Começamos e esquentar ovos com salsichas na fogueira quando Gui, Carlinhos e Percy apareceram caminhando

— Acabei de aparatar papai – Percy disse, orgulhoso

Os três juntaram-se a nós e depois de todos estarmos satisfeitos, o Sr Weasley levantou em um pulo, sorrindo para um homem que vinha em nossa direção.

— Ludo! O homem do momento!

Ludo trajava vestes longas de quadribol com listas amarelas e pretas que se esticavam por cima de sua barriga. Olhei estranho pros gêmeos franzindo a sobrancelha, mas eles deram de ombros dizendo que não sabiam quem era.

— Olá pessoal! – Ludo Bagman disse animadamente

Percy logo levantou-se com a mão estendida para cumprimentá-lo

— Ah sim... – disse o Sr. Weasley – este é o meu filho Percy, ele começou a trabalhar no Ministério recentemente, e este é o Fred – ele disse apontando para o Jorge, que fez uma cara de incrédulo – não, Jorge, desculpa, esse sim é o Fred... Essa é Julie – ele apontou pra mim, eu acenei com a mão enquanto terminava de comer meus ovos – Rony, Carlinhos, Gina e os amigos de Rony, Hermione Granger e Harry Potter

Ludo claramente deu uma segunda conferida no Harry e em sua cicatriz idiota

— Pessoal, este é Ludo Bagman, graças a ele temos essas entradas sensacionais

— Quer arriscar uma apostinha no jogo, Arthur? – ele sacudiu seu bolso, indicando um monte de outro

Nessa hora Jorge me bateu no meu ombro repetidas vezes

— Que foi? – Eu disse

— Ah... vá lá, então – disse o Sr. Weasley – um galeão na vitória da Irlanda?

— Um galeão? – Perguntou Ludo. Em seguida, virou-se para nós – Muito bem... mais alguma aposta?

Na hora Fred e Jorge levantaram em um salto

— Nós apostamos trinta e sete galeões, 10 sicles... – Eu levantei também e adicionei 5 sicles nas mãos deles – quinze sicles e três nuques... que a Bulgária...

— Irlanda! – eu interrompi

— Que a Irlanda ganha – continuou Fred – mas Vítor Krum captura o pomo – ele disse olhando pra mim buscando minha aprovação

— Ah! — eu disse pegando a minha bolsa – Damos também uma varinha falsa de lambujem pro senhor – eu estendi a varinha que eu e os gêmeos criamos.

— Vocês não vão querer mostrar isso pro Sr Bagman – começou Percy, envergonhado

Olhei pros gêmeos com receio de ter sido uma ideia idiota, mas logo em seguida Ludo Bagman deu uma gargalhada, parecendo muito animado com a varinha falsa em mãos. Ele sacudiu-a e a varinha transformou-se em uma galinha, cacarejando. Eu e os gêmeos sorrimos, satisfeitos com nosso próprio trabalho.

— Excelente! – Ele exclamou – Não vejo uma varinha tão convincente há anos! Eu pagaria cinco galeões por uma dessas! Bem – ele me olhou de cima a baixo, vestindo as cores da Irlanda – vocês acham que a Irlanda vai vencer, mas Krum vai capturar o pomo? Impossível... Vou dar uma excelente vantagem nessa e acrescentar mais cinco galeões por essa varinha, concordam...

Ludo pegou um caderninho e depois de confirmar nossos nomes, anotou-os agitadamente. Depois virou-se novamente para Arthur:

— Estou de olho pra ver se acho o Sr. Crouch, ele está criando dificuldades e não entendo nada do que ele fala

— Sr. Crouch? – Percy interrompeu – Ele fala mais de duzentas línguas! Serêiaco, grugulês, trasgueano...

— Qualquer um fala trasgueano – eu e Fred falamos ao mesmo tempo. Nós nos encaramos e rimos

Logo em seguida um homem desaparatou bem ao lado do Sr. Ludo. Ele estava vestido de maneira muito mais formal, mas também vestia as cores da Bulgária

— Sr. Crouch! – Percy saiu andando em direção ao homem – O senhor aceita uma xícara de chá?

