Coloring The Life - Um Restart Na Vida
1 Tá na hora de apertar restart.
Notas iniciais
Sim, eu sempre odiei Restart. Não sei como essa caixinha de lápis de cor saltitantes seja a banda do momento. Mas isso não era coisa para se pensar agora. Aproveitava meu talento de cantar para tentar arranjar dinheiro para pagar o hospital particular onde minha mãe está internada, com uma doença, muito grave.
Hoje era outro dia... Eu vou tentar mostrar meu talento hoje em uma gravadora que me chamou. Universo, Universitária... Ah! Eu não sei!
Peguei meu celular e liguei para minha prima, Alícia.
- Alie, me leva pra Universal. — ahá! Finalmente lembrei o nome.
- Onde é isso? - Ela falou
- Te enviei o endereço por fax ontem. — Falava enquanto dava voltas pela sala
- Hmm... Peraí, vou buscar o fax que esqueci com os dinossauros, haha ! — Minha prima caçoou.
- Anda logo ! — Bufei.
- Ok, já sei onde é. Me espera na frente da tua casa. Beijo pra você, emo — ela imitou o som de um beijo e logo o telefone ficou mudo.
Peguei minha bolsa e fiquei sentada na varanda da minha casa olhando para o além. Logo vi o Palio prata estacionar na frente da minha casa e dar uma buzinada meio longa...
- Tô indo, lápis de cor! — Era o modo que eu a chamava, por ela ser fanática MESMO por Restart.
Saí correndo e aterrissei no banco da frente, estava tocando uma música do restart. Pra variar... Ela tinha dadinhos com a cara de cada um em cada lado, e capas de todos os CDs lançados da Restart jogados pelo chão do carro.
Alícia permanecia calada, com os olhos apenas na rua, enquanto acelerava. E os prédios e casas começaram a virar um vulto.
-Então, como está sua mãe? — ela tornou a falar quando o semáforo estava vermelho.
- Piorando... — Olhei para baixo, enxergando meus all-stars surrados.
Ela apenas me abraçou mas, soltou imediatamente pois o semáforo tinha ficado verde.
Chegando na frente do estúdio de gravação, havia muitas, muitas meninas em frente segurando cartazes. Só consegui ler um, enquanto minha prima estava tentando estacionar. estava escrito "Pe Lanza, me seca neném!"
Soltei uma gargalhada, e logo estava rindo compulsivamente.
- Me seca neném ! Me seca ! — minha prima imitou passando a mão em seu corpo.
Parecíamos duas loucas rindo dentro do carro, fazia tempo que eu não me sentia bem assim...
- Será que o Restart está aqui? — Seus olhos estavam estalados.
- Será que minha faca está aqui? — Caçoei dela imitando sua voz
Ela me empurrou e eu abri a porta sem querer. Aquela louca quase me faz ser atropelada por um ônibus !
Ele parou, e eu me levantei. Minha prima foi ainda rindo me ajudar. O motorista ia descer, mas fiz um sinal de que eu estava bem, e ele continuou. Olhei para minha prima planejando empurrá-la também, mas vi que ela estava quase chorando.
- Calma não aconteceu nada comigo ! — Eu me preocupei.
- Eu não tô chorando por causa de você. — Ela fungava — VOCÊ LEU O QUE ESTAVA ESCRITO? ERA O ÔNIBUS DO RESTART ! — ela gritou
- É, vou fingir que não te conheço. Aliás, quanta consideração por mim hein?
- Não tô nem ai pra você ! Você quase foi atropelada pelo ônibus do restart. — Ela me chacoalhava, cara, ela estava ficando louca, e eu com vergonha. — Imagina se tivesse sido atropelada !
- Ok ! Obrigada viu ? — coloquei a bolsa em meus ombros. — me deseje sorte. — dei um beijinho em sua bochecha.
- Sorte pra você, sua emo ! — Ela me deu outro beijinho na bochecha. — Quando precisar me liga para eu te buscar ok?
- Claro ! Se eu não for atropelada pelo ônibus da Restart. — Falei imitando a voz dela de novo.
- Me seca neném ! — Ela imitou Pe Lanza de novo
- Ok chega de gracinha, beijo !
entrei tropeçando lá dentro. Quase que eu fui expulsa. Fui confundida com uma fã. Fiquei sentada numa salinha, esperando dar o horário de não sei o quê. Finalmente chamaram meu nome. Levantei eufórica e ia acompanhando uma mulher que me guiva. Me esgueirava pelo corredor estreito, destraída, quando trombo em alguém.
- Mal aí. — Nem Olhei para quem tinha esbarrado e mim. Até que reparei na tatuagem no braço da pessoa que ainda me segurava.
Levantei a cabeça lentamente, e fiz uma careta ao ver quem estava me segurando. Pedro Gabriel Lanza Reis.
- Já disse. Foi mal. — Tentei me soltar do braço dele.
Ele me deixou livre mas chamou a mulher que estava me guiando.
- Manuella, entre na última porta a esquerda, por favor. — Ela aprontou, e foi chegando mais perto de Lanza.
Me virei e fui, meio desconfiada, virava um pouco para trás, e via Lanza cochichando com ela.
entrei na sala e sentei numa cadeira acolchoada branca na frente de uma grande mesa de escritório.
- Muito bem... — A mulher apenas um pouco a porta e se esgueirou entre o meio aberto.
E começaram as perguntas, e fiz uma capela ali mesmo. Não me sentia a vontade, não pelo fato de estar com essa mulher. Era que eu me sentia observada, sei lá... As vezes ouvia vozes da porta, mas achava que era nervosismo. "Deixa pra lá." Pensava.
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