Come back to me G!P
20 O fim
Notas iniciais

"Regina, fecha os olhos, por favor." Pedi assim que dei seta e entramos na rota 62, eu não queria que ela reconhecesse o local antes da hora.
"Por quanto tempo tenho que ficar com eles fechados?" Perguntou fechando os olhos.
"Até eu abrir os meus."
Regina abriu os olhos e me olhou desesperada, riu e fechou os olhos de novo, resmungando um "Palhaça" Com um sorriso no rosto.
Sim, ultimamente ando bem palhaça. Fazendo piadas sem graça, rindo a toa. Acho que paixão faz isso com as pessoas... Deixa elas idiota.
É tão bom estar apaixonada, desejo que esse sentimento nunca acabe.
Olhei para Regina, sua respiração estava tranquila. Havia um singelo sorriso em seu rosto... E ele transmitia tanta paz. Senti-me em um filme de romance naquele momento.
A mulher que eu amo ao meu lado, folhas secas pelo chão, o sol ameno, meu coração acelerado. Agarrei com mais força ao volante sentindo minhas mãos suarem, seria hoje, hoje seria o grande dia, a partir de hoje seriamos oficialmente uma família... Ao menos pela tradição.
Olhei pelo retrovisor e vi Anna dormindo com a cabeça encostada no vidro, baba escorrendo da sua boca... Acho que preciso de uma babá para cuidar da minha, ou no mínimo de uma toalha. Neal dormia abraçado ao seu travesseiro e Sohara estava acordada, olhando as árvores passando por ela.
Fiquei feliz por poder oferecer ar puro a minha filha e irmão. Todas as crianças deveriam ter esse privilégio.
Passamos pela porteira que estava aberta, ao longe vi o reflexo da água. Era uma vista linda, sabe?
Um lago cristalino a esquerda, pequenas montanhas atrás e a direita uma linda casa de campo. Era muito mais lindo do que o Sr. Henry falou por telefone, e muito mais lindo até do que o proprietário falou, lembro das palavras dele “Estou vendendo um sonho Sra Swan.”
Parei o carro em frente para o lago, queria que Regina tivesse uma linda vista ao abrir os olhos.
Desliguei o carro e segurei sua mão. "Pode abrir meu amor."
Vi ela abrir os olhos e piscar um pouco devido ao sol matinal refletido na água;
Vi seu sorriso crescer enquanto seus olhos percorriam toda a vista;
Vi a mulher que eu amo feliz, e isso é tudo que preciso para ser feliz.
Eu vi.
E a felicidade habitou em mim.
Regina virou para trás e passou a mão na perna de Neal o acordando com carinho. Foi lindo ele abrindo o olho contrariado e depois dando um pulo animado enquanto fazia "ual!". Sim, ali era o lugar certo.
Olhei mais uma vez a vista, a forma como até as pedras do lago pareciam refletir os raios solares era lindo. A grama verde, mesmo no outono...
Parecia o paraíso.
Alguns pássaros que não voaram em busca de um lugar quente cantavam em algumas árvores aleatórias. Admiro esses pássaros, decidiram ficar mesmo sabendo que enfrentariam o frio e a possível neve. Decidiram ficar sem a promessa de tempos melhores. Eles possuem toda a liberdade do mundo, mas decidiram ficar.
Decidir ficar quando se tem o mundo não é uma escolha fácil.
Agradeço a Deus todos os dias por eu ter ficado, e por Regina não ter ido embora.
Estávamos no paraíso.
***
Enquanto todos admiravam a paisagem eu estava tirando as coisas do porta mala, nesse momento queria que Neal crescesse mais rápido, assim eu teria alguma ajuda.
Regina ainda olhava ao redor, e eu olhava para ela, talvez mais admirada do que ela. Regina é tão linda, e o sol batendo em seu vestido azul a deixava ainda mais linda, sua beleza comum aos olhos dos outros, para mim era única.
Ela passava um creme nos braços, tinha um cheiro gostoso de baunilha. Queria ir lá e abraçá-la por trás, sentir seu cheiro de baunilha, falar ao seu ouvido, sentir seu calor...
"Emma, por que você ta cara de boba?" Neal perguntou fazendo Anna rir e me deixando vermelha.
"Porque estou feliz." Respondi sem perceber e vi ele subindo no chão do porta mala e me puxando para um abraço.
"Também estou." Beijou meu rosto.
Não sei se é porque ele é meu irmão e o amo com todas as minhas forças, mas seu abraço apertado fez meu coração disparar e meus olhos encherem de lágrimas. Se for assim que as outras mulheres se sentem todos os meses na TPM, agradeço por não ter isso. Odeio ser sentimental.
