Come back to me G!P
21 Capítulo bônus
Notas iniciais
"Da pra largar esse negócio?" Emma falou parada a minha frente me estendendo um suco de tomate e encarando o celular na minha mão, onde eu fazia uma selfie.
"Estou compartilhando minha felicidade com meus fãs no snap." Ajustei minha coroa de papelão, troquei a câmera e tirei uma foto da linda visão que eu tinha: Minha amada esposa com cara de brava me olhando enquanto piscava ao sol do meio dia.
Escrevi na foto: 4 anos de casadas e ainda recebo suco da bravinha mais fofa do mundo!
"Amor..." Se aproximou de mim alisando minha barriga que parecia enorme para cinco meses de gravidez. "Vamos servir um lanche antes do parabéns, você vai lá dentro ou prefere que tragam aqui?" Emma me olhou de cima a baixo com um sorriso sapeca. "Já que está tão confortável aí e não parece querer mover um músculo..."
Já falei que amo essa mulher? Mesmo ela me chamando de gorda preguiçosa e eu querendo matá-la por isso eu a amo.
"Meus pés estão me matando Emma, e não estou nem um pouco a fim de ver aquelas duas se agarrando de novo."
"Ruby e Anna estão se agarrando de novo?" Olhou ao redor as crianças pulando em cima dos meus enfeites da festa e subindo nas árvores que eu já desisti de gritar para elas não subirem. "Não acredito que elas estão fazendo isso numa festa infantil!"
"Hunf, Isso não é nada, Robin está dando umas 'agarradas' na Elsa debaixo de algumas árvores por ai também. Casalzinho mais nada a ver, pior que eles só o casal alegria David e Mary."
Emma sorriu e sentou em um pedaço da espreguiçadeira que eu estava, pegando um dos meus pés e massageando deliciosamente. Acho que nenhuma grávida nunca foi tão paparicada como eu estou sendo desde que descobri a gravidez.
"Eles estão assim desde o casamento do Killian com sua irmã, mas olha o lado positivo amor..." Emma ampliou o sorriso lindo com sua presa um pouco torta. "Elsa estando com Robin você não precisa se preocupar dela comigo."
Estreitei os olhos "É bom mesmo, ainda não perdi a prática com o bisturi."
Emma colocou as duas mãos entre as pernas por reflexo e me arrependi pela ameaça, não pelo conteúdo, mas pela interrupção da minha deliciosa massagem. Bebi do meu suco e ouvimos gritos, fazendo meu amor dar um pulo engraçado e arregalar os olhos, sorri com a cena.
O escândalo desnecessário era Anna correndo dos patos furiosos enquanto gritava "Por que nunca nenhum pato acredita quando falo que não fui eu?!"
Nunca me canso dessa cena, investir em patos foi a melhor coisa que fiz para essa fazenda, aprender como enfurecê-los foi a segunda melhor. Agora preciso aprender a enfurecer gansos...
Olhei Sohara sorrindo com a cara mais sapeca do mundo perto da lagoa. Hoje ela está completando quatro anos, minha linda loirinha, quatro maravilhosos anos que babo nela, acho que corujes é eterna.
"Você ensinou nossa princesa a enfurecer os patos né?" Emma me perguntou com uma sobrancelha levantada e lábios finos.
"Que isso amor, jamais faria algo assim com a Anna." Que orgulho da minha princesa que aprendeu tão bem! Emma ainda me olhava desconfiada, se abaixou e começou a conversar com nosso filho ou filha enquanto alisava carinhosamente minha barriga.
"Se foi a mamãe que aprontou com Anna DE NOVO, da um chutinho." Esperamos alguns segundos e nada. "Ah! Qual é? Neal e Sohara sempre me entregam quando como donuts escondida ou faço algo errado." Nada ainda, tenho mais um cúmplice.
Olhei satisfeita para minha esposa, quando ela abriu a boca para falar algo sentimos um chute. Emma gargalhou enquanto agradecia dando vários beijos em minha barriga, tomei outro gole do suco engolindo junto a traição que sofri. Não tenho mais um cúmplice.
"Agora também tenho um cúmplice pra te entregar." Piscou para mim e eu revirei os olhos. "Ou uma cúmplice... Regina, não aguento mais, quero saber se será menino ou menina... Não que isso mude algo...." Falou pensativa. "Mas como ela ou ele será? Isso não sai da minha cabeça."
