Como Conquistar Um Magnata.

15 Capítulo quinze - Port Angeles.


Notas iniciais
Boa noite!! Enfim, sexta-feira e hoje temos post!!!

Capítulo quinze – Port Angeles.

POV EDWARD.

O cheiro era extremamente inebriante. Ervas finas, limão, pimenta e alho. Isabella trouxe o grande pirex com peixes e babatas coradas para a mesa. Minha boca salivou automaticamente, aquilo cheirava bom pra caramba. E o prazer de dizer que eu trouxe o alimento para mesa esta noite me subiu a cabeça. Deixando meu ego nas alturas.

— Pura sorte. — Eu ouvi Emmett desdenhar enquanto Rosalie o servia.

— Invejoso. — Bella o atacou, estirando sua língua para ele. Os dois eram tão... Amigos. Eu ainda sentia ciúme disso. Porque eu não conseguia ser assim com ela.

Eu ouvi Charlie me bajular durante toda a noite. Ele contou como meu irmão foi um fiasco para colocar algumas minhocas no anzol. Ele simplesmente ficou lá com a maior cara de nojo, retorcendo e perguntando se não havia nada artificial.

— Eu disse a ele que as iscas funcionavam melhor se fossem vivas... — Charlie comentou, nos fazendo gargalhar. Emmett ficou verde. Provavelmente lembrando-se das pobres minhocas que ele matou. — O homem ficou com medo de umas minhoquinhas...

— Nosso pai tentou fazer com que ele pescasse... Mas desde criança Emmett ficava apavorado só de pensar nas iscas...

— Vocês dois não vão parar com isso? — Precisou Rosalie defender seu namorado para que o pai contivesse um pouco do riso estrondoso.

— Querida... Pense bem. Esse é o homem com quem deseja se casar? — Era claro o tom de humor em sua pergunta, mas isso deixou minha cunhada totalmente corada.

— Papai! — Ralhou quase sem ar.

— Isso quer dizer que tenho sua benção, chefe Swan? — Eu simplesmente não podia perder aquela oportunidade.

Isabella engasgou-se com o nada. Minha namorada recebeu alguns tapinhas nas costas até que recuperasse o ar, isso fez Emmett rir. Alguém finalmente estava mais constrangido que ele.

— Se essa for à vontade dela... — Ele olhou carinhosamente para sua filha. — Você tem minha benção. — E sorriu para as duas filhas. — Os dois na verdade. Você ainda é o melhor no futebol, filho.

E sim, lá estava ele piscando para Emm o chamando de filho. Meu irmão ficou pomposo e orgulhoso. O maldito conseguia ter uma intimidade com toda a família da minha namorada em tão pouco tempo. Você podia vê-lo bajular Renée levando docinhos de doce de leite quando ia visitar Rose. Você podia vê-lo dar ingressos de futebol na área Vips para o Charlie. Você podia vê-lo chamar a “mãe” das nossas namoradas de “sogrinha” ou mamãe Swan. E o mesmo se aplicava ao Charlie. Ele era o bastardo do filho mais novo e predileto que todos olhavam e dizia “que olhos lindos ele tem. Vai ser um sapeca quando crescer”.

Ciúmes a parte, eu sorri em direção a ela. Deixando que ela suavizasse um pouco da sua expressão nervosa. Eu tinha a bênção do papai Swan. Eu tinha a bênção! Mas e ela? Ela queria se casar comigo?

(...)

A pista de dança estava cheia de pessoas por todos os lados. Emmett cutucou meu ombro apontando a primeira área reservada que ele achou. Nós deixamos nossas pulseiras Vips à mostra e fomos para o quadrado especial. As meninas correram para a mesa de drinks e alguns petiscos, enquanto eu e Emmett observávamos as pessoas movimentando seus corpos no embalo da batida eletrônica. Bella encontrou uma brecha entre nós, oferecendo-me um pouco do seu champanhe, que automaticamente neguei.

— Eu não tenho muita certeza se você estará apta para revezar no volante comigo na volta para casa. — Sussurrei em seu ouvido, mordiscando de leve e depositando um beijo carinhoso. Ela soltou uma risadinha animada.

— Emmett ou Rose podem fazer isso... — Propôs. Bebeu mais do seu champanhe. — Ou não... Você ainda não viu minha irmã quando bebe.

— E você simplesmente não imagina como aquele ser de outro planeta fica quando está bêbado.