Notei que Sohara começou a mexer os braços sorrindo e tentando levantar a cabeça, fazendo alguns sons, enquanto Anna a segurava na cadeirinha de bebê. Segui o olhar da minha princesinha e vi Regina se aproximando, ela conhecia a mãe e não sei por que fiquei feliz por isso.
Regina se aproximava devagar, passos de rainha, havia um sorriso diferente em seus lábios, seus olhos fixos em Anna que já estava aterrorizada agarrando com força as alças da cadeirinha. Fingi não perceber enquanto arrumava as coisas que tirei do carro em uma mesa de madeira próxima.
"Anna posso te fazer uma pergunta?" Regina deu um olhar glacial, e aquele mesmo sorriso diferente ainda permanecia evidente.
"Sim senhora." Anna falou baixo, demonstrando seu medo.
"Por que mesmo você dormiu lá em casa noite passada?"
"Senhora..." Anna engoliu a seco e eu pensei seriamente em ir lá salvar a menina de um aneurisma. "F-foi como a Senhora Emma disse... eu estava indo embora pra casa..." Respirou fundo. "E-e então ela disse que precisava de mim ce-cedo..." Até que ver Anna gaguejando era fofo, Regina cruzou os braços e a olhou mais intensamente. "E como eu moro praticamente do outro lado da cidade ela disse que eu dormisse lá." Anna olhava para todos os lados, como se procurasse uma rota de fuga, sua testa evidenciando o suor, mesmo em um dia frio.
"Sim, disse mesmo, mas quem te deu aquela roupa da Emma?" Levantou uma sobrancelha e Anna desesperou.
Regina na realidade não se importava, ela só queria infernizar a menina. Achei incrível como Anna não percebeu o sorriso de diversão que Regina sustentava.
"Foi ela..." Anna se encolheu, Sohara a observava atenta como se também estivesse gostando de ver a menina desesperada, seu sorrisinho banguela mostrando que me daria sérios problemas no futuro. "Co-como eu não tinha roupa de dormir ela me emprestou. E irei devolver assim que eu lavar, não se preocupe."
Regina chegou mais perto dela, uma postura imponente, olhando fixamente os olhos amedrontados e quase marejados de Anna.
"Ok tudo bem, obrigada por me responder." Regina sorriu e Sohara levantou os braços como se implorasse para sua mãe pega-la enquanto chutava o ar com seu macacãozinho branco. Minha rainha sorriu, conversou com ela no idioma de bebês e pegou-a no colo, chamou por Neal, pegou a cadeirinha e foram em direção a uma mesa com cadeiras rústicas à sombra de uma macieira.
Anna soltou todo o ar que prendia, foi como ver um pneu esvaziando e olhou para mim, ri ao perceber que ela estava pálida. "Precisa de ajuda senhora?"
Agradeci e pegamos algumas coisas. Passei por Regina que passava o creme com cheiro de baunilha no Neal e depois em Sohara.
"O que é aquilo?" perguntei a Anna.
"É repelente. Deveria ter lembrado de trazer o meu."
Somos duas, porque nem lembrei que isso existia. Regina sempre é tão preparada com seus lenços antisséptico descartáveis e cremes para tantas coisas. E eu mal me lembro de trazer minha carteira. Respirei fundo e o ar puro entrou em mim. Cheiro de mato, baunilha e felicidade. Estávamos no paraíso.
***
Estava com minha cabeça deitada no colo de Regina. Ela estava sentada, escorada em uma árvore enquanto lia um livro. Meu fone tocava Albert King e eu sorria como uma boba. Olhei seu rosto concentrado e ela sorriu tímida.
"Que foi?" perguntou olhando para baixo, percorrendo todo meu rosto.
"Estou te olhando." Falei sorrindo passando minha mão sobre a toalha de piquenique em que estávamos. O palco do nosso almoço.
"Isso eu percebi. Mas por quê?"
"Por que eu te acho linda."
Ela sorriu e me olhou com carinho, afastando o livro e me beijando.
"Vocês fazem isso o tempo todo." Neal reclamou deitado do meu lado enquanto jogava no meu celular. "A tia Zel vai vir?"
Sorri ao ouvir o "Tia", na verdade eu estava rindo a toa, meu maxilar iria doer muito quando eu fosse dormir. Retirei meus fones e o encarei sorrindo de novo.
"Daqui a pouco ela chega com o Sr Henry."
"Vovô vai vir também?!" Levantou animado jogando meu celular longe.