"Será amado, isso que importa. " Acariciei sua mão. "Agora me traga mais gelo, esse suco já ta quente." Entreguei o copo meio cheio a ela que me olhou desconfiada.
"Desde o dia que você começou a fazer sucesso naquela série que ta meio folgadinha, ta não?" Arrumou a coroa na minha cabeça.
Fingi expressão de surpresa e ofensa. "Como ousa falar isso de mim?! Claro que não! Estou assim desde o musical da Peggy Lee na Broadway há dois, você que não percebeu." Cruzei os braços. "E hoje eu estou rainha, sou a rainha dessa festa, posso dar minhas ordens."
"Você é rainha todo dia. E até parece que eu não iria perceber você aproveitando de mim por dois anos, foi depois da série sim." Tentou cruzar os braços, mas o copo atrapalhou o processo.
Peguei em seu braço e acariciei. "Você está certa amor, você com certeza perceberia coisas assim... Pessoas fazendo você fazer coisas sem perceber..." Fingi expressão de dor.
"Que foi? Que aconteceu?" Emma falou preocupada seus olhos percorrendo todo meu corpo procurando algum foco de possível dor.
"Nada, apenas um incômodo no meu pé. Não se preocupe, volte a festa, volte filmar as crianças correndo no jardim que mandei não pisarem." Antes que eu terminasse minha frase ela já estava massageando meus pés novamente, isso porque ela sempre sabe quando estou aproveitando dela, não que eu faça muito isso... Só que... Amo suas massagens.
Olhei seus olhos verdes repletos de carinho. Eu faria e ainda faço qualquer coisa por essa mulher.
Alguns poderiam até dizer que no começo nós tínhamos um relacionamento abusivo, que ela me tratava mal e eu a manipulei. Porém eu sabia cada pedra que iria por no pé, sabia todos os muros que teria que derrubar, e eram muitos... Todos os muros que ela construiu para se defender — ela se defendia e escondia demais.-
Ela também soube tudo que iria enfrentar ao me assumir, e mesmo assim não desistiu.
É claro que também é necessário sabedoria para discernir o que é uma forma de defesa de uma indiferença velada. Se uma pessoa mostrar que é indiferente a você, acredite nela.
Não vou ser hipócrita e dizer que não houve momentos que eu quis desistir dela, pois sim, eles existiram.
Joguei a toalha, mas Emma veio com flores ou simplesmente apareceu e se reinventou me fazendo lembrar para o que eu estava lutando. Eu estava lutando por mim.
Lutando por Emma eu lutei por mim e ela não me deixou desistir, e eu nunca deixei-a lutando sozinha.
É muito mais fácil sentar em cima da desgraça que está acontecendo com a gente e se vitimizar do que levantar e lutar, cair e levantar de novo.
É sempre fácil investir em pessoas que não nos tira da nossa zona de conforto, mas que também não agrega.
E é bem mais prático machucar de volta quem te machucou do que ter maturidade e entender a situação
.
A vida não é fácil, e ninguém nunca me iludiu falando que era.
Emma sempre me levou pelo caminho mais árduo e essa é uma das coisas que agradeço a ela todos os dias. Hoje dou valor a tudo que tenho. Hoje me sinto uma heroína.
Emma não apenas me ensinou a lutar, mas lutou comigo, lutou ao meu lado e esteve lá em todas as minhas quedas. Às vezes percebemos pessoas “sumirem” de nossas vidas, mas elas não sumiram, apenas perderam o interesse em nós. Emma nunca perdeu o interesse em mim e ela não me deixou ter medo mais... Nem mesmo no dia em que representei Peggy Lee pela primeira vez... Ela esteve lá no backstage falando que eu estava linda e segurando minha mão.
E foi a primeira a me aplaudir de pé, fazendo os outros seguirem seu exemplo.
Nem mesmo quando subi as escadas com as pernas tremendo para receber o Grammy ela deixou de me olhar com carinho, de me dar seu sorriso com covinhas.
Ou quando assinei o contrato para ser a protagonista da série que estou agora, ela estava ao meu lado, foi a caneta dela que o advogado jamais devolveu... Ela nunca deixou de estar comigo, sempre foi minha maior fã mesmo não tendo um snap para me seguir. E eu sempre fui a primeira a ouvir suas composições e comparecer em todos seus eventos.
