Com Quem Será?

8 At the End of the Day


Notas iniciais
Resumo da minha semana: eu vi um cara ser atropelado por um ônibus, fui assaltada e tive três atividades na escola, além de ter que escrever uma redação. Ou seja, eu realmente tava sem cabeça pra escrever. Além disso, tive um bloqueio criativo enorme e sempre que tentava escrever eu acabava desistindo porque não ficava do jeito que eu queria. Mas FINALMENTE, depois desse tempo todo, eu consegui. Eu espero que vocês entendam e não me odeiem muito :P Não quero dar uma de dramática, só acho que vocês merecem uma expliacação. Bom, enfim, me desculpem e aproveitem!

Quinn teve um pesadelo. Não se lembrava o que era, mas sabia que havia sido algo terrível e por isso acordou em pânico. Se sentou na cama de forma tão violenta que Rachel acordou junto com ela.

"O que foi, Quinn?", a garota perguntou assustada ao se sentar na cama e logo percebeu que essa fora uma péssima ideia. Sua cabeça doía como se tivesse levado uma pancada no dia anterior e seus olhos ardiam dolorosamente com a pouca luz que entrava pela fresta da janela. Maldita ressaca.

Quinn se sentia ainda pior. Além da dor no corpo, sua cabeça girava. Havia se erguido tão abruptamente por causa do sonho que o enjôo que sentia como consequência da bebedeira a levou ao limite, e sem se aguentar, se virou e vomitou no chão ao lado da cama.

De repente, Kurt entrou no quarto, animado. "Bom dia, garo-" começou, mas ao ver e sentir o cheiro do vômito, se virou e rapidamente tampou o nariz com o braço. "Ew, que nojo! Ah pelo amor de Deus, suas cachaçeiras! Vocês vão limpar isso com a língua!"

~

Quinn limpava o chão preguiçosamente enquanto Rachel massageava as próprias têmporas. Agora ela usava óculos escuros, uma cortesia do dono da casa para amenizar a dor. Aquela havia sido uma noite e tanto.

Quando finalmente terminou de secar o piso, Quinn se jogou na cama e suspirou. "Eu quero morrer."

Rachel se questionou sobre o real motivo de ela ter dito isso. Seria somente o fato de a dor da ressaca a ter atingido de forma tão intensa que ela se sentia incapaz de querer continuar vivendo ou estaria ela se referindo aos acontecimentos da festa? Ela queria morrer porque a havia beijado?

Tanto Rachel quanto Quinn tinham dificuldade em se lembrar de todos os detalhes da festa, mas as duas se lembravam nitidamente do beijo. E o pensamento rodeava a mente de ambas, mas nenhuma delas havia tocado no assunto até o momento, por isso não sabiam a opinião uma da outra sobre isso.

Decidindo pensar nesse assunto mais tarde, Rachel pôs as mãos sobre as orelhas. "A gente devia descer. Kurt falou pra gente encontrar ele lá embaixo."

Quinn espremeu os olhos . "Por quê você tá gritando?"

"Eu não tô, é efeito da ressaca. Por que acha que eu tô tapando os ouvidos?"

Revirando os olhos, Quinn acompanhou Rachel até a escada. Desceram com certa dificuldade, já que a cada passo seus corpos eram preenchidos pela dor. Quando finalmente chegaram à cozinha, Kurt lhes ofereceu um comprimido e um copo. Quinn o examinou com uma careta. "Refrigerante?"

Kurt balançou a cabeça veemente. "Sim. Beber líquidos sem álcool ajuda a repor a água que você perdeu. O refrigerante, além de repor os sais minerais e vitaminas, também repõe o açúcar que o álcool reteu."

Rachel riu ironicamente. "Obrigada pela aula, Professor Tibúrcio."

Kurt revirou os olhos. "É algo que se aprende quando se tem amigos alcoólatras. Então, como se sentem?"

"Péssimas" Quinn bufou. "Eu sinto dores em tudo quanto é lugar a cada vez que eu respiro e esse enjôo maldito me persegue."

Rachel assentiu. "Tô na mesma, parece que meus olhos vão saltar do rosto toda vez que eu vejo um fio de luz e eu tô convencida de que fui espancada ontem à noite."

Kurt engasgou com a própria bebida e deu uma risada. "Isso eu não sei, mas de uma coisa eu tenho certeza. Vocês fizeram um ótimo teatro como casal apaixonado durante a festa."

