Comandante Potter
3 III - Auror Evans.
Notas iniciais
[SÁBADO – SALÃO DE FESTAS THE ROOF GARDENS & BABYLON]
Ao encostar os lábios nos dela, sentindo-a sem qualquer resistência, James deixou escapar um murmúrio. Diferente do primeiro beijo que haviam trocado, aquele era nervoso, cheio de tensão. Havia muita necessidade entre eles, muita vontade.
Ela gemeu quando ele a grudou contra a parede, suspirando ao senti-lo aprofundar ainda mais o beijo, deixando-a zonza e sem fôlego e, sem se importar se estava sendo inapropriada, Lily baixou as mãos, enfiando-as por dentro do sobretudo de tecido caro que ele vestia, arranhando-o com força por toda suas costas por cima do tecido fino de sua camisa. James praticamente rosnou ao senti-la fazer aquilo, também baixando suas mãos até segurá-la pela cintura e puxá-la ainda mais contra si.
Foi muito satisfatório ouvi-la grunhir ao senti-lo duro contra ela.
E, por Merlin, ele nunca havia estado tão duro. Estar em contato daquela forma com Evans, sentindo seu ventre quente por cima dos tecidos de seu vestido, era enlouquecedor. James a queria como jamais havia querido qualquer outra pessoa. Ele precisava dela.
Não soube como, mas Lily tinha erguido uma das pernas, apoiando-a no pequeno degrau que havia contra a parede, de modo que se encaixasse melhor contra seu quadril, fazendo com que ambos gemessem, desejosos, ao sentirem suas partes mais íntimas se encontrarem.
Baixando dos lábios para o pescoço dela, James não se importou se deixaria marcas. Muito pelo contrário: gostaria muito de deixá-las e, bem, Lily não parecia se negar, ocupada demais mordendo os próprios lábios, evitando que os gritos que ela queria soltar escapassem por ali, delatando sua posição.
E, Merlin, que posição.
Sentiu uma das mãos dele enfiar-se por dentro de seu vestido, subindo pela coxa que havia erguido até a altura de seu quadril.
Suspirou a cada centímetro que ele tocava, sentindo-se como jamais havia se sentido com tão somente o toque. Se Potter era capaz de leva-la à loucura somente tocando nela, o que mais ele seria capaz de fazer se eles decidissem continuar com aquilo?
Ela estava pagando para saber.
Quando, por fim, James chegou até a sua virilha, Lily puxou seu rosto para o dela, transformando toda sua vontade de gritar em um beijo de tirar o fôlego. Ele continuou o percurso, afastando o tecido com delicadeza antes de continuar a tocá-la, acariciando-a com a destreza de alguém que sabia o que estava fazendo.
— James. — Ela suspirou o nome contra seus lábios quando ele finalmente a tocou lá.
— Lily. — Ele gemeu em resposta, tão entregue àquele momento quanto ela.
Nenhum deles havia se sentido daquele jeito antes, tão... desnorteados. Lily havia pensado que nada além das carícias desajeitadas de Shacklebolt fossem possíveis e, James, apesar de ter se aventurado algumas vezes nos dois últimos anos, jamais havia se imaginado capaz de sentir todo aquele amontoamento de emoções com apenas alguns beijos e carícias.
Os lábios de Evans pareciam mais doces a cada segundo sob os dele, fazendo-o não conseguir parar de beijá-los. Lily queria que ele continuasse, mas o desconforto que sentia no meio de seus seios – mais exatamente no local onde havia colocado o bezoar e a varinha – fez com que ela despertasse.
— Potter. — Sua voz não era forte o suficiente. — Potter. — Repetiu, mais forte, fazendo com que ele erguesse os olhos para ela. O que, ela percebeu segundos depois, foi um erro.
A quantidade de desejo que viu ali, no mar castanho que era sua íris, a deixou totalmente sem fôlego. E então eles voltaram a se beijar, intensos, como se ela não houvesse interrompido. Só para que, instantes depois, sentindo novamente o desconforto contra o peito, Lily o afastasse com muita dificuldade.
Ofegante, ela tentou ignorar a sensação de vazio que a distância que havia entre os dois causava, antes de falar.
— Precisamos... sair... daqui. — Ela disse, irritando-se com a rouquidão da própria voz. — Precisamos sair daqui. — Repetiu e teve maior sucesso. — Antes que alguém nos encontre, Potter. — Evitou encará-lo, sem querer encontrar algo em seus olhos que a faria puxá-lo novamente.
James assentiu, sem conseguir pensar em nada racional para respondê-la.
— Certo. — Ela murmurou, mais para si mesma do que para ele antes de começar a ajeitar o vestido que estava totalmente fora do lugar.
Por Merlin, como as coisas tinham fugido do controle daquele jeito?
— Você tem uma... marca no pescoço. — James murmurou mais constrangido do que gostaria para ela. Lily finalmente ergueu os olhos, mordendo os lábios ao encará-lo. Ela levou uma mão até o pescoço, tocando no lugar onde os lábios dele haviam estado minutos atrás. — Se quiser eu, hm... posso...?
Lily assentiu, sem jeito, sabendo que ele faria um trabalho melhor disfarçando as marcas do que ela, afinal não havia nenhum espelho por perto para que pudesse se enxergar e a iluminação era precária. Pôde perceber que Potter estava sendo cuidadoso ao chegar perto dela, como se temesse que ela o puxasse de volta ou qualquer coisa assim. Levando em conta a forma como o corpo dela estava reagindo com a proximidade, ela concordava totalmente com o comportamento dele.
— Obrigada. — Murmurou, sem jeito, quando ele se afastou. — Eu vou... sair primeiro para que você se transfigure e tudo o mais. — Ela disse e, sem esperar por uma resposta, afastou levemente a cortina da alcova e saiu para a festa que estava muito mais cheia do que antes.
Pegando uma taça de hidromel de uma das bandejas dos Elfos Domésticos que passavam por perto, Lily virou tudo de um gole, esperando que o líquido doce queimasse os resquícios do que havia acontecido entre ela e Potter de dentro de si.
Céus, ela estava em uma missão! Estava cheio de prováveis Comensais da Morte ali! E, ao invés de se preocupar com aquilo, Lily tinha ficado aos beijos com o seu comandante. Que diabos estava pensando?
Afastando tais pensamentos, sabendo que não a levariam a nada produtivo – principalmente na situação em que se encontrava – Lily voltou a prestar atenção na festa à sua volta, preparando-se para continuar a investigação. Colocando seu sorriso mais simpático no rosto, cumprimentou cada pessoa que passava por ela.
Algum tempo depois, encontrou a mesma moça com quem Potter estivera conversando anteriormente e, ao conversar com ela, descobriu que, assim como Snape, ela também parecia adorar o Lorde das Trevas.
Estava tentando manter a expressão complacente no lugar – não querendo transmitir o nojo que sentia ao ouvi-la falar tantas asneiras – quando algo suspeito atraiu sua atenção.
