava, mais perto das lágrimas parecia ficar. Oliver era uma criatura muito aérea, quase como se metade de seu cérebro estivesse em outro plano dimensional, conversando com outras criaturas, e apenas metade dele estivesse ali no terrestre, conversando com Ethan. A aproximação dos dois era tão terrivelmente excitante que Ethan conduziu-o até o sofá, fazendo-o sentar-se.

— Você pode dormir no quarto de hóspedes.

— Você está dormindo aqui? Prefiro dormir aqui. Com você.

Ethan enrubesceu com aquele comentário, mas a claridão alaranjada da lareira mascarou-o.

— Quer beber água com açúcar? — perguntou com doçura. Ele assentiu. Não se podia argumentar contra Oliver e dizer que as Sombras que viam eram coisas de sua cabeça. Não se podia discutir contra uma criatura tão bela e angelical.

Quando Ethan voltou à sala com a água, viu-o observando o retrato de sua família. Seus pais não estavam em casa.

— É sua família? — Entregou-lhe a água e assentiu. Oliver usou as duas mãos para beber, como uma criança o faria, mas era porque estava tremendo. — Desculpe. Ainda estou com frio, mesmo com o fogo.

— Pode se enrolar com o cobertor.

Um impulso louco fê-lo sentar-se com ele no sofá e cobrir-se com o mesmo cobertor. Ethan estava tão extasiado por sua presença, uma presença tão poderosa quanto celestial, que quase se esqueceu de que era apaixonado por Oliver há semanas.

— É melhor assim — ele sussurrou, sorrindo com os lábios e os olhos. O mais belo dos sorrisos, simplesmente maravilhoso, quase divino. — Obrigado por me deixar ficar aqui.

— Por que eu não deixaria? Gosto de você.

— Por que seu coração bate tão forte?

Porque quero amá-lo e quero que você me deixe amá-lo, pensou. Não diria isso, no entanto. Pensar em Oliver daquela forma era como pensar numa criança daquela forma. Simplesmente não era certo. Os olhos dele deixavam uma névoa azul-clara por onde olhavam, suaves como olhos de bebê, inocentes e puros.

— É porque estou aqui com você?

Ethan não soube o que dizer. Oliver colocou parte de sua franja atrás da orelha num movimento gracioso que pareceu perfeitamente equilibrado a Ethan, e então se inclinou para frente e encostou seus lábios nos dele. Ethan ficou petrificado, apreciando aquele selinho roubado, que apesar de não ter gosto era absolutamente delicioso. Então percebeu que era o primeiro beijo que dava nos lábios de uma pessoa durante toda a sua vida — um primeiro beijo e roubado ainda por cima. Antes disso, não tinha sequer certeza se gostava mesmo de garotos ou se apenas sentia medo de garotas, mas agora tinha a certeza. Não gostava de garotos. Gostava de um garoto.

— Eu quero te agradecer — Oliver sussurrou fitando-o diretamente nos olhos. — Agradecer de verdade. Faz muito tempo que as pessoas não são boas comigo. O beijo incomoda você? Você quer que eu pare?

Ethan não respondeu. Ao invés disso, envolveu seu rosto angelical com as mãos firmemente e beijou-o novamente. Oliver pôs as mãos em seus ombros, abrindo a boca para que ele pudesse enfiar sua língua lá. O beijo era suave, calmo e cálido, quase inocente, mas cheio de desejo por trás. Ethan desceu as mãos até o pescoço dele e então a sua cintura, onde envolveu os braços, puxando-o para perto. Oliver agora agarrava-se a seu pescoço enquanto gemia levemente ao ter a língua chupada e os lábios mordiscados.

O contato com o corpo dele estava deixando Ethan louco. Era tão quente, tão macio, tão liso… Oliver parecia um boneco de porcelana. Sua pele pálida não tinha nenhuma mancha ou imperfeição, todas as curvas eram agressivamente suaves e sexys. As marcas de seus dedos ficaram em suas coxas quando ele as apertou, mas então sumiram, como se nunca houvessem estado lá. Ethan pressionou seu corpo contra o dele para fazê-lo deitar no sofá, então deitou em cima dele, sem nunca separar os lábios, sem nunca cessar aquele beijo delicioso. Era tão bom que parecia um milhão de primeiros beijos dados todos de uma vez.

Oliver envolveu todo o seu corpo com as pernas num abraço de aço, soltando os braços para que Ethan pudesse morder e beijar a pele alva de seu pescoço delicadamente. Se morresse ali, naquele momento, morreria feliz. Imaginou o que diria se por acaso Nick aparecesse ali na sala e descobriu que não se importava, porque o que queria estava bem ali, nos seus braços, entregue a ele em deleitosa eternidade.

