Com Quem Será?

5 Partners in Crime


Notas iniciais
Oi pessoal! Bem, eu li as opiniões de vocês e pelo que vi, todos estão satisfeitos com o ritmo da história, o que é muito bom! Vou continuar assim. Enfim, eu resolvi alongar um pouco o capítulo já que algumas pessoas disseram que os preferem um pouco mais longos. Acabou um pouco maior do que eu esperava, mas fiquei realmente feliz com um resultado. É um dos meus preferidos até agora! Espero que gostem tanto quanto eu. Obrigada por tudo mais uma vez e aproveitem!

Rachel explicou todo o plano para Quinn. Era simples, terminaria fácil e convenceria a todos.

Elas anunciariam o início do 'namoro' para Finn e pediriam que ele não contasse para ninguém. Obviamente ele contaria. "Finn não consegue guardar segredos, Quinn. Ele é realmente péssimo nisso."

"Eu percebi." Quando um número considerável de pessoas soubessem, Rachel fingiria não aguentar a pressão de estar namorando uma garota em meio a uma sociedade tão preconceituosa quanto a nossa e blá blá blá. Enquanto isso, Quinn, com a ajuda de Santana, iria ocasionalmente falar coisas ruins sobre Rachel para Finn. Cerca de um mês depois, terminariam de mentirinha. A justificativa de Rachel era não ser forte o suficiente para aguentar tal situação. A de Quinn, eram os defeitos de Rachel que a fizeram perceber que se deixar apaixonar por ela foi um erro. Fim.

"Rachel, esse plano é muito bom. Você realmente sabe elaborar um teatro convincente." Quinn estava realmente impressionada. Ela tinha tido esse plano em menos de dez minutos e tudo se encaixava. Faria sentido o suficiente para que ninguém questionasse.

Rachel corou com o comentário de Quinn. "Obrigada. Eu sou a Rainha do Drama, lembra? Sei bem como ser dissimulada quando quero." Ambas sorriram e começaram a discutir sobre quando e como iriam conversar com Finn sobre isso, quando o celular de Rachel tocou. "Com licença", ela disse a Quinn antes de atender. Era Kurt.

"Rach, você está em casa?"

"Sim, Kurt. Eu ia sair mas..."

"Mas o quê? Desistiu de novo de falar com a Quinn? Olha, você tem que conversar com ela porque...."

"Kurt!" Ela interrompeu antes que o amigo lhe desse um sermão sem motivo. "Ela tá aqui."

"... Ah é? Oh... entendo. E vocês já falaram sobre... aquilo?"

Rachel suspirou e coçou a cabeça. "Sim, eu falei com ela e acontece que foi tudo um engano."

Kurt franziu a testa e fez uma pausa. "Como assim, um engano?"

"É foi tudo na verdade... quer saber, por quê você não passa aqui em casa? Aí a gente pode conversar melhor sobre isso e sobre... umas coisinhas a mais. Talvez eu precise de sua ajuda em algo."

Ele deu de ombros. "Tudo bem. Daqui a uns vinte minutos estou aí."

Quando desligou o celular, Kurt já foi logo se arrumar para chegar logo na casa de Rachel. Estava curioso para saber em que confusão a garota queria metê-lo. Enquanto isso, ela desligava o telefone e olhava fixamente para Quinn, com um sorriso no rosto. "Acho que tenho uma ideia."

"Outra?", Quinn disse com um risinho irônico.

Ainda sorrindo, Rachel pulou na cama e revirou os olhos. "Sim, outra."

~

Rachel mordeu o lábio inferior, esperando por uma resposta do garoto sentado à sua frente, que estampava um olhar assustado e confuso.

"E então, Kurt? Você vai ajudar a gente ou não?" Quinn perguntou impaciente.

"Você fala como se essa fosse uma decisão fácil." Kurt disse, arqueando as sombrancelhas. "Vocês são duas loucas com um plano desse."

"Por favor, nos ajude!" Rachel disse em tom deseperado. "Seria ótimo ter você do nosso lado, daria mais consistência à nossa história."

Ainda em dúvida, Kurt chacoalhou a cabeça. "Eu não sei, não sei. Isso tudo já é confuso o suficiente, não acham? Dar uma festa, assim do nada e sem motivo nenhum, só para que vocês anunciem esse falso namoro... pode ser uma má ideia e levantar suspeitas."

