Como Me Tornei Uma Caçadora
22 Eu? Uma caçadora?
Notas iniciais
– Ei, o que está olhando? – Thalia perguntou, saindo do banheiro.
Eu indiquei os dois com a cabeça e ela se aproximou para ver.
– Hm, Samantha virou cupido! – ela brincou.
– Ei, eu só ajudei eles a ficarem juntos.
– Você não fica com ciúmes?
– Não, eles são meus melhores amigos.
– Então tá. Você até parece com uma caçadora – Ela falou sorrindo e foi em direção de sua cama – Boa noite maninha!
– Boa noite – Eu falei enquanto pegava meu pijama e ia ao banheiro pra me trocar.
Deitei em minha cama e fiquei pensando. Acabei pegando no sono e tive um sonho. Eu estava numa clareira, com Thalia e as outras caçadoras. Eu estava vestida como elas. Tinha um monstro a poucos metros de distância então todas as caçadoras pegaram suas flechas e atiraram nele. O monstro se levantou com dificuldade e o ar perto dele tremulava. Ele estava ferido, mas não estava morto. Artêmis e todas as caçadoras ficaram olhando pra mim e eu entendi o que havia de acontecer. Para aquele monstro morrer, todas deveriam acerta-lo. Eu segurei meu arco com firmeza e soltei. A flecha acertou no monstro e ele virou pó. Depois disso eu acordei com alguém me balançando.
– Sam? Sam acorda!
– Hã? O que foi Thali?
– Você está se mexendo como uma louca na sua cama. O que aconteceu?
– Ah, eu estava sonhando... Com as caçadoras.
– E como foi o sonho?
Eu contei tudo o que aconteceu e ela deveria estar com muito sono, porque assim que eu acabei percebi que ela havia pegado no sono novamente. Eu também voltei a dormir e graças aos deuses, não tive mais sonhos.
Acordei e fui tomar banho. Fui para o pavilhão do refeitório antes do sinal então não tinha muita gente por lá. Léo estava na porta e sorriu a me ver.
– E ai, como foi à noite de ontem?
– Ah, eu nunca imaginei que aquilo fosse acontecer, mais foi perfeito! – ele tinha um incrível brilho nos olhos, nem parecia o Léo que eu conhecia – eu sabia que a Miranda não ia resistir ao meu charme – ele brincou, voltando a ser o convencido de sempre.
– Metido! Foi você que beijou ela...
Percy apareceu e veio falar com a gente.
– Ouvi dizer que sua noite foi boa... – ele falou, olhando para Léo com um sorriso sugestivo no rosto.
– Caramba, o acampamento todo já sabe é?
– Léo, Miranda está no chalé de Hermes e tem amigas no chalé de Afrodite. É impossível guardar um segredo com amigos como esses! – ele ria enquanto falava e eu o acompanhei, gargalhando. Realmente seria impossível guardar esse segredo.
Miranda se juntou a nós sorrindo. Deu um beijo no rosto do Léo, que corou imediatamente e eles compartilharam mais sorrisos bobos.
– Oi pessoal! Como foi a noite de ontem? Perdemos muita coisa? – Annabeth perguntou, vindo até onde estávamos.
Léo e Miranda se entreolharam e depois olharam pra mim. Nós rimos e Annabeth ficou confusa, mas assim que olhou para os dois entendeu o que tinha acontecido. Léo estava com a mão na cintura da Miranda, o que deve ter deixado na cara que eles estavam juntos.
– Ah, entendi... E a Sam gente? – Ela me abraçou carinhosa.
– Nós ainda somos amigos, não é só porque nós estamos namorando que a Sam vai ficar sozinha – quando Léo disse a palavra “namorando” Miranda quase fez seus olhos saltarem, mas depois sorriu e se apoiou no ombro dele.
Percy e Annabeth estavam de mãos dadas agora e cochichavam algo como “a noite de ontem foi ótima” e coisas do tipo. Eu percebi que estava sobrando e fui pra dentro do refeitório. Sentei em nossa mesa e comecei a pensar: como vai ser quando a Thalia for embora? Eu ia dormir sozinha, sendo observada por uma estátua colorida de seis metros do meu pai a noite toda. Léo disse que nada ia mudar por eles estarem namorando, mas eu não tinha certeza disso. Samantha pare de ser tão pessimista! Minha voz soava em minha cabeça.
– Ei Sam, porque veio aqui pra dentro? – Miranda veio até minha mesa. Como nem todos tinham chegado ao pavilhão, não havia problema nisso.
– Ah, eu não sei. – eu sabia exatamente o porquê, mas não ia falar pois ela acharia que eu estava com ciúmes.
– É claro que não – ela ironizou.
– Vocês dois estavam ocupados e eu não quis atrapalhar.
– Sam, você nunca vai atrapalhar! Você juntou nós dois e nós não vamos deixar você sozinha – ela falou tentando parecer brava, sem sucesso. Léo apareceu atrás dela e deu um beijo em sua nuca, enquanto a abraçava pela cintura.
– A Sam tá com ciúmes é? Tem Léo suficiente pras duas! – ele brincou.
– Cala a boca sua bola flamejante!
– A loirinha tá com ciúmes – ele continuou provocando.
– Ei vocês dois? Já chega! – Miranda riu.
Quíron entrou no pavilhão e soou o sinal de que todos deveriam sentar. Thalia se sentou comigo e Léo, que ainda estava abraçado com a Miranda, saiu e foi até a mesa de Apolo.
– Sam? – Thalia chamou.
– Hã? – eu estava distraída.
– Você tem certeza de que não está com ciúmes?
– Eu não to com ciúmes. Eu estou feliz por eles. Mais é que... – Minha voz falhou.
– é que... ? – Thalia perguntou curiosa.
– Eu não sei o que vai acontecer quando você for embora. Não quero dormir sozinha com aquela estatua me olhando.
Ela não disse nada, mais parecia estar pensando alguma coisa.
– Porque você não vem com a gente?
– O que? – Eu exclamei.
– Porque você também não vira caçadora? – ela repetiu com um brilho nos olhos e com um sorriso no rosto.
– Ah, eu acho que... – Eu não sabia o que dizer. Não estava pronta pra deixar o acampamento. Não podia deixar meus amigos aqui.
– Eu sei o que você está pensando... Foi difícil deixar meus amigos, mais no fim foi a coisa certa a fazer. – ela fez uma pausa e suspirou – Sua avó era caçadora não era?
– Era, mas ela se apaixonou por meu avô e abandonou a caçada.
– Você tem os mesmos dons que ela. Tem muita habilidade com o arco e flecha... Seria uma ótima caçadora!
– Eu não sei...
Quíron nos interrompeu e começou a falar sobre as mesmas coisas de sempre: A limpeza dos chalés, as regras de que dois semideuses não podiam ficar sozinhos num chalé...
Fomos pegar o café da manhã. Peguei alguns waffles e um Milk Shake de morango. Comemos em silencio e depois fomos para o treino. Miranda e eu tínhamos combinado de treinar esgrima, então fui direto para a arena.
Fale com o autor