– Parem a luta! — Gritou o nosso forte líder, um lado temia pelo filho o outro estava com raiva do que ele fazia. Soluço parecia conversar com o dragão.

– NÃO! Vocês precisam ver isso! Principalmente o senhor, pai! — O pobre garoto franzino tinha lágrimas nos olhos. Sem dúvida isso pesava mais nele do que em qualguer um.

Me lembro do passeio que ele me levou. Me senti livre de um jeito que nunca senti, mas não podia deixar de imaginar o peso que esse dom trasia consigo. Nesse dia me vieram pensamentos que, se ele não estivesse do meu lado, não me deixariam dormir: Quantos de nós matamos? Quantos do nosso povo morreram pelas nossas mãos? Quantas viúvas e órfãos choram sem saber da verdade? E se sabiam...?

– Isso dói muito mais em mim... — Disse ele prestes a desabar. Só eu sabia da sua dor.

Foi então que a magia aconteceu: Ele bateu o pé e seu corpo ardeu em chamas, o fogo aumentou, tomou a forma de um deles, seu pescoço cresceu e seu rosto alongou, suas pernas e braços ganharam escamas e suas mão garras, sua pele ficou escamosa com cor de ouro velho, seus dentes ficaram afiados e uma cauda nasceu, seus olhos verdes ficaram com as pupilas estreitas e mais brilhantes, asas apareceram em suas costas; quando a transformação se completou ele deu um grito que repercutiu até o alto das montanhas, já tinha visto antes, mas não pude deixar de ficar encantada como da primeira vez:

– Pater... Nunc scio. : {Pai... Agora sabe.} – Sua voz não saia de sua garganta, ele falava sem sequer mexer os lábios.

O pai ficou perplexo com aquilo, mas pela primeira vez sua visão ficou clara. Não iria mais matar nenhum deles; pois seria como matar os irmãos de seu filho, portanto seus filhos, só uma coisa iria atrapalhar: Dazbogu, o invejoso membro da família que queria a qualquer custo se tornar o líder da tribo. Seu filho: Melequento, era um dos poucos para quem Soluço teve a coragem de contar seu segredo, apesar de não serem os melhores amigos, sempre podiam contar um com o outro. Melequento prometeu guardar o segredo que se tornou o estopim para começar a protegê-lo "Família, é família". Mas Dazbogu não compartilhava a filosofia dos dois:

– Bruxaria! Feitiçaria! Ataquem! — Gritou disfarçando sua satisfação.

Infelizmente ele tem muito carisma e é muito convincente além de passar confiança. Boas qualidades para um líder, mas estava usando errado.

O pai tentou impedir mas não teve como. Os homens, que já comiam nas mãos do invejoso, atacaram quem agora era meu amor.

Melequento e eu fomos impedir mas dois vikings mais fortes nos pararam, vimos ao longe nossos outros amigos sendo contidos pelo mesmo motivo que nós.

Soluço era honrado, não usou seus poderes contra nenhum deles, ficou quieto e aceitou o castigo que só recebera por ser diferente, o que para nós é fatal. Mesmo sem reação, recebia socos, marteladas e todo tipo de tortura; como doeu vê-lo desse jeito. Caí de joelhos e chorei em desespero gritando para pararem.

Ele não merecia. Era inocente. Olavo tinha razão. Nós é que somos os monstros.

Notas finais
Olavo: "descendente dos ancestrais" ou "herança dos antepassados" (Banguela) Ps: Não sei o nome do pai do Melequento, então inventei.