Se Ethan pudesse ter lido a mente de Oliver naquela noite em que fizeram amor pela primeira vez, uma noite que ocorreu aproximadamente três meses antes dos terríveis acontecimentos numa rua escura a algumas centenas de metros do restaurante Jagger’s Voice, saberia o que sussurravam os ventos daquela mente tão vazia, gélida e crua.

Assim como já acontecera uma centena de vezes, Oliver mandou sua mente para longe enquanto permitia que o beijassem, chupassem ou mordessem. Assim como já sentira uma centena de vezes, algumas consentidas e outras não, separou sua parte imaterial do que era físico e tocável, do que dava prazer e era apaixonante. Durante todos os seus catorze curtos anos de existência, todos os homens com quem precocemente Oliver se deitou sugavam um pedacinho de sua alma machucada, de sua pele maculada, lentamente aumentando o estrago que Adrien Castanelli bondosamente começou quando Ollie tinha apenas seis anos e pensava que o mundo era bom e cor-de-rosa.

Mas Ethan foi essencialmente diferente. Em baixo daquele adolescente tímido, excitado e retraído, com seu corpo macio colado ao corpo levemente musculoso dele, Oliver pela primeira vez sentiu dificuldade em separar-se daquele plano de existência, em parar de sentir, de sentir prazer. Parte do motivo que o levava a deixar tantas pessoas machucarem-no era porque parte dele ainda acreditava que o que aconteceu durante sua infância foi sua culpa. A outra parte negava arbitrariamente tudo isso e o empurrara àquele mundo promíscuo e sem culpa para, como numa caçada louca, encontrar o garoto que provaria a Oliver Castanelli que o mundo não era feito apenas de monstros e que ali em algum lugar deveria haver alguém bom o suficiente para verdadeiramente fazê-lo sentir alguma coisa boa naquele prazer, para fazê-lo senti-lo sem culpa de gostar e sem medo que acabasse.

Ethan Lemnsack foi a primeira pessoa que fez todas as Sombras de sua cabeça esmaeceram até não serem nada além de reminiscências desprezíveis. Os últimos três meses de sua vida foram felizes até os últimos dias, quando os espíritos irritaram-se tanto com o descaso e ignorância de Oliver que começaram a incomodá-lo dia e noite, estando com Ethan ou não. Uma vez que nunca aprendeu a controlá-los e a mandá-los embora, Oliver não podia fazer nada além de ouvir suas vozes em sua cabeça gritando com ele.

Quando fazia amor com Ethan, só ouvia o silêncio, tão puro e eternal que quase conseguia ouvir seus órgãos funcionando, que quase conseguia fazê-lo acreditar que era um ser humano normal como todos os outros, e não alguém com cabelos impossivelmente prateados e olhos absurdamente azuis que estava naquele plano de existência quando claramente parte de si não fazia parte dele. A verdade nua e crua era terrível. Enquanto Oliver vivera, Ethan não acreditou nela e depois que morreu ele se esqueceu. Não havia mais ninguém para lembrá-lo.

Era uma coisa engraçada, o acaso.

O rádio portátil que Ethan ganhara aos seis anos de idade, um Sony preto e cinzento movido à pilha que carregava para todo lugar até o dia em que Nick acidentalmente deixou-o cair de cima da mesa, estava em cima da mesa de centro, inútil. O objeto já tinha oito anos de idade e a tinta cinza-clara estava descascando em algumas partes, deixando à mostra o fundo preto. O logo da Sony resumia-se num Y meio descascado e deprimente. Mesmo assim, Ethan gostava daquilo simplesmente porque era o que usava para esquecer-se de algo que o incomodava. Quando tinha um problema na escola ou Nick era malcriado, Ethan suspirava, trancava-se dentro do quarto de hóspedes e ligava o rádio, podendo ficar horas nesse estado catatônico enquanto puxava e empurrada a antena.

Depois que Nick o derrubou da mesa, ele parou de funcionar. Uma das molas havia ficado folgada, impedindo a transmissão de corrente elétrica do ânodo ao cátodo da pilha alcalina Duracell. Ethan ficara meio irritado, meio triste, meio magoado, meio frustrado após ele ter parado de funcionar, e ainda mais porque Nick não pareceu se importar.

No entanto, naquela noite gelada, enquanto estava sobre Oliver, beijando-o apaixonadamente, Ethan acidentalmente esbarrou no rádio da mesinha de centro. Assim como uma vez outrora, ele caiu e se espatifou no chão. E então voltou a funcionar. A música era justamente The Story.

Era uma coisa engraçada, o acaso.

— Ethan — sussurrou Oliver, suspirando seu delicioso e morno hálito no rosto ansioso de seu amante. Seus olhos negros, muito escuros e sobrenaturais, estavam cheios de amor, de um amor tão puro que parecia ter sido cultivado dentro de sua alma até então, um amor que não fora destinado sequer a Nicholas, pois por direito do destino pertencia a apenas uma pessoa, a um garoto com problemas mentais que futuramente viria a cometer suicídio.

