Commit Me Already
23 No limite
O quarto estava simplesmente destruído. Estava tudo revirado, quebrado e jogado no chão inclusive a caixa de força, de modo que estava escuro. Eu parecia ter saído dum filme de terror: vestido sujo, maquiagem preta borrada e pensteado desmanchado. Mas não era a única.
Me afastei lentamente da porta amedrontada com a cena, já sabendo quem causou o alvoroço.
_ Ok, agora você pode entrar.
Entrei devagar e o localizei sentado no chão, de costas para a parede. O clima estava pesado. Depois de refletir e chorar, meu humor estava totalemte neutro. Já não me preocupava mais o que ele pudesse fazer. Não tinha nada a perder. Caminhei em sua direção, parando de frente para ele, em pé sem olhar para ele e sem dizer nada.
Ele deu palmadinhas no chão, como que me convidando para sentar, mas não olhou para mim. Eu continuei em pé. Queria testá-lo, ver seu limite. Então ele se levantou impaciente e ficou frente a frente comigo. Me olhou de cima a baixo.
Ele pegou o caderno de desenhos que escondia na gaveta da cômoda, pegou um lápis, se sentou no chão e começou a escrever coisas.
_ Está vendo essa faca? — me mostrou e a posicionou no meu pescoço — Eu pensei em usá-la de várias maneiras, sabia? — e então começou a rir, a deixando cair no chão.
Fechou a porta, trancou e jogou a chave pela janela. Agora ele dava gargalhadas, descontroladamente. Eu estava encostada no batente da porta do banheiro, rendida. Se ele quisesse me matar naquele momento, eu entregaria a faca. Já não me importaria mais.
Ele veio em minha direção, puxou meu cabelo de modo a inclinar minha cabeça para direita, e beijou meu pescoço. Foi então que eu perdi a paciência com toda aquela bizarrice e o empurrei para a cama. Posicionada 'de quatro' em cima dele, o encarei e ele parou imediatamente. Se você quer me assustar meu bem, faça isso direito. Ele me olhava com os olhos arregalados, assustado com a atitude inesperada. Então eu comecei a beijar-lhe de modo selvagem, como um tigre comendo uma gazela. Pensei rápido naquele momento. Usei o lençol que estava sem em cima da cama e amarrei seus punhos junto a cabeceira da cama. Então pude sair de cima dele e ligar para o terapeuta.
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