Notas iniciais
Estou com problema com itálico e negrito, depois edito pra ficar igual aos outros caps. IMPORTANTE! Há uma cena nesse cap que realmente aconteceu. É a cena entre Emma e seu pai, realmente uma intersexual ouviu isso, porém foi da sua mãe.

Estava no mínimo há 10 minutos parada no backstage, a peça já havia acabado e eu queria parabenizar Regina, ela foi ótima. Meu nome e o prestígio da produtora junto ao teatro deixaram alguns seguranças burlarem algumas regras.

Estava um pouco ansiosa, afinal assim que cheguei ao teatro pedi que entregassem a Regina um buquê de rosas vermelhas, e não tinha certeza se ela havia recebido. Escrevi no cartão:

"Desculpa ter estragado sua roupa, e desculpa pela cena que fiz na rua. E principalmente obrigada por ter ficado. MERDA!"

Pelo que sei, atores e atrizes de teatro não gostam que digam "Boa sorte!" antes de eles entrarem em cena, porque pode atrair coisas ruins. Que supersticiosos.

Antigamente, as pessoas andavam à charrete (guiado por um cavalo). E quando a peça era muito boa, e lotava o teatro, obviamente, muitos cavalos iam até o local conduzindo seus donos e com isso, muitas fezes eram encontradas no caminho. Ou seja, se havia muita 'merda', havia muitas pessoas assistindo a apresentação e, por atrair um grande público só poderia ser um bom espetáculo.

Falei isso para Ruby quando ela arregalou os olhos a me ver escrevendo "merda" no cartão, e tive que explicar como eu sabia disso. Omiti a parte que passei a tarde toda buscando informações sobre teatro, e revendo contratos e propostas que havia passado aos cuidados do David.

Quando acordei de manhã, eu estava sozinha no sofá. As xícaras não estavam mais na mesinha, à lareira estava desligada e eu sentia um vazio. A única coisa que me dizia que Regina esteve ali era seu cheiro espalhado em mim, fora isso mais nada.

Será que foi assim que Regina se sentiu nas duas vezes que fiz sexo com ela e fui embora sem me despedir? Só que ela não fez sexo comigo ontem.
A sensação era bem ruim.

Andei entre os móveis e vi a chave do meu carro e do meu loft simetricamente colocadas em uma mesa. E não havia bilhetes em nenhum canto. Dei falta de um conjunto fitness meu, normal, eu havia "estragado" a roupa dela, nada mais justo, ela não poderia sair sem roupa.

Custava deixar um bilhete?! Peguei meu celular e mandei um bom dia para ela, então peguei meu notebook e a tarde acabou.

Pessoas passavam por mim e por Ruby no backstage, em especial um moreno de dreades que não parava de olhar para a sorridente do meu lado.

"Pinoquita, tô começando a gostar de ter vindo com você. Apesar de que você me fez ficar horas sentada em uma cadeira sem comida."

Revirei os olhos e vi o tal moreno se aproximar. Assim como vi ela me abandonar. Fui trocada por dreades. E o mais interessante é que esse cara de dreades foi o par romântico de Regina na peça.

Em resumo, Regina tinha uma paixão platônica pelo protagonista que fazia dueto com uma loira. Esse protagonista por sinal era o cara que estava com as mãos no ombro dela na noite anterior. Aquele idiota que queria levar ela para casa.

Por algum motivo senti orgulho ao ver Regina tocando tão bem o piano para aquele moleque idiota cantar. Custava colocar um cara melhor para ser o amor platônico da Regina?

Então ouvi risadas e alguns passos se aproximando.

“Não entendo Regina." Uma loira espalhafatosa falava com alguém atrás dela."Ontem você jogou fora o buquê que recebeu e falou pra todo mundo ouvir que não gostava de rosas vermelhas. Agora tá agarrada nesse ai deste a hora que recebeu. Você tem problemas mulher."