"Vovô?" Olhei para Regina que deu de ombros. Peguei uma caixinha de suco de uva e comecei beber.
Ouvimos gritos. Sentei em um pulo e Regina, Neal e eu gargalhamos ao ver Anna correndo ao longo do lago com muitos patos correndo furiosos atrás dela enquanto ela gritava "Foi sem querer!"
"Mas o que essa criatura fez pra conseguir tanta fúria dos patos?" Os olhos de Regina brilhavam.
"Anna é louca." Minha barriga já estava doendo, eu não conseguia parar de rir vendo a fúria daqueles patinhos e o desespero da menina correndo deles.
"Louca eu sei que é, só que ainda quero descobrir o que ela fez pra irritar os patos." O sorriso de Regina era enorme, realmente ela não é muito fã de Anna. Amei aquele brilho malicioso nos olhos dela, peguei-me admirando Regina outra vez, eu não conseguia parar.
Ouvi um barulho de algo caindo na água e os olhos de Regina brilharam mais. Segui seu olhar e vi Anna sentada dentro do lago, na parte rasa, ela havia caído. Não resisti e ri um pouco mais, aquela garota é muito desastrada. Coloquei meu suco na toalha, olhei para Sohara brincando com seus pes e levantei.
"Ela se vira." Regina pegou minha mão me dando um olhar atrevido enquanto mordia o lábio. Não resisti e selei nossos lábios, ela me puxou pela camisa, aprofundando o beijo e me fazendo ajoelhar a sua frente.
"Mas de novo! Por que vocês fazem tanto isso?" Neal resmungou com uma careta ao meu lado, Regina sorriu e se virou para ele. Levantei novamente e fui em direção ao lago enquanto ouvia Regina explicando por que nós nos beijamos para meu irmão curioso, e fiz uma nota mental de evitar beijar na frente dele.
Anna ainda resmungava quando me aproximei, seu vestido ensopado com aquela água gelada. Os patos voltavam satisfeitos para o lugar deles, acho que se pato tivesse dente eles estariam rindo debochado de Anna enquanto faziam quack.
"Me da às mãos que eu te ajudo." Falei entrando na água que já batia em meus tornozelos.
Anna me deu as duas mãos e eu tentei posicionar meu pé melhor em uma pedra, tudo lá era bem escorregadio.
"Ela não gosta de mim, não é?" Anna resmungou olhando para algo por cima do meu ombro, possivelmente Regina estava aproximando.
"Que isso? Relaxa. Pode ter certeza que ela gosta, o problema é que ela descobriu que você tem medo dela... Então ela gosta de ver você assustada."
Anna olhou mais uma vez por cima do meu ombro e então arregalou os olhos, se desequilibrado e me fazendo perder o equilíbrio também. Foi tudo muito rápido! Em um segundo eu estava em pé segurando as mãos da garota, e no outro eu estava sentada com água gelada até meu umbigo, ouvindo as gargalhadas de Regina que se aproximava de nós.
"Tá com fome meu Príncipe? Quer seu sanduíche agora?" Falou com meu irmão ao seu lado. Ele ainda não havia almoçado, o único na verdade.
Neal juntou as mãos e deu alguns pulinhos. "Eu quer mamãe!" Me olhou temeroso pelo "Mamãe", e eu apenas sorri, assentindo. Ele pegou a mão de Regina e retribuiu meu sorriso.
Meu coração se aqueceu... Ao contrário das minhas pernas.
Era a primeira vez que Neal a chamava assim, e foi até fofo ver as bochechas de Regina coradas. Ele jamais havia chamado alguém de mãe, talvez nunca tenha sentido que tivesse alguma, e com Regina... A admiração que ele sempre olhava para ela era quase tangível. Como se ela fosse sua heroína... Como se ela fosse sua mãe. E sim, ela era sua mãe.
O sorriso de Regina ampliou-se e ela me olhou, eu ainda sentada dentro da água. Então olhou para Anna, deu um sorriso de canto e nos deu as costas, nos deixando congelar dentro do lago.
Eu amo essa mulher.
Depois que Anna e eu saímos da água, Neal veio correndo com uma toalha em mãos, muito fofo. Revirei os olhos quando ele entregou a toalha para Anna, e perguntou se ela estava bem, se queria algo para beber... Enfim, fui esquecida.
Voltei para a nossa "área" de piquenique, havia uma toalha vermelha me esperando dobrada, Regina tinha seu jeito de cuidar de mim.
E ela estava lá, mexendo uma colher dentro de uma xícara esmaltada, soprando seu conteúdo. Tantas coisas que ela conseguia fazer enquanto tudo que eu fazia era tremer e bater os dentes.
