Como Dita O Equilíbrio
6 By force of Will
Notas iniciais
– Todos também gostaríamos de saber a razão de tudo isso, não entendem?? Usar torturas não vai adiantar em nada, apenas causar mais rebeliões!! – Reclama Caitlyn, gritando em direção aos invocadores. O que antes torturava o Noxiano abre o punho e abaixa a cabeça.- Se nos derem tempo, conseguiremos provar para vocês que não somos feitos apenas de guerra, principalmente nossa nação.
O invocador silencia por completo, fitando a todos com desprezo, um por um.
– ...Todos aqui estão cientes de seus destinos caso isso não tenha um ponto final, certo? – Pergunta, e todos consentimos. – Pois bem...
O invocador ergue as mãos, canalizando uma estranha energia roxa, que aos poucos se espalha pelo resto do salão, como se criasse uma muralha em volta das paredes interiores. Os outros dois mestres, que antes repousavam ao seu lado, fazem o mesmo movimento, fazendo com que a energia se alastre por todo o lado de fora. Esta desaparece após alguns segundos, ecoando um rangido fino e metálico.
– Esta muralha é feita da mesma energia usada pelas torres da Summoner’s Rift, canalizada com quinhentos por cento a mais de poder. Possui força para matar qualquer um de vocês em questão de segundos. Ninguém há de entrar ou sair deste aposento até que o conselho tome uma decisão quanto a suas rebeliões.
– E quanto tempo isso demorará? – Questiona Garen.
– O tempo necessário! – Responde asperamente o invocador. – Cada um terá um aposento onde se hospedará até resolvermos todas essas questões.
O mestre põe as mãos abertas na altura do ombro e faz um movimento giratório, rompendo as correntes mágicas que nos seguravam. Estendo meu braço direito para a frente, vendo que as mesmas haviam deixado algumas marcas de queimaduras indolores e avermelhadas. Percebo que todos os meus outros colegas também tem a mesma reação. Após alguns segundos, olho na direção em que os invocadores se encontravam. Não havia mais ninguém lá, apenas degraus que pareciam não ter fim. Pode-se ouvir de qualquer lugar da construção os protestos revoltados dos outros campeões.
– Vamos explodir tuuuudo isso abaixo e acabar com essa história! – Sugere Ziggs, rindo maleficamente em seguida.
– Concordo!! Vamos implodir essa desgraça e acabar com a farra dos invocadores!- Concorda Jinx, sem demonstrar o mínimo receio das consequências do ato.
– Sem chances! Não iremos nos submeter ao risco de ter que sofrer a ira dos invocadores caso a ideia estúpida dos dois loucos falhe! – Responde Vi, causando o inicio de um tumulto no salão. Resolvo sair do salão principal para tomar um ar fresco, toda aquela confusão me fazia sentir um estranho desconforto. Caminho lentamente até uma das muitas sacadas do palácio, uma área aberta na qual haviam vasos com as plantas mais conhecidas de todas as facções e alguns bancos de praça brancos. O pôr do sol que podia ser visto claramente da mesma era estonteante, meu olhar ficou preso no mesmo até descê-lo para a queda infinita bem abaixo nossos pés. A sede da Liga, graças a uma magia arcana ancestral, passada pelos invocadores há anos, flutua a uma distância desconhecida acima de toda Valoran, tendo contato direto apenas com os campos da justiça.
– Não deveria estar tão próxima da barreira. – Ouço a voz de meu parceiro, parecia preocupado com o fato de estar debruçada sobre a sacada, imaginando o destino que os invocadores nos reservavam.
– Não me importaria de levar um choque agora.- Respondo, sem tirar a queda infinita do meu campo de visão. Ele dá um curto suspiro e retira a máscara azulada, balançando a cabeça levemente para os lados, fazendo seus cabelos suados se desarrumarem.-... Como você consegue?
– Hein?
– Como você consegue não estar abatido com... isso! Com todas essas coisas que vem acontecendo? – Pergunto-lhe, retirando meus braços da sacada e ficando de frente a frente com o par de olhos aflitos. Por alguma razão, sinto que a pergunta perfurou-lhe profundamente, seus olhos tremulavam em um pequeno feixe de desespero, que logo se esvai.
– Fui criado assim, aprendi ao longo da vida a lidar com perdas e ganhos. Me esforço pra ser o melhor de mim todos os dias, sem esperar coisas em troca, apenas provar a todos aqueles que me apoiaram que seu trabalho valeu a pena.
Mantemos o contato visual por mais alguns segundos, e então assisto-o abaixar a cabeça e andar em direção ás escadas, que provavelmente levavam a nossos quartos. O silêncio havia se ocupado por inteiro na sacada, o vento frio da noite que se aproximava me gelava por inteiro. Vejo todos os outros campeões subirem a enorme escadaria, afinal, o salão principal é aberto apenas para reuniões importantes do conselho, e seria fechado em questão de minutos, deixando aberta apenas a sacada, que tinha uma ligação de escadas com os andares. Resolvo acompanha-los, já que não possuo muitas opções restantes.