Então vi Regina, logo atrás da loira estranha. Ambas ficaram surpresas ao me verem ali.

"Boa noite senhoras. Linda apresentação, fiquei encantada." Sorri para as duas e estendi a mão para a loira que de perto reconheci ser a protagonista da peça."Sou Emma."

"Prazer, Tinker." Mordi a bochecha para não rir.

"Prazer é todo meu." Olhei para Regina, ela ainda estava surpresa."Se quiser posso te levar pra casa." ofereci timidamente.

"Vamos Regina." Aquele cara, o protagonista, se aproximou dela e ela me olhou com um olhar de desculpas.

"É o jantar de comemoração da estréia, não posso faltar." Regina falou apertando o buquê em seus braços

O cara sorriu, um sorriso que me irritou.

"Posso ir com você?" Falei antes do meu cérebro raciocinar direito.

Regina sorriu, o mais belo dos sorrisos.

"Claro. Seria uma honra." Me estendeu a mão que peguei de imediato. Olhei para o cara, na esperança de dar um sorriso de triunfo, mas ele já estava longe de braços dados a Tinker.

"O nome dela é Tinker mesmo?" Perguntei e Regina assentiu com a cabeça."Por acaso o sobrenome é Bell?”


Sorriu"Não lembro o sobrenome dela." Saímos do teatro.

"Ela é bonita." Falei e notei o olhar que Regina me lançou, não era um olhar muito carinhoso. Ela respirou fundo e disse

"Tinker e o Grahan formam um lindo casal de protagonistas. Afinal, ele é lindo."

Respirei fundo e olhei para ela que sorria de lado, indo para o lado de passageiro do meu carro.

Chegamos ao tal restaurante e fiquei surpresa ao ter que manobrar para o manobrista. Por um momento quase exigi o uniforme também. Entreguei a chave a ele e fiz um olhar de adeus gorjeta.

Aproximei-me de Regina que tinha um sorriso divertido no rosto.

"Você fica fofa resmungando." Ela falou e eu sorri, acredito que eu tenha corado.

Entramos no restaurante e o maître nos levou a mesa onde estavam cinco pessoas sentadas, mais o casal protagonista. Todos se apresentaram e eu sentei entre Regina e Tinker.

"Não posso demorar, tenho que levar a pelúcia do Sid que o Neal pediu, ele ama A era do gelo." sussurrei para Regina quando o garçom entregou o menu.

"Apenas espere Maleficent chegar, então pode ir." Sussurrou.

"Esse é o nome dela? Maleficent?" Perguntei assustada, depois de Tinker custa nada perguntar.

Regina sorriu "Não, é um apelido. Ela participou de uma peça infantil, e esse era seu personagem, Maleficent. Foi seu maior personagem." Sorriu maliciosa, fiquei confusa com esse sorriso.

"E você? Quem você gostaria de interpretar em uma história infantil?" Perguntei me aproximando mais dela. Regina levantou os olhos do menu e parecia pensativa.

"Com certeza um vilão. Mocinhos me dão tédio."

"Ah" fiz biquinho."Eu seria uma mocinha" brinquei.

"Consigo te ver com uma espada matando os vilões." Se aproximou mais de mim."Desfilando em um cavalo branco. Você com certeza seria uma linda princesa e desbancaria muitos príncipes prepotentes." Sorriu e eu senti meu rosto queimar.

"E eu com certeza consigo te ver com um espartilho medieval e vestido preto colado enquanto exibe uma pose de rainha." Sorri de modo safado, eu realmente conseguia imaginar.

"E qual rainha eu seria?" Se aproximou de mim colocando a mão em minha coxa, seu tom era sensual.

"Acho que você seria a rainha má da Branca de neve. A mais bela de todo o reino e com direito a espelho e maçã."

"E você iria provar do meu fruto proibido?"

Ouvimos um limpar de garganta e corei ao perceber que nossa conversa não era mais particular.