— Eu amo essa música — Ethan sussurrou de volta. — E eu também amo você.

— Faça amor comigo. Por favor… ninguém nunca me amou antes.

Ethan sentou-se no sofá e puxou Oliver para sentar-se em seu colo. Passou as mãos possessivamente por suas coxas, deslizando-as suave, mas firmemente pelas curvas voluptuosas cobertas por pele pálida e apenas ligeiramente aquecida. Enfiou as mãos por debaixo do tecido ridiculamente fino do short que ele usava e puxou-o para baixo, por atrás de suas pernas compridas e completamente livre de pelos, quase indistinguível de uma perna feminina, através de seus pés delicados.

Ethan voltou a beijá-lo, mordiscando seu pescoço, seus lábios, puxando-os para si, indo para o queixo e de volta às bochechas. Então parou. Os dois garotos fitaram-se face a face. Um excitado, ansioso e nervoso, outro pálido como um fantasma, um anjo de cabelos louros e olhos azuis, quase bonito e andrógino demais para ser real. Foi naquele momento que Ethan se deu conta de quanto realmente o amava, do quanto era louco por ele mesmo só tendo falado com ele há apenas alguns minutos. Sentiu que poderia passar o resto da vida com Oliver, tentando-o fazer feliz, e ser imensamente feliz assim mesmo, desse jeito simplório e inocente.

— Eu não sei por que meu corpo é tão feminino — ele sussurrou. — Desculpe. Isso te incomoda?

Nada sobre ele o incomodava. Mas, de fato, se não fosse pela falta de seios e pelo membro sexual, Ethan perfeitamente confundiria o corpo dele com o de uma mulher. Era tudo tão absurdamente delicado e delineado que novamente teve a sensação de que ele era bonito demais para ser real, de que havia algo estranhamente errado com Oliver. Ele era como uma estrela. Tudo, invariavelmente, orbitava a seu redor.

— Eu o amo, Ollie — Ethan respondeu com firmeza, esperando que isso entrasse na mente dele e ficasse lá. — Cada parte sua, cada centímetro seu. E vou fazer amor com todos eles. Mas você tem que me aceitar. Não quero que isso seja apenas sexo. É muito mais. Você me aceita?

Seus lábios, agora avermelhados, destacáveis no rosto branco, estavam entreabertos, a franja jogada para trás, expondo a testa lisa e as sobrancelhas finas, os olhos perfeitos com cílios cinza-alourados e compridos protegendo-os, o peito levantando e descendo arfantemente.

— Eu aceito.

Ethan gentilmente o fez deitar de bruços, deitando-se em cima dele então. Ollie gemeu como um gatinho, estirando todo o corpo para ele. Ethan puxou sua cueca para baixo, expondo as nádegas e livrando-o da última peça de roupa que lhe restava. Agora, completamente nu, ele parecia muito mais vulnerável. Ethan o queria, tanto no sentido sexual que seus instintos insistiam quanto no maternal e amoroso. Cuidaria do primeiro antes.

Após despir-se por trás dele, deitou-se por cima daquele corpo macio e curvilíneo, acomodando o membro confortavelmente entre suas pernas grossas, bem no quadril largo demais para um menino. Oliver gemeu de prazer quando Ethan começou a morder e dar chupões em sua nuca, aspirando o cheiro de seu cabelo louro-prateado. Desceu por aquela área com a língua, os lábios e os dentes, provando da carne dele quando podia, deliciando-se com o sabor salgado. Seus poros abertos liberavam um delicioso odor único.

Oliver ajeitou a posição no último instante. Ficando de quatro, empinou os quadris para Ethan quando ele começou a beijá-lo e lambê-lo por trás. Ollie mordeu o nó de seu dedo, tentando não gritar de prazer. Encostou o rosto no sofá e, com as duas mãos, abriu mais suas nádegas para que ele pudesse fazer o que estava fazendo mais profundamente. Ethan puxou-o pelas coxas, apertando-as com força, e afundou o rosto ali, sendo a primeira vez que fazia aquilo, sem acreditar que um ser humano pudesse dar tanto prazer ao outro. Separou-se e mordeu suas nádegas com força, depois suas coxas, deixando chupões por onde passava, marcando-o como seu. Beijou-lhe a pele lisa das pernas e os pés, então voltou aonde tudo começou: em seus lábios.

Oliver o abraçou e voltou a beijá-lo, os dois nus e aquecidos pelo fogo da lareira. Não estava quente e o sofá estava bastante confortável. Era como se tudo estivesse do jeito que devesse estar para que aquela noite ocorresse de ser a melhor possível.

Apertado entre as pernas do louro, no abraço de ferro, Ethan beijava-o sofregamente. Tinha uma leve ideia de que seria uma péssima ideia fazer aquilo sem camisinha ou lubrificante, e ele não tinha nenhum dos dois. Talvez Nick tivesse, mas Ethan não sabia onde ele guardava e não poderia perguntar.

