Come back to me G!P
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Recebi alta do hospital e encontrei Ruby na recepção me esperando. Pedi que ela me levasse a casa da Regina e isso foi tudo que eu disse até o momento em que paramos em frente ao edifício amarelado. Respirei fundo e abri a porta do carro
"Você tem certeza que é isso que você quer fazer Pinoquita?"
Olhei Ruby, ela estava ansiosa ou preocupada, não sei.
"Certeza eu não tenho, mas preciso conversar com ela Ruby."
Então, ela disse que tinha um compromisso e não podia esperar muito, respondi que voltaria de táxi. Realmente não sabia o tempo da nossa conversa, ou se Regina iria me atender.
Entrei pelo portão do prédio e torci o nariz para o quanto aquele edifício não possuía segurança, qualquer um poderia entrar lá, incluindo eu.
Era inaceitável Regina morar em um lugar como aquele. Respirei fundo, eu estava sendo possessiva e protetora demais, era totalmente errado ser assim com algo que não me pertence.
Lembrei da primeira vez que pisei naquele lugar, estava bêbada e não me importei com a falta de fechaduras seguras e porteiro, por que deveria me importar agora?
Por que eu a amo, porque estou disposta a muitas coisas.
Bati no 108 e Regina abriu a porta me olhando surpresa.
"Ei." Falei e ela fechou a porta rápido me deixando apenas com a visão da madeira esbranquiçada.
Fiquei em silêncio e pude ouvir ela encostando na porta.
"Regina, precisamos conversar." silêncio foi minha resposta. "Olha, se não quiser falar nada, apenas me escute então." Mais silêncio. "Eu não vou sair daqui, você sabe que teimosia é meu nome do meio."
Mais um tempo.
"Regina, acabei de sair do hospital, estou pele e joelho e você irá me deixar aqui horas sem comer nada? Achei que eu fosse mais importante pra você?"
Não sei por quanto tempo fiquei parada naquela porta até ouvir o trinco. Então foi aberta e tudo que vi era a sombra da mulher que um dia conheci. Ela estava mais magra, pouca maquiagem, roupa escolhida ao acaso. O diferencial era a barriga que já era razoavelmente notável.
Estendi um pacote pardo a ela.
"São rosquinhas, não achei nenhuma floricultura pelo caminho." Sorri sem graça e ela pegou o pacote.
"Obrigada, vou procurar um vaso e colocar na água." Sorriu gentil colocando as rosquinhas sobre a mesa. Não me deixou entrar, ficou parada na porta.
"Estou de saída Emma. Marquei uma consulta no Bay Whichstin hoje."
Meu coração acelerou e doeu no meu peito.
"Você não vai fazer isso Regina." Meus olhos ardiam
"É meu corpo, minha decisão."
"Por que?"
"Por um motivo simples, eu não quero.” Notei a voz dura, e tudo ficou confuso, era como se ela estivesse usando uma armadura, como se o seu real ser estivesse em pedaços, contracenando com o meu. Ou então, ela realmente quisesse aquilo e a idéia de conceber uma vida fosse repugnante a ponto dela fazer algo tão extremo.
"Você não precisa fazer isso." Falei segurando em seu braço
"Eu quero fazer." Levantou seu queixo e me encarou. "Foi um equívoco desde o começo. Não posso deixar que outro ser pague pelas consequências dos meus erros."
"Então divida essas consequências comigo se elas forem tão pesadas pra você. Eu sei que tudo isso é complicado, mas você pode ser feliz. Sei que não parece, mas você só tem que lutar. Se não quer lutar, eu luto*. Só não tira a oportunidade de uma vida a outra pessoa." Estava disposta a suplicar e me ajoelhar no chão se fosse necessário.
"Você não entende, não é?" Olhou-me magoada. "Nem tudo é sobre você Emma e nem tudo pode ser como queremos."
"Como queremos?" Senti um nó que ardia em minha garganta. "Você ao menos sabe o que quero? Ao menos se importa em saber?"
"Emma, por favor... Não precisamos passar por isso."
Tentou passar por mim, porém segurei sua cintura a impedindo de ir longe, no entanto, notei como a veia em sua testa estava exaltada, como a pulsação em seu pescoço estava agitada e como meu coração estava acelerado. Eu não queria deixa-la sair por aquela porta.

"Você não se importa com o que eu quero Regina?" Percebi minha visão embaçada, eu queria chorar. Após tantos anos senti necessidade de chorar. Senti sua mão quente em meu rosto.
"Sim, e é exatamente por isso que estou fazendo isso?Às vezes, até quando a gente ganha, a gente perde.”
Passou por mim, fiquei parada à porta não acreditando no que iria acontecer em poucos minutos. No pedaço de mim que ficaria jogado em um quarto qualquer. Ouvi o barulho distante de um carro, o carro que a levava para longe, não ousei olhar, não queria saber quem a estava ajudando.
Pisquei algumas vezes e então vi um echarpe vermelho em cima de uma escrivaninha. Esquecendo o bom senso e educação entrei no apartamento e peguei o tecido macio em minha mão, reconhecendo de imediato aquele perfume, o cheiro de Ruby.