E não importa o quão tarde eu chegue em casa, ela sempre está lá acordada para saber como foi meu dia com um chocolate quente ou meu tinto favorito... Assim como sempre está disposta a repassar meu script.
E não importa quantos leões matei durante o dia, sempre abro meus braços para ela se aconchegar, a protejo do mundo se necessário for. Amor é isso: Proteger e permitir ser protegido. E quando a alegria de outra pessoa é nossa alegria, entendemos o significado de amar. Hoje poso dizer o que é amor, assim como posso dizer que amo seu sorriso com covinhas.
Tanto eu teria perdido se não tivesse lutado. Às vezes basta lutar, mesmo que perca, tombe ou machuque...
Hey, cicatrizes também podem ser sexy, certo? Então não há mais desculpas, vale a pena lutar.
"Terra chamando Regina responda, câmbio." Emma brincou fingindo falar em um walk talk
"Regina na escuta, câmbio." Brinquei também com meu walk talk imaginário. "Cadê meu suco gelado terra? Responda, câmbio."
"Terra com preguiça, câmbio."
"Mas na hora de quebrar os sete anões do jardim correndo como uma criança atrás das crianças terra não teve preguiça ne?" Câmbio."
Emma gargalhou. "Em minha defesa eles estavam tramando algo contra a rainha Regina, câmbio."
"Hum, terra é um servo fiel salvando sua rainha, parabéns! Câmbio"
"Poxa, magoou... Sou apenas um servo? Achei que fosse um grande guerreiro, câmbio."
"Terra, pára de drama. Ok, terra é meu guerreiro em aprendizagem. Mas precisava quebrar a Branca de neve também, câmbio?"
"Ela que tava tramando tudo contra a rainha, os anões eram cúmplices, câmbio." A expressão de seriedade de Emma falando isso foi impagável.
"Terra, Branca de neve é tão sonsa que nem tramar uma noite quente com o Príncipe encantado ela consegue, câmbio." Rimos como duas bobas.
"Vocês tem problemas." Sohara falou uma das frases favoritas de Zelena, nos fazendo gargalhar mais.
"O que foi princesa?" Emma ainda estava com os olhos lacrimejados pelas risadas altas e bobas que demos, sua mão na barriga e sua testa franzida tentando trazer seriedade de novo.
"Esse passarinho caiu." Sohara abriu suas mãos nos mostrando um filhote de algum pássaro que não faço ideia qual seja. Me aproximei pegando o filhote em minhas mãos.
"Ele ta morto?!" Emma perguntou temerosa, e Sohara arregalou os olhos.
"Calma. Ele ta bem, só está um pouco tonto." Coloquei-o na palma da minha mão aberta e mostrei que ele estava tentando ficar de pé. Foi audível o alívio das duas preocupadas a minha frente. “Ele não caiu, possivelmente rolou do ninho, ou algo assim.”
"Posso ficar com ele?" Sohara falou animada pulando com seu vestido de princesa, o tema da festa.
"A mamãe dele deve ta procurando ele, princesa." Emma falou puxando nossa filha para um abraço.
"Se ela não achar posso ficar com ele então?" Deus não foi meu amigo ao passar minha insistência para minha filha.
"Vou pensar a respeito." Emma falou com ar de 'não' na frase.
"Mas quando você perdeu a coleira da Lola eu não contei pra mamãe e nem falei que ia pensar."
"A coleira que meu pai me deu e era a PREFERIDA da Lola!? A coleira que Emma JUROU que não viu e me fez acreditar que EU havia perdido!? A coleira que eu procurei por SEMANAS!?"
Emma e Sohara engoliram a seco.
"Deve ser outra coleira amor." Minha amada e futura defunta esposa falou suando frio. "Você pode ficar com o pássaro se a mãe dele não aparecer." Evitou meu olhar ao falar com Sohara.
Sohara me olhou por alguns instantes e depois segurou o rosto de Emma com as duas mãos. "Mãe, foi bom ter te conhecido." Falou e saiu correndo para brincar no castelo pula pula junto com as outras crianças.
"Você quer o seu lanche aqui mesmo amor?" Emma perguntou coçando sua nuca, sua testa suada de medo.