Tirei minha calça ensopada, minha box para meu azar parecia colada em mim, Regina me olhou sorrindo de canto. "Está com frio, hein!" Soprou mais a xícara.
Revirei os olhos e cobri minha intimidade com a toalha vermelha. Queria responder, mas meus dentes não paravam de bater.
Regina estendeu a xícara enrolada em um guardanapo em minha direção. "Eu sei que não é pequeno." Piscou para mim me fazendo experimentar os 50 tons escarlates de vermelho que meu rosto poderia proporcionar.
Cobri-me com a toalha e peguei a xícara, que instantaneamente esquentou minha mão e sentei. Chocolate com canela, eu amo essa mulher.
Olhei Neal entrando com Anna na casa enquanto sentia o líquido esquentar meu interior.
Regina me analisava, parecia preocupada.
Às vezes não a entendo... Seu jeito dava a impressão que ela não se importava, mas a toalha para Anna, a minha dobrada e o chocolate quente mostrava ao contrário.
Neal veio em nossa direção e Regina entregou uma garrafa térmica para ele. "Faça ela beber tudo e a minha mala é a vermelha, manda ela escolher qualquer roupa lá." Falou pausadamente, amo a cumplicidade dos dois. Ele saiu correndo segurando a garrafa com as duas mãos e uma pequena sacolinha com seu sanduíche pendurada no braço em direção a casa. Sim, ela se importava... E muito.
Respirei fundo e olhei nossa princesa dormindo profundamente. Minhas mãos ainda tremiam, e com certeza meus lábios estavam de outra cor. Senti uma mão quente em minha cintura, e só então percebi a proximidade do meu amor.
"Vou te esquentar." Ronronou. "Só esquentar, mais nada por enquanto." Advertiu.
Beijou meu pescoço e subiu em cima de mim afastando a toalha, tremeu um pouco pelo contato com minha pele e box fria. Iniciou um beijo quando sentou no meu colo. Senti meu corpo esquentando aos poucos... E crescendo também.
Era realmente bom senti-la rebolando em cima de mim, chupando minha língua e às vezes mordendo meus lábios, meu pescoço... Nossas respirações já estavam alteradas.
"Isso sempre funciona com os esquimós." Ouvi a voz de Zelena, sempre na hora errada.
Regina saiu de cima de mim envergonhada, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha.
Zelena olhou para mim, mais precisamente para uma parte que Regina havia acabado de sair de cima. "Vejo que não está mais com frio cunhadinha."
Meu rosto queimou e eu paralisei.
"Zelena, tem algo melhor pra fazer não?" Regina resmungou me cobrindo rápido, minha roupa íntima estava bem grudada no meu corpo que já não estava mais discreto.
"Tenho que cuidar de você sister. E papai te mandou um presente."
Ela saiu para buscar o tal presente. Regina colocou a mão no meu joelho me pedindo desculpas. Meu rosto ainda queimava, meu corpo ainda pegava fogo e tudo que eu queria era me enfiar em um buraco.
Ouvi alguns latidos e um filhote de cachorro marrom veio correndo em nossa direção. Não entendo nada de cachorro, só sei que era marrom e peludo.
Regina o abraçou e começou a conversar com ele, e eu não sabia que ela gostava de animais... Além dos patos que correram atrás da Anna.
"Papai falou que iria te dar outro, e aí está.” Zelena olhou ao redor. “Gostei do que você fez cunhadinha... Colocou meu namorado pra trabalhar... E o barbudo motoqueiro e aquela sua amiga esquisita também. Os três estão lá atolados em papéis e você aqui nesse paraíso." Sorriu olhando a interação de Regina com o cachorro. "Faça isso mais vezes, é uma ordem."
"É fêmea." Regina falou animada abraçando o cãozinho. "Meu pai vai vir?" Olhos castanhos brilhando de felicidade.
"Daqui a pouco ele chega, tá trazendo os dois cavalos que Emma pediu emprestado." Olhou-me curiosa e depois sorriu para Regina. "Você sabe que está a apenas 3 quilômetros da casa do papai ne?"
Regina olhou para mim surpresa e feliz. Dei de ombros enquanto terminava de beber meu chocolate. "Esse era o tal segredo meu e do seu pai..." Falei tentando não demonstrar toda a animação que eu estava sentindo. "Ele disse que você amaria esse lugar... Ainda não posso comprar todos esses hectares porque quero pagar à vista a casa que escolhermos." Sorri um pouco sem graça. "Mas consigo a casa e o lago e mais um pouquinho para os cavalos, deixo meu loft como garantia... Claro, se você quiser esse paraíso."
