Comedora de Doces
3 Limites, e mais limites
Notas iniciais
Sim...Tudo na vida tem limites, até morrer tem limite! Tudo que se diz matéria tem um limite! Para mim, o céu é o limite, ou até qualquer coisa que vier, nada é infinito! Para alguns olhos e para outros, sempre há um limite, dizem os cientistas que o universo é infinito, dizem isso, por que não conhecem o que tem fora desse pequeno "mundinho" que vivemos, presos aqui, por causa do limite! O limite, que é tanto o oxigênio, quanto a nossa burrice, que não nos permite usar 100% do cérebro. Por que temos que ser tão limitados? Por que não poderíamos ser infinitos, ter vidas e chances infinitas? Por que a vida não nos proporciona o ilimitado?...Sabe, até hoje não tenho respostas para essas perguntas que sempre me faço, quando penso " e se isso", " e se aquilo"...Sempre esses pensamentos que me deixam chateada por ainda estar viva, ou por ter morrido de mágoa! Mais isso não vem ao caso...Dia 12 de janeiro...Foi o dia em que o mundo parou para mim!...O dia em que pensei que nunca mais veria o sol se pôr, o dia em que pensei que nunca mais veria o brilho da lua, veria as estrelas, e o mar, batendo na areia...O dia em que tudo, que eu construi, simplesmente desabou sobre a minha cabeça, mais por que não ser mais direta?...Naquele dia, inverno, todos aquecidos, usando seus cachecóis, na frente da lareira quente, usando vários casacos, tomando chocolate quente, com chantilly...Mais não para mim! O inverno, para mim, não é o quente e o frio se misturando aleatoriamente, naquele inverno foi diferente! Naquele inverno eu só senti frio, e medo!...Estava dentro de uma cabana de madeira, trancada em um lugar que nem sabia o que era...Com minhas mãos amarrotadas com uma corda presa com correntes e sendo maltratada, sem se lembrar do dia de ontem, nem do que provavelmente eu deveria me importar...Pensava apenas nas pessoas que eu amava, nos meus amigos...Na minha família...Que no entanto não estava ali...O que tinha ali era horror, os capangas mandados por alguém (Desconhecido até agora) todo dia me machucavam com aqueles chicotes que estalavam quando encostavam na minha pele...Nada mais restava para mim, a família que eu amava, não estava mais ali, os amigos que eu conquistei, já não estavam ali também, eu estava completamente sozinha...Foi ai...Que eu vi algo que eu não sabia até agora o que era, que eu nunca senti...Escutei ruídos vindo na minha frente, alguém arrombara a porta naquele momento, eu via tudo borrado, estava 7 dias sem comer e nem beber nada...Nem sei como ainda estava viva, via um garoto, não conseguia identificar nada nele, acho que nunca vi ele na vida, logo depois eu não via mais nada, só um borrão enorme, quando ele me pega nos braços e via o rosto dele a centímetros do meu, e depois...Nada mais era vida!...
– PARE O CARRO — Eu gritava para Stela, que parava com tanta violência, fazendo nossos corpos irem para frente e depois para trás automaticamente, eu abria a porta do carro com força e ando em direção a John sem dizer uma palavra, a raiva borbulhava em meu sangue, ele se virava para mim sem expressão no rosto, não podia ler os seus olhos como sempre brincava em fazer, nada nele tinha pistas para me mostrar arrependimento ou algo do tipo -
– Joe — Ele falava meu nome, com o rosto sério, nenhum arrependimento na voz, ele não estava me chamando nem nada, conseguia ver que o tom de voz dele, só estaria "contemplando" meu nome, só estaria repetindo ele sem nenhum compromisso...Eu quase não conseguia respirar, enquanto prendia a vontade de chorar naquele momento tão irritante! — O que você quer? — Ele diz olhando bem no fundo de meus olhos -
– O QUE EU QUERO? — Digo gritando para não chorar, mais a minha voz quase não saia, e eu via as lágrimas escorrerem, e eu as enxugo o mais rápido que posso -
– Joe...Eu...- Dessa vez seu rosto demonstrava expressão, diferente de segundos atrás, que ele não parecia ele! Parecia estar fora de si!...Ele parecia estar sendo manipulado, simplesmente por que seus olhos não continham brilho a segundos atrás, ele parecia tão assustado, e deprimido, eu podia ver em seus olhos dessa vez -
– Por que...Por que John? — Digo sem entender nada -
– Você jamais entenderia Joe!...- Diz ele sem olhar para mim -
– QUE VOCÊ É UM CAFAJESTE? É ISSO? — Digo quase surtando -...Eu achava que...Você era diferente! SEMPRE ACHEI! Desde que éramos pequenas crianças, desde o primeiro dia que falei com você! E sabe muito bem que isso foi no primário! — Eu estava prestes a dar as costas a ele, e ir embora, chorar no meu travesseiro...E ele corre até mim e me abraça fortemente, percebo que ele estava chorando!...Sim...Ele estava!...- Por que você...- Digo em tom interrogativo -
– Por que...Eu não me entendo...Meu corpo não é só meu...E isso...- Ele diz dando de ombros -
– O que você quer dizer? — Digo achando o que ele dizia um pouco suspeito...E até imoral de alguma forma...Mais sabia que não tinha nada haver, com os meus propensos pensamentos poluídos, tinha uma coisa muito mais "esquisita" a ser esclarecida -
– Nada do que você pensa, algo que você não entenderia...Joe...- Ele diz desviando o olhar mais uma vez -
– Mas...O que você acha que eu não entenderia John?...- Digo aproximando o rosto do dele -
– N-Nada...D-Digo...- Ele fica nervoso e um pouco vermelho — Eu não quero machucar você Joe...Eu...E-Eu...- Ele dá de ombros — Eu realmente não quero machucar você...- A expressão estranha dele volta, e ele me deixa só, no meio do quarteirão, sozinha, só com a garota que tinha sido abortada, enquanto arregalara os olhos para mim e em seguida saia correndo -
– J-Joe!...Ôh Joe! Desculpe "atrapalhar" o momento drama fófis!...Mais é que...Hello! Eu tenho hora! — Diz apontando o dedo para seu relógio de pulso e revira os olhos — Sério amada, eu não tenho tempo para assistir a sua ceninha deprimente, eu tenho outros compromissos, desculpa amiga, mais cada um tem seu limite, e o meu está ESGOTADO! — Diz ela cruzando os braços e batendo o pé no chão impaciente -
– Me desculpa por fazer você esperar Stela -Digo sem ânimo nenhum — Mas sério! Você viu tudo!-
– Querida, eu vi o quê?...Vocês parados olhando um para a cara do outro sem dizer uma palavra se quer? — Diz ela mais impaciente ainda — Sério, vocês ficaram um tempão se olhando e depois se abraçaram e ele foi embora, o que mais eu deveria ter visto? — Diz ela revirando os olhos -
– Mais...Como assim? Você endoidou? Não me diga que bebeu também? E o diálogo entre eu e o John? E o que ele me disse? Você estava viajando? — Digo confusa -
– Querida!! Acorda!! Hello!! Por acaso, em alguma história da humanidade, que se trata de barraco, fofoca, e revelação eu não presto atenção?...Claro que eu prestei querida, nada de mais aconteceu, nenhum diálogo, nem um mexer de boca! — Diz ela séria -
– Não vou discutir com você — Digo mega irritada -
– Como você quiser...- Diz ela entrando no banco do motorista e me deixando em casa, chego, e vou para o quarto, fico ali, com os pensamentos mais nas nuvens do que na terra ...
Fale com o autor