Acariciei o pássaro esquisito em minha mão, nunca perdendo meu olhar de aço. "Por favor, sim."
Vi Emma sair correndo tão rápido que deixaria Bolt com inveja.
Reencostei na espreguiçadeira enquanto alisava o filhote em minha mão, Deus que bicho feinho! E se a mãe não aparecer, eu terei que ficar alimentando-o com contra gotas, isso me trouxe lembranças do meu primeiro amor...
Daniel era veterinário, mas seu amor eram os pássaros e por ironia do destino estava com Clamidiose, uma doença passada pelas aves, infelizmente os médicos descobriram isso tarde demais. Algo tão brando ficou oculto por muito tempo, perdendo sua brandeza e se tornando mortal...
Até então ele era apenas o garoto que eu amava em silêncio, diante da gravidade meus sentimentos foram ouvidos e os ecos mostraram que era recíproco. Às vezes passamos tanto tempo criando hipóteses sobre os sentimentos dos outros, comparando aos nossos, e a falha está em não perceber que ninguém ama como a gente, e jamais na mesma intensidade.
Não é porque o outro não estava ansioso pela minha ligação que não a desejava, apenas não roia as unhas como eu fiz. Não é porque uma palavra que é doce em minha boca que não possa envenenar o outro. Às vezes machucamos muito alguém e ele simplesmente não fala.
Julgamos os outros demais pelo que somos, errei ao interpretar Daniel dessa forma, desperdicei tempo precioso. Com Emma não fiz o mesmo, errar uma vez é humano, cometer o mesmo erro novamente não é um erro, é uma escolha.
Daniel queria que eu amasse novamente, que eu fosse feliz... Mas como eu poderia se o que eu sentia por ele era tão forte?
'Certas coisas não dependem de você Gina, não se torture." Ele dizia quando eu reclama do nosso curto tempo, quando eu não podia ama-lo mais como eu queria. Ainda o amo, não da mesma forma e intensidade, mas o amo. Lembrar de alguém com carinho é uma forma de amor.
Hoje entendo a forma como ele me amava porque sinto o mesmo por Emma.
Lembro da forma como ele ficou quando pedi um filho, claro que não aceitou, ele estava pensando em mim, ele sempre pensava em mim e no meu futuro e eu só queria um pedacinho dele comigo. Lembro da nossa única vez, foi em sua cama de hospital, eu estava em minhas horas práticas obrigatórias do curso de medicina... Ele estava nervoso e eu uma bola de nervos, talvez não tenha durado nem dois minutos, mas foi o necessário.
Quando recebi o resultado de gravidez algumas semanas depois, corri desesperadamente feliz para contar a novidade, entrei no quarto já contando em frases emboladas. E vi.
Não era a cena que eu desejava. Vi vários médicos e enfermeiros ao redor da cama. Todos me olhavam com pena. Odeio aquele olhar de pena. Me faz sentir fraca e impotente. Sendo que era exatamente assim que eu me sentia naquele momento.
Fraca e impotente.
Não vi os dias passarem. Não vi as viradas de ano. E meus remédios eram tão fortes que tive a impressão que não era apenas uma criança que foi abortada, e sim tudo que eu era.
Até que um dia enquanto eu olhava através da janela do meu quarto e tive um impulso.
Me joguei da cama já catando minhas malas e colocando minhas roupas dentro dela.
Em menos de uma hora eu estava sentada em um ônibus rumo a New York. Vendi meu carro ao vizinho, sei que meu pai não aceitaria me dar qualquer valor, mas eu já estava cansada de ver tantas auroras e por do sóis sem nada mudar em minha vida. Infelizmente quando não estou “bem” é assim, esses impulsos acontecem sem eu perceber, apenas faço, negativo ou positivo, quando vejo já fiz.
Cheguei na cidade que nunca dorme, bati na porta adornada com o número 108, Zelena atendeu soltando o ar aliviada.
"Ela ta aqui pai." falou ao telefone e me deu espaço para entrar com minhas malas, Robin me ajudou, seu olhar era preocupado, Robin era como o irmão mais velho que sempre me protegia. Ele sabia que esse tipo de impulsividade faz parte da minha doença, é algo até esperado, apesar que minha irmã esqueceu disso na hora de me dar bronca.