Em curtos e lentos passos subo as escadarias. Muito distantes entre si estavam os aposentos de cada facção. O pertencente aos campeões Ionianos era um dos últimos, um dos mais altos, então pude observar as entradas dos corredores de todas as cidades-estado. Maior parte dos Noxianos estava fora de seus quartos, discutindo juntos sobre a decisão dos invocadores e praguejando todos os xingamentos possíveis, enquanto se embebedavam com vinho tinto. Já no corredor Demaciano, todos pareciam estar em seus respectivos quartos descansando, com exceção de Garen, que tentava arrastar sua irmã Lux de volta para seu quarto e impedi-la de conversar com o tão conhecido arqueólogo de Piltover. Após poucos minutos, chego ao corredor Ioniano. Era como todos os outros: Possuia cerca de quinze quartos, uma janela no final da reta e alguns vasos de plantas como decoração. Caminho pelo vasto aposento, a madeira da qual era recoberto o piso rangia um pouco a cada passo meu. Percebo que nenhuma das portas possuía nome ou indicação, então teríamos que escolher um quarto aleatório. Escolho o último, mais próximo da janela, assim poderia ir avistar o pôr do sol quando quisesse. Observo a porta de baixo a cima, era feita de madeira genuína retirada das árvores dos campos da justiça, enquanto a maçaneta era parecida com o metal Zauniano. Aproximo-me da mesma, torcendo para que não houvesse alguém dentro do quarto, quando uma voz rouca e forte cessa os cantos dos tordos e a leve brisa que soprava pela janela.
– Este quarto está ocupado.
Olho para a direção da voz, assustada, e vejo uma figura debruçada sobre a janela. Um homem forte,alto e robusto, com uma armadura laminada e de tecidos pesados recobrindo todo o seu corpo, cabelos repicados e negros como a noite, muito parecidos com o do Shen, e uma silhueta misteriosa e meio duvidosa.
– D-Desculpe...
– Hm.
– C-Como percebeu que eu estava abrindo a porta de seu quarto? Está de costas!
– Qualquer um perceberia.
Ele se vira para mim, sua expressão mostrava um pouco de desprezo e ódio. Seus olhos negros não possuíam luz alguma, mas sim uma imensidão escura dominada pelas trevas.
– Você... Eu te conheço de algum lugar...! – Afirmo, aproximando-me, na intenção de tocar a cicatriz em sua bochecha. Tinha a forma de uma “estrela”, como se fosse cortada em vertical e horizontal, uma marca que eu com certeza já havia visto antes. Ele aperta meu pulso antes que pudesse toca-lo.
– Não sei do que você está falando.
– Eu tenho certeza!- Afirmo, soa mais alto do que eu pretendia. Envolvo meu pulso com a mão oposta, tentando disfarçar a dor que devido ao aperto.- Você é aquele Noxiano que me ajudou na luta entre as facções! Sabia que te encontraria um dia!!
Um impulso interior me faz correr em sua direção para um abraço, era uma das poucas vezes em que eu ficara tão feliz de ver alguém, pois, como ninja treinada e dedicada á Ionia, não se pode confiar em todos. Quando chego ao local onde ele deveria estar, não encontro nada além de uma sombra cálida. Apoio-me na parede para não cair de bruços.
– Você ainda se lembra, então? – Ouço sua voz soar por trás de minhas costas, viro-me rapidamente, fazendo com que caia sentada no chão, e vejo-o agachado, frente a frente comigo, fitando-me com os orbes firmes. Permaneço em silêncio, apenas observando-o. – Hm. Posso ter “me relacionado” com você no passado, mas a última coisa que quero é uma sombra fanática me perseguindo.
Ele ri consigo mesmo por alguns segundos, como se a fala tivesse sido irônica e divertida, e se levanta, me entregando a mão direita para que faça o mesmo.
– Volte para seus amiguinhos e me esqueça. – Diz, virando-se novamente em direção á janela.
– Tudo bem, mas... O que está fazendo no corredor Ioniano? Você é residente de Noxus!
– Não. Sou um mero nômade, independente, trabalho sozinho. Não deveria estar conversando com você agora, pessoas como você podem ser uma ameaça para mim no caso em que estou comprometido. Agora vá embora ou serei forçado a usar a força.
– Eu garanto que você seria uma enorme ajuda para Kinkou. Se quiser algum dia se unir a uma ordem, conte comigo para te-
Ele se vira bruscamente em minha direção, posicionando o dedo indicador em meus lábios para que me calasse. Os olhos negros agora estão desesperados e surpresos.
– Você é membro de Kinkou?- Ele olha em volta, como se quisesse que a conversa fosse completamente confidencial. Olha-me nos olhos em seguida, e agarra meu braço direito com uma das mãos, puxando-me para mais perto de si. -Então conhece o Olho do Crepúsculo?
– ... Claro, eu e Shen somos amigos de infância. Por que? – Pergunto, assustada com o olhar que me lança.
– ...E o seu nome, é....?
– Akali!
Ele solta bruscamente meu braço, arrumando meus cabelos com a mão direita e andando na direção oposta á janela, á saída do corredor. Continuo olhando para o local onde antes se localizavam seus orbes escuros.
– Hm. Sinto que nos veremos novamente em breve, Akali. – Sussurra em meu ouvido esquerdo, arrepiando-me os cabelos da nuca. – O nome é Zed. Não se esqueça.
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