Como Hades criou o

1 A Criação do Inferno


Notas iniciais
Hades é o deus mais recluso e interessante da mitologia ao meu ver, um deus se tamanha magnitude merece ser lembrado para todo o sempre. Abaixo vocês poderão entrar na mente de Hades, espero que gostem. (E que deixem Reviews porque eles são legais)

No começo, havia apenas escuridão. Não, não tinha nenhum deus da luz para criar tudo que era bom, esse mundo já havia começado, me refiro ao outro, onde Zeus jogou seu irmão em um buraco qualquer.

Era escuro e frio, e, como parte da escuridão, Hades se destaca das sombras. Ele começou com um rio feito pelas águas de seu ódio, para se isolar do reino dos seus irmãos traidores, nele colocou sua primeira criatura, Caronte, o barqueiro. Então viu que o que fez era podre e feio, pois usava os sentimentos de abandono e solidão como matéria prima. Essa solidão virou raiva, com esse sentimento criou o segundo rio, Flegetonte, suas águas eram quentes como a lava das forjas de Hefesto. Estava escuro, mas a raiva iluminou o lugar, e nem tudo foi apenas sombra.

Isso permitiu Hades a ver seu reflexo nas águas, e viu que era belo, como um deus havia de ser. Porém, se parecia com Zeus e Poseidon, já que tinham os mesmos pais, e isso lhe causou dor.

Hades pegou um pouco de sombra e usou as águas do Flegetonte e de Estige para moldá-las, o ódio e a raiva tornaram-se um manto negro que Hades usava para se esconder das lembranças.

Mesmo assim, não foi o suficiente, Hades não queria se lembrar dos irmãos, isso o deixava triste, só o que queria era se esquecer. Então Hades usou a tristeza e a solidão para criar Lete, o rio do esquecimento. Suas águas, ao contrário dos outros rios, eram geladas, frias, cheia da dor e da traição que ele queria esquecer. Junto à elas, se juntariam todo o tormento dos mortos, de modo ao ambiente esfriar a cada dia.

Hades então se sentiu livre, mas ainda tinha algo que ele não conseguia se livrar completamente: A dor.

Sempre havia a dor, por mais que ele quisesse escondê-las. Ninguém o entendia, nem seus irmãos, nem as ninfas e nem mesmo os mortais, Hades queria ser compreendido se não pudesse esquecer e para isso, deveriam sentir a mesma dor que ele sentia. Hades usou essa dor para criar os campos da punição, cheios de sofrimento e armagura, como a dor era infinita, o tormento também seria. Os campos se iniciam às margens de Flegetonte se estendem por longos quilômetros, tanto quanto a dor do seu criador.

Após criar os campos, Hades sentiu se vazio e se pôs à descansar às margens do Estige. Dor, ódio, raiva e morte eram tudo o que faziam dele Hades, desde que saíra da barriga de seu pai, Cronos.

Caronte parou à beira do rio e o convidou para navegar nele. Conversaram sobre o porque desenhou seu mundo com ódio e qual o propósito dele. Hades olhava para o seu reino, era podre, feio, frio. Ali havia apenas o mal, mas ele não era assim, era? Sempre soube que seu objetivo era receber a alma dos mortos, e nem todos eles mereceriam a dor.

Hades se arrependeu do que fez, ele não era um deus mau, queria justiça. O arrependimento pesou em sua mente e com ele, criou mais um rio, Cócito, o rio do lamento, eram tantas coisas que Hades lamentava que esse era o maior rio do submundo, circulava o reino todo, desde os campos da punição até os limites, onde repousava o corpo do velho Tártaro e os pedaços de Cronos.

Mas não apenas de lamentação era feito Hades, não, ele era uma figura complexa e justa. Nem todos os mortos mereciam os campos da punição, havia os inocentes e os que morreram pelo seu rei, haviam as mulheres que lutaram tão bravamente quanto os homens, e também as belas Ninfas. Pensando nelas, Hades subiu à Terra de cima, e o que ele viu o deixou impressionado. Em meio às Ninfas, uma garota brincava feliz, rodeando as árvores e dançando em sua túnica recém tecida, por onde pisava nasciam flores, seu sorriso era puro e era tão bela quanto sua tia Afrodite, a própria deusa da beleza. A menina o encheu de felicidade, e em seu coração, desejava apenas tê-la em seu reino. Porém, um reino cheio de ódio e amargura faria sua felicidade deixar seu pequeno corpo, e ele não queria isso. Era apenas trevas e ela seria sua luz, mas no momento certo.

