Comme Les Fleurs
2 Hora De Voltar Para Casa, Caterine
Logo que ele saiu do quarto eu fui em direção ao banheiro, precisava de um banho antes de ir para casa. Não percebi o tempo passar pois, quando me dei conta, ele estava batendo na porta do banheiro. Não sei o que aconteceu, só sei que quando dei por mim estava no chão. Bati minha mão no trilho do Box, cortando profundamente minha mão, deixando uma poça de sangue crescer em minha volta. Quando vi o sangue, me assustei, apesar de sentir minha mão doer, não sabia de onde o sangue vinha. Gritei alto, acho que ele também se assustou, porque entrou correndo no banheiro para ver o que havia acontecido; acho que corei quando o vi dentro do banheiro, já que eu estava completamente nua na frente dele, ele também ficou um pouco vermelho...Mas, afinal, ele era um médico!Ele agachou em meu lado, sua expressão era do mais puro susto, e perguntou se eu estava bem. Concordei com a cabeça e falei se poderia me entregar a toalha, ele pegou a toalha ao lado da porta e me entregou. Voltou a ficar de pé e ficou de costas, esperando eu levantar.
Levantei rapidamente e senti minha pernas bambas, creio que se ele não estivesse lá, eu teria caído de novo. Ele me pegou no colo e fui levada para o quarto, sendo colocada na cama. O doutor enrolou uma tolha de rosto que estava no banheiro em minha mão para que o sangue cessasse , logo em seguida saiu do quarto e pediu para que uma enfermeira ajudar a me trocar. Um tempo depois, ele voltou para dar os pontos em minha mão, levei 4 pontos,e me aplicou a vitamina. Disse que não poderia demorar muito porque deveria ir até a emergência, resolver uns problemas e que demoraria alguns minutos para voltar... Ele estava atrasado. Já havia se passado uma hora do tempo estimado, eu estava praticamente dormindo na cama esperando-o. Quando meus olhos estavam girando em órbitas com o meu “levíssimo sono”, ele entra apressado, olhando para o relógio de pulso e depois para mim, sorrindo alegremente. Ele estava lindo! Usava uma calça jeans e uma camisa preta, seus longos cabelos negros estavam soltos, com alguns fios caídos em seu rosto. — Me desculpe o atraso, eu tive um imprevisto. – disse arrumando a manga de sua camisa que estava torta. — Tá certo, eu te perdôo. – indaguei brincando, sorrindo com a situação que ele se encontrava: calça jeans bagunçada e com o zíper aberto, o seu tênis adidas, que estava todo surrado, com o cadarço para ser amarrado e sua camisa toda torta. - Me dá só um segundinho para eu me arrumar direito? – ele perguntou fazendo um sinal com o indicador, como se pedisse alguma coisa para alguém. — À vontade... – disse. Ele foi até o espelho do banheiro e se arrumou como devia. Pelo menos para ele... - Pronto! – voltava andando calmamente em minha direção.- Só um detalhe. – apontei para o ziper aberto de sua calça. - O quê? – ele olhou o meu dedo e a direção onde eu apontava – Ah, Opa! – fechou o ziper rapidamente, quase fechando com o dedo junto. – Vamos então? – disse distraído, se divertindo também com a sua própria situação. - Aham. Ele saiu do quarto voltando rapidamente com uma cadeira de rodas. Eu ainda estava fraca e ele achou melhor usar a cadeira. Nós estávamos na recepção para preencher alguns documentos da minha alta no hospital. Enquanto eu preenchia os documentos que estavam apoiados em um prancheta, vi um homem vir em nossa direção. Ele era alto, magro, usava óculos, tinha os cabelos castanhos bem curtos e usava muito gel. Ele parou e eu percebi que Gerard havia ido em sua direção, notei que eles haviam se abraçado fortemente...Quando vi a cena, confesso que pensei que eles eram namorados. Eles vieram em minha direção e foi então que Gerard o apresentou: — Cat, esse é meu irmão, Michael. – apresentou-me alegremente. Deixei a prancheta no balcão e fui levada por Gerard para mais perto de seu irmão. Confesso que fiquei um pouco envergonhada por ter pensado que eles eram namorados... — Prazer, Caterine Jordan. — Bom Cat, vou deixar vocês rapidinho e já volto. Vou assinar sua alta. (queria lembrar desde quando ele me chamava de Cat...) Ele foi a recepção e me deixou com Michael. - Você é paciente do meu irmão? – perguntou ele. — Sim. Eu não pensei que o Senhor fosse irmão do Doutor Arthur. – eu e a minha mania de chamar todo mundo de “senhor”! — Senhor? Pode me chamar de você ou de Mikey. — Tá bom, Mikey. Gerard estava de volta e logo em seguida fomos embora. O hospital era perto do serviço de Mikey e sempre que possível ele ia até lá para pegar carona com o irmão, pois eles moravam juntos. Mikey sentou no banco do passageiro e Gerard dirigia.Chegaram em minha casa em 15 minutos, com a minha fraqueza, dormi no banco traseiro e não percebi nem o lugar onde estávamos indo. — Pronto. Chegamos na sua casa. – Gerard pára o carro e olha para o banco traseiro onde eu estava deitada ainda sonolenta.