Tinker começou a falar de uma série e todos empolgados interagiram. Então aquela loira piscou para Regina, como quem diz "De nada." Havia certa intimidade entre elas, algo que não entendi bem. Assim como o olhar de reconhecimento que recebi de Tinker quando a vi no backstage.

Quando nosso jantar chegou, Maleficent, uma ruiva e um homem chegaram junto, e posso dizer que Maleficent é... Interessante. Senti que conhecia aquela ruiva de algum lugar, e com certeza reconheci o homem, era o mesmo que pediu duas bebidas a Regina no dia que a conheci na casa de shows.

Pessoas misteriosas e estranhas faziam parte do circulo de amizades de Regina. Eles falavam muitas vezes em código e com olhares estranhos para mim.
Odeio não ter controle sobre a situação.

"Desculpa, tenho que ir." Falei e todos me olharam, em sequência olharam para Regina.

"Você poderia me dar uma carona?" Ela perguntou e eu concordei com a cabeça.

Despedimos-nos de todos, dei um valor para ajudar na conta e saímos.

"Vou passar na casa da minha mãe primeiro porque é mais perto..." Minha mãe morava ao sul."Então depois te deixo em casa." Regina morava ao leste e eu a oeste.

"Tudo bem." Ela fechou o casaco enquanto aguardávamos o meu carro. Um SUV amarelo parou a nossa frente e o manobrista me entregou a chave. O encarei atônita com a confusão.

"O carro dela é um Mustang. Você é tão idiota que não sabe a diferença?" Regina falou ríspida com o manobrista e me assustei um pouco, o que aconteceu? Que tom agressivo e frio era aquele?

Em menos de dois minutos meu carro certo foi entregue com milhares de "I'm so sorry."

Entramos no carro, todo o caminho apenas o rádio falou. Regina estava séria ao meu lado, olhos distantes enquanto brincava com o anel em seu anelar.
Quando parei em frente a minha antiga casa, pensei realmente em dar meia volta e ir embora após a visão que tive.

Um Mustang azul antigo estava parado na garagem, o carro do meu pai.

***

"Emmaaaaaaa!" Neal veio chorando em minha direção me abraçando desesperado assim que entrei na sala da casa dos meus pais. "Me deixa ir dormir na sua casa?" Soluçava agarrado as minhas pernas, lágrimas como rio escorrendo por seu rosto já vermelho.

"Não. Ela tem visita hoje Neal." Minha mãe falou apontando para Regina do meu lado e sem surpresa nenhuma foi ignorada pelo meu irmão que fungava e limpava o nariz na manga de sua blusa.

"Neal." Agachei ficando na sua altura, olhando seus olhos inchados de chorar. "Eu não posso te levar, você sabe disso."

Meu coração doía ao ver ele tão desesperado assim, agarrado a mim com os nós dos seus dedos brancos pela pressão em não me soltar.

"Por favooor! Emmaaa!” Ele implorou e meus olhos começaram a arder, eu não podia levá-lo, a regra sempre foi passar o dia com ele e devolver à noite, como um aluguel de irmão.

Olhei para Regina, ela se abaixou também e estendeu os braços pedindo um abraço a ele. Neal correu e caiu em seus braços, ela o apertou com força. Levantei e olhei minha mãe.

"Mãe, uma noite apenas não teria problema." Me aproximei de Ingrid e ela me deu um olhar sofrido, como se quisesse me dizer algo.

"Você não vai levá-lo pra lugar nenhum. Ele é meu filho e está de castigo." Leopoldo entrou na sala, olhou para mim e depois encarou Regina.

"Por quê?" Dei dois passos ficando quase na frente de Regina e Neal e ergui meu queixo, desafiando meu pai.

"Por que ele está com a palhaçada de querer ir morar com você!" Me apontou um dedo. "Já não bastava você ter jogado o nosso nome na lama e agora vira MEU FILHO CONTRA MIM!?" Gritou

"Eu não virei ninguém contra você, você mesmo fez isso ao ser tão ausente." Minha voz estava calma, porém eu podia ouvir meu coração batendo em meu ouvido, minhas mãos suavam.