"Posso ajudar?" Zelena estava parada ao meu lado de braços cruzados me olhando.
"Esse echarpe não é seu." Falei ainda não entendendo porque aquilo estava ali.
"Não querida. É de uma garota esquisitinha que veio aqui a meses atrás pedir um favor a minha irmã. Regina vai devolver hoje. Por que?"
"Por que fui eu quem dei isso a ela, e ela o perdeu dois dias antes de uma saída a uma casa de shows que fomos."
Passei por Zelena que me olhava confusa, parei na porta.
"Essa garota esquisitinha, o que ela queria com Regina?" Perguntei com meu coração aos pulos, minha mão apertando com força o tecido vermelho.
"Troca de favores. Regina ajudava a garota da foto e a esquisitinha ajudava Regina a conquistar um sonho."
Olhei para Zelena, jamais esquecerei aquele sorriso em seu rosto.
"Quem era a garota da foto?" perguntei e engoli a seco, já sabia a resposta.
"Você tem apenas essa jaqueta Swan?"
Olhei para mim, eu estava vestida minha jaqueta vermelha, a mesma da foto na carteira da Regina... A mesma que eu não vestia a meses.
Eu era a garota da foto, a garota traída por sua melhor amiga, a garota usada por seu amigo. A garota que foi destruída pelo amor novamente. A idiota que acreditava estar no controle e não passou de um fantoche nas mãos dos três que me falaram a mesma frase:
"Você é muito boa Emma, não deixe as pessoas aproveitarem mais de você."
"Ei, Swan!" Zelena me chamou. "É sua." A olhei confusa. "É sua, a criança é sua. Meus pêsames. Qual nome você teria dado?"
"Sohara, Deusa nórdica da cura, ou Odin."
Sai pela porta e entrei no primeiro táxi que parou, só então notei que gastei tempo demais imaginando nomes para um filho que eu jamais teria. Eu queria correr, queria sair sem direção por avenidas, ruas até... até me perder. Encostei no vidro do carro e vi tantas paisagens passarem por mim, eram todos iguais.
Lembrei como não precisei dizer o endereço de Regina, Ruby já sabia, ela sempre soube. Lembrei também do fato delas trocarem informações, terem telefones uma da outra. O que Ruby ganhou com isso? Peguei meu celular e liguei para aquele que sempre foi transparente comigo.
"Killian, por que você, Mary e Ruby saíram da boate onde estavam e foi para aquela casa de shows decadente no Broklin? E por favor, não minta pra mim também."
Ele respirou fundo antes de me responder. "Uma linda morena me ofereceu um cigarro, achei que ela estava afim de mim e ela deu a ideia de irmos até o Broklin. Eu não ia, mas Ruby disse que valia a pena investir. Foi mal cara, não sabia mesmo que você e a Regina tinha algo."
"Não sabia que você tinha voltado a fumar Ruby."
"Se uma linda mulher oferece um cigarro, como negar não é?"
Lembrei da nossa conversa no carro quando fui busca-la na porta da casa de shows...
"Você tem o habito de ficar olhando a janela de vestido e maquiada?"
Tudo estava na minha cara o tempo todo e eu cega e burra não vi. A única pessoa que sabe o quanto a posse me atrai é minha melhor amiga. Comecei a investir em Regina para Killian não tê-la. Envolvi-me por ciúmes do cara da boate, que por sinal era o mesmo protagonista da peça da Regina.
"Emma, me perdoa, eu não sabia que você queria ela, foi mal mesmo. Ela é tão linda, por isso dei em cima, mas juro que não rolou nada cara."
"Tudo bem Killian, obrigada."
***
Entrei em meu loft e vi a bolsa de Regina ainda em cima do sofá, todos os papéis ainda lá. No entanto meu foco era o contrato com o teatro. O li três vezes sem acreditar no que lia.
Regina foi contratada como representante do MDA no teatro, por isso o alivio dela quando eu disse que não iria mais vender minhas ações da agência. A autorização de contrato estava no nome de Ruby, ela fez todos os tramites.
E então uma conversa com Regina no restaurante após a sua peça veio a minha mente.
"Maleficent é um apelido, ela participou de uma peça infantil, e esse era seu personagem. Foi seu maior personagem."
E sorriu maliciosa, não entendi a malicia na hora. No dia que ouvi isso no restaurante, achei que fosse 'a maior personagem dela', da Maleficent, mas não, era meu melhor personagem. o que mais me rendeu em publicidade.
Agora entendo o motivo da malicia.
Ruby conseguiu pra ela o papel na peça, eu conseguiria muito mais. afinal tenho 40% em ações, David só 25% e Ruby 10%... Os outros são só outros, minoria.
Criei a MDA para deixar para um filho, já que na época não via futuro na Produtora Swan. Lembrei que meu pai disse que se tornou presidente de uma empresa para fazer um legado e deixá-lo a mim... Por mais que tentemos, sempre há algo que fazemos como nossos pais. A maça nunca cai muito longe da macieira
Deveria ter ficado com minha impressão inicial, Regina realmente era uma interesseira. Não se interessou em meu dinheiro, mas sim em conquistar seu sonho, sua vontade, e não hesitou em aceitar uma proposta para conseguir.
