Colors
1 01. Welcome to Corona, losers.
Notas iniciais
— Soluço, você já pegou as meias, meu filho ? — Meu pai, Stoico, perguntava enquanto — de uma só vez — carregava duas caixas grandes. — Dizem que em Corona é muito frio.
— Peguei, sim.
— Relaxa, tio Stoico. — Jack saiu do caminhão, sorrindo para meu pai em seguida. — Não deve ser tão frio quanto esse fim de mundo. E além disso, é só algumas horas de carro até lá. O clima deve ser parecido.
— Corona fica muito acima do nível do mar, Jack. É mais frio.
— Odeio o quanto você é nerd. — Joguei uma caixa em seus braços para que calasse a boca. Ele guardou a última e fechamos o caminhão. Dei uma última olhada na cidadezinha onde nasci e cresci e não pude conter um suspiro.
Eu e Jack terminamos o Ensino Médio há apenas três meses e há alguns dias recebemos a notícia de que havíamos passado em uma prestigiada faculdade, mas que fica em Corona. No começo, meu pai e Noel não gostavam nem um pouco da ideia. Dois adolescentes de dezessete anos sozinhos na cidade grande? Nem pensar. Mas, graças a grande lábia que o jovem Frost possuí, conseguimos a permissão.
E então que começa os problemas.
Bem, o preço do lote em Corona é altíssimo e apartamentos perto da faculdade estavam todos ocupados. Bem, menos um. Havia duas camas vazias e estavam urgentemente precisando de vagas. E então, acabou que eu e Jack preenchemos. Não sabemos quem são, já que falamos apenas com a mãe de um dos moradores de lá. E, sinceramente, isso me deixa muito nervoso.
— Ei, Arroto. Para de viajar e se despede do teu velho, já estamos de saída. — E entrou no carro, puxando papo com o motorista. Olhei para o meu pai e apenas demos um abraço silencioso.
— Não se preocupe, pai. Seu filho magricela vai se sair bem lá. Eu acho.
— Pare com isso, Soluço — E me deu um murrinho as costas. Doeu, claro que doeu. Qualquer contato físico de Stoico resulta em hematomas, mas decidi sofrer calado. — Você é um garoto esperto. Vai se dar bem.
As palavras de meu pai remoíam dentro da minha cabeça, me deixando assustado. Estávamos bem perto da cidade e parecia que eu iria vomitar todo meu café da manhã. Jack já tinha cansado de falar com o motorista, então apenas aproveitava a música que tocava na rádio.
— Vocês estão indo para estudar ? — O senhor me perguntou e eu assenti logo em seguida. — Isso é bom. O ensino de Corona é bom, e dizem que os anos da faculdade aqui são os melhores.
— Há muitas gatas em Corona ? — Jack foi direto e fez o motorista cair na gargalhada.
— As mulheres de lá são lindas, pode apostar.
— Agora isso tá ficando bom demais pra ser verdade.
— Você não tem jeito — Senti o meu celular vibrar no bolso e peguei o aparelho, que mostrava que um número desconhecido estava ligando. Atendi, receoso. — Alô?
— Alô? Esse é o telefone do... Soluço? — Uma voz feminina falou do outro lado, me deixando assustado. Jack me olhava com interesse do outro lado do banco. — Oi?
— Ah, sim.. Sou eu. Quem pergunta?
— Ah, que ótimo! Prazer, eu sou Rapunzel, sua colega de quarto. — Quase engasguei e Jack também. Quero dizer, eu não tinha noção de que iríamos dividir o quarto com uma garota. — Eu só queria avisar que as chaves vão estar debaixo do vaso de orquídeas, eu vou chegar um pouco atrasada em casa. Ok ?
— T-tudo bem. — Ela desligou e fiquei encarando o telefone.
— Hoje é o melhor dia da minha vida — Jack estava todo sorrisos do meu lado — Acredita que vamos dividir o apartamento com uma mina? Espero muito que seja gata, que aí, tô feito.
— Se você tentar flertar com a dona da casa, ela vai expulsar a gente.
— Claro que não! Ninguém resiste a... — Ele olhou para frente e deixou o queixo cair, então, olhei também.
Como era linda a cidade de Corona.
— Sejam bem-vindos, garotos.
Nunca havia visto algo do tipo. Digo, Berk é industrializada, mas é excessivamente pequena. Aqui, não. Há prédios imensos por todos os lados e muitos carros em todas as esquinas.
— Eu estou me sentindo um caipira. Totalmente.
O caminhão andou por mais alguns minutos e logo estacionou em frente a um prédio não tão sofisticado quanto os do centro da cidade, mas ainda assim, bonito.
— Eu vou chamar os empregados para ajudar a descarregar, pode demorar alguns minutos. Subam e vão ver a colega de quarto. — Ele piscou, me deixando corado.
— Pode deixar! — Jack me pegou pelo pulso e saiu quase correndo para dentro, parando apenas para dar os documentos necessários na recepção e nosso comprovante de morador. Assim que ela nos liberou, ele correu comigo pelas escadas até o quarto andar e parou no apartamento 143.
— Você não está nervoso ? — Perguntei, enquanto ele levantava a orquídea branca e já ia enfiando as chaves.
— Não mesmo, digo, estamos apenas começando nossa vida aqui. — A porta se abriu e um grande apartamento se fez diante de nossos olhos. Entramos, deixando a porta aberta por trás. Jack assoviou. — Uau, que casarão. Estamos com a sorte grande, hein.
— Bem, talvez... — Olhei para trás e soltei um grito, mas não pude acompanhar o que aconteceu. Só vi Jack caído no chão com as mãos na cabeça e uma ruiva segurando um livro pesado nas mãos, que acabara de usar para bater no meu melhor amigo, muito ameaçadora.
— Quem são vocês? — Rosnou, me deixando com calafrios.
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