"Eu nunca fui negligente em nada. Ele tem teto, tem comida e tem estudo, o que mais pode querer?" Ergueu os braços e depois o soltou.

"Falta carinho e atenção" Falei me colocando completamente na frente de Regina e Neal, ao perceber que Leopoldo deu dois passos na direção deles, e percebi que ele estava amarelado. Por que meu pai estava amarelo?

"Você teve isso tudo e agora..." Apontou para mim de cima a baixo. "Transformou nessa coisa que ninguém sabe o que é."

"Sou Emma Swan. E isso basta!" Falei mais alto que planejei.

Ele aproximou dois passos de mim, peito aberto e senti Regina apertar minha mão, ela agora estava ao meu lado segurando Neal no colo.

"Olha aqui Elijah, não ouse levantar a voz comigo! Você me deve respeito!" Meu pai gritou apontando um dedo pra mim.

"Você nunca me respeitou!" Aproximei dele, o branco dos seus olhos estava âmbar, minha mãe nos olhava pálida.

"Como vou respeitar uma mutação?!" Ele gritou e eu engoli a seco. "Porque uma coisa que não da pra saber se é homem ou mulher, além de ser nojento é uma mutação!"

As palavras fugiram da minha boca no mesmo instante que senti um aperto no meu peito. Olhei para Neal, ele estava com o rosto escondido no pescoço de Regina, e ela encarava Leopoldo com os dentes trincados de raiva.

Meu pai olhou para Regina e riu com escárnio ao me olhar de novo. "Afinal foi isso que o médico falou: Mosaicismo genético." Usou a mão como se fosse um letreiro. "Uma mutação genética."

Ele balançou a cabeça "Eu te amei Elijah, realmente amei, como um pai pode amar um filho." Sorriu com desdém. "Coisa que você nunca vai ser, um pai. E por pura teimosia."

Minha mãe estava com as mãos na boca, seus olhos como cachoeira. E Leopoldo me encarou mais uma vez "Mas esse amor acabou no momento em que você se tornou essa aberração da natureza. Só volte aqui quando você resolver ser um homem de verdade, um homem que sua mãe pariu e eu criei." Deu a sentença e senti meus olhos arderem mais, não é minha culpa, nunca foi não pedi para ser intersexual. O nó em minha garganta ficou mais incômodo, mas eu não iria chorar.

Never again.

Regina ficou na minha frente "Você pode até ter parido uma aberração da natureza, mas você não pode trata lá como tal. Se quiser culpar alguém, culpe a si mesmo." Ela cuspiu as palavras e Leopoldo tirou Neal dos seus braços indo para outro cômodo da casa.

"Emma, por favor." Minha mãe implorou, se aproximou de mim com seus olhos vermelhos de lágrimas.

Andei em direção a porta, apenas parei para jogar a pelúcia no sofá.

Soltei o ar ao parar em frente ao meu carro coloquei minhas mãos no teto amarelo enquanto tentava em vão fazer meu coração desacelerar. Já passei por isso antes, por que ainda dói tanto?

"Você quer que eu dirija?" Regina perguntou, mão alisando meu ombro, olhar carinhoso.

"Obrigada." Entramos no carro e ela deu partida.

"Me deixa dormir na sua casa hoje?" Pediu, sua voz estava neutra.

"Eu não quero sexo." Falei e me virei para a janela.

"Não estou oferecendo sexo. Eu lhe disse que queria ser sua amiga." Regina falou parando em um sinal.

"Mas por quê?" A olhei, ela parecia surpresa com a pergunta. Boca semi aberta enquanto me olhava com a testa franzida.

"Porque o que?"

"Você tem sido tão boa pra mim e você quase não me conhece." Regina abriu a boca para responder, mas um carro buzinou atrás avisando o sinal verde. Continuei "Eu só quero dizer que não somos amigas há muito tempo. Como você pode ser minha melhor amiga tão rápido?"