— Ah – Crouch exclamou – obrigada, Wetherby

Fred e Jorge não conseguiram segurar o riso e as orelhas de Percy logo ficaram vermelhas. A conversa continuou e eu e Fred brincávamos com um empurrando o outro quando nossos ouvidos escutaram:

— ... Aposto o que você quiser como esses garotos vão saber logo. Quero dizer, vai acontecer em Hogwarts – Ludo disse. Nesse momento eles ganharam toda a minha atenção. Ludo e Sr. Crouch se levantaram e se despediram de todos.

— O que vai acontecer em Hogwarts pai? – Fred perguntou na mesma hora – Do que eles tavam falando?

— Você vai descobrir logo — O Sr. Weasley disse sorrindo

— É informação privilegiada – Percy disse

— Ah cala a boca, Wetherby – disseram os gêmeos em uníssono.

Depois disso mais ninguém tocou no assunto. Eu e os gêmeos ficamos discutindo sobre o que poderia ser

— Será que é algum aluno novo famoso? — Jorge arriscou

— Não sei, do jeito que eles falaram parecia ser um evento... A minha mãe botou um vestido na minha mala, deve ser algum tipo de baile – eu disse lembrando do vestido preto

— Baile? – Os gêmeos disseram desanimados

— Espero que não seja isso – Fred disse

— Por quê? Você ia ficar lindo de smoking – eu disse brincando, mas logo percebi que ele levou à sério, é fácil identificar quando os Weasleys ficam com vergonha, eles ficam mais vermelhos que seus cabelos.

— E eu não? – Jorge disse ofendido

— Claro que ia! – eu falei, senti a minha voz um meio estridente.

Passado mais um tempo, ouvimos o barulho ensurdecedor de um gongo e na hora, várias lanternas verdes e vermelhas iluminaram o caminho pro campo entre as árvores da floresta.

— Está na hora – disse o Sr. Weasley, tão animado quanto nós

Todos nos levantamos rapidamente e começamos a correr para a floresta junto com uma aglomeração de pessoas. Os gêmeos não paravam de fazer palhaçadas durante o caminho e eu não conseguia parar de rir, tudo indicava que aquele dia ia entrar pra história.

Depois de andar por uns 20 minutos, nos vimos em frente a um estádio gigantesco

— Tem capacidade para cem mil pessoas – informou o Sr. Weasley

Subimos as escadas de acesso com o resto da multidão, até que chegamos ao topo da escada, em frente a um camarote que se localizava exatamente no meio de duas balizas de ouro. Eu sorri e disse pra mim mesma: “isso vai ser demais”. O camarote estava vazio a não ser por um elfo que usava uma toalha suja como uma toga. Nos arrumamos em nossos lugares, todos falando alto e com o entusiasmo estampado na cara. Depois de algum tempo, o lugar foi enchendo e quando eu olhei pro lado, não acreditei no que estava vendo, ou melhor quem eu estava vendo: Draco Malfoy, juntos com seus pais.

Em meio a todos aqueles ruivos, ele nem notou a minha presença.

— Meu Deus Arthur – Lúcio, o pai de Malfoy disse – O que foi que você precisou vender para comprar lugares no camarote de honra? Com certeza sua casa não teria rendido isso tudo, não?

Draco, que estava colado ao seu pai, riu com gosto, até que ele finalmente me viu e parou. Eu não sei quem parecia mais sem graça, ele ou eu, que por algum motivo que me é difícil de admitir, eu estava sentindo... vergonha de estar ali. O clima entre os Weasleys, Harry e Hermione e a família Malfoy ficou pesado. Eu não sabia para onde olhar, sentia vergonha de estar com os Weasleys perto de Malfoy e tinha vergonha de conhecê-lo, enquanto estava com os Weasleys. Draco, Lucio e Narcisa, sua mãe, se sentaram dois assentos de distância de mim. Lúcio e Narcisa me cumprimentaram, sérios. Draco se sentou mais próximo de mim, mas não disse nada.

— Todos prontos? – Ludo perguntou – Ministro, podemos começar? – Ele perguntou para Fudge, o Ministro da Magia, que eu nem tinha visto chegar.

— Quando você quiser, Ludo – Ele respondeu

Ludo puxou a varinha, encostando-a na própria garganta e disse “ Sonorus”. Sua voz ecoou por todo o estádio lotado

— Senhoras e Senhoras... bem-vindos! Bem-vindos à final da quadricentésima vigésima segunda Copa Mundial de Quadribol!

Todos gritaram e bateram palmas, mas eu não estava mais tão bem-humorada assim.