Rachel e Quinn simultaneamente deram um gole em suas bebidas. Ainda havia uma estranheza no ar. Não por causa do beijo em si, mas pelo fato de não se sentirem tão estranhas. Estavam se sentindo estranhas por não se sentirem estranhas. Irônico.

Rachel deu de ombros. "Acho que fizemos um bom trabalho. Certo, Quinn?"

A garota por sua vez continuou a beber cada mililitro de seu refigerante. Ignorou a pergunta, mas mais do que isso. Ignorou Rachel.

Rachel sentiu seu coração apertar. Quinn a estava a ignorando agora? Mas por que? Seria por causa do beijo? É claro que era uma situação bem peculiar e é claro que Quinn teria razão em ficar brava com ela. Afnal ela a beijou depois de terem combinado exatamente o contrário. Mas realmente seria punida assim por seu erro? A amizade delas acabaria por causa disso?

Em um momento de pânico, Rachel aspirou tanto ar para os pulmões que as palavras presas em sua garganta cederam. "Quinn, me desculpa! Eu sei que não podia ter feito o que eu fiz, eu só... foi um impulso! Foi por causa do álcool, eu tenho certeza. Eu não faria aquilo sóbria. Eu descumpri o acordo, fui uma tonta! Eu sei que a gente combinou de não fazer nada mas se a gente pensar bem, o beijo deixou a encenação mais realista, porque agora todo mundo tem certeza de que..."

"Fica quieta."

Rachel olhou para Quinn, que continuava inexpressiva, com a boca aberta, chocada com o que acabara de ouvir. "Hãn... o quê?"

"Para de falar só por um minuto, meu Deus!" Dessa vez, Quinn se virou para encarar Rachel por completo, com intensidade e fúria em seus olhos. "Olha só, você pode achar fácil falar sobre isso, mas eu não acho! Eu acabei de vomitar porque acordei de um pesadelo e a primeira coisa que me lembrei foi isso. Esse... beijo. Algo que você fez sem minha permissão, e agora você quer agir como se nada estivesse errado e como se tudo fosse se resolver assim, simplesmente? Se toca, Rachel!"

Rachel lutou contra as lágrimas que insistiam em tentar sair e respirou fundo. "Acho que você devia guardar essa raiva pra quando a gente for brigar na frente dos outros." E assim, subiu as escadas, dirigindo-se ao banheiro e trancando-se lá. Finalmente, o choro preso teve permissão para se manifestar.

~

A realização do que havia acabado de fazer atingiu Quinn tão inesperadamente quanto a dor que a tomara assim que acordou naquela manhã. Ela havia acabado de dizer coisas extremamente cruéis para a única pessoa que havia se doado por completo em seu mais louco plano. Ela tinha acabado de decepcionar a pessoa que ela sabia que nunca a decepcionaria.

Desabou. Deixou que a água escorresse por seu rosto e começou a soluçar, deseperadamente. Não entendia o porquê, mas essa discussão havia a afetado de forma profunda, e agora sentiasse um lixo. Que tipo de amiga dizia essas coisas para a outra?

Kurt assistiu à cena atônito. Não sabia se ia atrás de Rachel, se consolava Quinn, se falava alguma coisa ou se ficava quieto. Com um suspiro, resolveu escolher a terceira opção. "Para de chorar, Fabray. Foi só uma briga."

Com um olhar tristonho, a garota o olhou e sacudiu a cabeça. "Eu gritei com ela, Kurt. Falei um monte de bobagem e ela tá me ajudando tanto! Como eu pude ser tão idiota? Eu só faço merda!"

Quinn começou a chorar ainda mais, só que dessa vez se abaixara e começara a bater a cabeça na pia da cozinha. "Ah pelo amor de deus, para com isso!" Kurt foi até ela e a levantou, envolvendo-a em um abraço confortante. "Tá tudo bem. Vocês duas tão muito estressadas com tudo isso e você acabou explodindo nela. É normal."

"Não. Não é. Não quando você trata como lixo a única pessoa que sempre confiou e apoiou você. Eu sou uma péssima amiga, Rachel não merece nada disso!"

Kurt acariciou os cabelos de Quinn, abraçando-a cada vez mais forte e começou a cantarolar uma música sem letra em seu ouvido com o intuito de acalmá-la. Ele tinha um dom para acolher as pessoas que precisavam.

