Abri os olhos e estava tudo branco. Não, eu não estava louca dessa vez. Estava num hospital.

Deitada no leito sozinha, a primeira coisa que pensei foi 'onde ele está?'. E então me veio um flashback na mente e me preocupei ainda mais: Gerard estava em meio a uma crise e isso só poderia piorar as coisas. Como já disse, ele era capaz de tudo.

Presa na encubadora, chamei pelo médico.

_ Por favor, você pode me dizer o que aconteceu comigo?

_ Você sofreu alguns cortes, uns profundos outros não. Não deveria brincar com vidros, moçinha... — Haha, sem graça.

_ Bom, na verdade te chamei para saber se posso ligar para meu noivo.

_ Está falando do rapaz que dorme aqui sempre?

A partir daí não ouvi mais nada. Ele era inacreditável mesmo. Não poderia pensar que ele teria uma reação dessas depois do que aconteceu.

Depois da notícia, contei os minutos até o horário de visita noturna. Senti um arrepio logo que percebi ele chegando. Ele falou algo com o médico do lado de fora, mas não pude ouvir. Então fechei os olhos e finji que estava dormindo.

Senti sua respiração pairando pelo meu rosto e suas mãos tocaram as minhas. Não aguentei a emoção e deixei uma lágrima escorrer.

Abri os olhos e sorri como quem pede perdão.

_ Gerard, desculpa. Não peço seu perdão, mas sim sua piedade. A verdade é que eu te amo. — E desabei em lágrimas.

_ Eu também. — Ele não conseguiu segurar e chorou discretamente. Abaixou-se e me deu um 'selinho' — Nossa Liz, você é tão megera que não consigo mais viver sem você! Sinceramente você merecia apanhar, mas nem pra te bater eu sirvo! — E sorrimos.

Conversamos sobre a turnê e ele confessou que estava péssimo por sua própria culpa. Ele bebia demais o tempo todo e isso o deixou com depressão profunda. Chegou ao ponto de não sentir nem mais vontade de tomar banho. Por isso voltou.

Eu me senti culpada por não ajudá-lo, principalmente porque eu não sabia. Por fim só o ajudei a piorar com essa história toda. Eu me desculpei novamente pelo meu erro, mesmo sabendo que era imperdoável. Mas não queria falar sobre isso. Então prometemos:

_ Eu prometo que não vou mais beber e que tentarei dar o meu melhor por nós dois.

_ Você tem certeza, Sr. Gerard Arthur Way?

_ Claro.

_ E eu prometo que o amarei eternamente e que vou tentar não te decepcionar de novo — Ele sorriu daquele jeito.

_ Então vamos embora desse lugar horrível

Aproveitamos que o médico não estava lá e fomos embora correndo. Com aquela camisola patética e tudo! Só risadas.

Chegamos em casa e pulamos na cama. Parecíamos duas crianças. Ao caírmos nos olhamos e ele disse " Agora sim é que eu vou te matar".