Com amor, com afeto.

5 O número finito de coincidências.


Ponto de vista de America White

Meri era um sucesso. Disso eu tinha plena certeza. Mas, a maioria das pessoas que frequentavam meu e-mail eram mulheres. Claro que, haviam alguns homens que uma vez ou outra mandavam dúvidas e eu as respondia prontamente. Porém, quando o tal H mandou aquela mensagem, reli várias vezes.

Era como se ele soubesse o que eu estava sentindo. Com todas essas dúvidas, minha vontade de se apaixonar era maior do que nunca. Mas é claro que eu nunca demonstrava. Então ver aquelas palavras de H ali "sorrindo" pra mim era surreal. Era como se ele fosse eu ( Numa versão masculina e muito mais impaciente. )

– Então o tal H ainda não respondeu e você está na esperança de uma resposta do tipo : ' Minha querida Meri, se somos dois apressados, juntemos nossas pressas e nos tornemos um casal feliz, Amém?' — Gabe disse, enquanto jogava video game e eu dissertava sobre os acontecimentos de hoje mais cedo.

– Claro que não, Gabe. Só achei... Interessante. Só isso.

Ele revirou os olhos.

– Ah, minha querida America, eu conheço você como a palma da minha mão. Não vai demorar muito até que você venha com essa carinha maravilhosa me dizer : ' Quando será que o nosso destino vai se cruzar outra vez, Gabe'? — Ele disse, imitando (ou melhor tentando imitar ) minha voz.

– Você está muito inspirado hoje, hein? Lendo Jane novamente?

– E quem resiste à Jane Austen, America? — Ele disse, sorrindo.

E eu assenti.

***

Ponto de vista de Harvey Madley

Sorri ao ler o e-mail pela décima vez. Sim, eu estava realmente fascinado. Ela parecia saber do que estava falando. Me surpreendi e, quando Louis bateu à minha porta naquela tarde a primeira palavra que saiu da minha boca foi...

– Meri Stratfort! Diga que conhece Meri Stratfort!

Louis franziu a testa, mostrando-se confuso.

– Quem não conhece Meri Stratfort? Não é aquela conselheira amorosa do London Today?

Assenti, acrescentando :

– Mandei um e-mail pra ela.

Foi só dizer aquilo que ele começou a rir, ou melhor, gargalhar. Ria tanto que sua cabeça ia pra trás e dizia estar com dor na barriga de tanto rir.

– Eu não falei nenhuma piada, falei?

– Pelo... Amor... de Deus, Harvey... Isso... Isso é engraçado demais cara. Não dá. — E explodiu em risadas novamente. — Isso é coisa de mulher, cara.

Revirei os olhos. E eu que pensava que o Louis não era machista.

– Nada a ver, cara. Eu tinha uma dúvida e mandei pra ela. Ela respondeu. Quer ler?

Ele negou. E ficou sério rapidamente, o que me assustou.

– Sabe do que você precisa, Harvey?

Anuí.

– Uma noite de Pub. Hoje. Noite. Eu, você, os outros. Mulheres, bebidas. Isso aí.

Revirei os olhos. Sabia que isso não seria nada legal, mas como eu não tinha nada pra fazer e Louis era uma pessoa muito persuasiva ( Ou irritante, como preferir. ), eu não tive escolha. Noite de Pub... Como tantas outras.

– Preparado pra ressaca amanhã, Madley?

– E eu tenho escolha?

– Não.

– Então sim.

***

Ás 19:ooh eu estava pronto e esperava os outros. Olhava no relógio constantemente e batia o pé. Odiava a ideia de ir à um Pub quando eu não estava a fim, mas fazer o que?

– Heeeeeeeeeey, garanhão. Pronto? — Louis disse, estacionando o carro em frente à minha casa e fazendo a vizinhança toda ouvir a sua chegada.

– Vou perguntar mais uma vez : Tenho escolha?

– Vou responder mais uma vez : Não.

Comecei a rir. Louis era insistente mesmo...

~~~

Acordei às 9 da manhã com uma dor de cabeça dos infernos. Sim, eu já estava acostumado com tudo isso, mas sentir essas sensações nunca era legal. Levantei, ainda que à contragosto ao som de 'Yesterday' dos Beatles. Cocei os olhos e minha visão foi totalmente ofuscada por conta dos raios de sol que teimavam atravessar a cortina.

– Alô...

– HARVEY MADLEY, O QUE VOCÊ FEZ?

Arregalei os olhos com o grito e finalmente despertei. Quem falava era Brad, meu empresário.

– Brad? O que eu fiz? Nem eu sei.

Ele riu, ironicamente.

– Pois faça o favor de olhar o London Today e verá a sua noite maravilhosa estampada na primeira página.

A simples menção ao nome do jornal me fez lembrar Meri e eu sorri, indo pegar o notebook ainda com o celular no ouvido. Procurei pelo jornal online e qual não foi minha surpresa ao ver minha foto estampada. Eu parecia estar mais do que bêbado e parecia gritar com a pessoa que estava tirando a foto. A manchete, em letras garrafais dizia : ' HARVEY MADLEY: MAIS UMA ESTRELA ACABADA. '

Abri a boca, meio assustado e me xinguei, por ter deixado que a bebida tomasse conta de mim.

– Porra... — Disse, baixinho.

– É, exatamente isso. Pode xingar à vontade.

Bati a mão da mesa do computador, com raiva e me xinguei mais ainda.

– Foi mal, eu...

– Foi péssimo, Harvey. Péssimo. Espero que, com essa, você aprenda a não fazer mais estripulias. Tenha um bom dia.

– Você também. — Disse, ainda envergonhado pelas idiotices da noite anterior.

A merda estava feita. E os Jornalistas adoravam...

***

Ponto de vista de America White

Anne estava andando de um lado pra outro na sala e eu estava quase enlouquecendo. Odiava o barulho que seu salto fazia no piso. Revirei os olhos pela centésima vez, antes que ela começasse a falar, de fato.

– Bom, America, estamos vendo que seu crescimento é notório. E você vem se esforçando muito...

Peraí, eu conhecia essa conversa...

– E... — Incitei.

– Vamos dar uma tarefa pra você, além da Coluna.

– Sério? — Disse, com os olhos brilhando.

– Sim, você irá seguir Harvey Madley. Um cantor famoso que deu uma vacilada na noite anterior. Vamos ganhar muito dinheiro com isso.

Revirei os olhos. Meu sonho era a parte investigativa. Mas, como ainda não tinha muitas coisas em mente, aceitei a proposta.

– Tudo bem. Quando começo?

– Agora.

Notas finais
Comenteeeeeeeeem ^^