Hades usou esse novo sentimento de ternura e levantou ilhas enormes, de onde não podia-se ver os rios e os campos da punição, encheu as com flores e soltou abelhas para serem a primeira forma de vida pura ali. Levantou chalés com as árvores das ninfas à muito mortas, e suas almas residiam neles, era incrível, elas brincavam e dançavam pelas casas, o serviam e faziam-lhe companhia, Hades não estava mais sozinho.

Então a música ecoou pelo submundo e Hades sentiu-se feliz, pela primeira vez durante muito tempo.

Foi com isso que Hades criou seu Palácio. No início do Elísio era um belo castelo branco digno de contos de fada que refletiam a felicidade do deus, porém, de resto era escuro e sombrio, assustador e tenebroso, que mostrava como ele realmente era.

Hades descansou por um tempo, mas nenhuma das Ninfas conseguia fazer com que se esquecesse da jovem no jardim de cima. Hades colocou na cabeça que a faria sua rainha, porém, seu reino ainda não estava pronto. Havia apenas dois lugares para abrigar as almas dos mortos, o Elísio e os Campos da Punição, mas como decidir quem vai habitar cada mundo? Hades perguntou às Ninfas que tipo de pessoas elas queriam

conviver. A resposta foi: "Homens, fortes, gostosos, bravos, corajosos, gentis e poderosos."

Hades sorriu e decidiu que no Elísio viveriam apenas aqueles que fossem bons durante sua vida, as pessoas fortes, bravas, que conseguiam ser corajosas e gentis ao mesmo tempo, pessoas que agradassem suas convidadas, e as pessoas que não preenchessem esses requisitos eram jogadas nos Campos da Punição, lá seria o lugar para o pior tipo de pessoas, aqueles que foram cruéis em vida, fracos e covardes, os que não aguentaram as dificuldades e se mataram e aqueles que colocavam sua vida acima de qualquer coisa, os campos também estavam reservados aos egoístas, resumindo, todos aqueles que Hades não sentisse simpatia.

Porém, havia aqueles que não mereciam os Campos e nem o Elísio, os que não

preencheram nenhum dos requisitos e foram simplesmente irrelevantes, os inglórios e os que não se importaram com o destino, apenas viveram suas vidas.

Pensando nisso, Hades decidiu que seriam irrelevantes para ele também, viver sem propósito não é viver certo. O deus abriu espaço entre os campos da punição e os rios que banhavam as ilhas do Elísio. Nesse espaço, Hades abriu um gramado escuro, sem luz, sem vento, sem água... sem nada. Nele ficariam eternamente as almas daqueles que foram renegados por Hades, os que não tinham importância. Estavam destinados a ficarem sentados eternamente e revivendo sua patética vida, para todo o sempre. Esse lugar, ele chamou de Asfódelos, então ele saiu e nunca mais voltou ali.

Como Hades não se importava em ser o juiz justo, decidiu contratar pessoas para fazer isso para ele, afinal não era trabalho para uma só pessoa julgar centenas de almas. Hades então se pôs a trabalhar novamente.

O deus subiu no topo da mais alta montanha e abriu, tornando-a oca. Dentro dela ele construiu um grande tribunal, a qual futuramente chamaram de Purgatório. Hades foi atrás das almas mais justas que houveram de partir e chamou-as para governar seu domínio, e elas eram Éaco, Minos e Radamanto, Éaco cuidava das almas que iam para o Elísio, devido à sua natureza generosa para pessoas de bens. Minos era o juiz da vingança, e ele decidia quais mortos eram sentenciados aos Campos da Punição e escolhia suas torturas. Por último houve Radamanto, ele escolhia quem ia para o Campo dos Asfódelos, decidia se alguém deveria sair ou não. Os três juízes respeitavam apenas Hades como seu líder, tinham mais poder que qualquer outro deus.

