Olhei assustada para a porta, minha mãe começou a gritar ao lado de fora pedindo permissão para entrar, tínhamos apenas alguns segundos até ela perder de vez a paciência e forçar a sua entrada, por impulso Romeu seguiu para a sacada, mas logo recuou, quando viu a infinidade de guardas que rondavam a casa, tanto eu quanto ele estávamos em pânico, porém Elle conseguiu controlar a situação e instruiu Romeu a se esconder embaixo de minha cama e quando este o fez minha mãe entrou no quarto e sua expressão não era uma das melhores, provavelmente por eu tê-la deixado esperando por tanto tempo.

Ela se sentou em minha cama e pediu para que Elle saísse, depois começou a fazer uma série de perguntas sobre o que eu e Paris havíamos conversado, eu respondia a todas as perguntas rapidamente queria que ela saísse de meu quarto e Romeu também, pois sempre que podia ele puxava o meu tornozelo.

Após as varias perguntas minha mãe se retirou de meu quarto e Romeu finalmente pode sair de baixo da cama. Alguns minutos depois Elle entrou em meu quarto e aconselhou Romeu a ir embora. Ela o ajudou a sair da mansão, mas ele antes me beijou e disse para que eu o encontrasse hoje à noite na colina.

O restante do dia passou bem rápido, claro que tive que cumprir com minhas obrigações, entre elas assistir aulas, como sempre tive uma condição diferente das demais pessoas tinha aulas em casa, isso nunca me agradara e sempre me impedira de ter amigos, limitando-me apenas aqueles que se encontravam na mesma situação que eu a de viver prisioneira, na hora combinada eu já me encontrava pronta e a caminho do refúgio de Romeu.

Alguns minutos depois eu o avistei, já a minha espera, com seu sorriso bobo no rosto e os braços cruzados como se apenas desaprovasse as minhas atitudes. Sorri para ele e corri em sua direção, ele me recebeu de braços abertos, me beijando logo em seguida.

Depois seguimos para sua clareira e sentamos em uma toalha, passamos algum tempo abraçados, até ele se levantar e sentar de frente para mim. Segurando a minha mão logo em seguida, deixando-me confusa.

–O que é isso? – perguntei a ele.

–Guerra de polegar.

Ri descontroladamente o deixando corado.

–Sempre que ganhar, você vai me contar algo.

–O mesmo vale para você, mocinho.

Assim iniciamos a nossa disputa, logo na primeira rodada ele perdeu e foi obrigado a contar-me algo.

–Eu... Gosto de achocolatado no meu cereal.

–Eca... – pronunciei e ele riu.

Porém eu perdi a outra rodada e dessa vez, ele não perdeu a chance de me cobrar.

–Eu falo latim.

–O que?

–Non dico, risus magna. (Não sorria eu falo sério)

–Ignosce mihi, et videre, iratus amor.(Desculpe-me, mas eu adoro ver você irritada.

–Latine loqui et vos, ut aliquid novis.(Então você também fala latim, algo mais que eu deva saber?)

–Mane dolor. (Fique esperta)

Ri enquanto o abraçava, e ele sussurrou em meu ouvido.

–Ego sum in amore cum vobis. (Eu estou apaixonado por você)

Eu o beijei e respondi.

–Te amo etiam. (Eu também te amo)

Continuamos o nosso jogo, que foi até mesmo sem importância levando em conta os acontecimentos anteriores, então tomados pelo cansaço, Romeu se deitou na toalha e me puxou para ele, mantendo-me segura em seus braços.

Não tive sonhos a noite e fui acordada por raios de sol em meu rosto e passarinhos cantando sem parar, sorri e percebi que nós ainda estávamos juntos, tudo ali parecia mágico, até o celular de Romeu tocar.

Ele levantou meio zonzo e eu o entreguei o celular, ao atendê-lo sua cara transformou-se para um misto de tristeza e desaprovação.

Depois de uma conversa de alguns minutos, ele o desligou e o atirou em uma arvore o que me assustou. Ele deitou-se em meu colo e eu passei as mãos em seus cabelos.

–O que houve meu amor?

Ele não respondeu, e eu o estimulei a me falar.

–Amor... Conta!

–É a Rose... Ela está com problemas de novo.

–Rose... Rosalina?

Ele assentiu e continuou.

–Desde que terminamos ela vem tendo problemas, não aceitou bem toda a situação, eu não queria te falar nada, te preocupar, mas semana passada Rose passou horas em frente a minha casa me esperando chegar, eu não quero ficar com ela, eu não a amo, mas não posso deixar ela se machucar, ainda mais se a culpa for minha.

Eu não disse nada apenas o abracei forte, ele poderia contar sempre comigo, sempre, eu o protegeria de tudo. Era capaz de entender o que Rosalina sentia, era difícil ficar sem ele, era dolorido, quase insuportável, é totalmente compreensível que ela tenha perdido o controle.

–Vai ficar tudo bem... Eu estou aqui, eu vou proteger você, eu te amo.