Sim. Ela nunca tinha visto. E foi por volta das três e dezenove da manhã que eu vi os efeitos de álcool na minha cunhadinha. Rosalie estava em cima da mesa do nosso bar reservado. Ela dançava alguma música nova no ritmo de Britney Spears, enquanto Emmett a incentivava batendo palmas, e sim, ela ameaçava a subir um pouco da saia minúscula que estava vestindo. Bella estava junto com o idiota do meu irmão, batendo palma e dançando, também incentivando a loucura da irmã. Ela estava mais do que alterada, não tão bêbada quanto Rosalie, é claro.

Eu segurei em suas pernas, enquanto Rose subia um pouco mais sua saia. Ela me olhou e gargalhou. Caiu na risada, ouvi algum muxoxo vindo de Emmett, principalmente quando desci sua namorada da mesa.

— A deixe dançar, Eddie! — Meu irmão gemeu frustrado.

Eu preferia que Rosalie continuasse na mesa. Porque no minuto seguinte ela avançou para o meu irmão, como algum animal selvagem e agarrou-se em seus lábios, beijando exageradamente, subindo suas pernas até alcançar a cintura de Emmett. Bella ficou estática olhando os dois como se fosse uma cena de filme erótico.

Nós precisávamos ir para casar. Urgente.

— Você precisa ficar sóbria. — Eu gritei com Isabella, puxando-a para meus braços. Tentando tirar suas mãos do meu pescoço e alcançando uma garrafinha de água e algum palitinho com queijo e presunto.

— Por que você está tãããããão chato? — Alongou a voz, passando a língua pelos meus lábios. Eu senti o gosto doce de seu champanhe. — Você é tãããããão sexy sendo chato... Por que você não quer beber, Edzinho?

Sua voz de bêbada estava saindo cantada. Ela gargalhou cuspindo a água quando enfiei a garrafa em sua boca.

— Por favor, amor... Beba só um pouquinho e coma. — Ela negou energicamente.

— Eu quero beijar você... Por que você não quer me beijar? Você não me ama mais? Você tem outra? É a vaca da Kate, não é? — Insegurança. Bella estava sendo insegura? Eu ri do tamanho do bico que formou em seus lábios. — Ela ligou para você! É claro que vocês estão juntos...

E me empurrou com força, mas não tinha força alguma. Ela cambaleou e eu a segurei antes que caísse no chão. A firmei colada em meu corpo, deixando a água e sua comida sob a mesa. Passei minha mão no seu rosto, ainda rindo, ela desviou o olhar. Totalmente ciumenta... Meu coração acelerou! Ciúmes!

— Kate é passado; amor. — Eu disse alto. Ela não voltou a me olhar. — Você sabe que eu só tenho olhos para você...

Deus.

Eu menti. Eu desviei os olhos dela encarando Emmett e Rose, quando Emm havia tirado a blusa de seda que Rose vestia. Céus. As luzes monocromáticas paralisando neles por alguns segundos, até sumirem e a escuridão voltar. Mas eu conseguia enxergar o sutiã de branco de Rose, que com a luz negra ficou neon.

— O que foi? — Ela olhou pra trás rapidamente e caiu na gargalhada. Se eu não os impedisse, eles iriam transar ali. Bem na nossa frente.

— Por favor, você precisa ficar sóbria, amor. Por favor. — Eu lhe dei a garrafa de água novamente, dessa vez ela aceitou. Corri para Emm e Rose.

Foi difícil separá-los. Meu irmão quis entrar numa briga comigo, enquanto eu olhava para todos os lados a procura de algum segurança. Era só o que me faltava ser manchete de jornal. Éramos ambos famosos e influentes. Como Emmett simplesmente deixava um descontrole assim acontecer?

— Qual é a sua, merda? — Ele rosnou.

— Você não percebeu a onde está? — Eu não queria. Mas joguei a blusa de Rose nela, que por alguns segundos teve um brilho de consciência antes de cair na gargalhada.

Foi por volta das quatro e meia que estávamos saindo. Rosalie de sutiã com o casaco de Emmett, que cobriu todo seu corpo. Ele segurando sua blusa e ambos sorriram para as câmeras como se disso dependessem suas vidas. Isabella estava praticamente deitada no meu ombro, meio inconsciente, sendo arrastada por mim, enquanto eu protegia seu rosto das lentes do mal. Agradeci mentalmente por não ter bebido absolutamente uma gota de álcool, principalmente quando fomos parados por uma viatura policial cerca de três metros depois da boate.

A essa altura estavam todos dormindo, Bella que estava enrolada no cinto de segurança ressonou baixinho, mas se quer notou que havíamos parado. O policial iluminou o carro com uma pequena lanterna, antes de enfiar alguma luz incandescente nos meus olhos. Maldito seja!

— Estão vindo da Victoria’s? — Eu assenti sem paciência. — Ok. Documento e habilitação, por favor.

