Como Me Tornei Uma Caçadora
27 Encontramos uma velha amiga
Notas iniciais
Estava tudo bem, ninguém tinha estranhado ver cinco adolescentes andando sozinhos na beira da estrada.
Como já era de se esperar, a Miranda e o Léo estavam de mãos dadas, andando tão devagar que tinham ficado pra trás. Eu estava andando entre o Nico e a Thalia, um pouco mais a frente.
– Vocês acham que estamos indo para o lugar certo? – eu perguntei para quebrar o silencio.
– Bom, acho que foi em São Francisco que a Zoe nos deixou, lá tinha um jardim onde suas irmãs vivam... – Thalia tentava se lembrar – Mais eu não lembro, acho que não foi no monte Tam – ela pensava alto.
– E o que a Zoe tem a ver com a missão? – Nico perguntou, sendo um pouco mal educado. – eu achei que esse lugar fosse no monte Talma não sei o que... – ele tentou corrigir Thalia, sem sucesso.
– Cala a boca Nico, você concordou que nós iriamos pra São Francisco e nós vamos pra lá. – Thalia revidou irritada.
– Ei gente, vocês lembram que eu tenho que descobrir isso? – Eu falei, dando ênfase no eu.
– Então o que você acha? – eles falaram junto, o que soou engraçado, afinal, eles estavam bravos um com o outro, mas eu tive que esconder o meu sorriso.
– Eu acho que nós devemos ir pra São Francisco, depois decidimos em qual monte devemos ir. O Monte Tam e o Monte Talmapais são na Califórnia, nós vamos decidir quando chegarmos lá ok?
Eu tinha que pensar no que fazer. Todos dependiam de mim.
Enquanto eu estava pensando ouvi a Miranda gritar. Quando me virei pra ver a causa do grito dela, a vi encolhida nos braços de Léo com um cão infernal a cheirando. O rosto da Miranda estava branco. Ela não teve boas experiências com cães infernais.
– Sta. O’Leary! O que está fazendo aqui? – Nico falou, como se estivesse encontrando uma velha amiga. Espera ai, ele chamou aquele cão infernal de Sta. O’Leary?
– Nico? Porque está falando com o monstro? – Léo perguntou indignado.
– O que está fazendo aqui? – Nico ignorou a pergunta do Léo e estendeu a mão, aquela coisa veio pra mais perto dele, fazendo a Miranda voltar a respirar.
– Nico? – eu falei mais alto.
– O que? – ele me olhou como se essa fosse a coisa mais normal do mundo. – Desculpe, essa é a Sta. O’Leary, era o cão infernal de Dédalo, mais depois que... – Nico olhou para aquela coisa enorme, que fazia cara de cachorro sem dono (ou tentava), e mudou o que ia falar – Percy cuida dela, mas ela costuma viver pelos bosques ao redor do acampamento.
– Ei, Eu me lembro de você – Thalia falou de um jeito doce e simpático, o que foi uma cena bem estranha porque até agora ela estava de cara amarrada.
– Então ela é amiga de vocês? – Léo perguntou, ajudando Miranda a voltar ao normal.
– Bom, é. – Nico deu de ombros e começou a passar a mão naquele monstro. Eu não estava acreditando que ele estava fazendo isso. Era tão nojento, a coisa estava babando muito. Eca! – Ela é ótima pra longas viagens, que tal pegarmos uma carona? – Nico sugeriu.
– Você... Você... Quer que nós a usemos como transporte até São Francisco? – Miranda falou, ou tentou.
– Bom, não até São Francisco mas podemos pegar uma carona até Nova York... A não ser que vocês queiram ir andando até lá.
Todos se entreolharam com uma cara estranha, mas Thalia decidiu ser diferente. Ela pulou em cima da Sta. O’Leary e se sentou. Nico fez a mesma coisa, se sentando na frente da Thalia.
– Ok, vamos lá! – Eu falei enquanto tentava subir no monstro. O problema é que eu não era tão alta quanto Thalia ou o Nico e não conseguia subir.
– Me dá a mão, eu te puxo – Nico estendeu a mão. Ele era mais forte do que aparentava. Me puxou com força e eu consegui sentar, logo atrás dele.
Thalia e Léo estavam ajudando Miranda a sentar em cima do cão infernal sem desmaiar.
– Sobe logo! Vai, ela não vai te comer! – Os dois gargalhavam da cara que a Miranda estava fazendo.
– Sobe logo Miranda, o Léo te protege! – Nico brincou.
– Pronto amor, você já pode abrir os olhos – Léo falou, a abraçando pela cintura e sentando atrás dela.
– uau, é fofinho! – ela falou, acariciando o pelo marrom e macio do monstro.
– Bom, eu vou manipular a névoa então nós não vamos ser notados.
– Está bem. – Eu concordei animada – Ei vocês dois, vocês vão ficar ai juntos a missão toda? Nós também existimos! – eu chamei aqueles dois bobos apaixonados.
– Agora é você que está com ciúmes – Léo riu e empurrou a Miranda mais pra frente.
Nós ficamos conversando e rindo por um tempo, até que passamos em frente a casa da vovó.
– Léo – Eu o chamei, indicando a casa onde nós descobrimos quem realmente éramos.
– Eu sinto saudades de lá às vezes. Era tão legal ganhar de você em tudo e a sua avó era tão legal!
– É, ela é bem legal. E você não ganhava de mim sempre! – Nós rimos.
Eu fiquei olhando para aquela casa cujo telhado ainda tinha aquele brilho especial. A casa desapareceu no horizonte e eu vi os primeiros prédios aparecerem.
– Bem vindos a Nova York! – Eu falei.
Logo estávamos no centro de NY, passávamos pela quinta avenida sem chamar a mínima atenção.
– Ok, chegamos até NY sem muitos problemas, certo? Achei que fosse ser mais difícil – Miranda comentou, aliviada.
– Não fale muito, eu estou sentindo alguma coisa. – Thalia falou séria, olhando pros lados.
– Nossa Thalia, como você é positiva! – Nico zombou da cara dela.
Todos riram menos ela, que parecia querer socar a cara do Nico.
Quando eu olhei pra frente vi uma bela adolescente loira se transformar numa coisa estranha, com uma perna de cabra e a outra com escamas, parecendo uma cobra. Era uma dracenae, e ela estava vindo na nossa direção.
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