"Consegue os patos também?" Seus olhos estavam marejados.
"Com certeza!" Rimos juntas e Zelena nos olhou confusa não entendendo a piada interna. "E o melhor é que ficaremos próximos ao seu pai... Princesinha do papai." Brinquei
"Rainha... Sou rainha." Se aproximou de mim puxando minha camisa, fazendo a barra fria me arrepiar. "Sou sua rainha." Me beijou
"Sim majestade." Puxei um pouco sua cintura e aprofundei mais o beijo.
"É Sohara, vou te levar daqui antes que elas comecem a fazer seu irmão nessa grama mesmo." Zelena conversava com Sohara que apenas sorriu babando e fazendo sons com a boca, como se tentasse assoviar.
Regina levantou e me deu a mão, alegando que eu precisava trocar de roupa. Peguei sua mão porque é claro que eu não iria contra minha majestade né.
“Se precisarem tenho mais camisinhas aqui!” Zelena gritou quando nos afastamos. “E pode deixar que vou cuidar bem da minha sobrinha!”
***
Mesmo com corpos suados, não queríamos a distância, preferimos desafiar a lei da termo e nos grudamos mais. Pernas entrelaçadas e meu braço em sua cintura, minha respiração em sua nuca, minha felicidade em todo seu corpo, meu coração dentro do seu coração. Nos compartilhamos.
"Emma.." Regina fez círculos no meu braço com a ponta dos seus dedos. "Esse lugar... É por mim?"
Senti a insegurança em sua voz. "É por nós..." Puxei-a e ela se aconchegou no meu abraço. "Sei que falei que iríamos procurar um lugar como esse daqui um tempo, mas... Seu pai me ligou há alguns dias falando desse paraíso, entrei em contato com o proprietário e ele falou que limparia e nos forneceria por dois dias, já que percebeu meu interesse." Ela se virou dentro do meu abraço, ficando de frente para mim.
"Tem certeza que não está fazendo isso apenas para realizar um dos meus sonhos?" Seus olhos castanhos profundos olhavam diretamente para os meus, havia incerteza ali, será que ela achava que eu queria ela distante?
"Meu sonho desde criança era ser aceita, era ter uma família e ter paz." Respirei fundo. "A esperança dói, por isso abri mão desse sonho quando entrei na puberdade e me vi sendo algo que jamais seria aceito, que seria amado." Senti meus olhos arderem. "Então... Você apareceu e me aceitou do jeito que eu sou. Você quebrou todos meus muros e me fez encarar o sol."
Achei tão lindo seu sorriso para mim. "Me senti aceita e me senti amada." Passei os nós dos meus dedos em seu rosto, decorando cada traço. "E então você me deu o melhor presente do mundo... Uma princesa por quem eu daria minha vida." Minha visão estava embaçada pelas lágrimas. "Você me ajudou a chorar e abriu meus olhos, e não consigo mais fechar."
"E esse lugar te deu paz." Falou acariciando meu rosto enquanto segurava algumas lágrimas, estávamos muito sensíveis.
"Minha família me deu paz, esse lugar é apenas um momento nosso, só nosso."
"Não quero que você se sacrifique, que trabalhe tanto pra conseguir pagar." Desviou o olhar
"Você já fez tantos sacrifícios por nós, o que estou fazendo não é nada." Regina apertou os lábios como uma linha reta e entendi seu receio, incrível como eu já sabia lê-la tão bem. "E olha... Tenho três sócios agora, além das ações que outras pessoas controlam. Vou botar eles pra trabalharem tanto quanto eu, ou até mais, já que estamos com a pretensão de expandir a dramaturgia, Ruby e August estão comprando mais ações no teatro."
"Como assim?" Seu olhar era curioso.
"Vamos dar mais valor para a dramaturgia e não somente a música... Isso quer dizer, você sabe... Que faremos mais peças, e estamos pensando em homenagear Peggy Lee...."
Regina pulou em cima do meu colo. "Posso participar?"
"Quem você acha que será a Peggy?" Falei irônica, na verdade essa idéia partiu do David, ele a soprou para nós ao sentir o cheiro do sucesso
"Não sei cantar, e nepotismo não é bom." Sorriu arteira
"Sou formada em música e tenho licença pra dar aulas. E sobre o nepotismo... Duvido que alguém vá contra ou ache ruim, você é a melhor pra esse papel. Já te vi arriscando uns passos na frente do espelho e posso dizer com conhecimento de causa que sensualidade não falta viu."
