Como Tudo Começou

1 Capítulo 1 - Fim da Infância


Notas iniciais
Acabou ficando mais longo do que eu planejava, mas é porque eu me empolguei. -q

Aomine estava meio jogado no sofá da sala de estar, mudando os canais da televisão rapidamente, deixando claro que nada estava conseguindo roubar-lhe o interesse. Ele esperava o jantar ficar pronto um tanto impacientemente. O aroma já indicava que não ia demorar, mas ele era um homem cheio de fome e seu estômago não gostava de esperar. Foi então que ele viu o membro mais novo da família saindo da cozinha e esbravejando, o que o fez arquear a sobrancelha e encarar o garoto que tinha a pele morena como a dele e os cabelos num tom meio violeta, bem escuro.

- Chega, mãe, me deixa em paz! Que saco! – O garoto com seus hormônios de jovem de 15 anos, em fúria, saía pela porta da frente e batia a mesma sem dó.

- Masaru! Não me deixe falando sozinha! – Satsuki vinha logo atrás, mas ela parava frente a porta, fechando os olhos como se esperasse que a mesma fosse atingi-la bem na face quando o garoto a fechou daquele jeito, e bem por pouco isso não aconteceu. Ela encarou a porta com uma expressão de descontentamento e chegou até a ranger um pouco os dentes. – DAI-CHAN! – Ela gritou, fazendo o grande Aomine ficar de pé rapidamente e largar o controle remoto no sofá – Vai falar com esse menino ou nada de jantar! – E então ela, quase que tão revoltada quanto o filho, voltou para a cozinha.

Aomine suspirou longamente, passando a mão pelos curtos cabelos. Quanto desperdício de energia desnecessário. Mas ele sabia que a esposa falava sério então logo foi saindo pela mesma porta que Masaru e deu a volta na casa. Sabia que encontraria o garoto ali, na pequena quadra de basquete improvisada que tinham na garagem. O menino fazia cesta seguida de cesta e Aomine o observou em silêncio com bastante orgulho. Filho de peixe, peixinho é, como dizem. Mas o mais novo percebeu sua presença ali, mesmo sem lançar seu olhar a ele.

- A mamãe te mandou, não foi? – Ele perguntou, lançando e fazendo mais uma cesta.

- Sim... Afinal, o que foi aquilo? – Daiki parou na entrada da garagem e encostou-se contra uma das paredes, cruzando os braços.

- Ah, você sabe. A mamãe sendo intrometida como sempre. – Masaru reclamava.

- E no que ela se intrometeu dessa vez? – Daiki perguntou.

- Ah, não começa você também, pai. – O menino já ia lançar mais uma, mas foi surpreendido por um movimento muito rápido e quase imperceptível do grande Aomine que pegou aquela bola no ar e depois ficou frente a ele, segurando a mesma com as duas mãos.

- Nós somos seus pais, Masaru. É normal nós nos intrometermos. Nós nos preocupamos com você. Agora ao meu ver você tem duas escolhas: Você pode continuar fugindo da sua mãe e deixando-a triste e irritada só por ela querer te ajudar, ou... – E ele salientou bem aquele “ou” – Você pode conversar com um de nós dois e permitir que a gente ao menos te aconselhe. Você sabe que nós estamos sempre aqui pra você, Masaru. Quando foi que você precisou e nós falhamos? – E ele lançou a bola para o filho que a pegou facilmente, mesmo sendo um lance um tanto forte e rápido.

Masaru ficou em silêncio, segurando a bola de basquete e a encarando. Ele então suspirou longamente e deixou o corpo ir ao chão, sentando-se com as pernas separadas. Aomine entendeu que deveria se aproximar e ele o fez, sentando-se frente ao filho, que já mostrava sinais de que seria tão alto quanto ele. Talvez até o superasse.

- É que... É sobre a Reiko. – Masaru virou o rosto, mas não conseguiu esconder que estava corado. – Desde que a mamãe descobriu que, bem... que eu estou interessado nela... que ela fica me enchendo o saco dizendo que eu tenho que me confessar logo e que eu tenho que ser homem e blá, blá, blá! – Ele resmungava e chegava até a fazer um leve bico, todo emburrado, o que fazia Daiki lembrar de quando Masaru era bem pequeno e era contrariado em relação a alguma coisa.

- Masaru, a sua mãe sabe que você gosta da Reiko desde quando ela se mudou pra casa ao lado e vocês se falaram pela primeira vez. Ela só cansou de ficar deixando a coisa acontecer sozinha e quis te dar um empurrãozinho. Você sabe que ela adora aquela menina como se fosse filha dela. – Ele sorriu lembrando das vezes que Satsuki falava sobre Reiko toda boba e orgulhosa.