"Ah fala sério, esse plano é perfeito!" Quinn disse com um entusiasmo que deixou Rachel lisonjeada e sem graça ao mesmo tempo. "Rachel, sua ideia é brilhante, Kurt só está dando uma de pai superprotetor porque acha que não temos capacidade pra fazer isso dar certo."

"Isso não é verdade! Eu só acho que no mínimo devo ter uma razão para dar uma festa pra que o plano de vocês dê certo, e até agora eu não ouvi nenhuma ideia."

Rachel mudou de lado na cama para ficar ao lado de Kurt e apoiou seu braço direito sobre os ombros do garoto. "Kurt, você tem razão. Eu sei, precisamos de uma desculpa pra dar essa festa, mas você tem que admitir que eu montei um belo teatro."

Ele balançou a cabeça. "É, acho que sim. Mas devo dizer que o resto do plano de vocês é levemente falho."

Com isso, ambas miraram Kurt com uma cara de indignação e para evitar que as duas o matassem, ele começou a se explicar. "Wow calma! Olha, pensem bem. Não faria muito sentido que Rachel se sentisse ameaçada pelo preconceito contra ela. Quer dizer, você tem dois pais gays. Está acostumada com o julgamento das pessoas e se não estivesse preparada para entrar em um relacionamento lésbico, você saberia. E Quinn, dizer essas coisas para Finn será inútil. Ele foi namorado da Rachel por um bom tempo, ele conhece o lado obscuro dela e pode contra-argumentar tudo o que você disser, pois assim como ele conhece seus defeitos, também conhece suas qualidades."

Elas odiavam admitir, mas Kurt estava certo. Mas que droga! Como não haviam pensado naquilo? Seu plano fora descartado tão rápido quanto fora montado. Tinham ficado tão animadas por terem um plano que esqueceram de analisá-lo mais profundamente.

"E agora? O que a gente faz?"

"Nada." Quinn suspirou desanimada. "A gente conta a verdade e você sai impune. E eu saio como a vadia manipuladora, como sempre. Mas tudo bem, já estou acostumada a isso."

Rachel não sabia se sentia tristeza ou raiva. Ela não podia deixar Quinn sair desse jeito!

"Quinn, me escuta." Rachel disse se inclinando na cama, encarando intensamente os olhos de Quinn e pousando suas pequenas mãos sobre a parte de cima das coxas dela, ambas ignorando o fato de seus rostos estarem queimando de vergonha por causa do toque íntimo. "Eu não vou fazer isso com você. Não vou deixar você sair como a vilã, porque você não é a vilã, tá bem?! Eu não posso deixar você desistir desse jeito. Nós duas ainda podemos sair bem dessa história e eu não quero ser a única que vai sair impune disso tudo. Ouas duas se dão bem, ou as duas se ferram. Não tem outra opção. A gente ainda pode consertar isso, vai dar tudo certo. Só não desista. Por favor."

Quinn lançou um olhar doce à Rachel. Ela estava tão preocupada com o bem-estar de Quinn que se sujeitaria às chances de fracasso só para não deixar que ela se desse mal sozinha. Silenciosamente, ela se perguntou como pudera negar os pedidos de amizade da garota por tanto tempo. Se tivesse tido Rachel como amiga desde sempre, não precisaria de mais ninguém.

Com um aceno com a cabeça, Quinn concordou em aceitar a ajuda dela. As duas ficaram se olhando por um longo momento, ambas sorrindo. Quinn pensava no quanto era sortuda por ter Rachel em sua vida. Rachel pensava no mesmo sobre Quinn.

"Rachel, você pode tirar a sua bunda da minha cara, por favor?"

A garota olhou para trás e percebeu que o modo como estava posicionada deixava seu bumbum perto do rosto de Kurt, que por sua vez se inclinava para trás, tentando desviar-se dela. "Desculpa" disse ela, sentando a seu lado e se ajeitando na cama.

"Bem, e qual é o plano agora?"

"Não faço ideia. Alguma sugestão, Kurt?"

As duas o encararam enquanto ele pensava em algo, roendo as unhas. "Bem, talvez... vocês só pudessem fingir ser um casal normal por um tempo e... sei lá, simular algumas brigas na frente das outras pessoas até que uma delas culmine no fim da relação."

Rachel e Quinn se entreolharam. A ideia era tão simples, mas ao mesmo tempo tão eficiente que não foi necessário conversar sobre ela. "É isso", disseram em uníssono.