Viver em N.Y. era totalmente diferente do que eu estava acostumada, apenas minha persistência não me permitiu desistir e descobri da pior maneira que a cidade que nunca dorme... Dorme sim, e até ronca alto, durante a noite não conseguia dormir.
Ia em várias agências, minha inexperiência me atrapalhava muito. Até que aquela com um cisne negro pintado na parede mudou minha vida. Uma garota com mechas ruivas prometeu que me ajudaria de alguma forma. Dois dias depois essa ruiva se apresentou como Ruby ao ir a minha casa e eu aceitei sua proposta antes mesmo dela fazer, afinal aquela mulher loira da foto que ela me deu era realmente muito linda, mesmo com aquela jaqueta vermelha ridícula.
Na casa de shows vi a loira pelo reflexo do espelho enquanto eu retocava a maquiagem e por alguns segundos fui irracional em ter medo dela ouvir as batidas altas do meu coração.
Derrubei-a assim que ela saiu do banheiro, o que não foi nada difícil, já que ela estava cambaleando de bêbada. Ela me pagou uma bebida e eu fiquei estática sem saber como dar o próximo passo ao ver ela se afastar.
Então ela retornou minutos depois e a ruiva mandou um beijo para mim, sinal que algo foi tramado.
Jefferson apareceu sabe-se Deus de que inferno me pedindo mais bebidas, minha vontade inicial foi quebrar o nariz dele pela forma que ele falou comigo, mas então vi a ruiva acenando para mim e então entendi a deixa, eu deveria seguir o script... Não que Jefferson não tenha sofrido no dia seguinte, eu arrumei emprego para ele e ele me tratou daquela forma Porém sou grata a ele.
Emma e eu bebemos um pouco na boate, era gostoso ouvir sua voz melódica, mesmo ela me cortando um pouco. E eu a beijei, beijei Emma com toda a vontade que cabia em mim, senti o volume em suas calças e me apavorei um pouco, havia esquecido esse detalhe, eu teria que fazer sexo... Ou no mínimo não rejeitar ela.
Saímos da casa de shows, meu coração acelerado de medo, eu era bem inexperiente e ela estava muito bêbada. Eu não iria fazer pela vaga na agência, mas pela linda mulher que me beijou como se disso dependesse sua vida.
Quando sentamos no sofá do apart éramos duas bolas de nervos. Notei como ela esfregava as mãos na calça que usava e se eu não fizesse algo logo Emma iria embora. Busquei seus lábios, subi em seu colo e me entreguei àquele momento.
Confesso que saber que... aquilo... aquilo lá, aquele negócio sabe, era de verdade e de tamanho normal me assustou um pouco, mais do que eu já estava, porém na cama ela parecia carinhosa, estava diferente da voracidade dos seus beijos anteriores.
Tentei fazer o que eu não sabia, tentei ficar calma, tentei tudo para aparentar naturalidade, mas quando ouvi o barulho da embalagem vermelha sendo aberta e Emma enrolando o látex em seu comprimento... Minhas mãos tremeram loucamente, senti um nó na garganta, mas ela foi tão calma e carinhosa.
Aquilo... aquilo lá, aquele negócio sabe, estava dentro da média americana, mas para quem é inexperiente qualquer coisa é enorme demais e talvez por isso a ardência foi incômoda.
Ela dizia coisas sujas ao pé do meu ouvido que não me excitavam, mas como ela poderia saber o que me excitava? Nós não nos conhecíamos e ela só estava tentando me acalmar.
Relaxei com seu cheiro, com o sorriso angelical dos seus lábios, com a forma como a luz da lua refletia em seus cabelos dourados, com a forma delicada que ela enlaçou seus dedos nos meus. Era excitante, era mágico e meu corpo foi tomado por aquela explosão química e física que o orgasmo proporciona. Assim que desci do auge senti vontade de sentir todo o processo de novo.
Me feriu suas palavras, me senti uma qualquer, mas depois ela foi tão carinhosa comigo. De madrugada foi tão relaxante velar seu sono, o sobe e desce do seu peito no ritmo da respiração, as caras e bocas engraçadas que ela fazia durante o sono, e novamente a cidade que nunca dorme me permitiu uma noite tranquila. Naquela época ela não sorria mito, o que era uma pena, pois seu sorriso é lindo. Há inocência ali, e quando seus lábios mostram os dentes, seus olhos sorriem juntos.
