Notas iniciais
Esse capítulo não tem nada aterrorizante ou violenta ou canibal...é só a introdução da história.

Leandro olha pela janela do ônibus. Poucas árvores, tortas. Pasto, alguns gados espalhados, plantações de alguma coisa. Sua irmã se mexe na poltrona do lado. Pra que diabos ela trouxe o maldito hamster afinal? Bicho idiota. Nunca mais a gente chega na... como é mesmo o nome da cidade? Já são cinco horas viajando. Nossa eu dormi? Nem vi. Vou aproveitar que ela tá dormindo e ouvir uma música. O mp3 tá no bolso dela, isso, devagar, devagar. Bom. Agora os fones, por baixo do braço. Muito bem. Agora vamos aproveitar antes que a bateria acabe.

**

− Oi.
− Oi. Entra.
− Tá bem?
− Hmrum. Achei que eu que ia pra sua casa.
− Consegui carona, minha mãe foi no Flambas.
− Tô terminando um brigadeiro, vem.

Ela abre o portão e vai em direção à sala. Ele fica olhando pra ela ir, fecha o portão. Esboça um leve sorriso. Passa pela sala.

− Oi Luís, achei que ia levar a Júlia na sua casa. – Uma jovem senhora que lembra muito a filha está arrumando alguns livros.
− Consegui carona
− Ah tá, fica à vontade.
− Pode deixar tia, tô de boa.

Na cozinha, ela acabando de enrolar os últimos brigadeiros na forma.
− Chegou a ligar pro pessoal?
− Nem deu. – Ele diz, pegando um brigadeiro da forma.
− Tava pensando em chamar todo mundo pra ir ao cinema?
− Ver o que?
− A gente descobre lá.
− Vou ligar pra eles enquanto você termina isso.

**

Thiago deixa a água do chuveiro cair em seu rosto por mais tempo. Gelada, pra acordar. Fica imaginando estar numa cachoeira, e lavando a alma. Bem que eu ando precisando. Fecha o chuveiro. Cadê o diabo do chinelo? Acha. Entra no quarto. Putz já são 5. Credo. Preciso MESMO de um emprego. Isso é meu celular? Aonde ele tá?
− Alô? Eu. Não sei. Aham.

Pega algumas roupas prendendo o telefone com o ombro e a cabeça

− Olha, ia acabar de fazer uns negócios pro Irerê e depois num sei. Anima jogar? Que filme?

Pega uns papéis em cima da mesa, relógio, boina, carteira, confere.

− Tô meio sem grana mas acho que dá. Ok as 19? hmrum. Pode deixar eu ligo.

**

− Léticia. Acorda. Chegamos.
− Hmmmm? Já?
− Já??? Já?? Tu tá doida? Quase 7 horas de viagem nesse diabo de ônibus ruim e você diz já?
− Ah, eu dormi feito uma pedra.
− É eu vi tava até roncando, pegou tudo?

− Quase, segura aqui.

− Eu não. Se vira quem mandou você trazer esse bicho?
− Num ia deixar ele sozinho. A mãe num ia parar em casa.
− Putz.
− Que foi?
− Olha essa cidade. Em que ano a gente tá?
Letícia termina de descer do ônibus e olha em volta. Poucas coisas seriam mais velhas que isso. Cada casa parece ser mais velha que a outra. Portas pesadas de madeira. Janelas roídas e com algumas plantas velhas no beiral. Os jardins das casa, quando elas tem, são um aglomerado de plantas ressequidas e embaraçadas que não dá pra definir qual é qual. Paredes com cores desbotas, tinta descascando, revelando algo mais velho que um tijolo. Telhados sujos, um misto de folhas e ninhos, se ajustam entre as telhas faltando.
− Hmm 1850?
− Acho que antes...
− Aonde fica a casa da Tia-bisa?
− Hein?
− Ela num é irmã do bisavô?
− É.
− Então, tia-bisavó.
− Ash. Tem um endereço aqui.

O ônibus, que parece ser uma relíquia da primeira frota do estado, está manobrando pra estacionar em outro lugar. Leandro vai até um dos motoristas, que indica outra pessoa. Coça a cabeça. Escuta o nome aponta a rua, explica, num tem erro. Num tem muita rua. Leandro ajeita a mochila, faz sinal pra Letícia. Perto não era, isso fica claro após algum tempo de caminhada, a árvore grande e velha que servia de referência parece que não chega nunca, apesar de verem ela desde o começo.
Eles chegam na sombra da árvore antes de chegar perto da casa. A árvore serve de muro de tão grande que é. Está escurecendo bem mais cedo. Abre a mochila, procura o molho de chaves, Pra que tanta chave pruma casa pequena assim? Letícia olha a casa. Parece mais assustadora agora que tem pouca luz. Mas parece que tem um segundo andar, que parece ser mais pra trás da fachada da casa.
Leandro consegue abrir a porta. Letícia entra. Ela tenta acender a luz. Nada. Depois de discutir e deixar o hamster servindo de escoro pra porta, saem atrás do relógio de energia. Velho, duro e com um estalo ligam, procuram o registro geral da casa, acham atrás de alguns arbustos secos e teias de aranha.
Leandro testa, a luz acende, sorri, vitorioso.

− Cadê o Jack?
− Hein?
− O Jack fugiu!
− Como?
− Sei lá, mas tava aqui na gaiola e num tá mais.

Leandro olha pra gaiola que ainda tem a porta fechada.

− Ei, parece que ele tá lá em cima, cê viu? Passou correndo.
− Ash. Vai lá, vou olhar aqui embaixo.

Ao terminar de subir as escadas, ela pára, olha um corredor grande e com muitas portas. Mas a casa num era pequena? Uma das portas está aberta, um quadro estranho na parede lhe chama atenção. Uma foto velha do que parece ser a tia-bisa em pé em frente a uma das janelas da casa. Ela dá de ombros e passa pela porta aberta.

Notas finais
nada muito assustador né? mas melhora, eu juro.
Obrigado pela atenção.