Commit Me Already
1 O dia em que o conhecí...
Notas iniciais
Meu nome é Eliza Cuts, e como todos sabem fui noiva de Gerard Way por cinco anos.E é sobre isso que vou escrever agora.
Resolví contar algumas lembranças que me marcaram e que com certeza marcaram Gerard também.E não é com a intenção de ficar famosa, ou de tirar qualquer proveito próprio que a escrevo, como muitos podem pensar e sim com o objetivo de desabafar e desmentir muitas barbaridades ditas a respeito de mim.
A começar pelo dia em que o conhecí.Ah sim...esse dia foi incomum.
Era o primeiro festival em que o My Chemical Romance participava e eu fui contratada para arrumar o cabelo dos integrantes da banda.Eles ainda não eram famosos, mas eu já era fã desde essa época.Eu ainda me lembro com detalhes o quanto fiquei ansiosa para vê-los.
Cheguei antes deles no camarim para verificar se estava tudo certo. Como estava sozinha, liguei o som e coloquei meu cd do Judas Priest para descontrair. Quando olhei no espelho, notei o cabide de roupas ao fundo e notei uma camiseta do Iron Maiden igual a minha, só que masculina. Aposto que é do guitarrista.
_ Iaí, gostou? Achei que pode dar sorte me apresentar usando a camiseta deles — seu sorriso iluminou a sala.
Mesmo com seu jeito brincalhão, fiquei toda encabulada por ele me ter visto mexendo nas roupas. Deve achar que sou uma maníaca.
_ Oi, eu sou a Eliza.
_ Prazer, Gerard. É aqui que eu deveria estar?
_ Sim, é aqui mesmo. Sou a cabeleireira e maquiagista. Desculpe pelo som, vou desligar...
_ Não! Não precisa. Adoro Judas Priest.
_ Então, vamos começar...
Ele se sentou e comecei a trabalhar finalmente. Não conversamos até sua saída, quando trocamos apenas tímidos 'tchaus'. Depois disso os outros integrantes da banda entraram e eu fiquei mais tranquila, deu até pra 'bater um papo' com Mikey.
Assisti ao show da banda num camarote, já que eu trabalhava pra eles e recebia cortesias. Gostava do som deles e achava Gerard 'simpático', mas fora isso não pensava muito a respeito dele. Ainda.
Após o show, fui para o camarim e encontrei toda a equipe reunida, preocupada com o sumiço de Gerard. Não liguei muito para o assunto, afinal, em nada eu poderia ajudar. Então saí pelos fundos para fumar um cigarro na sacada quando o vi.
Ele estava debruçado sobre o lixo, vomitando as tripas.Tenho que admitir que ele estava em seu pior momento. Parecia um típico vocalista fracassado: bêbado, suado, descabelado e vomitando. É, nada convidativo. Mas nem por isso deixei de ajudar, afinal, ele tinha sido bem simpático comigo naquela tarde. Então me aproximei e perguntei:
_ Você está bem? — É claro que não.
_ Não, não estou.
_ E eu posso te ajudar em alguma coisa?
_ Ninguém pode me ajudar, eu sou um derrotado. Estou jogando tudo pro alto para virar um mendigo, nojento e detestável.
_ Ei, não fale assim, você só ficará assim se você quiser. Se esse não for o caso, levante-se daí.
Ele me olhou pensativo, e eu estendi minha mão à ele. Levantou-se com dificuldade e pegou o lenço que eu ofereci.
_ Obrigado.
_ Espero que esteja melhor da próxima vez que nos virmos.
_ Eu também."
E assim fui para casa. Fiquei pensando naquele momento bizarro a noite inteira, o que me deu um belo par de olheiras.
Não foi exatamente um início digno de conto de fadas e muito menos um contato muito atrativo. No início, o via exclusivamente como um amigo. Um amigo que precisava de mim.
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