Numa das alcovas próximas de onde se encontrava, alguém estranhamente conhecido atraiu sua atenção: um homem gordinho e baixo, a expressão meio raquítica. Lily podia jurar que já o havia visto antes, porém não conseguia lembrar onde.
Para sua surpresa, percebeu que ele estava conversando de forma bastante enérgica com Severus Snape.
—... nascidos-trouxas são claramente a doença da nossa bruxindade. — A mulher, que ela descobriu se chamar Bellatrix Lestrange, comentou, atraindo a atenção dela.
Lily sentiu os punhos cerrarem, mas forçou um sorriso nos lábios.
— Não posso concordar mais. — Disse, sentindo-se ultrajada com as próprias palavras. Bellatrix, parecendo aprovar a reação de Lily, sorriu para ela antes de continuar a falar sobre os planos para uma sociedade livre daquela doença.
Somente uma parte da mente de Lily estava focada naquela conversa, contudo. Havia um sentimento de urgência em sua mente, alastrando-se rapidamente por ela, fazendo com que, de segundo em segundo, ela voltasse os olhos em direção ao homem atarracado junto de Snape.
Merlin, onde estava Potter? Indagou-se, frustrada. Talvez ele pudesse dizer quem era o homem, afinal ele conhecia boa parte das pessoas que estavam naquela festa – para não falar de grande parte da sociedade bruxa inglesa. Ergueu os olhos e buscou ao seu redor, procurando por ele, sorrindo e assentindo para qualquer coisa asquerosa que Lestrange estava dizendo. Sentiu um alívio indescritível quando o encontrou – depois de passar os olhos por ele umas duas vezes antes de lembrar que ele estava modificado— parado há alguns metros de distância, encarando-a de volta.
James ergueu o drink em suas mãos para ela, em um claro sinal de reconhecimento.
Sutil, Lily indicou com a mão que segurava a própria taça, fingindo ajeitar uma pulseira, o lugar onde Snape e o homem se encontravam. James felizmente captou a mensagem – fazendo com que a admiração de Lily pelo auror que ele era aumentasse um pouco mais – e começou a se mover naquela direção, embora ainda não conseguisse ver o que ela tentava lhe mostrar.
—... Lorde das Trevas é maravilhoso.
— Sim, realmente. — Lily assentiu para Lestrange, bebericando um pouco mais de sua bebida para tentar afastar o amargor que aquelas palavras traziam para sua boca.
Estava pensando numa desculpa para se afastar da mulher quando ergueu os olhos novamente para observar os dois homens e se deparou com o olhar desconfiado do mais baixo sobre ela.
E então ela lembrou de onde o conhecia.
Peter Pettigrew. O auror que havia tirado licença no ano anterior por conta dos problemas de saúde da mãe. O garoto que sempre andava junto de Potter, Black e Lupin na escola.
O sentimento de urgência se alastrou por Lily. Por Merlin, ela estava tão ferrada, pensou, sabendo que se Pettigrew estava confabulando com Snape aquilo só podia significar duas coisas: ou ele estava investigando assim como ela e Potter – o que era bastante improvável afinal ele estava de licença— ou ele tinha se bandeado para o lado do Lorde das Trevas.
Tendo quase cem por cento de certeza sobre a segunda opção, Lily ofegou quando os olhos dele arregalaram em reconhecimento.
— Hm, com licença. — Lily murmurou para Bellatrix, sem se importar se estava sendo grosseira, antes de começar a se afastar rapidamente, varrendo o salão com os olhos novamente, desesperada à procura de Potter. — Merda! Onde você está? — Reclamou enquanto sentia o coração acelerar contra o peito, fazendo-a suar.
Eles precisavam sair dali antes que Pettigrew os descobrisse. Ou, melhor dizendo: descobrisse James. Não seria inteligente da parte deles, aurores, continuarem naquele lugar com tantos bruxos que defendiam o purismo e Voldemort – acabariam mortos antes de encontrarem a saída.
Estava quase no lado oposto do salão quando sentiu alguém puxá-la pelo braço. Soube imediatamente que não se tratava de Potter, pois os arrepios que subiram por sua pele eram de asco.
Ao voltar-se para ver de quem se tratava, deparou-se com Pettigrew e, um pouco mais atrás, Severus Snape.
— Evans. — O som da voz de Pettigrew era fraco como sempre, contudo Lily não lembrava de ele ter aquele olhar maldoso antes.
— Pettigrew. — Ela sorriu para ele, sentindo a calma que sempre a tomava quando estava em situações de risco recair sobre ela. Precisava ser cuidadosa. Precisava pensar e ter paciência. Potter logo a encontraria. Ou, bem, era com aquilo que estava contando. — Como vai a sua mãe? — Indagou, fingindo-se de sonsa.
Pettigrew franziu os lábios, claramente incomodado com a audácia.
— Muito bem. — Estreitou os olhos. — O que está fazendo aqui?
— É verdade o que ele está falando? — Snape se pronunciou, aproximando-se e a encarando com a expressão contrariada. Estava bastante claro para a Lily que ele se sentia traído por conta de sua mentira. — Você não é Lihana Elverdork?
— Desculpe por isso, Severus. — Lily disse, embora não se sentisse culpada. — Ossos do ofício, sabe como é. — E ossos seriam as únicas coisas que restariam dela se Potter não aparecesse logo.
— Não seja cínica, Evans. O que está fazendo aqui? Você não concluiu o treinamento ainda, concluiu? Então onde está o seu parceiro? Ou vai me dizer que está sozinha? — E estava claro que Peter não acreditava que ela estivesse.
— Não vejo porque seria da sua conta. — Lily retrucou, irônica. — Agora, se puderem me dar licença, Senhores, tenho mais o que fazer...
Pettigrew soltou uma risadinha asquerosa, ainda sem soltar o pulso de Lily; pelo contrário: segurou-a mais forte.
— Você não acha mesmo que vamos te deixar sair daqui, não é? — Peter bufou. — Este não é um lugar muito bom para sangue-ruins, Evans.
Snape pareceu abismado ao ouvir aquilo. Não tanto quanto Lily que, perdendo o controle, acabou por elevar a mão que ainda estava livre e desferir um tapa com toda a força que possuía contra o rosto de Pettigrew.
O barulho pareceu ecoar pelo salão, atraindo muito mais atenção do que ela gostaria. Mas ela não se importou. Estava lívida de irritação.
— Sua vagabunda! — Pettigrew rosnou para ela, furioso. Ela tinha certeza de que ele pretendia bater em seu rosto ao erguer a mão, contudo, antes que conseguisse Pettigrew foi jogado para longe dela, estatelando-se sobre o palco, fazendo com que os integrantes da banda que tocava se desiquilibrassem e caíssem uns sobre os outros.
O silêncio que recaiu sobre o local era tenso. Todos os olhares estavam sobre Pettigrew, pasmos.
— Aurores! Temos aurores aqui! — A voz de Pettigrew soou abafada enquanto ele tentava se afastar dos destroços de instrumentos musicais.
