Notas iniciais
Olá, leitores da Terra, de Marte, de Plutão e do sol! Olá, amiguinha! Espero que vocês gostem e me perdoem pela enrolação, mas eu queria chegar na parte final de maneira que a história não ficasse pequena. De qualquer forma, o início é um complemento da série :D

Os dedos de Lydia apertavam com força o volante. A única luz era dos faróis do carro que corria na estrada escura e tortuosa. Lydia não tinha ideia do que estava fazendo, apenas seguia um sentimento que a perturbava desde que o dia amanhecera.

Já passava de meia-noite quando parou o carro perto de um barranco na beira da estrada. O barulho que vinha da floresta era assustador, mas a garota pareceu não se importar. Saiu do carro e caminhou até a beirada do barranco, onde esperou alguns minutos antes de descer cuidadosamente em direção à floresta.

Caminhou por mais meia hora sem enxergar nada, guiada apenas por uma sensação que lhe indicava a direção que deveria seguir. Os sapatos altos enterravam na terra e deixavam a terra molhada marcada por pegadas. Não que aquilo fosse útil na escuridão, mas a ruiva torcia para que enxergasse as pegadas quando estivesse retornando.

Enfim parou em uma clareira a poucos metros de um córrego desconhecido. Sentou-se em um tronco de madeira e ali esperou que alguma coisa acontecesse. Foi quando percebeu onde estava.

De todos os lugares possíveis, ela fora levada até um Nemeton. Ela conseguia sentir uma força emanando da árvore. Uma força tão forte que a forçou a levantar e se afastar até a beirada do córrego.

― Lydia ― chamou uma voz quase familiar e tão leve como o sopro do vento. ― Lydia, sou eu.

Aquela voz. Era impossível esquecer a voz de alguém que lhe contara tantos segredos e que lhe ouvira nos momentos mais difícil. Impossível esquecer a voz de alguém que se sacrificara por seus amigos. Uma heroína, Lydia podia afirmar.

― Allison? ― Lydia perguntou com a voz tremida. ― Allison, é você?

Ela ouviu uma risada inconfundível. Definitivamente da amiga.

― Sim, querida, sou eu. Desculpe fazê-la vir até aqui essa hora, mas eu realmente precisava falar com você. Eles estão vindo, Lydia! Tome cuidado, leia o livro. Você saberá o que fazer quando a hora chegar.

Aquelas palavras jogadas para Lydia não fizeram o menor sentido. Ela ainda tentava entender como a amiga estava ali. Não, a amiga não. A consciência da garota.

― Como isto é possível? Você falar comigo, este Nemeton. Não consigo entender, nada disso parece possível ―Lydia perguntou confusa.

Allison riu. Não uma risada fria ou sarcástica, mas uma risada doce e gentil, como quando se ri da graça de um bebê.

― Tudo isso está na sua cabeça, Lydia. Nada disso passa de um sonho que você se lembrará quando ler o livro ― A voz de Allison era calma e compreensiva. ― Haverá um envelope em sua escrivaninha. Abra-o. Ali estará uma carta com sua letra. Não se assuste, afinal, eu que guiei sua escrita. Quando chegar o momento, você se lembrará deste sonho.

― Então não me lembrarei de ter conversado com você? ― Lydia perguntou com a voz carregada de melancolia. ― Mas eu não quero. Eu sinto sua falta.

Talvez aquela não fosse apenas a consciência de Allison, talvez fosse a própria Allison, pois uma sensação de tristeza a abateu. Ela também sentia a falta de Lydia e seus amigos, mesmo que pudesse vê-los e seguí-los. Ela queria tocá-los, conversar com eles, ter um sorriso em resposta a seus sorrisos. Mas ela sabia que aquilo jamais seria possível. Já fora difícil trazer Lydia, mesmo em sonho, até ali. Ela não podia mais sacrificar a amiga para que alguém falasse com ela.

― Sinto muito, querida, mas não há nada que eu possa fazer. Também sinto a falta de vocês, mas está tudo bem. Estamos bem. Eu, Aiden, mamãe. Eu amo vocês. Agora vá antes que fique desgastada.

Porém Lydia se recusava a deixar Allison. Ela precisava da amiga ao seu lado.

Mas nem tudo é como nós queremos. E logo Lydia se viu sendo levada dali por uma força invisível mais forte do que sua vontade. E rapidamente ela estava de volta ao seu carro sendo levada a sua casa para na manhã seguinte não se lembrar de nada, apenas a sensação de que deveria ler a carta.

***

Na manhã seguinte, a primeira coisa que Lydia fez foi caminhar até a escrivaninha e pegar o pequeno envelope branco que continha uma folha dobrada perfeitamente. Ela logo reconheceu a própria caligrafia e ficou confusa por não se lembrar de ter escrito aquilo, mas decidiu ler assim mesmo, afinal, a sensação de urgência não a abandonava.

Querida Lydia,

Sei que pode parecer estranho, mas sou eu, Allison, sua amiga. Sinto muito se minha morte causou sofrimento em algum de vocês, mas não se preocupe, eu estou bem, acredite.

Estou escrevendo (ou usando você para escrever) para avisá-los sobre um perigo que está indo em direção à Beacon Hills. Não posso contar agora o que é, sinto muito. Mas é minha obrigação avisá-los para que estejam preparados, pois eles não vão demorar a chegar. Scott já desconfia que as coisas vão piorar. Infelizmente, ele está certo.

Por favor, não façam nenhuma burrada. Já não basta Aiden me perturbando, não quero que nenhum Stiles venha morar comigo. De verdade, planejem todos seus movimentos antes de atacar.

Houve um sonho no qual eu te falei sobre um livro. Você não lembrará nem do sonho nem do livro, por ora. Tudo virá à tona quando chegar o momento.

Diga a Scott que aprovo o relacionamento dele com Kira. Ela é realmente uma boa menina. Para Stiles você pode dizer que Malia é alguém muito especial que deve ser tratada com todo amor e respeito. E, Lydia, Parrish é alguém muito legal. Estou sempre de olho em vocês dois tentando descobrir que criatura ele é. Eu sei, mas infelizmente não posso contar. Dê uma chance a ele, você merece ser feliz.

Diga para meu pai que eu e mamãe finalmente nos entendemos. Diga que estamos bem e peça para que ele cuide de Isaac por mim. Nós continuamos amando ele e permanecemos ao seu lado, mesmo que ele desconheça. Permanecemos ao lado de todos vocês.

Cuide bem dos outros por mim.

Com amor,

Allison.

Um sentimento de amor e tristeza passou pelo coração de Lydia. Logo ela percebeu que não havia tanta coisa com o que se preocupar, apenas os mesmos problemas de sempre: Os perigos enfrentados por eles. Logo ela percebeu que Allison estavam bem, que ela estava ali do seu lado, que ela nunca havia a abandonado.

― Olá, Allison! ― Lydia exclamou antes de descer para o café.

Notas finais
Espero que tenham gostado, foi feito com todo amor de dedicação. Caso tenham achado algum erro (Que geralmente passa quando você revisa enquanto está estudando) me avisem, por favor. Qualquer dúvida também :D
Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!