Me sinto a colegial levada ao baile pelo garoto popular graças a uma aposta entre amigos. Será que elas riram de mim? O que Ruby ganhou com isso?
Repassei a cena do restaurante novamente em minha mente enquanto buscava a ficha de todos os contratados pela nossa agência e por outras, porém que trabalhassem para o teatro.
Parei na ruiva, a mesma ruiva que entrou com Maleficent no restaurante. No dia a achei familiar, mas eu só tinha olhos para Regina, não reparei muito bem nessa ruiva.
Ariel, esse era o nome na ficha, e percebi algo que fez minhas mãos suarem. Era a ruiva da boate.
Retirei os óculos e passei as mãos no cabelo, enquanto encostava na poltrona. Fui uma idiota.
Graham era o cara que estava com a mão no ombro de Regina na boate enquanto eu conversava com essa Ruiva, assim como ele abraçou Tinker no dia do restaurante.
Como fui idiota!!!
Ele estava apenas fazendo ciumes em mim!
"Vamos Regina!" ele falou e eu pedi pra ir com ela. Ele não discutiu, apenas abraçou Tinker e saiu. Se ele quisesse a Regina teria lutado, me enfrentado, mas não. Regina sempre soube que eu estava naquela boate, a boate que Ruby me levou. Percebi que eu estava rindo de mim mesma... Mas é claro que ela sabia, afinal Ruby me levou.
Passei a mão pelo meu rosto, notei algo que ha anos não sentia ali...
Lágrimas.
Eu estava chorando. Após 17 anos eu estava chorando.
E podia sentir uma dor em meu peito.
Regina nunca me quis. Só quis o que eu tenho, só me trocou por um contrato, por sucesso. Ela teve isso certo? Pra que continuar me iludindo e agora... Agora ela simplesmente deixa um médico arrancar um pedaço de mim dela... Será que nunca fui nada para ela?
Pra que me enganar? Não precisava de tanto esforço, era só me falar que queria o estrelato, ela tem talento, eu ajudaria. Não havia essa necessidade de me machucar tanto. De me deixar construir tanto para depois destruir com tanta facilidade, me destruindo no processo. Não ter um final feliz já é doloroso o suficiente, mas dar esperanças fantasiosas à uma pessoa é muito pior.
"Você é tão linda! Nem acredito que está aqui falando comigo"
"Eu trouxe uma mulher linda pra casa'
"Não me importa o que você tem entre as pernas, você é linda"
"Você é especial"
"Você tem que se importar com o que as pessoas que te amam e precisam de você querem."
"Eu te amo Emma."
As frases, as cenas não paravam de rodar em minha mente e quando percebi eu estava sentada no chão, mãos na cabeça soluçando, meu rosto queimando e lágrimas ensopado a manga da minha blusa.
"Emma" David me abraçou, nem percebi quanto ele entrou. "O que aconteceu?"
"Fui uma idiota David. Ela só queria fama. Fui trocada pela fama."
David me deitou em seu colo, e chorei. Não sei quanto tempo fiquei ali.
"Eu quis evitar tudo isso Emma..." Ele passou as mãos nos meus cabelos. "Juro que quis. Não queria ver a cena que estou vendo agora."
"O que você escreveu no bilhete quando mandou entregar as rosas à ela? A Regina no teatro." Minha voz estava rouca, as lágrimas cessavam.
"Eu escrevi: 'Vale a pena? Isso tudo vale o que está fazendo com ela?'"
***
Quando acordei Killian e Mary estavam sentados ao meu lado no sofá. E eu estava com a cabeça no colo de David.
"Soubemos o que aconteceu Emma. Me perdoa" Mary falou.
"Te perdoar por que?" Minha voz era apenas um fio fraco
"Eu dev... Deveria ter te falado que Regina já esteve na produtora antes, ela esteve com uma loira baixinha, elas estavam buscando vagas na MDA." Tinker, era Tinker "E elas não aceitaram bem quando falei que não tinha vaga. Mas Ruby disse que resolveria isso."
E resolveu, deu vaga para 4 amigos de Regina, incluindo a Regina.
Mary respirou fundo "E quando você passou com ela pela recepção após dar uma aula de piano, ela me ameaçou se eu contasse que ela já esteve lá. Ela me da medo Emma. E eu fui covarde. 'O mal vence quando pessoas do bem não fazem nada', diz o ditado."
Aconcheguei melhor minha cabeça na coxa de David, e ele acariciou meus cabelos.
Regina conseguiu um ótimo papel em uma excelente peça, conseguiu através de uma "troca de favores" e David, meu real amigo David descobriu e quis mudar tudo. Quis vender a agência evitando uma decepção para mim. E é isso que amigos fazem, protegem uns aos outros... Queria que amigos dissessem a verdade também.
Tenho que admitir que Regina é muito inteligente.
Só queria saber o que Ruby ganhou com isso tudo.
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