Foi o que bastou para que o caos recaísse sobre eles.
Lily nunca pensou que fosse correr tão rápido, mas, ao sentir o aperto reconfortante da mão de James contra seu cotovelo direito, indicando que deveria ir com ele, ela correu.
Sentia braços tentando puxá-la, mas o aperto férreo de James contra ela era mais forte – isso quando ele não lançava feitiços, afastando todos ao seu redor com uma fúria potente. Lily também teve sua cota de nocautes, azarando uma quantidade absurda de bruxos e bruxas pegos desprevenidos enquanto eles se aproximavam das escadas que levavam à saída. Para a sorte deles a grande maioria das pessoas também estava tentando fugir, o que diminuía bastante a quantidade de pessoas contra quem precisavam duelar, pois podiam se camuflar junto delas.
— VOLTE AQUI! — A voz que soou era a de Snape, próxima demais para que ela não se preocupasse. Sem olhar para trás, Lily lançou um feitiço ricocheteante que fez bastante estragos pelo barulho que causou.
— Falta pouco, falta pouco. — Conseguia ouvir Potter repetir enquanto corriam. — Merda. — Ele xingou quando, ao chegarem em frente às escadas que levavam à saída, depararam-se com ela totalmente bloqueada por três homens encapuzados. — Evans é melhor você ter mesmo estudado os livros que te deixei, porque vai precisar daqueles encantamentos.
Lily resmungou em concordância antes de se soltar do aperto dele, grudando suas costas nas dele, sentindo seu feitiço de proteção estremecer.
— Vou tentar uma coisa, Potter, cuide minha retaguarda e se segura em mim.
— Com prazer. — Ele disse ao segurá-la pela cintura, fazendo com que ela rolasse os olhos. Aquele não era o momento.
Ela tentou não pensar muito nos gritos e na quantidade de feitiços que ricocheteavam à sua volta antes de bradar “descendo” em direção às escadas, fazendo com que os três homens – assim como ela, Potter e mais alguns outros bruxos próximos – começassem a escorregar rapidamente em direção às portas.
Sentiu as mãos de Potter se apertarem ainda mais contra ela, puxando-a para perto enquanto desciam no escorregador áspero que as escadas haviam se transformado, embolando-se em algumas outras pessoas que, assim como eles, não estavam tendo muito sucesso na descida.
Quando finalmente cruzaram a porta do salão, James sequer esperou para que ela recuperasse o fôlego antes de puxá-la para que se erguesse e então voltar a correr pelo grande corredor que os separavam da saída principal.
Estavam quase na porta quando Potter foi atingido foi um feitiço não verbal que o derrubou.
Assustada, Lily ouviu-o gemer e, ao baixar os olhos para ver o que havia acontecido, deparou-se com longos cortes por toda extensão de pele e vestes de James Potter por onde sangue escuro brotava incessantemente.
— JAMES! — Ela berrou e estava prestes a se agachar em direção a ele quando sentiu outro feitiço passar próximo demais de seu rosto.
Ao erguer os olhos, deparou-se com Snape que a encarava com uma expressão de asco raivoso.
— É claro que Potter tinha de estar nessa merda toda. — Snape, que tinha a varinha erguida indicando que havia sido ele quem enfeitiçara James, disse. — Não teve muita sorte dessa vez.
— Seu verme! — Lily bradou e então lançou um feitiço em sua direção, o qual ele desviou com facilidade. Havia muita urgência em Lily enquanto observava o final do corredor, onde ficavam as escadas, por onde mais pessoas se amontoavam. Ela precisava tirá-los dali antes que estivessem perto demais. E antes que James morresse pela perda de sangue.
— Acho que você precisa treinar um pouco mais se quiser ser uma auror decente, Evans. — Snape praticamente cuspiu as palavras antes de lançar um feitiço não verbal em direção à Lily que desviou rapidamente.
Sorriu para ele, sádica.
Se ele soubesse que era a melhor duelista que teria a chance de conhecer não estaria sendo arrogante daquele jeito. Lily havia aprendido há muito tempo a prever feitiços não verbais somente pelo movimento da varinha. Sabia que o primeiro feitiço de Snape era o de imobilização e que o que ele estava se preparando para lançar era um dos mais famosos em Hogwarts em seu tempo: o levicorpus. Bloqueou-o antes de ele terminar de conjurar, lançando um petrificante tão potente devido à sua raiva que sua mão estremeceu.
Lily não esperou para ver se o feitiço havia funcionado perfeitamente, voltando-se para James, que parecia mais pálido que o Barão Sangrento.
— Eu vou tirar a gente daqui, Potter... só... sobreviva. — Murmurou antes de enfeitiçá-lo com um feitiço não verbal de levitação, sabendo que jamais conseguiria carregá-lo sozinha.
Os passos no corredor aumentavam e, com eles, os feitiços chegavam cada vez mais perto deles. Apressada, Lily correu em direção à porta, lançando feitiços protetores de segundo em segundo às suas costas, não dando chance para que nada os impedisse, embora, vez ou outra, sentisse algo passar de raspão, próximo demais, perigoso demais...
Quando finalmente chegou ao lado de fora, Lily xingou-se ao perceber que não poderia aparatar dali. O salão, apesar de ser trouxa, estava muito bem protegido. Então ela continuou correndo, sentindo os saltos de seus sapatos finos enfiarem-se em cada sulco nas calçadas, xingando-os enquanto deixava um rastro de sangue por onde o corpo flutuante de James Potter passava.
— Pensei, Lily, pense. — Murmurou consigo mesma, irritada por não poder fechar os olhos e organizar os pensamentos.
Foi quando o viu: um Ford Anglia azul, parado a poucos metros de onde ela estava. Sem parar para pensar que o que estava fazendo era roubo, Lily abriu as portas com um feitiço de abertura e colocou Potter contra o banco traseiro o melhor que pôde com a pressa que tinha. Lançou nele um feitiço de contensão que, embora tenha diminuído o fluxo de sangue, não o parava completamente.
Afastou-se e estava prestes a fazer a volta no carro quando, sentiu algo a jogar para trás. Sem fôlego, Lily ergueu-se do meio da moita na qual havia parado e sentiu um medo visceral ao ver um dos vultos encapuzados próximo demais de onde James estava.
Raivosa, gritou uma azaração na direção dele, sentindo uma satisfação animalesca ao vê-lo cair pesadamente contra o chão.
Correndo até o carro, Lily fechou a porta assim que entrou. Feliz por ter seguido as instruções de sua mãe e ter praticado aulas de direção dos trouxas, Lily bateu com a varinha contra o volante, dando partida no carro e então, acelerou.
Pelo retrovisor conseguia ver as pessoas correndo para fora do salão de festas, alguns deles correndo na direção pela qual ela se afastava. Snape era um deles.
— Evans. — A voz fraca de James a assustou, fazendo-a desviar e acabar batendo levemente contra a traseira de um carro estacionado junto ao meio-fio.
