Como Matar Chantelle Paige
5 Ninguém
Notas iniciais
No apartamento de Bill...
-Bill. – uma voz feminina vinha do outro lado da linha.
-Quem é?
-Fergie
-Ah! tudo bem?
-Sim, e eu arranjei a garota perfeita pro seu irmão.
-Quem ? – ele perguntou incrédulo.
-Miranda Lottus. Uma modelo americana.
-Bom. isso é muito bom!
-Acha que ele vai gostar ?
-Ele gosta de modelos, sexo e pessoas loiras.
-Aham. – ela pareceu desinteressada.
-Não conheço nenhuma menina loira da idade de vocês. Nenhuma que esteja à altura de um Kaulitz. – os dois riram.
-Tá. Quando ela vêm ?
-Segunda.
-Como a gente vai fazer pra eles se encontrarem?
-Já tenho um plano.
-Pode falar.
-Na terça à noite, você vai chamar o seu irmão pra jantar fora, só vocês. E ela vai aparecer “por acaso” e você vai apresentá-los, dizer que ela está de passagem pela Alemanha, que não conhece nada e que ela acabou de chegar... então você diz algumas coisas à respeito dela, como: “ela fala muitas línguas” ou “ela é muito desejada nos EUA”, sei lá... inventa.
-Pode deixar, vou liberar a pessoa criativa que existe em mim!
-Ahan.
-Deixa eles sozinhos que ela sabe o que fazer.
-Ah, claro. – ele falou.
-Tudo bem, então.. vou desligar. Bye.
-Tchau, Fergie.
Eles desligaram.
-Ouvi bem ?Você tava falando com a Fergie ? – Tom entrou no quarto.
-Coisa de trabalho. – Bill desconversou.
-Ela é fergalicious. — Tom riu babaca.
-Quê ?
-To falando que ela é gostosa, um tesão, nem preciso de play boy quando eu vo no banheiro, eu começo a pensar nela daí...
-PÁRA !Pára !Pelo amor de deus !
-Ué... você não faz isso não ?
-Tom, sabia que você calado é um poeta ?
-Você é muito sem graça. – Tom se jogou na cama do irmão. — Não sei porque tanto mau humor.
-A Chantelle ta aqui ? – Bill perguntou.
-Tomziiiinhoooooooooooooo. – uma voz fina e nojenta chamou pelo gêmeo mais velho.
-Isso responde a sua pergunta ? — ele fez aquela cara de safado, mexendo o piercing de um lado para o outro com aquele olha 43.
-Responde. Não entendo porque você fica pegando essa velha. Seu fodedor de cadáver.
-Qual é, ela nem é tão velha assim.
-É velha assim, sim !E você é um FODEDOR DE CADÁVER. FODEDOR DE MÚMIA... nunca vi.
-Cala a boca, seu comedor de merda... – brigou Tom.
-Olha, não me provoca que senão eu vou fazer sarma com a pele do teu pau, aí você vai ter motivo pra me xingar.
-Vá se foder, Bill.
-Vai você e aquela múmia plastificada! – Tom ia saindo do quarto. Bill gritou: — Tom, você não sabe por onde essa boca anda... piranha do jeito que ela é, manda ela escovar bem os dentes.. vai que você pega AIDS ou Hepatite...
Tom veio e quase deu uma porrada na cara de Bill, mas ele fechou a porta antes, rachando de tanto rir.
No dia seguinte no apartamento de Fergie...
-Não sei porque você insiste que eu faça minhas malas aqui, Sty.
-Pra que eu me assegure que você não vai esquecer nada.
-Claro. – ela deu uma tragada no cigarro.
-Menina, é o quinto cigarro que você fuma e não tem nem uma hora que você chegou. Seu pulmão vai ficar preto !
-Foda-se. Eu quero morrer nova. Não quero envelhecer, depois de velhos nos tornamos inúteis.
-Pretende morrer com quantos anos ?
-Trinta e nove. No dia que eu fizer 40 eu morro. Porque modelo quarentona não dá.
-Ah, muito obrigada... eu estou quase lá sabia ?
-Uma pena. – ela tragou mais uma vez.
A campainha tocou. Fergie foi abrir a porta.
-Jenny, o que você quer ?
-Oi, eu vim só visitá-la... mas acho que você está ocupada. – ela colocou a cabeça pra dentro. Miranda deu o seu sorriso mais amarelo e mais desprezível pra Jenny.
-É, estou mesmo. – ela empurrou a cabeça de Jenny pra fora – See you then.
-Mas Stacy... – ela fechou a porta na cara de Jenny – eu só queria ajudar.
Jenny voltou pro estúdio, cabisbaixa.
-Oi, Will. – ela entrou na sala a prova de som, sentou no banquinho e começou a cantar, ela arrastou o violão e foi tocando devagar, uma melodia doce... Will percebendo o quanto ela estava triste foi ver onde ela estava e a viu cantando. Ele pegou o fone que estava conectado à sala e começou a ouvi-la cantar. Era realmente bonito, ela cantava com a voz doce uma música que ele nunca tinha ouvido, era algo como:
Pensar em você me deixa feliz
Mas você estar aqui era o que eu sempre quis
Pra que pudesse me abraçar, me levantar
E tudo que eu queria era ter alguém que pudesse me amar
Me guiar e estar comigo como você estava
Eu sei que isso são apenas palavras
Ela fechou os olhos e tocou uma melodia calma e relaxante. Às vezes Jenny se sentia muito triste pela família que ela não tinha, e pela falta de atenção, pelos abraços que ela não recebia... era muito ruim o jeito como ela se sentia.
Jennifer saiu do estúdio.
-Sua voz é linda, Jenny.
-Obrigada, Will.
-É verdade. Pra quem era aquela música ? Algum namorado da escola ?
-Não. Pra minha mãe.. – uma lágrima surgiu no canto do olho dela, mas não dava pra ver por causa do cabelo.
-Hm, sim, entendo.
Às vezes o Will era um babaca, totalmente idiota, só falava merda, mas com a Jenny ele era sempre bom. Ela gostava um pouco dele. Recíproco.
Will achava Jenny realmente feia, e nunca deu muita importância a ela. Mas por um momento ele pensou que ela pudesse ser alguém especial... mas aí ele se lembrou que ela era só a filha de um produtor e que pessoas como ela, sem voz (nesse caso voz quer dizer sem opinião, que sempre baixam a cabeça pra tudo) e sem carisma não podia ser alguém no mundo da música...
Ela falou mais de duas palavras com ele pela primeira vez, Jenny estava triste e se sentou numa das cadeiras da sala.
-Minha mãe morreu quando eu era muito nova, e o meu pai nem liga pra mim, sabe ?Ele só quer saber do emprego dele... então às vezes eu me sinto só.
-Ah.
-E eu nem sei porque eu estou te falando isso, mas eu não tenho ninguém pra conversar e isso me magoa... me desculpa, eu não devo conversar com você, são ordens do meu pai... me desculpe. – ela se levantou e saiu andando.
Nossa, isso foi realmente duro pro Will. Seria duro pra qualquer um, não ?Poxa, a Jenny era totalmente sozinha, e só levava patadas das pessoas. Todos no mundo querem ser amados, admirados ou qualquer coisa assim, pelo menos por uma pessoa, imagina não ter ninguém ?Imagina não SER ninguém...
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