Mesmo assim, sentado sobre as próprias pernas, observou Oliver se abaixar para pôr seu membro na boca. Ele segurou-o com uma das mãos e o prensou entre os lábios grossos e úmidos enquanto a outra mão massageava seus testículos. Passou a língua na glande inchada e então começou o lento movimento de vai-e-vem com a cabeça. Ethan segurou os gemidos e a vontade de forçá-lo a aumentar o ritmo porque achou que seria deselegante.

Estava tão hipnotizado com o leve balançar dos quadris do menino que mal percebeu quando ele terminou de chupá-lo. Nick poderia entrar naquela sala a qualquer momento. Essa perspectiva só tornou as coisas mais gostosas.

Oliver deitou-se no sofá de lado e Ethan deitou-se por trás dele, também de lado, e o abraçou com o braço e a perna, apertando-o contra si com força, com vontade e com firmeza. Queria que ele se sentisse como pertencente a Ethan e a ninguém mais.

Enquanto suas línguas se entrelaçavam, o moreno segurou seu pênis pela base e o direcionou à abertura de Ollie quando teve de lidar com o fato de não ter camisinha.

— Se quiser, pode colocar — Ollie sussurrou, a voz e o hálito cheios de sexo. Havia um desejo latente em seus olhos, um pedido, uma imploração. — Não vai machucar. Coloque.

Ethan estava excitado demais para conseguir raciocinar melhor. Começou a pressionar e a forçar entrada dentro, levantando sua perna comprida o máximo que podia para abri-lo o máximo possível. Mordeu seu ombro quando ele gemeu de dor após finalmente romper o aperto inicial. Ethan já estava metade dentro dele quando decidiu se enterrar de uma vez. Sem esperar para ver se havia machucado-o demais ou não, começou a estocá-lo firme e ritmadamente, segurando seu corpo delicado no lugar.

Oliver gemia um misto de dor e prazer enquanto Ethan estava quase delirando de tanto prazer. Beijou-o novamente nos lábios, nas bochechas, na testa, no nariz, em todo seu rosto lindo porque o amava, sem nunca parar de fodê-lo no mesmo ritmo. Desejava derramar-se dentro dele mais que tudo, e pelo visto Ollie desejava a mesma coisa. Ethan segurou seu membro com uma mão e começou a movimentá-lo no mesmo ritmo das estocadas.

— Eu estou quase — Ethan sussurrou sentindo as ondulações de prazer iminentes do orgasmo. Apertou suas coxas novamente, estocando mais algumas boas vezes. — Oh, Deus, estou quase lá.

— Faça dentro. Fique dentro de mim. Não se separe.

Ethan não se separou. Chegou ao orgasmo dentro dele, explodindo numa torrente deliciosa de gozo ao mesmo tempo em que ele gozava em sua mão. Não fora apenas um orgasmo, mas sim um ápice de prazer jamais alcançado por nenhum dos dois em nenhum outro momento de sua vida. Não somente um clímax sucedido de um jorro de esperma, parecia mais uma ogiva nuclear explodindo dentro de si. Um prazer tão grande que era quase agonia, jamais sentido na história da humanidade. Ou, pelo menos, Ethan gostava de pensar assim.

Recuou o corpo quando pensou que haveria de sentir aquela inexplicável sensação de vazio que garotos sentiam após a ejaculação, aquele necessidade básica de se afastar de qualquer corpo humano por pelo menos alguns minutos, mas isso não aconteceu. Os lábios de Oliver continuavam com a mesma suavidade e sua pele continuava tão saborosa quanto antes. Teria feito sexo com ele novamente se não estivesse anatomicamente incapaz de gozar.

Por fim, os dois permaneceram lado a lado no pequeno espaço do sofá, em frente à lareira, debaixo do lençol e completamente despidos, de mãos dadas com os olhos fixos no outro como se analisassem seus respectivos amantes. Azul no negro, negro no azul.

— Eu o amo tanto — Ethan falou. — De verdade.

Um sorriso pequeno desenhou-se em seus lábios grossos e rosados, tão bem beijados, tão macios.

— Estou feliz — sussurrou roucamente, agora completamente pertencente àquela dimensão e livre dos fantasmas de sua mente. — Como nunca estive antes. Antes do verão e antes da coruja, nunca estive tão feliz. Seus olhos me confortam. Os azuis foram embora. As Sombras também.