Para buscar as almas Hades atravessou o Tártaro e quebrou as correntes que prendiam as antigas Fúrias, que passaram a segui-lo. Hades deu-lhes a liberdade de voar pelo reino de cima e coletar as almas dos infiéis e amaldiçoados de acordo com as ordens dos Juízes.

Não demorou muito até que as Parcas se irritassem. As bruxas tricotavam o destino de cada pessoa, decidiam a hora de nascer e a hora de morrer.

Com muito esforço, Hades conseguiu com que trabalhassem para ele, agora elas decidiam que almas deveriam ser mortas e as Fúrias matavam aqueles que quebrassem as três regras de Hades: Forçassem uma pessoa a trabalhar para si sem nenhuma recompensa, comesse da carne de sua própria espécie ou sacrificassem seus filhos à ganho próprio.

Esses, os campos aguardavam diretamente, sem julgamento.

Logo as almas começavam a entrar e Hades sentiu-se feliz. Logo se lembrou de seu amigo Caronte e decidiu dar-lhe uma utilidade, o Deus subiu ao mundo dos mortais e criou seu último rio, que desaguava no Estige. Seu nome era Aqueronte, as almas dos mortos que o seguissem encontrariam Caronte. Hades propôs uma espécie de ingresso para aqueles que quisessem entrar por ali: Duas moedas para cada morto deveriam ser queimadas junto aos olhos na pira, apenas assim sua alma teria o julgamento, se não houvesse moedas, tornavam-se sombras às margens do Estige.

Logo o reino de Hades ficou pronto, povoado de almas, boas e ruins. E também de amigos, as Ninfas eram sua companhia e ele gostava. Animais também vinham para seu reino, Hades não os julgava, amava os animais mais do que as pessoas. Eles tinham permissão para irem e virem quando quisessem e onde quisessem, geralmente era possível vê-los no colo das ninfas, que acariciavam seus pelos e sorriam, brincavam e dançavam o tempo todo.

Mas o tempo passou e aquilo foi ficando monótono e sem graça, ele ficou afastado por um tempo, as ninfas notaram e se entristeceram. Logo, nem mesmo o Elísio se alegrava, as pessoas ali sentiam a pesada energia.

Durante muito tempo Hades ficou sentado no canto de sua sala do trono, foram dias, meses... talvez anos.

Todos os dias uma ninfa o visitava, sentava-se ao seu lado e contava o que acontecia no Reino, mas Hades sempre estava em silêncio. Faltava alguma coisa, ele sentia, mas nunca dizia uma palavra, apenas ficava abraçado à sua visitante, à quem chamou de Hermísia, pois era sua mensageira.

Um dia, Hermísia voltou com algo estranho, uma coisa peluda e pequena que encontrou bebendo do rio Flegetonte, sem apresentar nenhuma dor. Isso deixou Hades curioso, o jovem animal era negro, brincalhão, pulava para vários lados e gostava de brincar. Também tinha três cabeças. Hades se animou e com ele, Hermísia, que cuidava do animal como se fosse seu filho, Hermísia ficou com eles até que o animal crescesse, e à ele, deu o nome de Cérbero.

Hades, por mais que tentasse, não conseguia esquecer a garota que brincava com as ninfas no jardim, por mais incrível que Hermísia fosse, não se comparava à beleza da jovem deusa. Uma noite, enquanto Hades dormia, Hermísia ouviu o deus recitar uma bela poesia, que terminou com a frase: "Àquela que nada se compara, A Deusa da Primavera."

Enciumada e triste, a jovem ninfa correu pelo mundo inferior e se jogou nas águas do rio Lete e se esqueceu de tudo. Às águas devolveram-na para a terra dos vivos, onde escreveu sua história nas páginas do destino.

Hades nunca mais se encontrou com a jovem, e sentimentos negativos tomaram conta de si, como não queria que seu reino se deprimisse novamente, Hades retirou de maneira dolorosa todos os quatro sentimentos negativos, e com ele fez quatro cavalos negros, tão ferozes quanto o jovem Cérbero estava se tornando.

Hades arrancou uma flor prateada do chão e a plantou no jardim de cima, colocando-se à espreita. A deusa jamais resistiria à uma flor que nunca vira.