Ele demorou longos minutos analisando o documento do carro e minha carteira de motorista. Após me devolver eu ouvi o barulho de um lacre sendo desfeito e sim, eles estavam preparando o bafômetro. Eu só queria gritar que estava cansado, com três bêbados que me deram muito trabalho esta noite e com uma gatinha manhosa deitada do meu lado, toda desconfortável, que tinha dito muitas palavras obscenas de como ela me satisfaria hoje na cama. Mas ao invés disso eu assoprei na engenhoca, provando que não havia uma gota de álcool no meu organismo.

— Eles estão bem? — O policial não satisfeito resmungou.

— Só dormindo... Só o motorista precisa ficar sóbrio. — O observei assentir. — Posso ir?

— Sim. Dirija com cuidado.

— Bom dia, senhor.

E voltei a dirigir. Quando eu estacionei em frente à casa de Bella, o céu ainda estava muito escuro. Devido as fortes nuvens negras. Essa era a parte mais chuvosa do estado. E eles pareciam gostar daqui. Toda a família, menos Bella.

— Emmett! — Eu cutuquei sua perna, ele resmungou, virando-se para o lado, aninhando-se ainda mais perto de Rosalie. Eu pensei o que o chefe Swan diria se visse seu genro preferido em quase coma alcoolico. — Porra Emmett! Eu falei pra você não beber assim.

— Caralho Edward! Me deixa dormir... — Ele disparou grogue.

— Não. Você precisa acordar e carregar sua namorada para o quarto. Eu tenho a ligeira impressão que ela está desmaiada ao seu lado.

Emmett mexeu os ombros, forçando seus olhos a abrirem. Estavam mais vermelhos que nunca. Ele era um fraco para bebidas e sempre estava bêbado nos finais de semana e eu soube que ele não conseguiria nem andar, tão pouco levar Rose.

— Você é um bastardo cretino. — Atirei em sua direção. Emmett jogou a cabeça com força no encosto do carro. — Simplesmente bebeu e esqueceu que amanhã ela vai estar ridicularmente de ressaca? — Sussurrei porque Rose se mexeu.

— Eu não pensei que fosse beber tanto...

— Você nunca pensa. — Suspirei. Ele também. — Agora espere aí. Eu vou deixar Bella no quarto e depois volto para te ajudar. Por favor, Emmett, não durma.

Ele não disse uma palavra. Voltei para o banco da frente, abrindo a porta do lado de Bella, tirando seu cinto de segurança. Ela aninhou sua mão no meu pescoço, facilitando para que eu a pegasse no colo. Seu rosto ficou próximo do meu e ela passou a língua na minha orelha.

— Baby... — Ronronou me arrepiando — Pra onde estamos indo?

— Para o quarto, amor... Durma... — Ela fechou os olhos e deixou seu rosto cair sob o meu. Subi as escadas no maior silêncio, abrindo a porta do seu quarto com certa dificuldade. Bella hesitou em me soltar quando a deitei na cama, ela abriu seus olhos profundamente caramelos e sorriu um sorriso de bêbada de tirar o folego.

— Eu acho que você deveria casar comigo. — E seu sorriso estava lá novamente, no final da sua frase. Deixando-me em pânico. — Ai meu Deus, eu estou tão bêbada...

E depois dessa frase ela me soltou e se aninhou na cama, fechando os olhos e dormindo instantaneamente.

(...)

Não havia franquias do McDonald’s por perto. E meu kit contra ressaca estava ali, enquanto Renée servia a todos com macarrão instantâneo com bastante caldo. Meu irmão revirou os olhos e tomou um gole da sua Coca-Cola. Rosalie parecia vomitar a qualquer momento. E Bella, bom... Ela estava sentindo tanta dor que nem tirou os óculos escuro do rosto.

— Isso cheira tão bom... — Eu ri sarcasticamente, provando o bolo de batata e camarão de Renée. Eram só os bêbados que tomavam sopa, os que resistiam bravamente comiam comida de verdade.

— Você quer mais, querido? — Ela ofereceu docemente.

— Mais um pouco, por favor, mamãe Swan. — E lá estava eu, usando o apelido do meu irmão, ela sorriu felizmente, me servindo de mais um pedaço de bolo de batata. Meu irmão revirou os olhos.

— Por que só caldo faz essa merda que eu sinto melhorar? — Ele cuspiu as palavras. Esse era o nosso kit ressaca.

1 macarrão instantâneo.

2 aspirina.

3 muita água.

4 Coca-Cola.

5 Banho quente.

No final do dia eu tinha certeza que eles estariam melhores.

