Como Conquistar Um Magnata.

3 Capítulo três - O cupido a acertou.


Capítulo três – O cupido a acertou.

Durante todo o que caminho de volta pra casa Rosalie e eu não trocamos uma se quer palavra, ela estava bastante inquieta, porém não desviava o olhar da janela do táxi, a paisagem passava como um borrão; e o dia estava tão escuro que eu podia jurar que era noite, mas ainda era bem cedo, estava bem na hora do almoço.

— Emmett lhe deu o telefone dele? – sem mais controlar seu silêncio ela me perguntou, o táxi virou a última rua antes de chegar ao seu destino, o olhar de Rose era bem curioso, antes de nos despedirmos de vez dos Cullen, Emmett me deu um cartão e pediu suplicantemente que eu o ligasse, eu assenti, mas não sabia se ligaria realmente.

— Sim... – ela me lançou um olhar cabisbaixo, me senti mal por alguns segundos. — Mas eu não vou ligar se é o que quer saber. – disse por fim, os olhos de Rosalie continuaram perdidos na imensidão que passava pela janela, nem se deu conta de quanto o táxi nos deixou em frente ao nosso prédio. Visto que ela não reagiria de forma alguma, paguei pela nossa viagem e a puxei pelos braços. — Você está tão caidinha por ele assim? – perguntei séria.

— Já disse pra não dizer asneiras. – grossamente me respondeu.

— Por que você fica negando? Parece que... Não confia em mim. – caminhávamos apressadamente para as escadas, nosso prédio deveria ter sido feito em um século passado, apesar de ser bem localizado, não havia elevadores e era um dos motivos de estarmos tão ansiosos para nos mudarmos, meu pai iria adorar estar em uma casa novamente, como em Forks.

— Só não quero que você deixe de arrumar um namorado por minha causa, Bella. Você está há muito tempo só. – resmungou, agora já tínhamos subido nossos cinco lances de escadas, ofegantes até demais.

Rosalie abriu a porta ainda em silêncio, o que ela tinha dito alguns minutos atrás não fazia nenhum sentido, nenhum.

— Argh! Ele não faz meu tipo. – declarei, tiramos nossos casacos e o penduramos no apoio perto da porta. Renée estava sentada no sofá e tinha sobre suas mãos o que aparentava ser um pote de soverte.

— Vocês estão legais? – fez uma careta após tirar a colher de sua boca. — Ui, isso está gelado. – resmungou.

— Acho que o cupido acertou alguém aqui, Renée. – Rose resmungou tirando suas sandálias e correndo para sentar ao lado de minha mãe, a encarei sem entender o motivo de ela ter dito aquilo, só esperava que não tivesse se referindo a mim.

— Claro que acertou, não é irmã querida? – perguntei sarcástica.

— Que tom de hostilidade é esse, Isabella? – bradou minha mãe.

— Rosalie está com ciúmes, sabe por quê? Apaixonou-se pelo filho do chefe! – contei. Renée levou a mão até a boca e encarou Rosalie que tinha sua face pálida.

— Não era bem eu que estava de papo com ele por todos os lados. – acusou, estreitei meu olhar sobre ela, agora a careta de Renée estava sobre mim.

— Ora, você está com ciúmes porque eu fiz “amizade” com o Cullen! – gritei.

— Eu não tenho ciúmes de você! Por mim... Tanto faz, engula-o! – ela também se exaltou.

— Já disse que ele não faz meu tipo! Ainda preferia ficar com o ruivo com cara de dor!

— Parem com a gritaria agora! – a voz que sobressaiu fora a de Renée, ela me interrompeu antes que eu pudesse concluir minha frase “se bem, que o que mais me atrai é os bolsos” e pelos deuses, ainda bem que ela me interrompeu. — É verdade isso que sua irmã disse Rose? – encarou.

— Pode ser. – ela era orgulhosa, mas do que precisava ser e não admitiria tão facilmente, precisaria de muita pressão psicológica.

— E você por acaso está interessada no rapaz que sua irmã está gostando? – agora o olhar inquisidor fora para mim, ela me olhou atentamente e respirou aliviada quando neguei com a cabeça, acho que Renée enlouqueceria se algo assim acontecesse. — Então está tudo certo Rosalie, sua irmã jamais lhe magoaria, não intencionalmente, não quero mais gritos sobre isso. – pediu suplicante e após voltou a encarar a tevê e degustar seu sorvete. Suspirei fundo e fiz meu caminho para o quarto, tudo que eu realmente queria era tomar um banho e dormir, ainda ouvi Rose comentar com Renée sobre o enterro e tinha certeza que ela contaria sobre seus sentimentos em relação à Emmett, ela só não se abria comigo.

POV Edward Cullen.

Estava sendo dias difíceis, bem difíceis. Tudo que acontecera até agora era de alguma forma uma prova para testar à resistência a dor e eu tinha que confessar a mim mesmo que estava fraquejando, cansando e deixando a dor tomar conta de tudo. Tudo desmoronou há um pouco mais de vinte e quatro horas atrás, meu telefone tocou quando eu estava saindo do banco, tinha ido resolver uns problemas complicados e estressantes sobre a economia da empresa, meu pai já estava bem nervoso com a situação e estava pensando em fundar seu próprio banco, porque alegou que o banco de nossa cidade o estava o roubando, como ele poderia afirmar algo assim? Mal tinha como contar todos os nossos bens em dinheiro, era mais do que os olhos humanos e a inteligência humana conseguiria distinguir e eu, o filho mais velho, ficou encarregado em tirar toda essa quantia da forma mais segura do banco e transferir para o que chamamos de Torre Um, o próprio banco da família Cullen. E eu havia conseguido fazer isso em tempo recorde, três meses e meio, mas quando tinha assinado dos os papeis na tarde do dia anterior, saindo daquele local turbulento e cheio de pessoas fétidas e interesseiras recebi a noticia terrível pelo telefone, ainda posso ouvir os soluços de Alice em minha mente toda vez que fecho os olhos.