~

"É... Isso... Ahãn, claro. Sim, sim, por favor... É... Tudo bem então. Obrigada Jane, você é a melhor assistente do mundo!"

Kurt desligou o telefone e deu um sorrriso. "Prontinho! Agora sim, teremos uma festa decentemente justificável."

Rachel riu. Quem diria que um dia, seu amigo seria um renomado estilista? Quando ele começou com o emprego na Vogue.com quando moravam em Nova York juntos, Rachel pensava que ele iria voltar para seu sonho de ser uma estrela da Broadway assim que conseguisse entrar em NYADA. Mas depois de algum tempo, Kurt subiu na empresa e decidiu mudar de rumo. Sua ideia de carreira havia mudado e ele estava pronto para investir nela. E investiu. E agora tinha até sua própria assistente, que podia fazer suas ligações por ele!

Depois que os três decidiram qual seria a desculpa para a festa — Kurt disse que seria uma reunião entre os ex-integrantes do Glee Club do McKinley -, fizeram a lista de convidados e ligaram para Jane, pedindo que ela entrasse em contato com todos eles.

"Você acha que todos eles vão vir?" Rachel perguntou enquanto preparava um spaghetti para a janta.

"Sim. Eles não perderiam isso por nada. Relaxe."

Quinn deu de ombros. "Contanto que o Finn venha, eu não me importo que o resto do pessoal falte."

Rachel pausou e se virou para a mesa onde a loira estava sentada com Kurt para poder encará-la. "Nossa Quinn, você não sente saudade deles?"

Quinn suspirou. Tinha decidido cortar essa parte de sua vida. Rever os amigos do colégio a fazia se lembrar de como sua vida era no ensino médio, e devido às péssimas lembranças que tinha dessa época, isso não era bom. Muitos deles perguntavam de Beth, sua filha com Puck. Essa era uma ferida que ainda a machucava, por mais que ainda tivesse algum contato com a menina. Ela prefiria evitar.

"O que eu quero dizer é que ele é o único que realmente precisa ouvir o que temos a anunciar. Só isso."

Com um olhar desconfiado, Rachel resmungou e voltou a fazer a comida. Ainda havia tanto que ela não entendia sobre Quinn. Ela queria saber muitas coisas sobre a garota mas respeitava seu direito de se manter calada em relação a alguns assuntos. É por isso que evitava fazer muitas perguntas. Sabia que Quinn era fechada. E ao mesmo tempo sabia que no fundo, ela queria se abrir para alguém. Com um sorriso de lado, desejou que fosse essa pessoa.

~

Passaram-se quatro dias e todos os ex-integrantes do Clube Glee já haviam confirmado sua presença. Menos Finn.

"Ah qual é?" Quinn se queixou jogando as mãos pro alto. "Ele é o único que realmente precisa vir e o único que não vem? Que bosta!"

Pacientemente, Rachel argumentou. "Calma Quinn, vai dar tudo certo. Ele vem."

"Como você sabe? Ele ainda não ligou confirmando."

"Verdade, mas ele vem. Eu sei que ele vem. Além do mais, a festa é só amanhã, ele ainda pode ligar."

Quinn estava deseperada. O único convidado cuja presença era indispensável era o único que não dava sinal de vida. Rachel entendia. Ela também tinha medo de que ele não viesse e o plano fosse por água abaixo. Se essa ideia falhasse, teriam que arranjar outro jeito de executá-la e a confusão se prolongaria mais do que deveria.

Quinn deu um grito de indignação e se jogou desengonçada em uma cadeira da sala de Kurt. "Ei, cuidado! Eu paguei mil dólares por essa cadeira."

"Mil dólares? Pelo amor de Deus, Kurt, pra quê pagar tudo isso em uma cadeira só?"

"Rachel, por favor. Eu sou um estilista agora. Tenho que demostrar que tenho estilo até nas coisas mais simples! Isso inclui cadeiras."

Fez-se silêncio quando o celular de Kurt tocou. Os três ficaram ouvindo o toque e encarando o aparelho até que Kurt caiu em si e o atendeu. "Jane, é você?... Ah, sério?... Graças à deus! Obrigada, Jane!" Ele desligou o telefone e suspirou aliviado. "O Finn acabou de confirmar presença."

As duas garotas não contiveram a alegria. Quinn ficou tão animada que se levantou com tudo e acabou tropeçando, derrubando a cadeira em que estava sentada. Mesmo assim, continuou a comemorar, pulando e gritando enquanto Kurt deseperadamente levantava o assento que ela deixara cair e Rachel espremia os olhos e sorria, dizendo orgulhosa "Eu sabia! Eu sabia!".