Charlie me ensinou a destravar sua arma de chumbinho. Estávamos no quintal e ele queria me ensinar a atirar antes de irmos para casa. Eu estava animado com isso, porque era o meu momento com o meu sogro, e o babaca do meu irmão estava tão mal que não conseguia ficar 5 minutos longe do banheiro.

— Certo, apoie-se na bancada e mire. — Eu fiz o que ele falou — Não tire a arma daqui. Aconteça o que acontecer. Você vai sentir uma pressão assim que pressionar o gatilho. Então segure seu corpo. Não deixei que a arma o controle.

— Sim senhor. — Respondi rapidamente.

— Certo, filho. Seu alvo é a garrafa! Acabe com ela! — Filho... Aquela palavra me fez sorrir como um idiota.

Foi automático. Eu nunca tinha aproveitado momentos assim com meu pai. Ele estava mais preocupado em me tonar um gênio administrativo. Ele levava Alice para aulas de equitação e Emmett para futebol. Enquanto eu era levado para cursos de verão intensivo e aulas extras de matemática. Eu era o que nunca brincava. E eu era o filho mais novo.

Eu afastei os pensamentos, fechei um olho, mirando a arma. Destravei, me preparei para o impacto e acertei o gatilho. Em questão de segundos a garrafa estava no chão e Charlie vibrou.

— Você tem certeza que nunca atirou? — Fiz que sim com a cabeça, deixando-o ainda mais orgulhoso. — Certo! Nós vamos voltar no final de semana que vem, querida! — Ele gritou para Bella, que da varanda assentiu. — Você precisa ir caçar comigo. Eu levava a Bells, ela é ótima, mas chorou sem parar quando viu que tinha matado um pobre gambá inocente.

Eu não consegui segurar o riso. Era tão fofo!

— Imagino... Rosalie não se interessou pela caça?

— Ela é péssima nisso. — Ele sussurrou. — Ei, Emmett! Quer vir tentar? — Vi meu irmão acenar que não e nós rimos. — Ele está péssimo. E com certeza não sabe fazer nada além que chutar uma bola em campo.

— Ele é bom de mira com os pés. — Eu disse, observando Charlie colocar mais uma garrafa do outro lado do quintal. Essa estava mais distante. Ele voltou a se posicionar do meu lado, me incentivando.

— Vamos lá, você consegue garoto.

Eu me concentrei ao máximo, mirando novamente. Destravei e então puxei o gatilho, e voilà! A garrafa estava no chão. Olhei para a varanda, Bella aplaudiu, orgulhosa.

— Filho, você é mesmo bom nisso! — Eu sorri para ele lhe entregando a arma.

— Chefe Swan... — Ele me olhou com atenção. — Eu... Estive pensando em uma coisa.

— Pode dizer rapaz. — Eu assenti, um pouco tenso. Encarei Bella novamente, que agora falava alguma coisa com Emmett. Os dois deitados em espreguiçadeiras descansando a bebedeira.

— Eu... Estive pensando. E eu queria que soubesse que amo sua filha. Desesperadamente. — Charlie me olhou com atenção, mas não disse nada — E nada me faria mais feliz do que viver o resto da minha vida ao lado dela...

— Deixe-me ver... Você está pensando em propor...? — Assenti. Ele respirou fundo. — Eu sempre pensei que seu irmão fosse o primeiro a fazer isso.

— Eu também. — Fui sincero.

— Você não acha um pouco cedo? — Ponderei. É claro que era... Mas aquilo parecia tão certo. Eu não conseguia esperar por muito tempo. — Certo. Eu demorei vinte e oito dias para perceber que não viria sem Renée. Eu levei três anos para casar com a mãe de Rosalie. Deu o que deu. Acabou em separação.

— Me desculpe perguntar, mas o que levou o fim do seu relacionamento com a mãe de Rose? — Charlie riu, colocando a mão no meu ombro.

— Filho. Quando você está ao lado de uma mulher, precisa sentir seu coração batendo forte por 24hs por dia. Você precisa fechar os olhos e mentalizar viver sem ela. Se isso lhe doer, se ficar sem ela for o pior, então é essa a mulher que você deve estar. Quando pensar em viver sem Elizabeth passou a ser uma coisa normal, eu percebi que não era assim que eu seria feliz.

Eu fechei os olhos, pensei em Bella. Pensei em não tê-la mais. Visualizei-a distante, casada com outra pessoa. Tendo os filhos de outra pessoa. Sorrindo para outra pessoa. Beijando outra pessoa... E não consegui mais pensar em nada. Abri os olhos e busquei por ar. Era como se alguém tivesse cravando uma faca no meu peito. Era dor demais.

— Eu não me imagino sem ela. — Disse por fim, fazendo-o sorrir feliz.

— Então proponha. Você nunca encontrará alguém no mundo melhor que ela.