— Potter! Eu não posso me virar para você agora, estou tentando me afastar do salão para que possamos aparatar. Por favor, não se mexa. — Ela pediu, sentindo a urgência retornar, mais forte.
Quantos litros de sangue ele teria perdido até então?
— Evans... — A voz dele era fraca demais.
— Potter? — Indagou, assustada. — Potter? — Mas ele não a respondeu. — Merda. Você não tem o direito de morrer, James Potter! VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO! — Bradou, irritada com a falta de sorte deles e então pisou mais firme no acelerador, sabendo que acabaria por gerar uma multa para o dono do carro. Não que se importasse muito com aquilo.
Quando achou estar longe o suficiente, Lily desceu correndo, fazendo a volta para poder abrir a porta do banco traseiro. Ao puxar o corpo molengo de Potter para si, Lily finalmente fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos nebulosos e focar no que precisava: Hog’s Head Inn, Hog’s Head Inn.
— Evans? — A voz surpresa de Aberforth Dumbledore soou próxima dela e então ela percebeu que havia chegado onde precisava. — Meu Merlin, o que houve com você?
— Dumbledore! Chame Albus Dumbledore! — Ela resmungou para ele, sentindo-se aliviada quando o homem puxou James de seus braços, tirando o peso de cima dela.
E então, ela desmaiou.
[QUARTA-FEIRA – ENFERMARIA – HOGWARTS]
James despertou, assustado. Ergueu-se do meio dos travesseiros onde se encontrava e xingou-se imediatamente por aquilo.
— Graças a Merlin! — A voz de Lily Evans soava aliviada em seus ouvidos, fazendo com que ele se voltasse lentamente em sua direção.
— Você parece cansada. — Foi a primeira coisa que disse, a voz engrolada devido à falta de uso, estreitando os olhos para tentar conseguir enxergá-la sem os óculos.
— É o que acontece quando se estruncha, suponho. — Ela rolou os olhos para ele, mas se aproximou, preocupada. — Você está bem? Eu fiquei com medo que você tivesse perdido sangue demais...
— Não foi dessa vez que Snape conseguiu me matar.
Lily franziu o cenho, sentindo-se culpada.
— Sobre isso... me desculpe. Se eu não tivesse falado com ele, talvez você não tivesse se machucado tanto. — Ela disse, fazendo com que ele bufasse e gemesse logo em seguida, ao perceber que até mesmo aquilo era desconfortável.
— Você não pode estar falando sério, Evans. — Rolou os olhos, feliz por aquele pequeno gesto não doer. — Você não apenas conseguiu a informação do cara do Caldeirão Furado como nos levou até essa festa da qual sequer teríamos ideia se não fosse por sua causa. Isso para não falar que, por conta das suas investigações, descobrimos que Peter Pettigrew é um bastardo traidor.
— Ah... — Lily percebeu a dor em suas palavras. — Vocês eram amigos, não é?
James assentiu, sem conseguir pronunciar nada.
De todas as coisas, saber sobre Peter havia machucado muito mais do que qualquer feitiço de Snape. James se sentia traído.
Pelo último ano, ele, junto de Sirius e Remus, havia mandado cartas para Peter desejando melhoras para a mãe que, segundo ele, estava com Varíola de Dragão. Saber que as respostas curtas de Peter significavam que havia mentido por todo aquele tempo era doloroso.
Ele continuou em silêncio por longos minutos. Até que percebeu que o teto do lugar onde estava era conhecido demais.
— Estamos em Hogwarts? — Indagou, confuso.
— Sim... — Lily disse e suspirou. — Você estava machucado demais e eu só conseguia pensar que precisávamos de um lugar seguro. A maioria dos alunos está em casa, já que esta é a época das férias de Natal. — Deu de ombros. — Hogwarts sempre foi o meu lugar favorito.
— Parece que concordamos em alguma coisa. — Ele murmurou, divertido. — Evans, onde estão os meus óculos?
— Ah, desculpe... — Lily ergueu-se da cadeira em que estivera sentada, pegando os óculos da mesa ao lado da cama e esticando para ele.
— Obrigado. — Ele disse e então voltou a fitá-la, chocando-se com o que viu. — Evans, pelo amor de Merlin, o que aconteceu com você?
Ela arqueou as sobrancelhas, corando levemente.
— Nossa, Potter, minha aparência está mesmo ruim desse jeito? — Rolou os olhos antes de suspirar, parecendo cansada. — Quando te trouxe para cá acabei estrunchando... — Seu rosto corou com a lembrança. — Eu estava nervosa demais e não consegui prestar atenção no que estava fazendo. Depois que acordei, isso algumas horas depois de chegarmos, te deixei sob os cuidados de Madame Pomfrey e Dumbledore e então fui até o Departamento para dar o meu relato do ocorrido ao Moody. — Meneou a cabeça. — Ele ficou levemente irritado por termos saído nessa missão extraoficial sem avisá-lo — encarou-o, parecendo irritada por ter levado bronca do chefe — mas ficou satisfeito depois de ouvir que você estava bem e todas as informações que conseguimos.
— Fazem quantos dias desde...
— Três.
James assentiu, absorvendo as informações. E então, após fazê-lo, voltou a franzir o cenho para Evans.
— Você ainda não me contou como ficou neste estado deplorável. — Ele exagerou um pouco ao dizer aquela sentença, mas adorava demais a coloração avermelhada que subia pelo rosto dela para se importar.
— Moody me escalou para algumas missões com o esquadrão e com a Ordem. — Ela disse e então estreitou os olhos para James. — Aliás, Potter, fico muito grata por você ter tido a decência de me contar sobre ser um agente duplo.
— Oh... você soube? Moody te contou? — James voltou a tentar se sentar nos travesseiros, ignorando as pontadas de dor que aquilo causava nele, para poder observá-la melhor.
Evans corou mais um pouco.
— Moody te contou, Evans? — Repetiu a pergunta, estranhando seu comportamento.
— Hm... na verdade eu meio que descobri sozinha. — Meneou a cabeça.
— Você... descobriu sozinha? — Estreitou os olhos para ela, desconfiado com o seu tom de voz. Merlin, o que ela fizera?
— Bem, Potter, você disse que era para fazer pesquisas enquanto você estava fora. — Bufou. — Foi o que eu fiz. — E então ela deu de ombros, sentindo até mesmo suas orelhas vermelhas de constrangimento.
— Ah, então pelo menos uma vez na vida você fez algo que eu disse, Evans? — Arqueou as sobrancelhas, sarcástico. — Conte-me mais sobre essa pesquisa.
— Bem, ah... — Ela mordeu os lábios, nervosa e James precisou se controlar para não xingar ao vê-la fazer aquilo. As reações que aquela simples ação causava nele, a vontade que despertava de que fossem os dentes dele ao mordê-la. Por Merlin!
— Fale de uma vez, Evans! — Sua voz saiu mais estressada que o normal, rouca, mas ela não pareceu perceber que era por um motivo bem diferente do que o interesse em saber o que ela havia feito.