- O quê? Ela... ela sempre soube? Mas e você? Você sabia, pai? – E Daiki afirmou com a cabeça, deixando o garoto ainda mais embaraçado. – Ahh... – Ele deixou um suspiro alto escapar enquanto deitava o corpo ali no chão – Pai... o que eu faço? A Reiko é tão perfeita. Ela é bonita, é a capitã do time feminino de basquete, sempre tira boas notas e é super popular. Eu sou bom jogador. – E Aomine pigarreou nesse momento – Tá, eu sou um excelente jogador, um dos melhores. – O garoto corrigiu, fazendo Aomine sorrir orgulhoso – Mas não acho que isso é suficiente... A Reiko só me vê como um amigo. – Ele encarava o teto da garagem como se buscasse uma resposta divina que não ia chegar.

- E por que não seria suficiente? Você é o filho do grande Aomine Daiki! Só quem pode te derrotar é você mesmo! – Ele até fazia parecer que era sério e não só uma forma de animar o filho naquele momento.

Masaru chegou a rir e Daiki o acompanhou. Mas aos poucos o menino voltou a ficar em silêncio, encarando o teto mais uma vez.

- Ela é tão incrível que me assusta. – Falou finalmente e voltou a sentar-se olhando para o pai – Acho que eu o decepcionei, né? Aomine Masaru, filho do grande Aomine Daiki, com medo de uma garota. – Ele forçou um sorriso, sem graça.

Aomine o olhou por alguns segundos e então ficou de pé. Ele foi até uma estante que havia no canto esquerto da garagem e pegou uma foto dentro de uma caixa azul que estava fechada. Ele voltou a sentar perto do filho e lhe entregou a foto. Masaru ainda não havia visto aquela foto de seus pais quando pequenos. Deviam ter uns oito anos. Daiki estava com as sobrancelhas franzidas e um sorriso de vitorioso, segurando uma bola de basquete com as duas mãos. Satsuki estava agarrada a um dos braços dele, toda sorridente e com um vestidinho florido.

- A sua mãe diz que ela se apaixonou por mim primeiro e eu tento não contrariá-la. Mas eu já gostava dela bem antes. – Daiki sorriu, lembrando-se de um momento especial entre os dois. As memórias vinham facilmente, como se tudo tivesse acontecido no dia anterior.

– Flashback –

Um grupo de crianças brincavam de esconde-esconde no parque. O pequeno Daiki parecia ter encontrado o lugar perfeito em meio a alguns arbustos que haviam crescido mais do que o normal. Estava confiante de que não iriam achá-lo ali. Porém ele viu a pequena Satsuki ali perto, olhando ao redor desesperada. O amigo deles já ia terminar a contagem e ela ainda não havia encontrado um bom lugar para se esconder. Daiki não pensou duas vezes. Ele a puxou pelo braço e a abraçou, já que quanto mais juntos ficassem, mais difícil seria para encontrá-los.

- Shh... – Ele fez baixinho, virando o rosto para que ela não visse que ele estava corado.

O coraçãozinho da pequena Satsuki batia rápido, mas ela ficou quietinha, apenas em silêncio. Provavelmente não teriam sido encontrados, se não fosse por uma garota má-perdedora que entregou a posição deles ao ser encontrada pelo outro menino.

- Isso não vale! A Momo-chan e o Ao-kun estão escondidos juntos! – A menina reclamava e apontava para o local do esconderijo.

- Satsuki e Daiki estão namorando! – Cantarolava um outro garoto, entregando sua própria posição.

- Não estamos não! – Daiki se erguia dos arbustos e Satsuki levantava junto – Calem a boca! Até aprece que eu ia querer namorar com uma menina idiota que nem sabe se esconder sozinha!

- Oh-oh... – O mesmo que cantarolou fez aquela expressão de que algo havia dado errado e isso chamou a atenção de Daiki para Satsuki ao seu lado.

A menina estava com o maior bico possível. E ela tentava segurar as lágrimas, mas sem muito sucesso.

- Dai-chan, seu idiota! – Ela gritou e o empurrou, fazendo-o cair sentado fora dos arbustos. Ela então saiu correndo, provavelmente indo pra casa, e chorando alto.

– Fim do Flashback –

- Eu fui na casa dela pedir desculpas depois. Praticamente tive que implorar, mas eu só fazia esse tipo de coisa se estivéssemos sozinhos. – Daiki riu – Eu já gostava da sua mãe naquela época, mas não admitia nunca. Eu também tinha medo... Eu olhava para ela e pensava que nunca seria aquele que ela realmente amaria. Como pode ver, eu conheço a sua mãe desde quando éramos muito pequenos, mas só tive coragem para me declarar depois que nos formamos no colegial. Então não, Masaru. Você não me decepciona. – Aomine sorria para o filho e isso fez Masaru se acalmar um pouco e sorrir de volta.

- Mas você nunca tentou se declarar antes? – O garoto perguntou.

- Ah, sim... eu até tentei...

Notas finais
Espero que tenham gostado ;u; ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.