Ethan não fazia ideia do que ele estava falando, mas por algum motivo gostou disso porque lhe pareceu pessoal e íntimo, e se ele lhe contava aquilo era porque confiava nele, como devia fazer, uma vez que não tinha motivo nenhum para não fazê-lo. Sentiu mais amor por Oliver Castanelli naquele momento que em qualquer outro de sua vida. Beijou-o apaixonadamente de novo e perguntou-lhe se gostaria de ser seu namorado. Oliver disse que sim. Os dois vestiram as roupas de baixo e dormiram juntos. Quando Nick acordasse na manhã seguinte e os visse, Ethan teria muito a lhe explicar, mas isso não pareceu importar naqueles minutos fantásticos.

No entanto, não foi necessário. Quando acordou no dia seguinte, ele já havia-se ido. Pensou que o havia abandonado, mas percebeu a bobagem que isso era quando viu o bilhete deixado ao seu lado escrito com uma letra trêmula com caneta azul:

As Sombras não vieram hoje. Obrigado.

— Meu Deus, pare, por favor. Você está me deixando louco.

— Pensei que gostasse se estar aqui comigo.

— Eu gosto, mas não posso estar aqui com você.

— Por quê?

— Porque você está morto.

O corpo de Ethan não se encontrava em lugar nenhum, mas sua mente estava em toda parte. Não enxergava e não sentia, e ao mesmo tempo sentia tudo, principalmente o olhar dele sobre si. Ele sempre tivera um olhar realmente poderoso. Deveria se sentir feliz por estar ali com ele, mas ele estava morto, e a verdade era que Ethan não podia abraçá-lo, beijá-lo e sentia que se dissesse que o amava as palavras se perderiam em meio à escuridão e o vazio.

— Eu preciso que você me ouça. Só me ouça, como sempre fizemos.

— Não, não posso ouvi-lo. Por que estou aqui com você?

— Porque você está morto.

Ethan não podia estar morto. Estava deitado em formato de cruz numa mesa de cirurgia no Middleland Hentz Hospital, fortemente sedado para que a Dra. Lindsay Carmell pudesse consertar o estrago que seu apêndice fizera dentro de si, uma vez que protelara a ida ao hospital em mais de uma semana porque estava muito ocupado e porque tinha medo de hospitais. Talvez não estivesse realmente nem lá nem aqui. Podia estar numa camisa de força no asilo do Dr. Seward, com Renfield no quarto ao lado com suas moscas e o Conde na rua da frente alimentando-se em golfadas da pobre Lucy.

— Eu tinha sete anos e ainda morava em Vallée des Ombres, o Vale das Sombras. — Uma coisa se encaixou no lugar: Ethan lembrou que adorava quando Oliver falava francês. Algum dia teria que aprender o idioma, afinal, pretendia se casar com um… mas quem era? Não conseguia se lembrar. Na verdade, também esquecera o nome do hospital e o da cirurgiã que o estava operando. — Estava perdido na Forêt des Ombres, a Floresta das Sombras, prestes a morrer. Você se lembra dessa história? Eu te contei uma vez, e também contei a Nicholas, mas isso foi depois de eu morrer.

— Você foi salvo. Isso é tudo o que importa.

— Sim, eu fui salvo, mas parece que você nunca se importou que eu fui salvo um mês depois de ter me perdido, mesmo tendo pesquisado sobre esse incidente e descoberto que o Vale das Sombras virou notícia mundial por causa disso. Minha família se mudou porque não suportava o assédio da imprensa. Eu só tinha sete anos. Não entendia o que ela fizera comigo.

— Ela? Ela quem?

— Elluryiel. Estou falando dela. Ela estava comigo quando morri e ficou comigo até um tempo depois, mas eventualmente foi embora, de volta ao lugar onde a achei. Elluryiel era uma espécie de súcubo, mas não era um demônio, embora também não fosse um anjo. Era uma criatura sem muita noção do certo e do errado, do bem e do mal, e certamente conhecimento algum da anatomia humana. Ela queria um filho, ela queria ter um filho humano, e queria que eu desse isso a ela. E ela tentou. Durante um mês, ela tentou que eu desse um filho a ela, mas isso não deu certo porque eu só tinha sete anos. Não era uma criatura má, só demorou um pouco para perceber que nunca daria certo. Ela me alimentou enquanto pode, mas quando percebeu que eu estava quase morrendo de desnutrição, decidiu me levar até a estrada e me deixar lá para que um carro me encontrasse e me levasse para casa.

— Eu… eu não entendo. Não entendo nada, Oliver… estou com dificuldades para me lembrar dos meus pais.