Suspirando, Evans pareceu dar-se por vencida.
— Eu posso ter vasculhado nas suas coisas, Potter... — Ela disse enquanto encarava as próprias unhas.
— Você... o quê?
Ainda sem desviar o olhar das próprias mãos – que pareciam muito mais interessantes do que James Potter irritado naquele momento – Lily prosseguiu:
— Achei uma gaveta com o fundo falso...
— Ela tinha senha! — James disse, incrédulo.
— Bah, eu descobri. — Rolou os olhos para ele, como se aquela informação fosse trivial. — E então encontrei os pergaminhos selados.
— Você... Evans! Como você...? Merlin, como você conseguiu revelar o que havia nos pergaminhos? Eles tinham um encantamento fortíssimo e... — Mas a expressão no rosto dela era culpada demais para que ele não notasse. — Você usou uma poção recuperadora, Evans? — Indagou, sabendo que aquele era o único modo de alguém descobrir o que havia no papel se não soubesse reverter o encantamento, embora a poção fosse muito difícil de se encontrar. Exceto pelo fato de que havia um estoque da mesma no Departamento de Aurores. — Evans! Me responda.
— Sim.
— Merlin, Evans! Você tem noção do que fez? Furtar o Departamento...
— Eu não fiz isso! — Ela protestou, encarando-o de olhos arregalados. — Não furtei nada, Potter!
— Então... — Ele começou a falar, mas então se interrompeu, estreitando os olhos para observá-la melhor. — Você não usou o meu pai para isso, Evans! — James não conseguia acreditar.
— Eu estava curiosa. — Lily disse e então, ao encará-lo, não conseguiu se controlar ao ver a expressão no rosto dele, engraçada demais para que conseguisse segurar a gargalhada que explodiu de sua boca.
— Evans, isso não tem graça...
— Tem... sim... — Ela respondeu, ofegante, lágrimas de riso descendo por seus olhos verdes. — Você precisava... ver a sua cara. — Riu mais um pouco.
James observou-a, chocado demais com as informações e seu comportamento nada normal. Estava começando a pensar que ela jamais pararia de rir quando sentiu o próprio rosto traí-lo, fazendo com que um sorrisinho escapasse de seus lábios e se transformasse em uma gargalhada – muito contrafeita – logo em seguida.
Não sabia dizer por quanto tempo haviam ficado daquele jeito, rindo feito bobos sem qualquer motivo além das próprias risadas. A única coisa que sabia era que a sensação era boa demais. Estar com ela era bom demais.
— Ora, ora, se não é a Ginger e o Prongs. — Sirius Black adentrou na enfermaria, surpreso ao ver o sorriso estampado no rosto do melhor amigo. — Estão se divertindo, crianças?
— Padfoot. — James cumprimentou o amigo, feliz em vê-lo. — Como está?
— Um pouco indisposto, na verdade. Não dormi muito na...
— Vocês estão brincando comigo. — Evans interrompeu a resposta de Sirius, erguendo-se de onde estivera sentada, lançando um olhar perscrutador de um para o outro como se houvesse acabado de ouvir a coisa mais absurda de toda sua vida.
— O quê...?
— Vocês são Padfoot e Prongs? Do Mapa do Maroto? — Os olhos verdes dela estavam arregalados. Exatamente como os de Sirius e James ficaram ao ouvi-la dizer aquilo.
— Como você sabe? — Sirius foi o primeiro a se pronunciar, chocado demais.
— Eu...
— Era assim que você fugia da escola! — James disse, surpreso por não ter se dado conta antes. — Merlin, Evans, como você encontrou o mapa? Pensei que Filch tivesse destruído.
Lily corou.
— Eu posso ter roubado de uma das gavetas dele. — Disse, fazendo com que Sirius ofegasse, caindo em gargalhadas logo em seguida.
— Meu Deus, eu amo essa garota. — Sirius disse e então foi até onde Lily estava, abraçando-a levemente. — Evans, você é a melhor.
— Você gosta mesmo de fuxicar nas gavetas alheias, Evans. — James bufou, levemente incomodado por conta da proximidade de Sirius a ela.
— São meus genes investigativos, Potter. Ainda bem que escolhi a profissão certa. — Ela piscou para ele, novamente fazendo com que coisas estranhas acontecessem em seu interior e então voltou-se para Sirius. — Conseguiu?
— Estão com Dumbledore. — Sirius disse para ela.
— Certo. — Lily assentiu e então se afastou em direção à saída, não sem antes lançar um olhar de despedida para James cheio de emoções que ele não soube decifrar.
Sirius, contudo, parecia ter entendido bem demais.
— James Potter e Lily Evans, hm? — O amigo atirou-se na poltrona em que Evans havia estado sentada minutos antes. — Parecem bem amigáveis.
James estreitou os olhos para o amigo, mas preferiu não responder.
— O que você conseguiu? Do que ela estava falando?
— Capturamos um dos informantes da lista que a Evans conseguiu. — Sirius respondeu, muito mais sério do que segundos atrás. — Rodolphos Lestrange. Lily estava perguntando se eu havia conseguido acordá-lo. Ela lançou um feitiço estuporante muito potente. — Sorriu. — Ela me deixou para acordá-lo antes de vir aqui.
— Oh... — James suspirou. — Bella estava lá. Não me reconheceu, embora tenha tentado me convencer a ir para o lado das Trevas. — Bufou. — Aquela festa era de dar nojo, Sirius. Tantos bruxos concordando com esses absurdos que Voldemort prega. Peter...
Sirius fechou a cara com a menção do nome dele.
— Lily me contou. Aquele traíra. — Estreitou os olhos. — Estava rezando para encontrá-lo, Prongs. Se eu o fizer, vou torturá-lo por ser um filho da mãe vendido.
— Ele chamou a Evans de sangue-ruim.
— Talvez eu o mate então. — Sirius deu de ombros.
— Ela deu um tapa na cara dele. — James lembrou, sentindo um sorrisinho malvado aumentar em seus lábios.
— E é por isso que ela é a melhor. — Sirius disse e então suspirou. — Remus está com Rodolphos agora, Lily vai estar com ele daqui a pouco. A Lua Cheia o deixou bastante mal dessa vez.
— Merda. — James sentiu-se culpado ao lembrar que havia perdido a Lua que aconteceria na segunda-feira. — Eu não pude acompanhar vocês.
— Tudo bem, Prongs. Podia ser pior: Snivellus poderia ter te matado.
— Evans contou tudo o que aconteceu para você? — James arqueou uma sobrancelha, curioso.
— Não precisa ficar com ciúmes, James. — Sirius riu, divertido, percebendo a postura do amigo.
— Eu não...
— Evans é uma boa garota, você sabe. Ela ficou muito preocupada com você. Dormiu na enfermaria todos esses dias quando não estava em missões. — Sirius inclinou a cabeça, sugestivo. — Evans gosta de você, cara.
— Isso é...