Estava tudo pronto. O plano começaria a ser posto em prática e logo tudo se resolveria. Finalmente.

"Bem garotas, depois dessa experiência exaustante, eu vou me retirar e descansar na minha caminha confortável. Amanhã é o grande dia de vocês, então eu aconselho que façam o mesmo."

Com isso, Kurt deu boa noite a elas e subiu as escadas, deixando as duas a sós. Elas haviam combinando que passariam a noite lá para que no outro dia, logo de manhã, pudessem terminar os preparativos da festa.

"Então..." Rachel começou. "Pronta para amanhã?"

Quinn ergueu uma sombrancelha e fez um beiço. "Talvez. Acho que sim. É, provavelmente."

Rachel deu uma risada. "Você é indecisa."

Quinn sorriu. "Sempre fui. Independente do assunto."

"Sério? Nunca percebi. Sempre achei você bem decidida."

Quinn bufou. "Até parece. Eu demoro pra tomar decisões, até sobre as coisas mais bobas. Mas quando encontro uma resposta, me foco totalmente nela até conseguir o que quero. Deve ser por isso que você me acha decidida."

"É, deve ser..." Rachel pensou no assunto e percebeu que Quinn estava certa. Ela havia demorado para decidir se queria ou não ficar com Beth. Demorou para decidir se queria ficar com Finn ou com Sam. Ela demorou para decidir se seriam amigas ou não.

"Bem Rach, vou seguir o conselho de Kurt e ir deitar."

Rachel rapidamente disse que também iria e as duas subiram. Havia só um quarto além do de Kurt, portanto elas teria que dormir juntas. Na mesma cama.

Quando terminaram de se arrumar, ficaram olhando para a cama. Ela era de casal mas mesmo assim era um pouco pequena para as duas. "Bem... como vamos fazer isso?"

Rachel analisou bem e depois deu de ombros. "Nós temos que fingir ser um casal, não temos? Podemos começar treinando agora."

Quinn levantou as sombrancelhas. "Rachel Berry, o que é que você está sugerindo?"

A garota revirou os olhos. "Quero dizer que podemos nos abraçar. Sabe, nos aconchegar pra que as duas caibam na cama e ainda nos sentirmos confortáveis. Além disso, o tempo está meio frio esta noite e o cobertor que Kurt nos deu é extremamente fino."

Quinn sentiu seu rosto queimar. Rachel Berry queria dormir de conchinha com ela? Que diabos estava acontecendo? Mal sabia ela que Rachel estava tão vermelha e envergonhada quanto ela, mas resolveu parecer calma para ser mais convincente. Para a sorte das duas, a luz do quarto já estava apagada e o abajur ligado não emitia muita luz.

Quinn acabou concordando. "Hãn... t-tudo bem. Acho que... acho que podemos fazer isso." Rachel segurou um risinho com a resposta dela e apenas concordou, deitando na cama de lado. Quinn a seguiu e depois de hesitar por um bom tempo, finalmente pôs suas mãos em volta da cintura da pequena garota e seu corpo automaticamente foi atraído pelo calor que a morena exalava.

O toque das mãos de Quinn trouxeram arrepios ao corpo de Rachel e quando todos os membros da garota se envolveram no abraço, uma sensação entorpecente tomou conta dela. Quinn tinha uma pele tão macia. E tão quente. E tão deliciosa...

Quinn não admitiria nunca se alguém perguntasse, mas aquilo era muito confortável. O corpo de Rachel se encaixava perfeitamente no seu e sua pele era tão gostosa... Elas tinham se abraçado antes, claro, mas aquilo era diferente. Elas estavam se tocando em todas as formas possíveis e de uma forma tão íntima que a surpreendeu não estar se sentindo estranha com a situação.

Ambas estavam se sentindo bem. Muito melhor do que poderiam imaginar. E não era algo ruim nem constrangedor naquela momento. Tudo o que sentiam era uma sensação de bem-estar que nunca haviam sentido antes.

E com o pensamento de que aquela poderia ser uma das noites mais confortáveis de suas vidas, dormiram. Uma nos braços da outra.

Notas finais
Ah é pessoal, outra coisinha: eu sei que geralmente demoro pra postar os capítulos e eu realmente sinto muito por isso. Vou tentar manter um espaço de dois dias entre cada nova postagem, tudo bem?