Acordei de manhã quando Emma saía silenciosamente do meu quarto, queria correr atrás mas, naquele momento eu me sentia uma qualquer. Algo descartável que ela já usou e não precisava mais... Meu trabalho havia sido feito.
"Mãe!" Neal chamou minha atenção. Olhei para seus olhos claros e sorri ao perceber o prato em sua mão.
"Por que sua irmã teimosa não trouxe meu almoço?" Perguntei com um ar fingido de chateação, meu garoto de oito anos sorriu torto.
"Ela ta filmando a Tinker e Sohara que estão fazendo maquiagem de princesa no Killian."
"Deve ter ficado estranho."
Neal fez uma careta "Não acredito que algum príncipe vai querer salvar ele da torre não, mais fácil casar com o dragão e deixar o ti' Killian lá."
Gargalhei. "Desde que não tirem meu título de rainha, não ligo para novas princesas nessa festa." Ele sorriu e arrumou sua espada de plástico na cintura. O tema da festa era, claro, princesas e ele claro, era o Príncipe Neal. "Seu pai apareceu?" Peguei o prato de sua mão e coloquei ao meu lado, Neal olhava curioso o filhote de pássaro em meu colo, até que estava confortável brincar com o rabinho esquisito dele.
"Não, só mandou um presente pra Sohara. Deve vir quando a Emma não estiver mais aqui... tipo, amanhã." Neal colocou a mão no bolso e tirou uma rosa um pouco amassada e me entregou.
"Para a melhor mãe do mundo!" Seu sorriso era cativante. O puxei para um abraço. "Roubei do buquê que a Emma vai te dar mais tarde... Não conta pra ela." Sorriu sapeca.
"Pode deixar." Sussurrei em seu ouvido e observei ele se afastar desafiando o seus amigos para algumas lutinhas.
Encarei a rosa vermelha em minha mão e lembrei da rosa que levei a Ruby, pedindo que ela me ajudasse a encontrar Emma novamente.
'Tudo vai ficar bem' Ruby me falou aquele dia. Ela daria a vida por Emma sem pestanejar e arriscou a amizade para trazer um sorriso a amiga.
Amigos são anjos interessantes, não é? Às vezes gastam horas fazendo palhaçadas para fazer você dar um sorriso de meio segundo e se sentem felizes por isso.
Fechei os olhos e voltei a acariciar meu filhote, que tomara que sobreviva porque estou gastando tempo dando carinho a ele. Senti uma textura macia em meu braço.
Abri os olhos e notei uma rosa vermelha, Sohara me olhava, aqueles olhos verdes carinhosos.
"Pegou essa rosa do buquê que sua mãe vai me dar?" Perguntei sorrindo pegando a rosa e sentindo seu aroma, puxei minha princesa para um abraço gostoso que despenteou seu cabelo um pouco.
"Como você sabe?" Sohara perguntou surpresa enquanto arrumava seu cabelo e coroa... É uma coisa com ele cabelo que só Jesus!
"Eu sei de tudo."
Sohara ficou pensativa. "Então você já sabe que mommy vai te dar uma caixa de donuts?"
"Sua mãe vai me dar uma caixa de bombas calóricas?" Falei com uma careta e Sohara gargalhou, e só então percebi que tinha caído na armadilha da minha PRÓPRIA FILHA! Cai na armadilha de uma pestinha de 4 anos, só perdôo porque é minha filha, teve a quem puxar.
"Achei que você soubesse tudo mamãe." Falou sapeca com o sorriso de covinhas de Emma. "Já posso escolher o nome do meu passarinho?"
"Ainda temos que esperar a mãe dele aparecer." Voltei a acariciar a ave que já estava ficando manhosa
"Você pode ser a mãe dele."
"Achei que fosse SEU passarinho, então você seria a mãe." Sohara fez uma careta.
"Não, sou criança, vou demorar muito pra ser mamãe"
"Tenha isso em mente pelos próximos 25 anos por favor." Olhei as duas rosas no meu colo. "Obrigada filha, obrigada por existir e ser tão boa para mim."
Sohara me abraçou de lado e sussurrou que precisava ir, mas que logo voltaria. Dei um beijo em sua bochecha e agradeci pela rosa.