— Elluryiel não era uma criatura má, veja. Ela só não sabia. Entende isso, Ethan? Ela nunca teve culpa. Ela tem um senso de lógica muito diferente do nosso. Quando eu estava prestes a morrer depois de ela ter me salvado, ela decidiu que iria esperar que eu crescesse o suficiente para que pudesse dar a ela o que ela queria, então nós dois nos tornamos um só. Literalmente. Eu absorvi sua essência e sua alma se fundiu à minha. Ela se uniu a mim para que nunca me perdesse. Foi nesse momento que meus cabelos clarearam tanto assim e que meus olhos se tornaram tão estranhamente azuis e brilhantes porque, afinal, nenhum ser humano normal poderia ser assim. Acho que eu comecei a atrair mais espíritos ainda a partir daí. Meus poderes ficaram descontrolados. Mas eu notei outras coisas também. Elluryiel me deixou mais… forte. Talvez por isso eu tenha demorado tanto a morrer. Talvez por isso eu tenha conseguido ser estuprado mais uma vez antes de finalmente sucumbir. Minha garganta estava cortada e eu não tinha uma gota de sangue em mim, Ethan. Não era eu, ali. Era Elluryiel. Ela só conseguiu se desprender de mim após eu ter morrido, de tão unidas que nossas almas estavam. Se lamentou que não tivesse agido antes e foi embora. Só isso.

— Oliver… eu… Oh, Deus, eu não… não consigo me lembrar… do nome do meu irmão. Do meu irmão menor. O mais novo.

— Eu sei. Isso acontece com a gente quando estamos mortos. As lembranças mundanas ficam para trás. Às vezes, quando queremos muito ficar na Terra e nossas missões ainda não estão cumpridas, conseguimos nos lembrar da maior parte. Eu só fiquei aqui porque Elluryiel não aceitou ir embora, e como estava ligada a mim, fiquei também. Eu deveria ter-me ido, mas uma força maior disse que não era a minha hora. Eu ainda tenho coisas a fazer e você também. Nicholas e Lorenzo também.

— Lorenzo. É isso. Esse é o nome dele… Lorenzo.

— É, esse é o nome dele. Sabe, Ethan, eu nunca te disse isso, mas eu sempre vi Sombras em sua volta, em volta de Nicholas e em volta da sua mãe. Eu nunca precisei saber exatamente o que as Sombras são para saber que isso não é uma boa coisa. Por alguns momentos eu até cheguei a pensar que você era como eu, que podia fazer coisas que os outros não podiam, mas você nunca demonstrou nada. A alma de sua família é negra e corrompida e eu nunca entendi por que, mas acho que vocês podem ter sido amaldiçoados. Talvez por isso todos os Hentz morreram aos setenta anos, nem mais nem menos. Sua mãe não sobreviveu tanto tempo para descobrir, mas algo estranho com a sua família, Ethan.

— Você está enganado… Nicholas… Nicholas não é um Hentz.

— Sim, ele é. Ele não é seu irmão biológico, mas ele com certeza tem sangue Hentz nas veias. Só não sei a quem pertence esse sangue. Está na hora de você voltar, Ethan. Meu Ethan. Meu amor. Eu o amo mais que tudo, meu querido, mas não é a sua hora. Quando for, eu estarei lá, com você, e o guiarei pelo caminho. Iremos juntos. Mas não agora. Agora, você deve voltar. Ouviu tudo o que eu disse?

— Eu… estou com… dificuldade… eu não deveria estar aqui… mas eu quero, Oliver, quero ficar com você.

— Não esqueça, Ethie. É importante. As Sombras estão de olho em você e nos seus irmãos. As coisas começarão a ficar sombrias. Seja forte. Um dia elas vão acabar.

— O que vai acabar? Não consigo ouvi-lo. Volte, volte para mim…

Ethan abriu os olhos lentamente, focalizando apenas pontos luminosos e borrados no teto que logo revelaram-se luzes. Um incômodo doeu-lhe na garganta e, quando levantou os braços doloridos para ver, percebeu que haviam-lhe enfiado um tubo pela boca, o que logicamente indicava que aquilo estava respirando por ele. Havia outros fios saindo de seu corpo ligados a máquinas enormes e brilhantes as quais não compreendia e muito menos faria questão de aprender.

Em cima daquela cama, com dores no corpo inteiro, a cabeça pesada como uma pedra, a visão ainda turva, ânsias de vômito e uma insuportável tontura, Ethan viu o mundo a sua volta passar como num flashback, ou como em câmera lenta, era realmente muito difícil de saber. Tudo parecia errado demais. Quer dizer, a primeira pessoa que fora vê-lo na UTI foi Jules, e não Nick ou Lorenzo. Será que Nick estava tão magoado com o término dos dois que deixara o irmão abandonado ali à própria sorte? Podia ser, mas Lorenzo não faria isso. De qualquer modo, Lore não poderia ficar ali sozinho, e é por isso que foi uma surpresa que ele tenha aparecido ali com Jules.

Como bem pensara, estava tudo errado e trocado. O rosto desconhecido e envelhecido de uma médica loura de olhos azuis veio retirar aquele tubo de sua garganta e testar suas funções neurológicas com aquele lanterna que por algum motivo todos os médicos têm dentro de seus jalecos. Por que ela estaria fazendo aquilo para o pós-operatório de uma apendicectomia? Essa pergunta ficou para trás quando finalmente a reconheceu.