"Eu só me preocupo com você, ok? Há algo de errado com isso?" Acelerou e fez uma curva fechada sem frear, ela estava nervosa.

"Não, Regina. Eu só..."

"E, além disso, você foi uma amiga de verdade me ajudando quando precisei. Então, por que você não pode simplesmente ficar grata com minha gratidão e aceitar minha amizade?!" Alterou seu tom de voz.

"É realmente difícil acreditar que alguém só se preocupa com você?!" Jogou as palavras no ar, a mágoa nítida em sua voz.

"Eu sei." Suspirei "Eu sinto muito. Esquece o que eu falei, às vezes sou uma idiota."

"Você não é." Regina sorriu levemente e encostou o carro, ligando o pisca alerta. "Sei que seu pai a machucou muito, mas eu não vou você pode confiar em mim." Colocou a mão na minha coxa carinhosamente.

"Não sou muito boa em confiar." Falei colocando minha mão sobre a dela, aceitando o carinho.

"Não precisa ter medo Emma. Sei que você preferiu acreditar no que os espelhos dizem a você e nos que os olhos dos outros refletem ao invés de acreditar no que as pessoas que precisam e gostam de você sentem e pensam. Mas você é especial, tem um coração bom. É praticamente uma mãe pro Neal, Ruby procura você pra tudo e foi uma das pessoas que mais me ajudou." Piscou pra mim "Eu notei as notas extras na minha caixa de gorjeta sempre que você comprava algum doce."

Corei.

"Não preocupa com o que seu pai falou aquilo é apenas medo misturado com mente pequena. Não importa como você nasceu, mas quem você se tornou."

Seu olhar era tão carinhoso.

"Eu quero que você durma comigo hoje." Falei e ela sorriu, dando partida de novo no carro.

***

Acordei, ainda era noite, olhei ao redor na cama, Regina não estava e de novo aquele vazio em meu peito. Sentei abruptamente, então ouvi algo vibrar, era um celular em cima da mesinha ao lado da cama. Não era meu celular, e senti um alivio percorrer meu corpo. Ela ainda estava aqui, ao menos seu celular estava. Toquei o lençol, estava frio, fazia tempo que ela havia saído.

Após alguns minutos comecei a me preocupar, quando sentei, pronta para levantar, ouvi barulhos na casa, então notei uma luz fraca entrando pela fresta da porta. Ela estava lá, em algum lugar do meu loft.

Após mais alguns torturantes minutos Regina entrou no quarto, vestia apenas uma blusa minha e calcinha vermelha, notei que ela estava um pouco pálida.

Ela me sorriu sem graça e deitou na cama, se alinhando a mim. Por reflexo a abracei forte e noite que ela estava suando frio, me preocupei.

"Você está bem?" Perguntei já traçando em minha mente o caminho do hospital mais próximo. "Regina?"

Encarei-a e ela sorriu nervosa e me beijou, senti o gosto de creme dental na sua boca.

"Estou bem, só me abraça."

Abracei-a mais apertado, por algum motivo meu coração estava batendo mais forte que o normal, minhas mãos suavam e minha boca estava seca. Respirei fundo ao perceber que minha respiração estava acelerada. Medo, todos esses sintomas eram de medo, mas por que eu estava com medo?

"Regina, está acontecendo alguma coisa?" Perguntei e dei deixei um beijo em sua têmpora.

"Não precisa se preocupar é apenas um mal estar." Acariciou meu braço.

"Vamos ao médico." falei enfática. "E nada me fará mudar de ideia." Comecei a levantar e ela me segurou respirando fundo antes de responder.

"Não precisa, eu só parei de tomar um remédio e estou sentindo os efeitos da abstinência, só isso." afirmou olhando em meus olhos.

"Remédio pra que?"