Deu um tapa leve no meu braço. "Ta me vigiando?"
"Certa vez você disse que as pessoas são mais interessantes quando não tem ninguém olhando"
“Eu gosto de fazer coisas às claras também,” nós beijamos e ela subiu em cima de mim, massageando minha intimidade enquanto eu experimentava seu pescoço e colo, sentia falta dos seus seios.
Ouvimos batidas na porta.
"Casal alegria, papai chegou."
Gritei um "Já vamos" e Regina resmungou um pouco.
"Ela nos chama de casal alegria, mas falta vomitar arco íris quando está com seu amigo." Resmungou
Peguei minhas roupas espalhadas pelo chão, nosso “momento” teria que esperar um pouco. Vi como ela se vestiu rápido, um sorriso alegre no rosto. Sentei na cama e a admirei... Amá-la foi a loucura mais sensata que já cometi
Passar a vida inteira sem uma loucura de amor é equivalente a não viver. Em algum momento precisamos dispensar as reservas e os pudores e mergulhar na coragem que se é se entregar. Mesmo que não tenhamos a devolução de nossa história, mesmo que seja necessário começar do zero, sozinho e endividado.
Ganha tudo quem se arrisca a perder tudo.
Loucura por amor é atravessar o mundo por alguém, é mudar de uma cidade por alguém, é trocar de emprego por alguém, e se reinventar por alguém.
O que adianta viver sem nunca quebrar a regra, sem nunca dar um passo em falso? O passo em falso é a única chance que temos de voar.
As oportunidades desperdiçadas nunca voltarão a se repetir. A ocasião faz o herói.
Saber o que é necessário e não ousar é desmerecer a altura da felicidade, é apequenar a felicidade.
Amor é fundura, não é possível senti-lo com um pé atrás no raso. Como descobrir o tamanho de um sentimento sem testar seus limites? É como morar em uma casa e conhecê-la pela metade, é como manter vários quartos fechados ao longo do corredor e não ter a curiosidade de povoar inteiramente o desejo.
Cansa prever sempre o que vai acontecer e ainda acertar, distanciar do nervosismo da surpresa e do arrebatamento, da aposta. A profecia confirma a previsibilidade das nossas ações.
Então vamos nos arriscar nesse sentimento. Se quebrar, colamos. Se não der certo, tentamos de novo. Se doer tomamos um bom vinho. Ao menos teremos a garantia da serenidade na velhice, e a tranqüilidade na velhice. A certeza de que não restou covardia para se lamentar, a confiança que não houve nada a ser feito e de que as palavras não se distanciaram dos gestos.
Não me arrependo de nada que eu fiz, minha culpa não irá superar minhas memórias. Tentei tudo que pude, ofereci tudo que sou em nome de uma verdade. Não fui mesquinha com minha própria biografia. A realidade não ficou reduzida à preguiça das mentiras.
É triste nascer gritando para depois se contentar com o silêncio.
***
Andamos a cavalo durante um tempo que me fez ter a certeza que não é tão fácil quanto parece e que quando não se sabe andar... Algumas partes do corpo sentem depois."
Zelena me avisou sobre um carro azul se aproximando da entrada, assustada pulei do cavalo e fui em direção, congelei ao perceber que era o mustang do meu pai. Minha mãe saiu da porta de passageiros com um sorriso radiante no rosto e uma caixa de veludo em mãos.
Mãe é o único ser que não importa o que você faça, sempre estará lá por você. Afinal é a única que vai na cadeia visitar o filho, independente do seu crime e mesmo que não aceite a atitude da prole, ela leva biscoitos e um abraço quente.
"Boa tarde Emma." Me abraçou. "Trouxe uma herança de família, foi da minha avó e bisavó. Não foi meu porque seu pai não quis, achou simples demais..." Olhou ao redor admirada. "Mas é na simplicidade que vemos a beleza, a real beleza."
Estendeu a pequena caixa de veludo, abri e prendi a respiração por alguns segundos. Dentro havia um anel trançado de ouro e prata, e no centro formava um desenho como uma coroa. Essa coroa prendia em seu interior uma pedra água-marinha. Retirei o anel da almofada e o brilho verde claro da pedra refletiu a luz, refletiu meu sorriso.
"Sei que você escolheu com David o anel para pra sua namorada..." Sorriu tímida e eu fiquei vermelha, jamais falamos algo sobre meus relacionamentos antes. "Mas realmente acho que ela vai gostar desse, são como seus olhos, e..." Trocou o peso dos pés e juntou as mãos mais tímida do que antes. "Água-marinha é a pedra dos atores."