— Você é a Dra. Vivienne King — sussurrou com uma voz fraca e rasgante. Sentiu uma pontada de nostalgia, uma falta razoável de seus pais e uma vontade estranha de saber por que aquele avião havia caído. Novamente, tudo estava errado. A presença daquela médica naquele quarto de hospital torturava o universo presente, delicado como uma pena. — Você fez o parto de Nicholas. E o meu.

Será possível que houvesse feito o de Lorenzo? Não, era absurdo. Charles não a chamaria para trazer à luz seu filho ilegítimo.

— Sim, sou eu. — Ela sorriu bondosamente, quase aquecendo-o com aquela expressão, como uma lareira… uma lareira chegou-lhe a mente, branca, gótica e com colunas coríntias. Não fazia ideia do que significava. — Eu o trouxe à luz. Duas vezes.

A seguir ela explicou-lhe como seu coração parara durante a cirurgia e como essa condição era rara. A Dra. King observara da galeria da sala de cirurgia a Dra. Lindsay Carmell jogar a toalha e então descera o andar correndo alucinadamente. Quando entrou na sala de cirurgia, berrando em como não podiam deixá-lo morrer, fechou os punhos em cima do peito de Ethan, num soco único e certeiro, antes que a Dra. Carmell chamasse os seguranças para controlá-la. Seu coração voltara a bater após quase um minuto parado.

— Nossa maior preocupação era de que a falta de fluxo sanguíneo pudesse ter deixado danos permanentes no seu cérebro — ela disse. — Mas, ao que parece, isso não aconteceu. Vamos realizar mais alguns testes em você e a recuperação será mais longa que o normal. No entanto, eu diria que você tem um anjo da guarda ao seu lado.

Eu tenho?, pensou debilmente. Uma imagem borrada surgiu em sua mente, como se estivesse por trás de um vidro embaçado, e fazia um zumbido constante. Não dava para ver o que era.

— Vou deixá-los a sós agora — ela falou referindo-se a Jules e Lorenzo. — Mas depois vou precisar falar com você sobre mais uma coisa.

Ethan teve a estranha impressão de que seu olhar recaíra sobre Lorenzo por um segundo a mais quando ela se virou para ir embora, mas provavelmente era apenas loucura sua.

— Sou o quinto Hentz a morrer — sussurrou alegremente. — E voltei à vida. Acho que serei o primeiro a passar dos setenta anos. — Jules parecia querer chorar, então simplesmente virou o rosto contra a janela. Lore estava realmente chorando, mas sem fazer barulho algum. O menino se aproximou lentamente do irmão e o abraçou com cuidado, mas cheio de vontade. Beijou-lhe as bochechas e o pescoço como um bebê, e provavelmente não fez o mesmo nos lábios porque Jules estava ali. — Não chore, minha criança.

— Quando ela entrou na sala de espera para falar conosco, eu percebi na hora que algo ruim havia acontecido. Quando ela começou a falar, eu percebi que você havia morrido. Eu gritei antes que ela pudesse falar que você havia voltado milagrosamente. Como pode pedir que eu não chore?

Ethan voltou a abraçá-lo, deixando que derramasse suas lágrimas em seus ombros.

— Onde está Nick?

— Ele saiu andando — Jules falou, desviando os olhos para os dois irmãos. — Ele ouviu King silenciosamente e quando ela foi embora, levantou-se e dirigiu-se à saída. Eu achei que não era uma boa ideia deixá-lo dirigir naquele estado, então arranquei a chave dele à força, já que ele não queria me dar. Ele só não quebrou o meu braço porque a segurança do hospital apareceu. Então saiu andando. Não acho que tinha rumo.

— Deus, precisa encontrá-lo. Ele vai roubar um carro e acabar atropelando a Oprah.

— Ethan, você é um bilionário. Eu mando guarda-costas seguirem você a todo segundo. Há guarda-costas do lado de fora desse quarto agora segurando uma multidão que quer ver você e Lorenzo. Simplesmente dispensei alguns e os mandei atrás de Nicholas. Eles acabaram de me mandar uma mensagem. Nick está sentado no banco de um parque a cem metros daqui, fitando a paisagem. Já contaram que você acordou e que está passando bem.

— Você manda guarda-costas me seguirem o tempo todo?

— Eles estão sempre lá, mesmo que você não perceba. É o que eu tenho que fazer uma vez que você teima em continuar sendo um adolescente.

Os dois riram. Lorenzo se levantou, suspirando fundo.

— Estou com fome. — Virou-se para Jules. — Me leve à cafeteria depois. Vou esperar do lado de fora.

Ethan observou-o sair do quarto e prostrar-se do lado de fora, maravilhado com a noção que ele tinha das coisas.

Jules parecia dividido entre a vontade de se aproximar e o dever de continuar onde estava. Havia uma linha invisível que separava os dois tão distintamente que quase doía.