— Mas... Como você soube onde eu morava se não falei nem o endereço? – olhei para ele ainda sonolenta, mas com uma expressão visível de susto. Ele sorri e olha para o irmão em busca de alguma ajuda moral. Mikey olha para ele e sorri também, depois olha para mim: — Meu irmão viu o seu documento enquanto assinava sua alta na recepção. – Mikey devolve meus documentos ainda sorrindo, só que desta vez com um meio sorriso nos lábios. – Vê se não esquece seus documentos de identificação em outros lugares, senão você vai perder em um piscar de olhos! Fiquei ruborizada por alguns segundos, percebi quando senti meu rosto super quente, depois fiz um sinal afirmativo com a cabeça. “Que cabeça a minha!”, pensei, “Só não esquece a própria porque está colada... Eu sabia que era distraída, mas não tanto!” — Bem – Gerard quebrou aquele clima (obrigada, já não suportava mais aquele clima chato. Minha vergonha já estava voltando...) – Eu vou precisar te ajudar a levantar, você ainda está fraca, e também preciso falar com alguma pessoa que mora com você para indicar os medicamentos que terá que lhe dar nesses dias de repouso. — Tá certo. A Anne deve estar aqui hoje...presumo... – eu dizia receosa enquanto o Doutor, com a ajuda do irmão, me carregava no colo para colocar-me em uma cadeira de rodas (odiava andar naquela budega, mas até que era divertido em alguns momentos. Sempre tive vontade de atacar alguém, correndo com aquela cadeira atrás da pessoa e com uma vara na mão tentando bater na cabeça dessa mesma pessoa.Mas mesmo assim odiava andar naquilo!) Mikey me levava na cadeira de rodas e Gerard andava logo a frente, parando na porta de minha casa e tocando a campanhia...mas nada aconteceu. Mikey me parou ao lado de Gerard que ainda esperava algum sinal de fumaça de alguém lá de dentro. — Acho que não tem ninguém – Gerard disse olhando para mim e depois para o irmão – Devemos esperar até alguém aparecer na porta...-ele disse olhando para Mikey. — Ué? Eu não disse nada! Por mim podemos morar aqui! – retrucou Mikey sem entender (muito menos eu...) — Ei! Não fala assim comigo, cara! Olha que eu te dou uma colher de chá por te dar carona todo dia... - E quem disse que eu preciso de vo... Eu não liguei deles estarem brigando, levantei bem devagar da cadeira, por eles estarem tão “interessados” em uma briga infantil, não notaram os meus movimentos, peguei a chave que estava na minha bolsa e abri a porta. - Ei, Cat! Você não pode levantar – O Doutor repara que eu estava levantando-me e deixa o irmão falando sozinho para tentar me impedir de levantar. Não liguei quando ele me segurou pelo braço , me acompanhando ao meu lado. Mas depois parou na porta do hall, esperando a minha permissão para entrar. Realmente não reparei que ele tinha feito isso, a minha distração era enorme mesmo! Nunca pensei que seria tratada daquela maneira por um Homem, já que ele era bem mais velho do que eu... A gentileza dele era enorme, não querendo dizer que o irmão dele não seja também, mas ele era um homem que, ao meu ver, sensível. Isso não quer dizer que ele seja gay! Longe de mim! Ele não tinha nenhum temperamento de um gay, nem biba, ou quando alguém olhasse e diria, igual a um cara de um programa brasileiro, “isso é uma bichona!”, realmente ele não tinha nada disso...ele era um Homem! Um verdadeiro homem... Coloquei minha chave no balcãozinho do hall de entrada e vi um bilhete endereçado a mim. Ele dizia o seguinte: “Caterine,sai com o Jorge....Volto daqui 4 dias. Anne.” — Ela não disse nem como eu estava... – sussurrei triste. Gerard percebeu, mas mesmo assim não entrou em casa. Mikey o empurrou com força para dentro da casa, ele olhou para o irmão com uma expressão de reprovação e, Mikey olhando para outro lugar fingindo que ele não tinha feito nada e que aquele olhar não era para ele, entra tímido para o interior da casa, parando ao meu lado novamente. — O que dizia o bilhete? – ele olhou para o bilhete e depois para mim.
— Ah! Nada, nada – tentei fingir um sorriso, baixando o bilhete para que ele não observasse o que estava escrito e depois coloquei o bilhete embaixo de um vaso que estava em cima do balcão.
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