Então percebi algo que jamais me dei conta... Percebi que minha mãe possuia sonhos, e claramente ter sido atriz era um sonho forte para ela, mas não forte o bastante para lutar contra tudo que a prendia. E agora entendo um pouco mais sua tristeza.
Olhei para o carro, meu pai observava triste o lago como se carregasse nas costas o peso de uma vida desperdiçada também. Quais foram os sonhos que ele abdicou?
O Sr. Henry se aproximou do carro sorridente com minha filha nos braços, vi no rosto do meu pai uma alegria que jamais havia visto. Seus olhos brilhavam enquanto ele abaixava o vidro e fazia caretas engraçadas para Sohara que o olhava curiosa.
Sim, cada um tem seu sonho, e é cada um com seu cada qual. Quantos sonhos mais as pessoas enterram por medo? Quantas vidas estão vazias pelo medo de tentar?
Frustração também é um fracasso, e vazio também é uma dor.
E quantos sonhos mais as pessoas abrem mão por orgulho de não dar o braço a torcer? Olhei mais uma vez a alegria do meu pai ao brincar com sua neta.
Jamais terei medo novamente. Medo apenas enterra aquilo que nos faz feliz, e orgulho só joga mais terra em cima. Não quero ser vazio como meu pai e triste como minha mãe... Quero ser a heroína do meu irmão e da minha filha. Mesmo que jamais meu pai e eu tenhamos uma relação boa, minha filha não precisa pagar esse preço também.
"Obrigada mãe, entregarei esse anel para a mulher da minha vida." Havia emoção em minha voz, havia alegria nos olhos azuis maternos. Guardei rápido a caixinha em meu bolso e me aproximei do carro, meu pai se assustou e puxou as mãos, colocando-as no colo envergonhado.
"Já estou indo, só vim trazer sua mãe." Encarava sua mão enquanto as esfregava ansioso, senti que ele queria me dizer algo, o vi engolir a seco e limpar a garganta. Quando ele puxou o ar para a próxima frase, decidi falar...
"Sim, eu sei. Mas fique mais um pouco, pegue sua neta no colo, e Neal sente sua falta." Virei as costas e fui em direção ao lago recolhendo algumas pedras achatadas pelo caminho. Não me importava saber se sua feição foi de desprezo ou alegria. Ouvi a porta do carro bater, ouvi risadas variadas, não me importei e joguei uma pedra na água, vi ela quicar três vezes antes de afundar.
"Só espero que seja sorte de principiante." Regina falou atrás de mim.
"Não acredito em sorte, acredito que eu sou boa mesmo." Joguei mais uma pedra e ela quicou quatro vezes antes de afundar. Regina bufou antes de sentar ao meu lado.
"Neal ficou feliz por ter o pai aqui, mesmo que será por pouco tempo. E Sohara está curiosa com as caretas dele." Falou me observando jogar mais uma pedra
"Pelo que conheço do meu pai, ele já deve estar dando desculpas pra ir embora." Joguei uma pedra com força e ela afundou.
Ficamos em silêncio por alguns segundos até Regina pegar uma pedra e me entregar, sorri ao olhar a pedra redonda em sua mão.
"Você quer que eu jogue essa?" perguntei lúdica.
"Sim. Sei que vai acertar mesmo." Deu de ombros e então entendi porque ela nunca conseguia fazer uma pedra quicar na água. Ela sempre jogava as redondas, quando abri a boca para dizer que o irmão dela a enganou, pensei melhor e me calei.
Essa era a forma de mantê-la por perto, de estarem juntos. Enquanto ela não descobrisse o segredo das pedras iria sempre até ele, sempre iria admira-lo e sempre tentaria mais uma vez.
E assim sempre teriam tardes maravilhosas.
Não importa todos os defeitos que ele tinha, ele a amou e quis sempre ter uma ligação com ela...
Lembrei do meu pai me ensinando a empinar pipa, de quantas tardes foram necessárias para que eu conseguisse plumar e de como ele ficou feliz com isso, apesar de que havia uma tênue tristeza no seu olhar quando finalmente consegui. Agora entendo a tristeza, eu já sabia plumar, não precisaria mais dele, e ele não seria mais meu herói. Sorri ao lembrar-me de sua preocupação quando cortei o dedo na linha, "A dor vai passar filho, porque tudo passa." Ele me disse com uma mão no meu ombro. As tardes de aprendizado são as memórias mais lindas que tenho do meu pai. Mesmo que a gente não se entenda mais, guardo boas lembranças, e isso agora ocupa mais lugar do que os sentimentos ruins.