— Jules, eu quero que você termine com Shane e venha se deitar do meu lado, do contrário você está despedido.

— Oh, Ethan, cale a boca.

Mesmo assim, ele se aproximou e beijou a testa de Ethan, então seu nariz e finalmente seus lábios. Foi apenas um selinho de um segundo, sem aparição alguma de língua, mas significou muito para os dois. Era como se houvesse feito uma rachadura na linha.

— Eu amo você — Ethan sussurrou para o louro de olhos cinzentos. — Alguma hora você vai precisar lidar com isso. Vai precisar lidar com o fato de que acordo e que vou dormir pensando em você, de que chamo você várias vezes ao dia ao meu escritório sem razão apenas para poder vê-lo, porque eu o amo. — Colocou uma mexa de seu cabelo louro-claro por trás de sua orelha, observando com atenção os olhos tristes e cinzentos. — E amo seus olhos. Não somos garotinhos de doze anos para ficarmos flertando. Quero jogar sério com você.

A porta se abriu de supetão, revelando um Nicholas completamente descabelado e afobado. Ethan imaginou o sufoco que fora para ele passar pela multidão que estava interessada na família Hentz, considerando que Nick era o espécime mais precioso e atraente. Seu rosto estava vermelho e suado, ele ofegava e seus olhos irradiavam ódio, frustração e alívio. Olhou para Jules.

— Vai realmente cair na lábia dele? Eu já contei de quando ele namorou um garoto autista e o traiu?

Nicholas. Gabriel nem era tão autista assim.

— Traiu, sim, com Danny Nevarnost, Melchior, Rowan Pyatt, Taylor Winthrop…

— Taylor Winthrop? — Jules indagou espantado. — Está falando de Taylor Mayfair Winthrop? Você dormiu com o filho da sua advogada? Sabe o quão imprudente é isso? E… Melchior?

— E o Rei Senn também, quando ele era príncipe.

Jules quase gritou.

— É melhor você acompanhar Lorenzo — Ethan falou a Jules sem sequer olhá-lo, pois estava enraivecido demais com Nicholas. — Ele vira um demônio quando está faminto. — Jules não disse nada a nenhum dos dois, simplesmente deixou o quarto. — O que há com você?

— Agradeça-me de não ter citado a mim mesmo. Meu Deus. Então eu não reajo bem ao término de um caso incestuoso e você decide morrer? Mas será possível que você sempre sabe como foder com as nossas vidas?

— Eu não escolhi morrer…

— Cale a boca, não estou falando com você, estou falando com Oliver, com aquela criatura tóxica e intrometida.

— Nick, venha cá.

— Não, não vou. Seria tentador para nós dois. E não sou mais seu amante, lembra-se disso, Virgem Maria? Sou seu irmão. Eu devo te dar um abraço e me afastar, sem te beijar. Mas não vou conseguir fazer isso porque eu ainda desejo você, por isso não vou me aproximar. Então pare de pedir, ou conto a Jules sobre o nosso caso e como você matou o pai dele. Aliás, eu quase o agredi há algumas horas. Paparazzi fotografaram isso e me atazanaram por quase uma hora no parque até que perceberam que eu não iria responder. E você… você morreu.

— Eu voltei à vida, como todo Hentz. E tudo está como antes.

— Não! — ele gritou, novamente furioso. — Nada está como antes! Como ainda ousa dizer que está? Seu idiota, imbecil… — Ele começou uma série de palavrões e xingamentos a qual Ethan escutou pacientemente. — Você mudou novamente nossas vidas.

— E você está surpreso? Nossas vidas mudam a cada seis meses e eu não sei por quê. Não estou com uma boa impressão dos próximos seis, mas é o que temos. Temos que aguentar. — As próximas palavras simplesmente pularam de sua boca sem nenhum comando de seu cérebro: — Sejamos fortes. Um dia as coisas sombrias vão acabar.

No entanto, as coisas sombrias não acabaram porque minutos depois, a Dra. Lindsay Carmell e a Dra. Vivienne King entraram no quarto…

— Precisamos falar sobre Lorenzo.

… com expressões as quais ninguém nunca quer ver num médico. Um dia as coisas sombrias iriam acabar, mas quando? Até quando teriam que suportar aquele carnaval de horrores?

Notas finais
Gente, isso é CVOA, não é porque um personagem morre que ele está morto. Já deviam ter aprendido isso. :D É um capítulo curto para os meus padrões, mas considerando que Ethan voltou à vida e Oliver apareceu considero-o suficiente. Lembrando que Nick é um Hentz de sangue, descendente de John Daniel com a Irmã Mary Nicholas, e é primo de terceiro grau de Ethan. Só que ninguém sabe disso. Na dúvida, revejam a árvore genealógica presente nas notas finais do último capítulo da quinta temporada.