— E você gosta dela. — Sirius prosseguiu, sem dar tempo para que James respondesse. — Se eu fosse você, pararia de ser idiota e investiria, meu amigo. Porque depois do que ela fez, a Ordem inteira está babando por ela. — Sorriu ainda mais. — Incluindo Emmeline. — Gargalhou ao ver a expressão de horror no rosto de James. — E, desculpe informá-lo, mas acho que entre você ou a Emme, a Lily prefere ela.
— Cale a boca, Padfoot. — James puxou um dos travesseiros de baixo de si e atirou-o contra o amigo que gargalhou ainda mais.
[DOMINGO – DEPARTAMENTO DE AURORES]
— Certo, então nós vamos entrar por aqui. — Lily dizia, concentrada, inclinando-se um pouco enquanto analisava o mapa que estava sobre a mesa de James.
Eles estavam na sala dele e discutiam a próxima missão que fariam para a Ordem da Fênix. Lily estava tentando fazê-lo entender que sua ideia era muito melhor do que a dele quando percebeu que James sequer estava prestando atenção.
— Potter! Você ouviu o que eu disse? — Perguntou, irritada com o descaso.
James, que estivera perdido em pensamentos, piscou algumas vezes antes de encará-la. E, ao fazê-lo, seus olhos recaíram sobre um pequeno roxo que havia no lado direito do pescoço dela.
— Você ainda está marcada.
Lily, pega de surpresa pelas palavras dele, pareceu entender imediatamente ao que James se referia e, por conta disso, sentiu o rosto inteiro corar em constrangimento.
— Eu tinha esquecido disso. — Lily balbuciou e então puxou um pouco mais a gola da camisa que usava por baixo do sobretudo, tentando afastar o olhar de Potter. — Mas, como eu estava falando...
— Você esqueceu? — A voz de Potter estava rouca, o que fez um arrepio percorrer por toda extensão da coluna de Lily. Ao voltar a encará-lo, percebeu que seus olhos castanhos estavam cheios de coisas que fizeram-na ofegar.
— Potter...
— Você esqueceu, Evans? — Perguntou novamente, firme, sem saber explicar o porquê de querer ouvir a resposta dela. De precisar ouvir a resposta dela.
— Eu... — Lily começou a falar, mas percebeu que sua voz estava tão rouca quanto a dele. Suspirando, desistiu de fingir-se de desentendida. Não iria adiantar de nada se seu corpo continuasse traindo-a daquele jeito. — Não, Potter, eu não esqueci. Eu só estava tentando manter as coisas mais fáceis entre a gente, sem precisar ficar me lembrando a cada segundo do que estávamos fazendo escondidos naquela droga de alcova. — Rolou os olhos para ele, sentindo o rubor tomar conta de si. — Agora, se você puder prestar atenção no que eu estou falando eu agradeceria. — E então voltou a encarar o mapa sobre a mesa, piscando algumas vezes enquanto tentava focar os pensamentos. — Bem... certo. Aqui, está vendo este ponto? Talvez devêssemos...
— Você é a Ginger. — Potter a interrompeu novamente, fazendo com que ela franzisse os lábios, surpresa com o rumo que a conversa estava tendo.
— Ah, você lembrou. — Voltou a rolar os olhos para ele, ainda sem desviar os olhos do mapa.
— Parece decepcionada. — James estreitou os olhos para ela, lembrando do que Sirius havia dito sobre ser um idiota por não ter lembrado antes.
— Hm, Potter, tudo bem. — Deu de ombros, finalmente encarando-o. — Não era como se eu esperasse algum reconhecimento depois de ter praticamente dado a Taça de Quadribol para você.
James ofegou, chocado.
— Você não me deu a Taça. — Retrucou, indignado, embora soubesse que estava mentindo.
— Ah, não. Eu só fiquei o jogo inteiro salvando você de uma derrota que mancharia sua carreira como o “melhor capitão da Grifinória”. — Estreitou os olhos para ele. — Me poupe, Potter.
— Você não está falando sério.
— Claro que não, comandante. — A franja de Lily caiu sobre os olhos dela, fazendo-a bufar antes de afastá-la. Nem mesmo com os cabelos curtos eles paravam de ser rebeldes, por Merlin.
— Está sendo sarcástica, Evans.
— Não, eu não estou.
— E agora, você está mentindo. — James não sabia por que, mas havia um sorriso de diversão em seus lábios, que somente aumentava ao ver a expressão de descaso no rosto dela.
— Não, eu não estou.
— Eu poderia te dar uma advertência por mentir para mim. — Estreitou os olhos, perigoso, embora o sorriso continuasse em sua boca.
— É, é. Ou você poderia me compensar por ter sido um abutre comigo quando deveria me agradecer por salvar sua reputação juvenil, comandante. — Ela inclinou-se para ele, um sorrisinho maquiavélico esgueirando-se por seus lábios.
E, pelo que parecia estar se tornando comum nos últimos dias, foi o que bastou para que James perdesse o pouco controle que tinha antes de puxá-la para si, fazendo com que ela derrubasse o mapa e o tinteiro de cima da mesa, sujando o chão.
Ele não conseguiu se importar, pois, naquele momento, a única coisa em sua mente era o gosto dos lábios de Lily. As formas como eles retribuíam seus beijos sem hesitarem. O modo como o corpo dela parecia quente contra o dele.
Terminando de limpar o tampo da mesa, James ergueu-a pela cintura, sentando-a ali e encaixando-se no meio de suas pernas, de modo que pudesse senti-la contra si.
Gemeram em uníssono, sentindo o prazer do momento consumi-los.
Fazia dias desde que James não conseguia parar de pensar no que ficara inacabado na alcova daquela festa. Dias desde que todos os seus sonhos envolviam Lily Evans e a forma como ela conseguia leva-lo à loucura. Era reconfortante perceber que ela parecia sentir o mesmo por ele, que ela o queria tanto quanto ele.
Lily fez suas mãos passearem por todo o peito de James, abrindo os botões de sua camisa com uma rapidez impressionante. Quando finalmente sentiu sua pele, quente e dura, suspirou. Podia sentir algumas cicatrizes por ali, o que só fazia com que ele parecesse mais real. Mais perigoso.
James não foi tão cuidadoso ao tirar seu sobretudo e puxar sua camisa, fazendo com que alguns botões saltassem para longe. Eles riram com aquilo, trôpegos de desejo. As mãos de Lily continuavam passando por ele, apalpando-o, arranhando-o. Quando chegou em sua cintura, preocupou-se em tirar o seu cinto, recebendo ajuda dele que terminou o trabalho para ela.
Sorrindo, James começou a baixar seus beijos para o pescoço de Lily, mordiscando-a levemente embora não forte para deixar outras marcas. Ela ergueu as mãos para ele, afundando seus dedos em seus cabelos, causando arrepios por todo o corpo dele.
James continuou baixando, roçando sua barba em seu colo, ouvindo-a suspirar quando segurou cada um de seus seios com as mãos, apertando-os de modo delicado. O gemido que ela deu quando ele baixou as taças de seu sutiã, mordiscando seu mamilo esquerdo enquanto acariciava o direito com a mão, fez com que ele estremecesse.