Peguei a pedra na mão de Regina e joguei, óbvio que afundou na hora. Peguei uma pedra achatada que eu tinha separado e a entreguei.
"Sua vez." Falei
"Não vou conseguir." Olhou para a pedra em sua mão.
"Teremos muitas outras tardes para tentar até você conseguir." Era minha forma de dizer "estarei sempre com você." Olhei seus olhos determinados, eles refletiam a luz fraca do sol que já estava nos abandonando. Olhei para o lago e vi o reflexo alaranjado daquela grande promessa de um novo amanhã.
Regina jogou a pedra que afundou direto. Ela bufou, mas abriu a mão pedindo por outra pedra. Coloquei uma achatada um pouco menor do que a última na sua mão.
Ela jogou e a pedra quicou uma vez antes de afundar, vi um sorriso de vitória em seu rosto. Ela estendeu a mão mais uma vez me pedindo outra pedra, estava determinada, coloquei em sua mão estendida a caixa de veludo.
Vi Regina olhar surpresa para caixa.
"Não vai abrir?" perguntei sorrindo.
"Sim, só quero sentir esse momento um pouco mais." Respirou fundo e abriu a caixa, vi uma lágrima solitária deixar seus olhos. "Sim." Ela falou emocionada e olhou para mim. "Aceito passar todos meus dias com você. Aceito ser sua esposa."
Peguei o anel na caixinha e segurei sua mão, "E eu aceito entregar minha vida a você. Desejo ser sua esposa também."
Coloquei o anel em seu dedo e selei nossos lábios, nossa vida estava entrelaçada como o ouro e a prata daquele anel.
"É a cor dos seus olhos." Falou olhando a pedra presa pela coroa e me beijou mais uma vez. "Obrigada Emma." Ela limpou uma lágrima não percebi rolar no meu rosto.
“Acho que eu sou a agradecida aqui.”
Ficamos mais um tempo abraçadas até o sol se pôr completamente conversando sobre como havia sido o dia e como seria o resto dos nossos dias juntas. Quando voltamos meu pai já havia ido embora e o Sr. Henry havia feito uma fogueira. Decidi mostrar a música que fiz para Regina...
A compus aos poucos, decidindo cada nota, cada palavra, refletindo cada sentimento e ali, ali estava meus sonhos expostos, ali estava nossa vida.
Não era uma música para aquele momento, era a música que eu cantaria na nossa bodas de prata daqui a alguns anos. Era a nossa música.
Remember when I was a unknown and so were you.
And time stood still and love was all we unknew.
Lembra quando eu era uma desconhecida e você também.
Era uma época difícil e amor era tudo que não conhecíamos.
Remember when, You were lost, so was I
Lembra quando você estava perdida e eu também.
We made love and then I runned away, you cried.
Nós fizemos amor e eu fugi, você chorou.
Remember when we runned from each other
And try deny
Se lembra quando fugíamos uma da outra.
Tentávamos negar.
Gave our hearts, made the start, it was hard
Entregamos nossos corações, começamos, mas era difícil.
We lived and learned, life threw curves
There was joy, there was hurt
Vivemos e aprendemos nas curvas da vida
Havia alegria, havia sofrimento.
Remember when old ones fears came and haunting us,
The life was changed, dissassembled, rearranged
Se lembra quando os velhos medos nos aterrorizam.
A vida tinha mudado: bagunçada, rearranjada.
We came together, fell apart, and broke each other's hearts
Ficamos juntas mas terminamos separadas.
Magoamos uma a outra.
Remember when the sound of little feet
Was the music
Se lembra quando o som de pequenos passos
era como música
We danced to week to week
Brought back the love, we found trust
Vowed we'd never give it up
Dançamos semanas a semanas
Resgatamos o amor e a confiança
Juramos nunca mais desistir
Remember when thirty seemed so old
Now lookin' back it's just a steppin' stone
To where we are, where we've been
Said we'd do it all again
Se lembra quando aos trinta nos sentíamos velhas
Agora olhando para trás era apenas uma etapa
Para onde chegamos, onde deveríamos estar
Dizíamos que faríamos tudo novamente
Remember when we said when we turned gray
When the children grow up and move away
We won't be sad, we'll be glad
For all the life we've had
And we'll remember when
Se lembra quando conversamos sobre envelhecer
Quando as crianças crescessem e mudassem
Nós não ficaríamos tristes, mas sim felizes
Por tudo que a vida nos deu
E nós vamos lembrar destas memórias
Fic Swanqueen Come back to me G!P
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