“Edward, ele morreu, papai morreu...” a voz dela saia esmagada, e ainda assim era nítido ouvir o que minha irmã caçula dizia. “Tânia... Tânia acabou de ligar avisando, ela está no centro da cidade esperando por você... Edward venha logo.” E assim desligou.

Enquanto o motorista fazia o caminho rápido naquele dia, eu me lembrei de quando era criança e da convivência amorosa com minha família, com Emmett que tinha o sonho de jogar futebol e acabou virando profissional e famoso, em como Alice sonhava em ser estilista e então papai fizera um shopping somente para ela, e de como eu queria apenas desenhar e não pude viver meu sonho, deveria cuidar dos negócios da família, ainda assim... Eu não me importava.

Quando encontrei Tânia, ela estava tão perdida que parecia fora de orbita, eu visualizei quando ela jogou uma jovem ao chão e nem ao menos se ofereceu para ajuda-la, e quando Demitri a arrastou para o carro, visualizei a bela moça de cabelos chocolates e olhos curiosos observarem toda a cena, enfim ela me olhou e parecia assustada, tanto quanto eu estava naquele momento. De alguma forma estranha, além de toda a dor e desespero que eu sentia, aqueles olhos também ficou guardado em alguma parte do meu subconsciente, e como um passe de mágica, eles apareciam em horas improprias.

E hoje, pela manhã eu a vi novamente, ela já não parecia perdida e assustada, o pânico em seus olhos haviam se dissipado e eles apenas brilhavam curiosamente, eu prestei atenção nela em todo tempo, não queria, mas não conseguia parar. Emmett também parecia tão curioso como eu, os dois se encararam por um tempo indeterminado e então ela me percebeu primeiro em Tânia, percebi quando se chocou ao observá-la e depois a mim, eu tinha a absoluta certeza que ela tinha me reconhecido, mesmo tendo apenas visto meus olhos ontem.

— Emm... – limpei a garganta e o chamei, ele estava jogado no sofá e tentava se concentrar num programa besta sobre esportes.

— Fala Edzão. – encarou-me.

— Aquela garota de hoje... – iniciei. — A irmã de Rosalie; está interessado nela? – Emmett riu antes de mexer os lábios para me responder um “não” tão seco que eu achei que fosse mentira, até ele concluir.

— Bella é mais para você. Eu estou interessado mesmo na loira, você não acha Rosalie um espetáculo? E bom, o modo de me aproximar dela é eventualmente me tornar o amigo-mulher de Isabella, não que seja um sacrifício, ela é bem legal até... – não pude deixar de rir, esse era bem o tipo de Emmett, só não sei como ele faria pra se tornar o “amigo-mulher” de Isabella.

— Do que vocês estão falando? – Alice surgiu do nada, era bem o estilo dela, tão pequenina... Podia sempre nos assustar com sua presença.

— Rosalie e Isabella. – Emmett e eu dissemos ao mesmo tempo, Alice arqueou a sobrancelha sem entender.

— Entendi, sobre mulheres... Emmett apaixonado por Rosalie, e você Edward, se interessou por Bella? – os dois me olharam com atenção, então eu prendi a respiração por um tempo indeterminado. — A família Swan abocanhou meus irmãos. – revirou os olhos e sentou-se ao lado de Emmett o abraçando. Eu fui um idiota, deveria ter dito que não... Mas fiquei em silêncio.

— Elas são lindas, Alice. – Emm deu de ombros.

— Rosalie eu conheço a índole, mas essa Isabella? Tenha cuidado Edward. – preocupada Alice bradou.

— Elas são irmãs, devem ter a mesma índole, já que tem o mesmo sangue e bah! – Emmett jogou as mãos para alto em sinal de “tanto faz” Alice ralhou o gesto. Eu ri, os dois sempre brigavam por conta de conflitos sobre opiniões.

— Eu fiquei sabendo que...

— Porque você não cuida da sua vida, hein, Alice? Jasper está sozinho em casa cuidado de Kate, você deveria estar lá com sua família, não é? – Emmett a interrompeu, Alice franziu o cenho, não esperava esse tipo de resposta. — Edward e eu devemos opinar sobre o caráter delas, e não você. – ele se levantou e partiu. Nós sabíamos que tudo era por causa do sofrimento, Emmett tinha um jeito estranho de extravasar suas dores.

— Não liga Al, você sabe que ele está... Urgh, sofrendo. – ela tentou sorrir, mas havia ficado realmente triste com isso.

— Eu já me acostumei sabe? Emmett é sempre assim comigo. – riu sem humor. — Vou pra casa mesmo, Jasper deve estar desesperado com Kate. – jogou um beijo no ar e caminhou em direção à porta.

— O que você ficou sabendo sobre Isabella, Alice? – perguntei antes de ela cruzar a porta da saída.

— Nada demais... Só que ela é adotada, bobagem, viu? – forçou novamente o riso e se foi. Realmente... Isso iria interferir na índole de alguém? A criação que interfere.