Dei mais uma mordida no meu sanduíche e fechei meus olhos. Eu merecia uma soneca antes dos parabéns.
Novamente senti uma textura macia em meu braço e abri os olhos. Um garoto de aproximadamente 9 ou 10 anos me observava com seus grandes olhos castanhos.
"Oi" Ele falou sorrindo
"Oi" Peguei a rosa que ele colocou em mim.
"Trouxe suas preferidas, você sempre amou rosas vermelhas..." Passou a mão nos cabelos castanhos. "Você sempre fala que eram as preferidas da sua mãe e que seu irmão sempre te dava em seu aniversário."
O olhei surpresa, ninguém sabia dessa história, era um segredo meu e do meu irmão.
"Quem é você?" Perguntei curiosa, tentando buscar na minha mente aquele rosto meigo.
"Sou Henry, sou seu filho." Apontou para uma menina que brincava com um lindo pavão azul. "E aquela garota ali é sua filha também."
Como se tivesse sido chamada a garota levantou a cabeça e me olhou, seus olhos possuíam um castanho diferente, era como se houvesse milhões de estrelas em seus olhos. E que olhar expressivo que ela possuía.
"Sou Hera, e aquele ali é Argos” Apontou a linda ave “Sohara me deu ele de presente quando nascemos." Apontou entre Henry e ela e arregalei meus olhos
"Isso é um sonho não é?" Perguntei confusa passando a mão na minha barriga reta.
Henry sorriu "Acho que sim. “
Hera se aproximou com uma rosa vermelha na mão e me entregou, ela possui um jeito elegante de andar, seu cabelo impecável como o da Sohara... E inocência, havia inocência em seu sorriso, assim como Emma possui.
Olhei a rosa em minha mão, por algum motivo lembrei do dia da estréia da minha primeira peça. Eu já havia descoberto sobre a gravidez de Sohara, e já tinha desistido de Emma. Então ela apareceu com um buquê e frases carinhosas, um sorriso torto e abraço quente. E eu a amei mais uma vez, e nunca mais parei. Lembrei também que foi um buque de rosas que David me deu, que me fez enxergar a merda que eu estava fazendo.
Pisquei algumas vezes. "Então vocês são gêmeos?"
Ambos afirmaram com a cabeça.
"Eu tô grávida de gêmeos?" Coloquei a mão na boca surpresa. "Agora entendo o porquê da barriga enorme e essa dor nas costas que parece que irá me partir ao meio. E tantos movimentos que sinto..."
Encostei a cabeça mais uma vez na espreguiçadeira e olhei meus filhos. Eles eram realmente lindos, Emma terá problemas com seu ciúme. E se eu tiver realmente grávida de gêmeos, alguém vai passar urgente por uma vasectomia.
"Foi com uma rosa que convenci Ruby a me ajudar ver a Emma de novo. David me deu um buquê... Será que é uma profecia pra abrir uma floricultura?"
Ambos gargalharam com minha piada.
"Sonhos são só sonhos. E só estamos aqui pra te ver mãe." Hera se aproximou, sua voz era suave. "E mommy realmente vai te dar uma caixa de donuts, só que dentro tem um colar especial, ela falou isso com a gente enquanto você dormia... Na verdade falou com sua barriga." disse pensativa.
Aquele chute não foi dela com certeza. Terei mais um cúmplice, nem preciso dizer que estou feliz, né?
"Eu vou lembrar desse sonho quando acordar?" perguntei pensativa
"Detalhes não, mas a essência fica." Henry parecia ser tão sábio
Olhei para o pavão mais uma vez, ele me olhava curioso, então abriu suas penas e foi como se 100 olhos me olhassem. Olhei mais uma vez aquele casal de gêmeos, eles possuíam um olhar tão carinhoso, não vejo a hora de poder vê-los novamente.
"Regina, amor." Emma me balançava.
"Que foi?" Abri os olhos sonolenta.
"Já vamos cantar o parabéns." Sohara falou animada.
"Mas eu tirei só uma sonequinha." Bocejei e olhei o filhote de ave em meu colo que me observava curioso.
"Amor, você dormiu aí mais de duas horas." Emma olhou as rosas em meu colo, agora eram quatro, fiquei confusa da onde saíram as outras. "Da onde você tirou essas rosas?" Perguntou desconfiada.