Ao vê-la, se admirou, não era mais uma garota, agora era uma jovem moça, com cabelos castanhos e delicados seios, que apareciam por trás da toga transparente.

Hades saiu da terra com sua biga puxada pelos quatro temíveis cavalos e raptou a jovem, foi tão rápido que ela mal pode gritar.

De início, ela pareceu espantada e com medo, era um lugar escuro e sombrio, com um deus ainda mais sombrio, mas à medida que ela aprendeu a amá-lo, ele foi se revelando doce e gentil, cada vez mais belo e claro, quando ela aceitou beijá-lo, ele revelou a beleza do Reino dos mortos, o Jardim do Elísio, os lagos recém criados inspirados nela, suas amigas ninfas que morreram... era incrível, aquele seria seu reino e Cérbero seu único filho. Ela adorava o lugar, principalmente as Orgias que rolavam nos Campos Elíseos. Às vezes, até Hades participava.

Seu novo marido era incrível, possuía as melhores histórias, como aquelas sobre quando um homem aprendeu a ressuscitar os mortos, ou quando outro roubou o raio de Zeus e agora estava tentando equilibrar uma rocha gigante no topo de uma montanha...

Mas, como tudo o que é bom, aquilo não durou muito.

Seis meses após o sequestro que quase a deixara muda de espanto, o mensageiro Hermes apareceu com uma mensagem de sua mãe, Deméter, solicitando seu retorno.

Hades foi até Zeus e exigiu que ficasse com sua esposa, eu fecharia o portão dos mortos e abriria as portas do Tártaro, onde os piores seres estavam aprisionados, sobre a terra.

Deméter disse que, se Zeus permitisse, deixaria a terra infértil para sempre.

Com isso, Hades enfeitiçou uma romã, a fruta do mundo inferior, quem comesse dessa fruta, deveria permanecer no reino dos mortos para sempre. Perséfone comeu seis sementes em frente a seus pais, deixando clara sua escolha.

Deméter cumpriu a promessa e nada mais cresceu na Grécia desde então. Eis que o mundo inferior estava cada vez mais cheio, e Hades estava enlouquecendo, a fila para o tribunal estava chegando no Elisio, assustando as Ninfas e os mortos. Com isso, propôs um acordo com Deméter: Seis meses Ártemis ficaria com ele em seu reino, sendo a rainha do submundo. Nos outros seis, seria a deusa da primavera na superfície. Quando Perséfone estava junto de seu amor, a Primavera brilhava no mundo inferior, enchendo-o de beleza. Porém, ficava frio e gelado na superfície.

Quando Perséfone estava longe dele, o mundo inferior ficava frio e deprimente, Hades sentia-se solitário e com saudade de Perséfone e Hermísia, às vezes Hécate, a deusa da Magia, vinha fazer companhia à ele e ao Cérbero, mas não era a mesma coisa.

Perséfone chorava na superfície, e quando o fazia, as folhas caíam das árvores, mas logo se animava, pois voltaria a ver seu amado em pouco tempo, como era bastante semelhante ao Hades, seu reino refletia seu humor, e então chegava a amada Primavera.

Há quem chame o Reino de Hades de inferno, retratam-no como um ser maligno e temem dizer seu nome, são pessoas desinformadas que nunca sonharam com o lugar ou tomaram do Rio Lete. Ali nada mais é que a Casa de Hades, reflete o que ele sentia, sua raiva nos Campos da Punição e sua alegria nos Campos Elíseos, sua justiça e sua compaixão. Hades raramente saía dali, porque, ao contrário dos irmãos, encontrara a felicidade. Tinha um reino imenso, alegre, uma linda esposa, um cão fiel, um amigo barqueiro e tudo o que um deus pode querer. Hades é raramente visto, porque é feliz, Zeus e Poseidon tê-lo abandonado em um buraco foi a melhor coisa que lhe acontecera. Para muitos, o reino de Hades é o inferno, mas para aqueles que tem a sorte de conhecê-lo, é o paraíso.

Notas finais
E aí, o que acharam? Obrigado por ler e pelo review que eu sei que você vai deixar porque você é legal ^-^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!