Estava tão excitado que, quando as mãos de Lily voltaram a baixar, brincando com a barra de sua cueca antes de finalmente segurá-lo, precisou se controlar para não acabar logo ali.
Sabendo que não teria muito tempo, James se afastou de seus seios, fazendo-a deitar contra a mesa antes de tirar as calças dela sem muito cuidado. Ao terminar de despi-la, distribuiu beijos por toda extensão de suas pernas, fazendo-a se retesar em desejo. Quando finalmente beijou-a lá, sentindo-se inebriado pelo seu gosto, Lily afastou-o depois de algum tempo, voltando a sentar na mesa antes de puxá-lo para outro beijo.
— James. — Ela murmurou contra seus lábios, exatamente como fizera na alcova.
— Lily. — Ele respondeu, tão desejoso quanto ela, abrindo ainda mais as pernas dela antes de finalmente penetrá-la.
O beijo que eles trocaram quando ele entrou dentro dela foi tão intenso quanto os gritos que eles certamente teriam dado caso não precisassem falar baixo.
Lily ergueu um pouco mais as pernas, fechando-as em volta dele enquanto se apoiava em seus ombros. James estocou dentro dela, a princípio devagar, mas, instantes depois começou a aumentar a velocidade sem conseguir se controlar.
Ele precisava dela, queria ela. E, por Merlin, ela era dele naquele momento enquanto seus cabelos ruivos e curtos caíam em seu rosto, grudados pelo suor; seus olhos verdes brilhavam, quase negros de excitação; seus lábios, inchados dos beijos dele, suspiravam seu nome.
Quando ambos terminaram, totalmente entregues àquele momento, James soube que, de uma forma inexplicável, Lily Evans havia conseguido acabar com todas as barreiras que ele havia construído dentro dele, fazendo seu caminho rapidamente até o seu coração.
[UMA SEMANA DEPOIS – DEPARTAMENTO DE EXECUÇÃO DAS LEIS DA MAGIA]
Lily caminhava de um lado para o outro em frente as grandes portas de carvalho. Ela não conseguia ouvir nada do que estava acontecendo do outro lado e, justamente por não fazer ideia do que estava acontecendo, começou a imaginar, exatamente como sempre fazia quando ficava ansiosa. Exatamente como não deveria fazer para não tornar tudo pior.
E se tudo desse errado? E se James não conseguisse provar nada? E se descobrissem que todos os planos dela haviam sido em vão?
Infelizmente ela não podia participar do julgamento como auror, pois ainda não havia concluído seu treinamento, portanto tudo o que pôde fazer foi dar o seu depoimento com o maior número de detalhes possível e então sair da sala. E esperar.
— Merlin, Lily, se acalme. — Remus, que também havia prestado depoimento, murmurou para ela, zonzo de vê-la caminhar infinitamente de um lado para o outro. — Vai acabar tendo um surto se continuar assim.
— É, é. — Concordou, sabendo que ele estava certo. — Remus, eu estou nervosa.
— Sério? — Ele brincou com ela, sorrindo levemente. Céus, como ele era capaz de sorrir numa hora como aquela? — Vamos, Lily, sente um pouco.
Forçando-se a parar de andar, Lily fez o que ele disse e sentou-se no banco desconfortável que havia contra a parede. Fechou os olhos e tentou respirar fundo. Seus pés moviam-se contra sua vontade, batendo o salto de sua sandália contra o chão.
Um, dois. Pausa. Três, quatro. Pausa. Cinco, Seis. Pausa. Sete, oito. Pausa. Nove, dez.
As portas foram abertas e, por elas, cinco aurores saíram carregando junto deles três pessoas: Rodolphos e Bellatrix Lestrange e Dominic Avery.
— Graças a Merlin. — Remus murmurou, parecendo extremamente aliviado.
Ao passarem por eles, contudo, os aurores precisaram aumentar ainda mais a força dos feitiços de segurança sobre Bellatrix, pois ela parecia decidida a parar e encará-los.
— Sua vagabunda de sangue—ruim, você vai me pagar. — Seus olhos, negros, fixavam Lily cheios de raiva e malícia antes de se voltarem para Remus. — E você também, lobo. — A mulher bradou, louca, para eles. Lily percebeu Remus se retesar diante de suas palavras. Havia um sorriso enviesado nos lábios de Bellatrix, indicando que, por mais que estivesse sendo levada para Azkaban, o jogo ainda não havia terminado. Não para ela. — Vocês são a escória do mundo bruxo. O Lorde das Trevas vai destroçá-los e eu estarei lá para ver.
Lily retribuiu o sorriso, irônica.
— Estarei esperando por isso, Bella. — Disse, sentindo-se imensamente aliviada ao perceber que, aparentemente, o julgamento havia saído melhor do que o esperado. Voltou-se para Remus, sorridente. Só para sentir o sorriso amuar em seu rosto ao ver a expressão do homem. — Remus, por favor, ignore as palavras dela. Ela está indo para Azkaban agora e, Merlin nos ajude, vai ficar lá pelo resto dos dias dela.
— Você tem razão. — Ele assentiu, embora suas bochechas estivessem levemente coradas e estivesse óbvio que ele não concordasse com o que havia acabado de falar.
Lily esticou uma mão para ele, tocando em seu ombro.
— Remus. — Chamou-o. — Você não é uma escória. — Disse-lhe, certeira.
Não havia convivido muito tempo com Remus além das duas últimas semanas onde havia saído para missões junto dele, contudo conseguia ver em seus olhos azuis a sua bondade. E sabia que qualquer pessoa que realmente se importasse também veria.
— Você não tem culpa do que te aconteceu, Remus. E, por Merlin, está fazendo o melhor que pode com isso. Veja só, com a sua ajuda, acabamos de prender três seguidores de Voldemort! Quantas pessoas inocentes vingamos ao fazer isso? Quantas pessoas salvamos? — Sorriu para ele. — Você é bom, não esqueça disso.
— Então você sabe? — Remus se forçou a dizer e limpou a garganta a fim de afastar o embargo de sua voz.
— Bom, você sumiu no primeiro dia de Lua Cheia e quando voltou não parecia muito saudável. — Lily deu de ombros. — Sem falar que Moony é um nome bastante sugestivo.
Remus rolou os olhos para ela, surpreso demais com a facilidade de sua aceitação. Sorriu.
— Obrigado, Lily.
— De nada, Moony.
Interrompendo o momento deles, as portas de carvalho voltaram a se abrir e, por elas, vários conhecidos saíram.
— Evans. — James, que tinha uma expressão totalmente exultante, sorriu para ela.
— Potter. — Cumprimentou-o, tão eufórica quanto ele. — Conseguimos?
— Conseguimos. — Ele assentiu, feliz.
— Ginger! — Sirius, que saía logo atrás, sorriu para eles. — Moony! Caras, eu não sei vocês, mas acho que depois dessa, precisamos comemorar.