"Uma rainha jamais revela a origem de seus presentes." Sorri e olhei e olhei minha grande barriga, os movimentos dentro dela não paravam. "Emma... quero comer donuts."
Emma me olhou surpresa, literalmente de boca aberta.
"Não me olha assim, sei lá porque, mas eu quero." Olhei para Sohara que também me olhava surpresa. "Da pra parar vocês duas? Deve ser desejo de grávida."
"Então vamos entrar que eu te dou um pouco." Emma me estendeu a mão e entreguei a ave para Sohara antes de pegar a mão da minha esposa.
"Você vai chamar Argos." Sohara conversava com a ave, aquele nome me pareceu muito familiar.
"Da onde você tirou esse nome querida?" Perguntei.
"É da mitologia grega.” Emma respondeu “É o nome do pavão da deusa Hera, era um servo de cem olhos muito fiel que em homenagem, ela o transformou no belo animal." Deu de ombros. "Você sabe que amo mitologias, tava explicando pra princesa a origem do nome dela e acabamos na mitologia grega, tive que mostrar todas as betas mitológicas no google."
“Se ela não dormir de noite você vai ficar acordada com ela.” Ameacei e senti um chute e um outro detalhe.
Segurei mais forte a mão de Emma e a puxei para um abraço, seguido por um beijo apaixonado.
"Eu te amo tanto Emma. Agradeço todos os dias por você existir e estar na minha vida."
"Eu também te amo amor." Me beijou um pouco confusa, talvez pela ação repentina que tive. Ela respirou fundo e me olhou preocupada.
Sorri ao entender a preocupação. "Calma Emma. Não é nenhum sintoma, isso sou apenas eu feliz. Você me ajuda a ser feliz." Ela soltou o ar aliviada. "Dessa vez poderei amamentar meus filhos."
"Filhos?" Sohara e Emma falaram juntas.
Olhei para Emma e a puxei, sussurrando em seu ouvido: “Amanhã vamos ao médico, acho que tem mais de uma semente sua aqui dentro."
"Você não admite mesmo que terei um cúmplice ne? Aceita que dói menos, ao menos um teria que cuidar da minha retaguarda."
Peguei sua mão e coloquei sobre minha barriga. "Há semanas sinto esses movimentos, achei que era o bebê se movendo, mas sente como parece ser em direções opostas." Os movimentos ficaram mais intensos. “Senti um chute agora pouco e foi na direção contrária onde estavam os maiores movimentos.”
Quando olhei para Emma novamente seus olhos estavam cheios de lágrimas e um sorriso não cabia em seu rosto.
"Será?" Foi tudo que disse antes de me puxar para outro beijo apaixonado.
"Depois reclamam quando dou uns selinhos na Anna." Ouvi a voz de Ruby.
"Aquilo não é selinho querida, aquilo são vocês se engolindo." Falei séria, mas sem querer deixei escapar um sorriso
"E o que vocês estão fazendo aqui é o que?" Ruby tentou argumentar.
"Desculpa meu bem, sou rainha, eu posso." Arrumei a coroa de papelão em minha cabeça e rumei para comer o bolo, estava faminta. "Emma, não esqueça o Donuts."
Eu amei, eu perdi, perdi duas vezes, três vezes, perdi muito. Me arrisquei, cai e levantei, desisti algumas vezes.
Conheci um amor duro e frio, mas que se revelou companheiro e quente.
Hoje sou feliz, claro que há momentos de correria e que não me permite curtir minha família ou a mim mesma. Há momentos difíceis em que quero explodir, sair correndo sem rumo.
Assim como há momentos que tudo que quero é agradecer.
Tudo de ruim me trouxe ao hoje, assim como o bom. Se eu não tivesse passado por tanto sofrimento não teria reconhecido a felicidade. Emma e eu te contamos nossa história, tudo que somos e sentimos.
Desculpa ... Tudo que vivemos foi intenso. Todos os nossos sentimentos e medos foram profundos a ponto de rasgar a pele e penetrar os ossos. Não separamos as vitórias dos fracassos e muito menos escondemos nossos erros.
Resta apenas a você a decisão de levar nossos aprendizado para sua vida, ou apenas virar a pág e dizer "história legal."

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