Notas iniciais
Oi gente, desculpa pelo capítulo pequeno, mas fiz ele com mais pressa e é mais curto de propósito, para que expresse a dor da Quinn e mostre como o amor é simples no final ♥

Espero que gostem e dedico essa fic para a Isa e Clara ♥

Quinn pegou a bolsa e a apoiou no ombro olhando o sinal fechado em sua frente, os fones no ouvido explodindo em alguma música que naquele momento ela nem prestava a atenção e os cabelos loiros insistindo em cair nos seus olhos, lhe fazendo revirar os olhos. O sinal abriu e milhares de pessoas vieram e sua direção e milhares a empurravam, fazendo-a andar.

Deus, ela estava tão cansada, decepcionada, sem saber o que faria com aquele sentimento constante de dúvida do que estava fazendo. Ela não estava feliz naquela faculdade, ela não tinha ninguém, se não contar o namorado que ela tem noção do quão babaca era. O que ela iria fazer?!

E então um baque quase a levou para o chão.

—Olhe para onde anda. — Disse uma garota de boina vermelha e botas rosas, já arrumando o cabelo e voltando a andar.

Estranho, aquela garota, a voz, as roupas, algo lhe parecia tão familiar, mas quem sabe, fosse só uma mera semelhança com lembranças tão antigas e ao mesmo tempo tão recentes.

Quinn ajeitou o cachecol e voltou a andar, indo para sua casa temporário em Nova York, afinal, depois da decisão recente de fugir da faculdade, parecia que Nova York era onde seu coração sentia que iria ter um caminho, algo que não tinha fazia muito tempo.

A loira apoiou os pés na mesinha de centro e fechou os olhos por um segundo, enquanto prendia os cabelos sentindo o calor dentro do cobertor lhe confortar melhor do que qualquer pessoa parecia ter sequer conseguido. As lágrimas pularam para fora de seus olhos, lembrando do pai recém falecido, um homem grosso e intolerante e que não aceitara o fato da sua filha não ser heterossexual. Ela abraçou o próprio corpo sentindo a máscara que colocava todo dia para todos escorrer do rosto junto da água que limpava sua alma.

A morte recente do pai foi o que a puxou para fora da faculdade e lhe trouxe para Nova York, como se tentasse achar algo ou alguém. Como se aquilo a lhe tornaria mais feliz, lhe deixando num ciclo maluco de um trabalho de garçonete de manhã até quase o fim da tarde e balada até quase a virada dos dias.

—Por que? — Ela questionou para si mesma tentando buscar uma resposta do Todo Poderoso.

Então puxou o cobertor e limpou as lágrimas salgadas, se levantando e indo para o banheiro, retirando todas as roupas com ódio e frustração. Ligou o chuveiro, deixando-o no gelado mesmo, berrando enquanto a água caía nos olhos e escorria pelo corpo como se tentasse tirar tudo que sentia, guardar num pote e sumir com isso de uma vez por todas. O berro saía de dentro do seu ser, ela puxava os cabelos, sentindo a saudade da época colegial onde tinha seus amigos e podia abraçar eles naquele momento.

Que dor horrível, que vontade de berrar e berrar até a vontade parar, que vontade de socar algo, de fazer o mundo entender que ela não havia escolhido gostar de dois gêneros e ser hostilizada até por quem dizia a compreender. Deus, ela só queria ter alguém para abraçar naquele momento, queria que seu pai não fosse um imbecil e entendesse que a sexualidade dela não definia quem era e que ela sempre fora a mesma garota que tentou fazer tudo para o pai a aprovar e ganhar um abraço.

A loira pegou a toalha e correu para seu armário e pegou o vestido que mais a lhe deixaria exuberante, secou e penteou o cabelo, passando pelos nós e os desfazendo com dor e força. Colocou um perfume e calçou um salto alto, pegando uma bolsa pequena que conseguiria guardar dentro do vestido e fez uma maquiagem rápida, pegando seu casaco e saindo pela porta do apartamento pintado em marrom.

Iria para a balada e iria dançar até a noite virar dia, aproveitar o máximo para ficar bêbada e esquecer os problemas e berrar para poderem escutar. Sua folga do trabalho iria valer a pena.

Entrou na balada de músicas eletrônicas, já indo em direção do bar e pedindo três doses da bebida mais pesada, entornando-as de uma vez e sentindo o mundo rodar, enquanto os passos de dança saíam e lhe fazia se esfregar em várias mulheres e caras, beijando-os de vez em quando, e no meio de uma eletrônica alta, ela berrava, esquecendo-se dos problemas, que voltariam à atormentar ela pela manhã, quando acordaria com o despertador, mas seriam controlados e admirados por alguém. Entre danças e mais bebidas, a música ofuscava seus pensamentos.

No meio de uma garota de cabelos morenos e uma franja muito fofa, e um cara loiro de boca grande, a loira desabotoou a calça da mulher e meteu os dedos dentro e suspirou quando a outra gemeu, mordendo os lábios vermelhos da mulher mais baixa, enquanto o homem atrás de si lhe beijava o pescoço enquanto um cara atrás dele acariciava o peito dele e mordia os ombros do maior. Já não havia mais dor, somente um prazer que ofuscava todos os problemas que teria que enfrentar mais tarde.

Quinn beijou a garota e então tudo ficou escuro e o cérebro se desligou.

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Os olhos da loira se abriram e demoraram para focalizar, mas quando o fizeram, ainda um pouco perdidos, uma garota de boina vermelha e botas rosa estava a olhando.

—Quem é você? — Quinn perguntou, vendo a outra sorrir carinhosa.

—Rachel. — Ela sorriu mais e Quinn a encarou estática.

—Berry?! — A voz de Fabray embargou, contemplando o sorriso enorme que nasceu naqueles lábios que há tanto só berravam ou mordiam algo para ofuscar os berros.

—Fabray... O que aconteceu com você? — Rachel perguntou, sentando no pequeno sofá atrás de si, pegando as mãos da loira, que demorou a notar que estava no hospital.

—Onde eu estou? — Quinn perguntou, apertando com força a mão de Rachel, buscando ajuda e compreensão.

—Calma, você teve uma crise de pânico no carro e sofreu um acidente logo após ser informada que seu pai havia morrido. Esteve em coma desde então. — Berry a olhou com um sorriso carinhos, acariciando com o dedão a mão da maior.

—Quanto tempo? — Perguntou, vendo a morena sorrir de preocupação e respirar fundo.

—Um mês e três dias. Você não tem noção do quanto eu fiquei preocupada, Quinn! — Rachel falou, enquanto uma lágrima escapava dos olhos.

—Eu sei, sim. — A loira falou, lembrando do que vivera em sonho. — Eu também senti sua falta.

Acontece que no fim, o 'senti sua falta' era o grande 'eu te amo' que tanto esperamos às vezes. E talvez, nem toda história precise ser grande para contar uma história de amor que começou de modos nebulosos durante um colegial turbulento.

Notas finais
Espero que tenham gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!