Seu silêncio me incomodou um pouco e minha cabeça fervilhou.
Seria o anticoncepcional? Mas não acho que ele cause sintomas após alguma interrupção. Merda! Devia ter escolhido medicina ao invés de música. Será que ela está doente? Mas parece tão perfeita.

Fui pega de surpresa por um beijo calmo e doce. Nossas línguas se encontraram, estava bom, porém eu ainda estava preocupada.

"Regina, não seria melhor ir a algum médico ou repousar?"

"Estou bem Emma, só preciso de você?"

Apertei-a mais em meus braços e notei que ela já estava quente de novo. Retomei nosso beijo, sua mão deslizando por meu abdômen devagar, me causando arrepios.

Seus beijos desceram para meu pescoço e meus dedos se perderam nos cabelos escuros. Tudo que eu queria era abraçar ela mais forte, sentir seu corpo no meu. Que sensação estranha.

Deitei sobre ela e tirei sua camisa, distribuindo beijos e mordidas por seu pescoço, colo e seios. Ela gemia manhoso, olhos fechados sentindo meus movimentos. Gastei um longo tempo sentindo seus seios macios em minha boca, um de cada vez. Não pensava em me satisfazer, tudo que eu queria era sentir cada pedacinho dela, e isso era novo para mim.

Desci por seu abdômen até suas coxas e ela se agarrou ao lençol, gostei de saber de sua sensibilidade naquele local.

Então, eu vi a lingerie de renda vermelha, estava tão perto, não resisti e beijei sua virilha por cima do tecido, mordi de leve e seus quadris levantaram da cama. Retirei a peça e deixei meu instinto falar por mim, explorando cada parte úmida e quente pela primeira vez, era minha primeira vez fazendo aquilo.

Lembrei de sua brincadeira de mais cedo "Provar meu fruto proibido." Acredito que seja exatamente isso que estou fazendo agora.

Penetrei dois dedos sem cessar o movimento da minha língua e
a cena era realmente linda, seu suor grudando seu cabelo na testa, seu corpo se contorcendo e suas mãos puxando o lençol branco da cama.

Como nunca fiz isso antes? É realmente maravilhoso.

Era divertido e excitante como ela não conseguia parar quieta na cama, como se a cada segundo ondas de energia elétricas passassem por seu corpo de forma prazerosa. Suas mãos perdidas em meus cabelos. Seus gemidos. Sua intimidade tão molhada, com certeza faria aquilo mais vezes, muito mais vezes.

Seus gemidos manhosos foram substituídos pela respiração descompassada. E então ela tremeu, suas unhas em meus ombros me apertando, sibilando frases desconexas, relaxando seu corpo em seguida.

Subi por cima dela e tomei seus lábios, uma vontade louca de beijá-la me dominando. Após alguns segundos ela quebrou o beijo e riu.

"Preciso de um tempo." Falou acariciando minha nuca.

"Isso foi incrível!" Exclamei entusiasmada e sorri, deitando em seu ombro, sentindo sua respiração rápida contracenando com a minha. Fechei os olhos e então lembrei que foi exatamente isso que aconteceu na nossa primeira noite juntas, porém em situações invertidas. Ela me beijou após meu orgasmo e eu disse que precisava de tempo, depois ela disse que "Foi incrível" com entusiasmo.

Droga!

Por um milésimo de segundo imaginei que ela poderia ter me manipulado todo esse tempo, se aproximando da forma certa e me envolvendo.

Droga. Eu também imaginei, quando a conheci, que ela era uma interesseira e tudo que vi até agora foi uma mulher perseverante que está lutando por seu sonho.

E conseguir me deixar de quatro por ela não ajudará em nada nesse caminho ao estrelato.

É apenas meu medo plantando evidências desnecessárias.

E ela nunca me pediu nada.

Talvez ela seja apenas uma carente que precisa de alguém por perto.

Assim como eu.

"Emma?"

"Oi" falei ainda deitada em seu ombro.