Depois de alguns minutos, Quinn foi se acalmando e o choro foi cessando. Se afastou lentamente do garota que a envolvia e o encarou. "Brigada, Kurt."

Com um meio sorriso, o garoto deu de ombros. "Tudo bem. Tô acostumado a consolar a Rachel e agora você é namorada dela, certo? Tenho que te consolar também."

Com uma risada, ela secou as lágrimas de seu rosto e respirou fundo. "Você acha que eu devia ir falar com ela?"

"Não sei", ele disse com uma cara confusa. "Rachel deve tá mal mas você também tá. Isso pode piorar tudo e deixar as duas mais nervosas ou ajudar vocês a se entenderem antes que tomem uma atitude precipitada. Depende de como você encarar a situação."

Ele estava certo. Quinn tinha que fazer algo, mas deveria decidir com muita cautela. Não podia se dar ao luxo de perder Rachel. E isso não se tratava do falso namoro. Ela pouco se importava com isso naquele momento. Tomou um último gole em seu refrigerante e resolveu subir as escadas.

~

Rachel ficou trancada no banheiro por meia hora. Suas lágrimas escorriam enquanto ela tentava dizer a si mesma que não valia a pena. "Para de chorar, Rachel Berry! Você sabia que isso ia acabar acontecendo. Todos te decepcionam, sempre! Já devia estar acostumada."

No fundo, ela sabia que Quinn não tinha dito aquelas coisas por mal. Estava estressada. Havia muito em sua cabeça e, para Rachel, aquele discurso foi merecido. Ela havia feito algo que Quinn não havia permitido, ultrapassou os limites que ela havia imposto. Tinha sido egoísta. Mas mesmo assim, o jeito como Quinn parecia decepcionada e indignada com ela surtiu um efeito de culpa e raiva em Rachel. Raiva de si mesma.

Olhou para o espelho antes de encharcar o próprio rosto com um jato de água. Rapidamente colhia algumas gotas e as direcionavam para sua face vermelha, numa tentativa de se acalmar. Depois de vários suspiros, Rachel fungou e finalmente secou o rosto, pronta para sair do pequeno cômodo em que se escondera. Mas antes que pudesse por a mão na maçaneta, alguém a chamou.

"Rachel?"

A garota parou e afastou o braço da porta. Era Quinn.

"Rachel, por favor. Fala comigo."

Sem saber se respondia ou não, a morena resolveu sentar-se no vaso sanitário, com os braços cruzados em volta da barriga. Uma posição um tanto quanto apropriada para o ambiente em que estava, mas que não a importunava no momento.

Do outro lado, uma garota arrependida se encostou na superfície de madeira e passou os dedos por entre os detalhes da porta. Com um longo suspiro, resolveu não esperar por uma resposta. "Eu só... eu queria... queria pedir desculpas. Eu sei que fui uma idiota. Você não merecia ouvir nada daquilo. Acontece que... bem, eu... eu não sou boa nessas coisas mas... eu tava muito nervosa e ainda tem essa ressaca que me deixa ainda pior. Eu acabei explodindo com você. E te peço perdão por isso."

Por um momento, Rachel olhou para a porta como se imaginasse a forma de Quinn. Balançou a cabeça e voltou seu olhar para o chão. A outra continuou a falar. "Sabe, Rachel, você me pegou de surpresa ontem. A gente tinha combinado de não fazer nada e mesmo assim você me..." A palavra ficou presa em sua garganta. Ainda não sabia como se sentir em relação àquilo tudo. "Bom, o que eu quero dizer é que... isso me desconcertou. Mas eu entendo que só me contradisse pra deixar a história mais real e, bem, você cumpriu seu objetivo."

Rachel engoliu um seco. Já não sabia mais se havia a beijado simplesmente por causa do álcool, para deixar o teatro mais convincente ou... por outra coisa.

"O fato é que, isso tudo me subiu à cabeça. Eu pirei. Você parece saber lidar com essa situação tão bem e eu... eu não tenho nem metade do auto-controle que você tem. Eu fico completamente maluca quando algo inesperado assim acontece. Foi por isso que eu agi que nem uma besta. Não foi minha intenção machucar você."

Rachel hesitou, mas resolveu responder. "Você me superestima, Quinn."