E assim o fizeram.
[DOMINGO – SALA DE REUNIÕES DO MINISTÉRIO DA MAGIA]
— Seja bem-vinda ao esquadrão Ordem da Fênix, Auror Evans! — Moody sorriu para ela, dando dois tapas carinhosos em suas costas antes de colocar o pequeno brasão com uma fênix em cima do bolso de seu sobretudo preto. — Tenho certeza de que irá trazer muitas conquistas para o nosso Departamento!
— É o que espero, Alastor. — Lily disse e, sem se conter, abraçou o coordenador. — Obrigada! Por tudo! Você foi um ótimo professor. — E então se afastou, sem deixar que ele lhe respondesse, sabendo que ele não era o maior fã de demonstrações de afeto.
— Lily! — Alice, que havia ido para a cerimônia como acompanhante de seu noivo, Frank, sorriu para ela, caminhando até onde estava e puxando-a para um abraço. — Céus! Parece que faz séculos que não te vejo!
— Merlin, Allie, foi só um mês. — Lily rolou os olhos para ela, mas retribuiu o aperto, feliz em reencontrá-la. — Como você está? E os preparativos para o casamento?
— Ah, você sabe, o mesmo de sempre. Até outubro eu vou ter enlouquecido. — Alice bufou fazendo com que Lily risse. — Mas, e você? Auror, hein? — Sorriu ainda mais. — Frank me contou as coisas incríveis que você fez para a Ordem. — E ela disse Ordem como se soubesse de algo a mais.
— Oh, então você sabe? — Lily indagou, embora devesse ter percebido antes, afinal Frank também era da Ordem. Ele não esconderia algo sério como aquilo de Alice.
— É. Eu ajudo, às vezes. — A amiga concordou. — Tenho ótimos contatos... se precisar. — Piscou.
— Vou lembrar disso. — Lily assentiu, divertida.
— É impressão minha ou a Vance não para de te olhar? — Alice murmurou.
— A Vance? — Lily fez uma careta para Alice, sem saber como reagir. Sabia que Emmeline havia sido namorada de James por muito tempo, mas também lembrava de ouvir sussurros pelos corredores do Ministério quando os dois romperam, quase dois anos atrás. A garota não podia estar sentindo ciúmes da relação dela com James, podia? Quer dizer, ninguém sabia sobre eles. Pelo menos não oficialmente, claro, afinal o pessoal do Ministério era muito fofoqueiro. — Nah, nada a ver Alice.
— Oras, Lily, não seja tão envergonhada. — Alice bufou. — Sei que você não gosta dessas coisas, mas até eu ficaria lisonjeada se ela me olhasse daquele jeito. Ela é uma mulher bonita.
— Você sabe que eu não gosto dessas coisas... — Arregalou os olhos, chocada. — A Vance... ela é...?
— Você não sabia? — A amiga não parecia acreditar. — Meu Deus, Lily, em que mundo você vive? Todo mundo sabe que ela largou o Potter para ficar com a Jones! — Bufou e então sorriu, divertida, para Lily. — Mas elas também terminaram não faz muito...
— Alice! — Frank, que estava a alguns metros de distância, chamou a noiva. — Venha aqui, preciso te mostrar uma coisa. — E então ele pareceu ter visto Lily, pois ergueu uma mão para ela. — Hey, Lily! Parabéns!
— Obrigada! — Ela agradeceu, embora se sentisse zonza.
— Nos falamos depois, Lily. — Alice disse, abraçando-a rapidamente antes de se afastar em direção ao noivo.
Ela ficou observando os dois ao longe, tensa. Não sabia exatamente o que pensar diante da informação. Mas ao voltar-se para ir em direção à mesa de bebidas, Lily percebeu que Emmeline estava mesmo a encarando.
Sentindo o rosto esquentar, Lily acenou para ela em cumprimento, querendo mais do que tudo que ela parasse de observá-la daquele jeito, pois estava começando a ficar seriamente desconfortável.
— Hey. — James pareceu se materializar em sua frente, sorrindo levemente para ela.
— Hey. — Lily retribuiu o cumprimento.
— Parabéns pela formatura, Evans. — Ele piscou para ela. — É uma Auror de verdade agora, hm?
— Para você ver. E pensar que meu comandante não acreditava nas minhas capacidades. — Meneou a cabeça, teatral. — Acho que posso falar “eu avisei” para ele agora, não é?
James franziu os lábios.
— Provavelmente. Mas você não seria tão baixa, é claro. — Ele disse, divertido.
— É claro. — Ela bebericou seu drink, encarando-o de modo divertido por vários instantes antes de voltar a falar. — Mas eu avisei, Potter.
— Eu deveria saber que você não ia conseguir se controlar. — James rolou os olhos para ela, embora ainda risse.
— Hm, Potter? — Lily o chamou, sentindo as bochechas esquentarem só de pensar em tocar naquele assunto.
— Sim?
— Ah... — Ela encarou-o, pronta para perguntar sobre Emmeline, saber se era por conta dela que ele havia sido tão idiota e fechado nos últimos anos, contudo... ao se deparar com os seus olhos castanhos, que a observavam com tanto carinho e adoração... Lily simplesmente deixou para lá. — Você está muito bonito hoje. — Falou, sabendo que era verdade, embora sentisse as bochechas esquentarem.
James sorriu para ela.
— Poderia dizer o mesmo para você, mas seria mentira. Você não está bonita apenas hoje.
Lily sentiu as bochechas esquentarem.
— Que clichê, Potter.
— Até pode ser, mas suas bochechas adoraram, Evans. Estão coradas. — Sorriu para ela.
— É, é. — Ela rolou os olhos para ele. — Mas e agora, Potter, o que você pretende fazer já que não tem mais uma aluna insuportável para aturar?
James estreitou os olhos para ela, o sorriso desaparecendo de seu rosto e dando lugar para a seriedade.
— Bem, agora que estou livre da aluna insuportável... estava pensando que talvez eu vá precisar de uma parceira insuportável. Você sabe, aurores trabalham normalmente em duplas. Sirius trabalha com o Frank, como Moody o designou... — Suspirou, teatral. — Sei que sou incrível atuando sozinho, mas que graça teria lutar contra os comensais se eu não tiver que segurar alguém que vive tropeçando?
Lily sentiu o coração descompassar ao ouvir suas palavras.
— Eu poderia te beijar agora, James Potter. — Disse, sentindo a voz levemente embargada. Saber que ele, o Comandante Potter, queria ela como parceira era simplesmente indescritível.
— Tenha bons modos, Evans. — Ele sentenciou, sério. Contudo, Lily podia ver um brilho malicioso em seu olhar. Ao se inclinar em sua direção, fingindo pegar outra bebida do aparador, James adicionou: — Deixe para fazer isso mais tarde na minha sala. — E, sem dar tempo para que ela respondesse, se afastou.
— Só porque você pediu com carinho, Comandante. — Murmurou, divertida, sabendo que não havia melhor presente de formatura do que aquele.
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