"Seu..." sua voz estava tímida "Seu, é... Ele tá me..."

Notei o desconforto em sua voz e também notei que eu estava muito excitada, muito mesmo, e estava pressionado o centro dela com minha 'animação'.

"Desculpa, não percebi." Tentei afastar e ela me segurou.

"Apenas tire a roupa, é ela que está me incomodando." Sorriu diabólica.

"Você já está pronta?" Perguntei ciente de sua sensibilidade pós orgasmo e tirando minha cueca, ela sorriu e me puxou pelos ombros.

Posicionei melhor e a penetrei devagar, percebi que ela se contorceu, estava com dor, ainda estava muito sensível. Por que ela tenta me agradar quando ainda não esta pronta?

Parei meus movimentos e a beijei. Nosso beijo era calmo, poderia ousar até dizer que era romântico.

‘Por que você seria minha amiga se eu não te dar nada em troca? ‘ Lembrei dela falando isso

Droga!

Fechei meus olhos, algumas coisas faziam sentido agora, essa era a forma que ela encontrou de não me deixar afastar.

Ficamos por um tempo assim, paradas. Permaneci dentro dela, nossas línguas trabalhando em sincronia, suas mãos acariciando minhas costas.

Parei e olhei seu rosto, ela é tão linda.

Movimentei devagar e Regina me abraçou.

Fizemos amor.

Amor, não sexo.

Eu queria sexo, porém a todo o momento ela pedia para ir com mais calma, ir mais devagar e brando.

E então ela chorou, eu não soube o que fazer, assim que gozamos ela chorou. Apenas a abracei enquanto ela soluçava e não queria me dizer o porquê das lágrimas.

"O que foi?" Tentei de novo, talvez fosse a quarta vez que eu perguntava.

"Nada. Só me abraça" Me abraçou mais forte, suas lágrimas molhando meu ombro.

"Me fala Regina, o que está acontecendo?" Afastei e olhei em seus olhos já vermelhos.

Ela me olhou por alguns segundos e pude ver a batalha sendo travada por trás do seu olhar.
Fechou os olhos e respirou fundo, quando os abriu novamente, a batalha havia cessado.

"Emma, seu eu fosse ..." Meu celular vibrou na mesinha e então o toque começou.

"Deixa tocar, continua." Falei.

Ela engoliu a seco e ficou me olhando por um tempo. O celular parou, segundos depois vibrou e a irritante música começou.

"Você não vai atender?" Perguntou

"Você é mais importante." Ela sorriu "Continua, se você fosse o que?"

Regina olhou para o lado, parecia nervosa.

"OK, vamos fazer assim, eu deixo você me perguntar o que você quiser, e vou responder. E você continua a frase que começou, OK?" O celular parou e voltou a tocar, isso já estava me irritando, mas eu precisava saber sobre Regina, agora mais que nunca.

Ela balançou a cabeça, olhou para o celular escandaloso e depois me olhou.

"Emma, por que você tem medo de se entregar?"

Respirei fundo, não esperava por essa, e pensei por alguns segundos na hipótese de deixar esse jogo para lá. Eu realmente precisava saber sobre ela?

"Porque não quero me decepcionar. Amor machuca e dói." Falei, e fiquei surpresa com minha sinceridade.

"O que dói são as escolhas feitas em nome dele. Ele não dói." Passou a mão em meu rosto. O celular parou e voltou a tocar.

"Mas nos deixa mais fracos." Retruquei.

"E para o que você precisa ser forte?"

Peguei o celular, senti o sangue em minhas veias congelarem quando li o nome "Ingrid" na tela. O pavor me dominando ao pensar que poderia ter acontecido algo com meu irmão.

"Alô."

Minha mãe estava histérica, não consegui entender direito, acho que aconteceu algo com meu pai.

Peguei o endereço, desliguei e me virei para Regina

"Vou precisar da sua ajuda."

Notas finais
Deixe-me saber sua opinião.