A loira levantou um olhar confuso para a porta. Rachel se levantou e se apoiou no box do banheiro. "Eu não sou tão controlada assim. Essa situação também me deixa meio louca às vezes. Eu só sei me manter calma e parecer indiferente. Por que você acha que eu sou tão boa atriz? Eu sei controlar minhas emoções por fora. Mas isso não significa que elas espelham o que eu sinto por dentro."

Quinn umideceu os lábios com certo pesar. "Você tem razão. Eu não devia ter assumido que você tava bem com isso tudo. E eu disse coisas tão terríveis..."

Rachel deu de ombros. "É. Às vezes você diz coisas sem medir o peso delas. Isso pode machucar."

Dando um pequeno soco no ar, a loira prosseguiu, pensando em como tinha feito uma besteira. "Eu sei, eu sei. Eu digo as coisas sem pensar e acabo decepcionando as pessoas que eu amo."

A boca de Rachel se abriu em surpresa. Quinn a amava? O coração da pequena começou a bater mil vezes mais rápido. Não sabia que o que tinham era tão grandioso. A loira, por sua vez, não pareceu perceber o impacto de sua fala e continuou. "Eu só... eu tenho raiva. De mim. Porque isso tudo é culpa minha. Eu podia ter evitado, mas não, eu tinha de ser uma idiota. E o que isso trouxe? Confusão, mentiras, desconforto, dor..."

Tomando fôlego, Rachel se arrastou até a porta, agora apoiando-se sobre ela e a interrompeu. "Você fala como se essa experiência toda fosse ruim."

"E não é?"

"Não. Ela também trouxe coisas boas."

"Como o quê por exemplo?"

"Ela fez nós duas ficarmos mais próximas."

Quinn parou. Por um momento, sentiu como se não pudesse respirar. Todo o ar havia saído de seus pulmões. Então era isso que estava chateando Rachel de verdade. Não era o fato de elas terem discutido, era o fato de ela tratar a proximidade delas como algo ruim. "Isso tudo nos aproximou, Quinn. E pra ser honesta... eu gosto disso. De passar mais tempo com você."

Com um leve sorriso, Quinn apoiou a cabeça na porta e suspirou baixinho. "Eu também gosto, Rachel. Na verdade, eu tô muito feliz de ter inconscientemente te escolhido pra me ajudar nisso tudo. Não só porque você me apoia, mas também... também porque eu gosto de ficar perto de você."

Por um longo momento, as duas ficaram assim, sem dizer nada. Era isso. Um pedido de desculpas silencioso e uma reconciliação envolvida pelo barulho de suas respirações. Estava tudo bem.

Rachel então decidiu terminar com aquilo de modo definitivo e girou a maçaneta, abrindo a porta. Mas Quinn estava apoiada nela, por isso tombou para o lado, indo de encontro ao chão.

Rachel não conseguiu segurá-la a tempo, mas logo foi a seu resgate. "Quinn! Você tá bem?! Ah meu deus, me desculpa!"

Apoiada no chão com os braços, a garota balançou a cabeça. "Não, tá tudo bem. Eu só acho que meu joelho vai ficar roxo, mas eu tô viva. Ai!" Lentamente se levantou com a ajuda de Rachel, com o braço apoiado em seus ombros. Quando ficaram frente a frente, se entreolharam. Novamente, a distância entre elas era mínima. Mas agora, o que precisavam era mais simples. Com um sorriso, Quinn jogou seu outro braço por trás de Rachel, envolvendo-a num abraço. A morena correspondeu, apertando-a forte.

"Ai! Rachel, vai com calma."

"Ah desculpa!"

Ficaram ali, grudadas, por um bom tempo. Até que ouviram alguém atrás delas limpando a garganta. Era Kurt, que as observava com uma sombrancelha erguida e um sorriso no rosto. "Estou interrompendo algo, senhoritas?"

Ele estava, mas elas não disseram nada. Só se soltaram e sorriram para ele. Com um balanço de cabeça, ele se dirigiu à porta. "Estou preparando um lanchinho. Desçam quando terminarem a sessão de amassos!"

Rachel revirou os olhos e olhou para Quinn, que sorria tanto quanto ela. Elas haviam se entendido. E agora sabiam.

Elas podiam brigar, se xingar, gritar uma com a outra. Mas no fim do dia... elas se abraçariam.

Notas finais
Eu TIVE que colocar essa última frase! Bem, enfim, espero que a espera tenha valido a pena. Mais uma vez me desculpem (eu peço desculpas em todos os capítulos, meu deus) e comentem se puderem ;)